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Governo estabelece cronograma para testar aumento da mistura do etanol com 35%

Estudo técnico começa no mês que vem, deverá ser finalizado até o fim do ano e atende a desejo do governo, que queria elevar a 32% para já

São Paulo – Atendendo a demanda de entidades setoriais representantes do setor automotivo o MME, Ministério de Minas e Energia, definiu um cronograma para testes de mistura do etanol com 35% da gasolina. A Agência AutoData teve acesso a documentos com os prazos previstos, que apontam início dos ensaios em setembro e conclusão até o fim do segundo semestre, com a divulgação do relatório técnico de viabilidade.

Atualmente a mistura do etanol na gasolina é de até 30%, com 2 pontos porcentuais de tolerância. Com base nestes 2 pontos o governo propõe elevar a mistura para 32%, mas aí a tolerância subiria para 34% e não há testes que comprovem sua segurança, o que fez a indústria pedir nova rodada de avaliações.

Na terça-feira, 9, o ministro Alexandre Silveira afirmou que enviaria pedido ao CNPE para analisar o aumento imediato de 30% para 32% de etanol na gasolina, em reunião que deverá ocorrer em quinze dias. O anúncio foi feito após reunião do segmento do etanol com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.

A ideia do governo é reduzir a dependência de importação de gasolina, que tem sofrido alta volatilidade de preço por causa do conflito que Estados Unidos e Israel infligem ao Irã. A área técnica do governo estima redução de importação de 450 milhões de litros de gasolina com o E32.

Uma fonte ligada às negociações ouvida pela reportagem disse não esperar que este pedido de aumento prospere rapidamente, apesar do lobby do agronegócio. O cronograma de ensaios deverá ser respeitado e eventual aumento na mistura só viria no ano que vem, avaliou.

Ensaios iniciam no mês que vem

De junho a setembro os ensaios serão preparados, com a busca por laboratórios, validação do escopo dos testes e formulação e certificação dos combustíveis. A coordenação será do MME, com previsão de reuniões quinzenais. Após o relatório publicado ainda seriam necessárias etapas como consulta pública e a deliberação no CNPE, Conselho Nacional de Política Energética.

A preocupação das empresas fabricantes de veículos é especialmente com modelos mais antigos. O etanol tem características que favorecem a corrosão e desgaste de componentes que não foram desenvolvidos para o seu uso. Os testes visam à validação de segurança destes modelos e de outros a gasolina, mais recentes, a maior parte importados.

O escopo dos testes segue nesta direção, com ensaios para medir a durabilidade dos componentes, compatibilidade química de materiais, lubricidade, volatilidade, condutividade, estabilidade à oxidação, conteúdo energético e impacto em consumo. Automóveis, comerciais leves e motocicletas passarão pelas avaliações.

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