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Scania acumula quase R$ 1 bilhão em liberações do Move Brasil 2

Banco da montadora registra alta de 100% nas solicitações de crédito e a maioria das operações é destinada a pequenos transportadores e à compra de um único caminhão

São Bernardo do Campo, SP — A Scania praticamente igualou, em apenas três semanas de Move Brasil 2, o volume de financiamentos que alcançara durante toda a primeira etapa do programa: desde o início efetivo da segunda fase a empresa protocolou 943 operações que somam R$ 923 milhões, valor próximo do R$ 1 bilhão que movimentou ao longo dos dois meses de vigência do Move Brasil 1.

O desempenho reflete o forte interesse dos transportadores pelas condições subsidiadas de crédito que, segundo o presidente da Scania Serviços Financeiros Brasil, Oscar Jaern, tiveram as solicitações de financiamento dobradas com relação ao volume habitual da instituição:

“Estamos vivendo um momento muito bom dentro do mundo de financiamento de veículos pesados, impulsionado pelo Move Brasil. Temos nessa segunda rodada um interesse muito grande de nossos clientes e da indústria como um todo”.

De acordo com o executivo o Move Brasil 1, realizado de janeiro a março, gerou aumento de cerca de 60% nas solicitações de crédito recebidas pelo banco. Na segunda fase o crescimento chegou a 100%.

Os financiamentos protocolados pela instituição contemplam 955 caminhões, 86 implementos rodoviários, 34 carrocerias, 33 chassis e 33 ônibus, totalizando 1 mil 108 bens financiados.

Pequenos transportadores lideram procura

A maior parte da demanda vem dos clientes de menor porte. Segundo a Scania aproximadamente 75% das operações realizadas dentro do Move Brasil 2 envolvem a aquisição de apenas um caminhão. Ou seja: claramente varejo.

O executivo avalia que o programa ajudou a destravar decisões de investimento que vinham sendo adiadas por causa dos juros elevados: “Muitas empresas estavam postergando decisões de compra. Por força do programa passaram a acelerar a decisão para aproveitar a oportunidade”.

Essa atratividade do Move Brasil está diretamente ligada ao custo do financiamento. A taxa praticada gira em torno de 1,05% ao mês. A linha CDC Verde da Scania, voltada principalmente para veículos movidos a gás, opera em torno de 1,07% ao mês, enquanto as linhas tradicionais de mercado superam 1,40% ao mês:

“Quando trabalhamos com taxa próxima da praticada no Move Brasil a roda gira muito mais facilmente. Este é o nível que considero saudável para o transportador”.

Recursos se esgotarão rapidamente

A avaliação da Scania é que o programa está sendo consumido em ritmo acelerado. Segundo dados apresentados pela empresa aproximadamente R$ 10 bilhões dos R$ 21,2 bilhões ofertados pelo governo federal já estão comprometidos. No caso dos ônibus cerca de 75% dos recursos reservados para o segmento também já foram utilizados.

Apesar do desempenho acelerado do programa a Scania já trabalha com a perspectiva de um cenário sem os recursos subsidiados do governo. Segundo Oscar Jaern o ritmo atual indica que o Move Brasil 2 deve consumir todo o orçamento disponível ao longo de julho ou, no máximo, no início de agosto.

A partir daí, segundo ele, o mercado deverá voltar a operar com as linhas tradicionais de financiamento, incluindo CDC convencional, CDC Verde, Finame tradicional e outras modalidades do Bndes. O executivo avaliou que o programa ajudará a reduzir parte da retração observada no segmento de caminhões pesados mas evita fazer projeções sobre o comportamento da demanda após o fim dos recursos.

“No segmento acima de 6 toneladas o mercado acumula queda próxima de 15%. Eu acredito que o Move Brasil pode ajudar a estabilizar esta queda ou até a recuperar parte do mercado.”

Jaern também descartou especular sobre uma eventual terceira edição do programa.

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