São José dos Pinhais, PR — Com a entrada em operação, em outubro, da sua nova linha de fundição de alumínio por gravidade na fábrica de São José dos Pinhas, PR, a Horse Powertrain concluirá ciclo de investimento de R$ 300 milhões iniciado em 2023. Consolida, assim, a operação local como uma das mais importantes bases industriais e de desenvolvimento tecnológico no mundo.
Do total aplicado R$ 200 milhões foram destinados ao estabelecimento desta nova linha de fundição e os demais R$ 100 milhões para o desenvolvimento de produtos e à ampliação das capacidades locais de engenharia.
Segundo Cleverson Rabito, diretor de operações da Horse Brasil, a nova linha completa conjunto industrial que torna a unidade brasileira única dentro do grupo: “A fábrica brasileira passa a contar com os três processos de fundição de alumínio utilizados pela companhia: alta pressão, baixa pressão e gravidade”.
Momento importante
Com capacidade instalada para produzir até 600 mil motores por ano a unidade opera atualmente em torno de 250 mil unidades/ano, mantendo margem para crescimento futuro. Deste total cerca de 25%, ou 160 mil unidades, são destinadas para exportação todos os anos, principalmente para a Argentina. A nova linha acrescentará capacidade para a produção de cerca de 210 mil cabeçotes/ano.

A conclusão dos investimentos ocorre em um momento particularmente importante para os planos globais da empresa. Criada em 2023 como uma companhia independente, controlada pela Renault, Geely e Aramco, a Horse busca, desde então, consolidar sua imagem e ampliar sua atuação como fornecedora independente global de sistemas de propulsão para diferentes fabricantes de veículos.
A proposta é oferecer motores, transmissões, eletrônica embarcada e software para montadoras que desejem compartilhar investimentos, reduzir custos de desenvolvimento e acelerar o lançamento de novos produtos.
“O mercado está mudando rapidamente, principalmente em razão da atual necessidade de redução de custos e aumento de competitividade. Em função disso entendemos que existe espaço para modelos de parceria cada vez mais amplos.”
Neste contexto de ampliação de mercado a unidade brasileira ganha cada vez mais relevância pois, além da capacidade industrial, a operação local reúne atividades de fundição, usinagem, montagem, testes e desenvolvimento de produtos, características que a transformam em uma plataforma única e estratégica para atender clientes principalmente na América Latina e apoiar outros programas globais da companhia.
E isto está acontecendo em um momento particularmente importante para a Horse no Brasil pois novas montadoras, especialmente chinesas, estão começando a estruturar operações industriais na região e representam potenciais oportunidades de negócios futuros.
Engenharia brasileira ganha protagonismo
O plano da Horse para o Brasil não se limita à manufatura. A companhia mantém no País um dos seus cinco centros de pesquisa e desenvolvimento instalados no mundo, com cerca de 270 profissionais, responsável por projetos destinados tanto ao mercado regional quanto a programas globais. É sempre bom lembrar que este número de profissionais dedicados representa cerca de um terço do conjunto de 730 trabalhadores — e que 90% são engenheiros.
De acordo com Márcio Melhorança, diretor de P&D para a América Latina, uma das principais apostas da empresa é a combinação de diferentes tecnologias de propulsão, sem restringir o futuro da mobilidade a uma única solução energética.
“Acreditamos em uma abordagem multienergia. Dependendo da aplicação e do mercado haverá espaço para motores a combustão de alta eficiência, sistemas híbridos e soluções eletrificadas.”

Dentre os projetos desenvolvidos localmente estão motores flex, propulsores turbo de injeção direta, sistemas híbridos e motor 1.5 destinado a aplicações de range extender, conceito que vem ganhando espaço em diferentes regiões do mundo.
A operação brasileira também lidera iniciativas relacionadas ao uso do etanol, conhecimento que começa a ser compartilhado com outras unidades do grupo e desperta interesse em mercados internacionais, como a Índia, por exemplo, e em outros países que estudam a ampliação do uso de combustíveis renováveis.
Outro foco importante é a utilização de inteligência artificial para acelerar o desenvolvimento de produtos. Em parceria com a Universidade Federal do Ceará e empresas de tecnologia a Horse trabalha na criação de gêmeos digitais e ferramentas de simulação capazes de reduzir significativamente o tempo de desenvolvimento e os custos dos projetos.
Segundo Melhorança a meta deste projeto é reduzir de 40% a 50% o tempo necessário para levar novas soluções ao mercado: “Estamos utilizando inteligência artificial para otimizar projetos, reduzir a necessidade de testes físicos e acelerar decisões de engenharia”.
Para a Horse a combinação de capacidade industrial, engenharia local e domínio de tecnologias para o etanol coloca o Brasil em posição ímpar na reorganização global da indústria de powertrain, em um momento em que o mercado passa a buscar soluções cada vez mais flexíveis para atender diferentes ritmos de eletrificação no mundo todo.
Desde a sua criação, em 2023, a Horse já faturou cerca de 15 bilhões de euros com a produção acumulada de mais de 8 milhões de motores. A empresa mantém dezessete fábricas em todo o mundo, três delas localizadas na América Latina, no Brasil, na Argentina e no Chile, e cinco centros de desenvolvimento, dos quais um está vinculado à unidade brasileira.




