São Paulo – O diagnóstico de Herlander Zola, presidente da Stellantis da América do Sul, é de que as barreiras atuais, como o imposto de importação de 35% para peças e kits CKD e SKD, são insuficientes para barrar os chineses. O que não significa, necessariamente, que a solução seja apenas subir as tarifas, a exemplo do que vem fazendo os estadunidenses e europeus.
Em conversa com jornalistas na terça-feira, 6 de setembro, ele levantou outro ponto: “Hoje faltam regras que incentivem a produção local. Não há qualquer incentivo para que as montadoras tradicionais comprem aço brasileiro, pneu brasileiro, peça brasileira”.
Um programa de nacionalização, com incentivos para que se compre componentes locais, seria uma alternativa para reduzir os custos e aumentar a competitividade da indústria nacional. Zola citou como exemplo o aço:
“Neste ano, dentre veículos prontos e kits CKD e SKD, devemos ter em torno de 700 mil veículos importados. Como cada veículo tem em torno de 1 tonelada, são quase 700 mil toneladas de aço que entram no Brasil importadas. Qual seria o impacto disto na indústria brasileira de aço?”
Para o presidente da Stellantis, independentemente de qual for o novo governo, uma decisão deverá ser tomada: qual será o papel da indústria automotiva, seguirá produzindo localmente com geração de empregos ou será uma montadora de kits CKD e SKD?
“Diante do que temos hoje, se nada for feito, é melhor produzir carros na China, desmontar a trazer para cá”.
O que traria impactos em empregos e na cadeia de fornecedores, alertou: “Hoje nós da Stellantis empregamos em torno de 35 mil pessoas na América do Sul. Se este modelo de negócio mudasse por completo bastaria 10% deste efetivo”.
Indústria ocidental errou
Questionado se a indústria automotiva subestimou os chineses, Zola foi enfático: “A indústria ocidental errou na leitura de mercado. Ninguém conseguiu prever essa aceleração”.
O presidente da Stellantis ponderou que os chineses mantêm um processo de produção bem verticalizado, ao contrário do Ocidente, que nas últimas décadas terceirizou a produção de peças e componentes, focando apenas na montagem dos veículos. Este é, na sua visão, outro ponto de competitividade dos asiáticos.
O que também contribuiu para a demora dos ocidentais em responder, pois, na pandemia, houve o problema no abastecimento global. Enquanto os chineses mantinham sua produção verticalizada, os ocidentais corriam atrás de peças e deixavam as atividades de desenvolvimento de novos produtos em segundo plano.























