27 AutoData | Abril 2026 transição da matriz energética para o hidrogênio somente para vender veículos, aí sim, de propulsão totalmente limpa. As oportunidades de negócios são as mais diversas para empresas que estiverem na vanguarda do desenvolvimento da produção de hidrogênio, sobretudo o H2 verde, isento de emissões de CO2 em todo o processo de extração. A indústria automotiva já investe na produção de células de combustível mais robustas, para aplicações que vão desde a geração de energia limpa para fábricas e até cidades, além de todos os modais de transporte, como navios, trens e para maquinários dos setores agrícolas e de construção. Entretanto o H2 é matéria-prima essencial para muitos outros setores. A maior parte do hidrogênio produzido no mundo hoje vai para a produção de amônia, NH3, utilizada nos fertilizantes. Basicamente, sem hidrogênio não haveria agricultura moderna para alimentar a população global atual. A indústria do petróleo é devoradora de hidrogênio: ele é matéria-prima para remover impurezas, especialmente o enxofre do diesel, além de ser utilizado no hidrocraqueamento, processo que transforma o petróleo em produtos mais valiosos, como a gasolina e o querosene de aviação. Sem o hidrogênio misturado ao monóxido de carbono a indústria química e de plásticos não seria capaz de obter o metanol, base para uma infinidade de produtos, como solventes, anticongelantes e plásticos sintéticos – e também para fazer biodiesel. A margarina e a gordura vegetal, base para a culinária, só existem por causa do hidrogênio utilizado no processo de hidrogenação de óleos vegetais. Uma das fronteiras deste momento de protagonismo do H2 verde é a produção do chamado aço verde. Ele está substituindo o carvão no processo de redução direta do ferro, evitando a liberação de toneladas de dióxido de carbono, criando o aço de baixa emissão. APOSTA FIRME DA HYUNDAI De olho em todos estes segmentos a Hyundai criou recentemente no Brasil uma força-tarefa para tratar das oportunidades que possam surgir no mercado de hidrogênio. Ricardo Martins, vice-presidente da Hyundai do Brasil, é o responsável por esta unidade de negócios aqui, que patrocina e acompanha o desenvolvimento do projeto na USP de conversão do etanol em hidrogênio biogênico: “A Hyundai tem interesse global em sistemas modulares de pequeno porte para a produção de hidrogênio em diversas regiões, pois assim não serão necessárias linhas de transmissão para levar energia elétrica ou transportar milhões de metros cúbicos de hidrogênio comprimido a longas distâncias”. Este interesse faz parte de algo maior, que pode levar soluções criadas no Brasil para outros mercados. A visão do grupo coreano é atuar de forma vertical na indústria do hidrogênio, dominando todas as etapas, da produção ao uso final. Assim, em 2024, surgiu a HTWO, um projeto unificado que mobilizou diversas empresas do grupo. A HTWO, jogo de letras que usa o H de hidrogênio e o TWO, dois em inglês, para definir sua atuação focada no H2, passou a ser mais do que um plano: agora é uma marca dedicada exclusivamente a estes negócios. Fazem parte deste ecossistema, que incluiu a recente formação da organização no Brasil para prospectar oportunidades, a Hyundai Mobis, unidade de produção de componentes do grupo. Ela tem a maior Contêiner com tecnologia da Hytron/NEA abriga eletrolisador para produção de hidrogênio da água: experiência da Neoenergia em Brasília. Divulgação/Neoenergia/Honda
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