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46 Julho 2026 | AutoData liderança de modelo individual: o Volkswagen Gol manteve-se como o carro mais vendido do País por boa parte desse mesmo período, um recorte que reforça a diferença da disputa por modelo daquela por portfólio completo. MINEIRIZAÇÃO E O ADENSAMENTO Foi também ao longo desta década que se consolidou, de forma institucional, o processo que passaria a ser chamado de mineirização, termo que representa a atração sistemática de fornecedores para o entorno da fábrica de Betim, MG, permitindo à Fiat operar sob os sistemas just in time e just in sequence – em que cada componente chega à linha na hora e sequência exatas para ser agregado ao carro para o qual foi designado –, o que representou uma revolução industrial, com sensível ganho de eficiência e redução de custos e estoques. Embora a decisão de instalar a montadora em Minas Gerais remonte aos anos 1970, foi apenas a partir da década de 1990 que esse adensamento da cadeia de fornecedores ganhou escala. O resultado, medido já nos anos 2000, foi expressivo: cerca de 60% dos itens comprados pela fábrica passaram a vir de fornecedores instalados em um raio de até 150 quilômetros da planta, um círculo que hoje reúne mais de quatrocentas empresas ao redor de Betim. A complexidade de montar dezenas de versões completamente diferentes na mesma esteira exigiu a evolução desse modelo logístico, relata Glauber Fullana, diretor de manufatura da Stellantis América do Sul: “Hoje tem de chegar não só a peça certa mas no momento exato, o que chamamos de just in sequence. Os fornecedores estão tão integrados e tão perto que o caminhão sai da fábrica deles e já vai direto ao ponto de descarga ao lado da linha. Eles são simplesmente uma extensão da nossa fábrica que estão em uma outra empresa”. A confiabilidade desta logística de suprimentos permitiu à Fiat liberar áreas internas da fábrica antes destinadas aos estoques de componentes e isso ajudou a tornar viável a expansão física das linhas de produção sem necessidade de novos terrenos, um ganho de eficiência que ajuda a explicar como a montadora conseguiu sustentar o crescimento de volumes, que antes do fim da primeira década deste século chegou ao ápice de 3 mil veículos produzidos por dia, uma incrível evolução na comparação com as 300 unidades/dia no início da operação em Betim. Um dos maestros dessa sinfonia produtiva, como diretor da fábrica e como chefe de compras, era Antonio Filosa, que anos depois tornou-se presidente da FCA/Stellantis América do Sul e hoje é o CEO global do grupo. Ele sempre lembra do eficiente trabalho executado no Brasil: “Temos muito orgulho de nossas raízes mineiras. Investimos muito, inovamos sempre e impulsionamos a instalação de dezenas de fornecedores no entorno de nossa fábrica”. ESPECIAL FIAT 50 ANOS » A TERCEIRA DÉCADA

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