33 AutoData | Setembro 2026 empresa teve de lidar com oito moedas, que tiveram depreciações inflacionárias que foram do pico de 80% ao mês até comportados 3% em um ano. As intempestivas variações bruscas da taxa de câmbio inverteram os sinais de resultados financeiros, chacoalharam os custos e inviabilizaram planos de negócios inteiros, que tiveram de ser refeitos diversas vezes. Frequentes mutações em legislações e políticas industriais também provocaram instabilidades e mudanças de rumo longe da compreensão linear alemã. Internamente o cruzamento cultural Brasil-Alemanha fez da subsidiária brasileira um exemplo de resiliência e adaptação. Com centenas de engenheiros e executivos expatriados para a operação brasileira – foram quase duzentos só nos últimos vinte anos, principalmente da Alemanha, e alguns decidiram ficar para sempre –, a Mercedes-Benz é possivelmente a empresa com o maior número de alemães que falam português, idioma aprendido após anos passados em São Bernardo do Campo. Dentre os exemplos mais ilustres desse intercâmbio o ex-presidente do conselho do Grupo Daimler, Dieter Zetsche, foi diretor técnico da empresa no Brasil no fim dos anos 1980 e sua filha nasceu aqui. Philipp Schiemer, quando assumiu a presidência da operação brasileira, em 2013, já falava português fluente, que aprendeu ainda no começo da década de 1990, quando veio ao Brasil pela primeira vez para lançar a linha de vans da marca, depois retornou em 2005 como diretor de vendas. Não só o idioma foi aprendido mas também a flexibilidade para enfrentar e se adaptar a situações adversas. Na mão contrária milhares de brasileiros passaram por treinamentos e aperfeiçoamentos na Alemanha – e alguns até conseguiram aprender o alemão. Um dos mais longevos empregados com 48 anos de casa, ex-presidente da Anfavea e hoje diretor de comunicação corporativa e relações institucionais da Mercedes-Benz do Brasil, Luiz Carlos Moraes resume a colaboração das nacionalidades: “Aprendemos muito com os alemães a planejar, montar processos de produção eficientes, fazer produtos de qualidade superior. Já eles aprenderam conosco a fazer o plano B, a se adaptar à extrema volatilidade do Brasil e da região da América Latina e superar suas inúmeras crises econômicas, além de projetar produtos para rodar em condições adversas”. A conclusão é que sem a determinação e o conhecimento dos alemães para construir e reconstruir melhor, ou sem a flexibilidade brasileira para viver num País onde até o passado parece incerto, nada teria dado tão certo.
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