XXXXX » XXXXXXXXXXXX 34 Setembro 2026 | AutoData ESPECIAL MERCEDES-BENZ 70 ANOS » CHEGADA & CONSOLIDAÇÃO O judeu que venceu a resistência alemã... O que um empresário judeu de origem polonesa, que fugiu da invasão da Alemanha nazista, radicado em Nova York, que veio ao Rio de Janeiro no fim dos anos 1940 em busca de um fornecedor de cacau para sua fábrica de biscoitos de chocolate nos Estados Unidos, tem a ver com a instalação da MercedesBenz no Brasil? Ainda que pareça improvável a resposta simples é: tudo. Este encontro de interesses começou ainda nos anos 1930, quando o jovem e rico Alfred Jurzykowski, formado na Universidade de Economia e Negócios de Viena, Áustria, decidiu multiplicar a fortuna da família tornando-se concessionário da MercedesBenz em Varsóvia, Polônia. Queria evoluir para fabricar veículos da marca em seu país, mas a invasão alemã, que precipitou o início da Segunda Guerra Mundial, frustrou seus planos e o fez fugir para os Estados Unidos, com centenas de joias e brilhantes colados ao corpo, que vendeu em 1940, ao chegar em Nova York, para iniciar seus novos negócios. Corta a cena para o Rio de Janeiro no fim daquela década: Jurzykowski, que queria comprar cacau, enxergou no precário e desorganizado transporte público da cidade uma oportunidade de produzir chassis de ônibus no Brasil – e depois caminhões, já que na época as duas coisas eram quase uma só. Já milionário com negociações de algodão, Alfred Jurzykowski, o empresário que fundou a Mercedes-Benz do Brasil café e a fábrica de biscoitos nos Estados Unidos, com muito capital e vocação para o empreendedorismo, o empresário vislumbrou nas ruas brasileiras a possibilidade de realizar o que não conseguiu anos antes na Polônia. Lançando mão de suas antigas relações na Daimler-Benz no fim de 1949 Jurzykowski fundou a DUB, Distribuidores Unidos do Brasil S. A., tornando-se importador oficial de veículos Mercedes-Benz para o mercado brasileiro. O empresário não queria ser só um importador mas para escalar seu negócio para a produção local esbarrou na resistência da empresa alemã: a Daimler-Benz não confiava no distante e – talvez até hoje – incompreensível Brasil, muito menos queria sócios em outros países. Assim Jurzykowski utilizou mais uma vez sua rede de relacionamentos: recorreu a militares americanos em posições de comando na Alemanha ocupada do pós-guerra para obter a representação dos interesses do grupo alemão no Brasil. E foi rápido: já no ano seguinte, em 1950, o negócio escalou para a montagem de caminhões e chassis de ônibus com peças importadas, com uma linha no Rio de Janeiro e outra em São Paulo, cada uma com capacidade de montar dez veículos por dia, que já naquele ano atingiu seu topo. Já com a Daimler-Benz ao seu lado, mas ainda sem envolvimento no capital da DUB, em 1951, ainda no segundo governo Getúlio Vargas, o polonês apresentou à Comissão de Desenvolvimento industrial os primeiros planos para a fabricação nacional de caminhões e ônibus MercedesBenz e seus motores diesel. Assim, mais do que fundador, Jurzykowski tornou-se o fiador da empresa alemã no Brasil. Só em outubro de 1953 foi constituída formalmente a Mercedes-Benz do Brasil S.A., com dois acionistas: Alfred Jurzykowski, com 75% do capital, e a Daimler-Benz AG, com 25%. Antes disso o empresário já tinha contrato assinado com o grupo para produzir motores no Brasil, mas já planejava fazer caminhões e ônibus às suas próprias custas, tanto que, em abril daquele mesmo ano, comprou com seus próprios recursos o terreno de São Bernardo do Campo onde a fábrica seria instalada só três anos depois. Fotos Divulgação Arquivo Mercedes-Benz
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