XXXXX » XXXXXXXXXXXX 48 Setembro 2026 | AutoData ESPECIAL MERCEDES-BENZ 70 ANOS » MANUFATURA & FORNECEDORES As tentativas frustradas de produzir carros no Brasil Ao longo de setenta anos de história da Mercedes-Benz no Brasil foram muitas as especulações sobre a produção local de seus automóveis. Houve de fato três tentativas concretas: a primeira delas aconteceu junto com a instalação da fábrica de veículos comerciais em São Bernardo do Campo, SP, mas nunca saiu do papel, enquanto a segunda e terceira resultaram na construção de fábricas que se mostraram inviáveis, por uma série de razões combinadas que frustraram planos otimistas demais diante da volatilidade brasileira. Em comum estas três ocasiões aconteceram em pontos históricos de inflexão da indústria automotiva no País, quando ventos favoráveis da economia empurraram o setor para o crescimento e políticas do governo federal incentivaram – quando não obrigaram – a nacionalização da produção de veículos. O primeiro desses momentos foi na segunda metade dos O sedã 190: plano de produção nacional nos anos 1950 nunca prosperou. Classe A: o primeiro Mercedes-Benz produzido no Brasil, de 1999 a 2005. anos 1950, quando o governo de Juscelino Kubitscheck estimulou a instalação da indústria automotiva no País, criando incentivos e metas de nacionalização que atraíram dezenas de fabricantes estrangeiros, dentre eles a Mercedes-Benz. A empresa já estava no Brasil pelas mãos do empresário Alfred Jurzykowski (leia sobre a história nesta edição), que já havia decidido construir a fábrica de caminhões e ônibus em São Bernardo do Campo antes mesmo da posse de JK. Em 1956, pouco antes da inauguração da fábrica, foi criado o GEIA, Grupo Executivo da Indústria Automobilística, incumbido de coordenar, aprovar e auditar os projetos de nacionalização da indústria automotiva. A MercedesBenz foi a segunda empresa a apresentar seu plano, o mais extenso de todos na época, com a promessa de produzir dois caminhões, um ônibus e um automóvel médio, o sedã de quatro portas 180. Dois anos depois os veículos pesados já estavam em produção, mas nunca mais se ouviu falar do automóvel. “Eu quis muito fabricar aqui o Mercedes 190 a diesel, o automóvel que me servia no Rio, um carro excelente”, contou o general reformado Edmundo de Macedo Soares em relato para o livro Um Construtor do Nosso Tempo, publicado pela Fundação Getúlio Vargas em 1998. Engenheiro metalúrgico formado pelo Instituto Militar de Engenharia, ele era o braçodireito de Jurzykowski, para quem o plano não foi adiante por causa de certa resistência da matriz alemã. “A Mercedes não fabrica seu automóvel em nenhum lugar do mundo a não ser na Alemanha. Monta, mas não fabrica.” Afora, digamos, esta política da empresa havia motivos mais concretos para a resistência de se produzir automóveis da marca no Brasil: a grande maioria dos brasileiros não tinha renda para comprar um MercedesBenz, a demanda seria baixa e não justificaria a produção Fotos Divulgação Arquivo Mercedes-Benz
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