49 AutoData | Setembro 2026 local, o que tornava impossível encontrar fornecedores para atingir as elevadas metas de nacionalização exigidas pelo governo. A oportunidade bateu à porta mais uma vez nos anos 1990, quando o governo liberou, indiscriminadamente, as importações de veículos e logo se arrependeu ao ver a balança comercial ser puxada para o saldo negativo com o gasto de bilhões de dólares em importações de carros que não eram produzidos no Brasil. Nada muito diferente do que ocorrera quatro décadas antes, com a utilização da mesma profilaxia: taxar fortemente os importados e conceder isenções a quem prometesse produzir no País. Daquela vez os planos não ficaram só no papel e a Mercedes-Benz foi a primeira a embarcar no Regime Automotivo. Para seguir importando, em setembro de 1995, apresentou plano de construir uma nova fábrica no Brasil para produzir o seu menor e mais barato modelo, o compacto estilo minivan Classe A, que seria lançado na Europa só em 1997. Classe C: montado com partes importadas em Juiz de Fora para exportação aos Estados Unidos, de 2001 a 2004. C Sport Coupé e CLC: produção tampão de 2007 a 2009, antes da transformação da fábrica para produzir caminhões. Minas Gerais foi o Estado que mais empenhou esforços para receber o projeto, com a concessão de generosos incentivos. Em abril de 1996 foi finalmente anunciada a cidade escolhida para a nova fábrica: Juiz de Fora. O pacote de benefícios, dentre outros pontos, incluía isenção de ICMS e IPI por dez anos, financiamento para compra de equipamentos com carência de dez anos sem juros ou correção, doação de terreno de 2,8 milhões de m2 às margens da BR-040, construção de anel viário e ramal ferroviário. A fábrica foi inaugurada em abril de 1999, com capacidade ambiciosa de 70 mil unidades/ ano. O momento não podia ser pior, logo após a desvalorização do real e com o mercado nacional embicando fortemente para baixo. Ficou caro demais produzir o Classe A com suas muitas partes importadas que passaram a custar 30% mais do que valiam antes da desvalorização ante o dólar. Do total de 140 fornecedores de componentes dez se localizavam dentro da planta, mas ainda assim o modelo começou a ser fabricado com reduzido índice de nacionalização: cerca de 60%. Chapas estampadas, motor, câmbio, suspensão e direção hidráulica eram trazidos da Alemanha. Em Juiz de Fora eram executados os processos de solda das partes importadas da carroceria, pintura e e toda etapa de montagem final. “Você de Mercedes” era a mensagem-chave da campanha publicitária do Classe A, que atiçava o sonho de ascensão social representado por um carro com a estrela de três pontas no capô. O modelo trazia sim modernidades para as ruas brasileiras – muito comuns hoje mas raras no cenário do País à época –, incluindo controle eletrônico de estabilidade ESP associado ao ABS, câmbio semiautomático e configurações inovadoras do espaço interno, como a remoção total dos bancos e o deslocamento longitudinal do assento traseiro. Ainda assim poucos se convenceram do argumento. Tratava-se de um compacto com acabamento simples, de baixa potência e preço de Mercedes.
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