67 AutoData | Setembro 2026 simplesmente ampliar o catálogo para atender todas as demandas. Um portfólio excessivamente fragmentado aumenta custos, confunde a rede e pode até prejudicar o valor de revenda. A Mercedes-Benz busca, portanto, o equilíbrio da configuração ideal com a escala industrial. A evolução do mercado brasileiro, especialmente depois do Euro 6, obrigou a empresa a reaprender esta equação. A tecnologia tornou os veículos mais eficientes, seguros e confortáveis, mas também aumentou custos e complexidade. Em um ambiente com concorrentes de menor custo cada componente adicional precisa justificar sua presença: “A conta precisa fechar”. FLEXIBILIDADE LIDERA ÔNIBUS Se nos caminhões a empresa precisa recuperar participação em algumas áreas nos ônibus a posição é diferente. Mantém liderança histórica em segmentos importantes, embora o mercado tenha mudado bastante. No urbano a participação chega a cerca de 80%, segundo Walter Barbosa. No fretamento fica na casa dos 56%. No rodoviário aproximadamente 35%. A participação média tradicionalmente gira em torno de 50%, mas o comportamento excepcional das compras governamentais, com as licitações de ônibus para o programa Caminho da Escola, alterou esta fotografia em 2026. O mercado de ônibus deixou de ser uma massa única. Existem cidades com estrutura para eletrificação. Outras ainda trabalham com ônibus a diesel Euro 3. Há operadores que buscam a melhor tecnologia possível e outros que precisam de configuração mais simples para vencer uma concorrência por preço. Um operador tradicional pode optar pelo pacote máximo de segurança, conforto e conectividade. Outro pode preferir um veículo sem sofisticações, mas ainda tecnicamente robusto. Para a Mercedes-Benz todas estas variáveis significam vender mais do que um ônibus, mas ter flexibilidade para oferecer diferentes níveis de configuração sem abrir mão da qualidade estrutural do produto. No segmento rodoviário essa divisão ficou ainda mais evidente depois da mudança regulatória que substituiu o modelo de concessão de operação por autorização. A entrada de novas empresas aumentou a competição e criou espaço para operadores menores. Também a segurança ganhou dimensão adicional, pois um acidente representa não só custos de reparo mas, também, vidas perdidas, indenizações, perda de disponibilidade e danos à imagem. Por isso a Mercedes- -Benz vê espaço para aumentar a oferta de tecnologias avançadas. ELETRIFICAÇÃO À BRASILEIRA É na eletrificação que a transformação do ônibus fica mais evidente para a marca. A Mercedes-Benz já produz chassis elétricos no Brasil desde 2023 e ampliou sua família com diferentes soluções: estão no portfólio o eO500U já no mercado desde 2024, o eO500UA articulado apresentado há dois anos e que começa a ser comercializado em 2027, e o recém-apresentado eCity, de baixo custo. Paralelamente a empresa também fornece chassis à Eletra para ampliar a oferta. O movimento mais estratégico, entretanto, pode estar em uma solução desenvolvida especificamente para a realidade brasileira: o novo eCity, lançado na última
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