437-2026-10

100 Outubro 2026 | AutoData PERSPECTIVAS 2027 » OPINIÃO/MERCEDES-BENZ Se 2026 foi um ano desafiador diante de um ambiente econômico mais restritivo, 2027 será o momento de medir se haverá retomada dos investimentos. As premissas apontam para crescimento moderado de PIB, inflação entre 4% e 4,5% e Selic em 12% ao final do período. É um cenário mais favorável, mas ainda distante de representar dinheiro barato ou expansão automática da demanda. Para caminhões e ônibus o custo do crédito continuará decisivo, como sempre. A redução gradual dos juros pode recolocar projetos de renovação de frota na mesa, mas transportadores e operadores seguirão seletivos. No mercado de caminhões, demanda por transporte existe. O agronegócio permanece relevante, a logística e infraestrutura avançam e o comércio eletrônico mantém a pressão por eficiência na distribuição. A questão é quando essa atividade se converterá em renovação de frota. O teste de 2027 Muitos clientes postergaram compras durante o ciclo de juros elevados, justamente quando conectividade, dados e eficiência energética passaram a produzir ganhos operacionais claros. Em ônibus o desafio tem outra configuração. A renovação das frotas urbanas segue condicionada à capacidade de investimento de operadores e municípios, enquanto os segmentos rodoviário e de fretamento podem se beneficiar da atividade econômica e da expansão de polos industriais e logísticos. Em todos os casos, previsibilidade regulatória, fiscal e de financiamento será essencial após o ciclo eleitoral de 2026. A concessão de crédito também exigirá equilíbrio. Mesmo com a Selic projetada em 12% e a inflação sob controle, os juros permanecerão elevados. Será necessário combinar estímulos à modernização e à descarbonização da frota com critérios prudentes de financiamento. O Banco Mercedes-Benz, que completou 30 anos em 2026, está preparado para apoiar esse movimento com produtos de captação própria e linhas de repasse em parceria com BNDES e Caixa Econômica Federal. A transição energética avança na mesma lógica: menos orientada por uma solução única e mais pela viabilidade de cada aplicação. O Brasil reúne vantagens com combustíveis renováveis e uma matriz energética diversificada, mas a descarbonização precisa caminhar junto com escala, infraestrutura e competitividade para o cliente. Por isso, 2027 tende a ser menos um ano de recordes e mais um ano de decisões. O mercado estará focado em rentabilidade e no valor gerado ao longo do ciclo de vida do veículo. Se houver confiança e previsibilidade, o próximo ciclo de crescimento poderá começar não pelo volume, mas pela qualidade dos investimentos realizados. Divulgação/Mercedes-Benz Denis Güven é presidente Mercedes-Benz Trucks LAMEA e CEO MercedesBenz do Brasil

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=