21 AutoData | Outubro 2026 LEVES: CRESCER CUSTARÁ ESFORÇO No segmento de automóveis e comerciais leves as projeções dos consultores situam as vendas de 2027 entre a estabilidade e um crescimento moderado. A Mobility Global estima 2,95 milhões de emplacamentos, ante 2,94 milhões previstos para 2026, alta de aproximadamente 0,3%. Já a Bright Consulting projeta 3,04 milhões, ante 2,96 milhões este ano, com avanço de 2,8%. A produção poderá também crescer mais do que o mercado. A Mobility Global trabalha com 2,86 milhões de veículos leves fabricados em 2027, alta de 6,7% sobre sua estimativa para 2026. E a Bright prevê 2,92 milhões, crescimento de 3,5%. Estes índices partem de bases distintas: 2,68 milhões e 2,82 milhões, respectivamente. Para as exportações a Bright estima 444 mil unidades em 2027, alta de 2,5%. Murilo Briganti, da Bright, associa o crescimento contido à necessidade de o financiamento caber melhor no orçamento das famílias. Roberto Barros, da Mobility Global, destaca a inadimplência e a restrição de crédito, sobretudo para consumidores de menor renda. Em uma simulação adversa da Bright, uma combinação de piora fiscal, câmbio pressionado e juros elevados por mais tempo poderá até levar a uma queda de 5% nas vendas. Trata-se de um cenário de risco, separado da estimativa central de crescimento. As opiniões de vários dos principais executivos de fabricantes de veículos publicadas nesta edição convergem em torno da maior intensidade da concorrência, da diversidade tecnológica e da necessidade de responder rapidamente ao consumidor. E divergem quanto ao espaço para expansão e à forma de combinar recursos globais e produção brasileira. Ciro Possobom, da Volkswagen, por exemplo, apresentou uma das avaliações mais cautelosas: estagnação ou pequena queda do setor em 2027, com pressão competitiva e margens reduzidas. A melhora esperada de alguns indicadores econômicos, em sua leitura, poderá ser insuficiente para ampliar o mercado. De acordo com ele, um fabricante pode crescer conquistando participação sem expansão equivalente do setor. Assim sendo, produtos, redes e campanhas redistribuirão compradores. Nesta leitura, mais investimentos e lançamentos, portanto, não garantirão demanda adicional. Thomas Owsianski, da General Motors, destacou a velocidade de execução para enfrentar esse ambiente. Sua estratégia reúne engenharia e estrutura industrial regionais com acesso a tecnologias e produtos globais. Já Herlander Zola, da Stellantis, colocou como desafio transformar investimentos em competitividade. Veículos a combustão, híbridos e elétricos continuarão convivendo no mercado brasileiro. Tanto a GM, como Stellantis e a Toyota reforçaram que usos e condições econômicas exigem soluções distintas. O Brasil poderá desenvolver produtos para essa diversidade, combinando eletrificação e biocombustíveis. Nesse ambiente a acessibilidade será decisiva. A competitividade de uma tecnologia precisa aparecer no preço, na prestação e no custo de uso. Garantia, assistência técnica e valor de revenda também influenciarão a escolha, especialmente Divulgação/Scania
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