São Paulo – A volta imediata do II, Imposto de Importação, para 35% é a bola da vez na indústria automotiva, uma vez que a Anfavea defende a medida “para proteger a produção local da invasão de produtos chineses no mercado”. Mas o que foi definido pela indústria e pelo governo, no fim de 2023, é que o retorno será escalonado, chegando a 35% somente em julho de 2026.
Para importadores e outras empresas envolvidas no ecossistema automotivo as regras devem ser mantidas como estão, uma vez que qualquer alteração com o jogo em andamento trará uma série de efeitos negativos para o País.
A ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, a Abeifa, entidade que representa os importadores de veículos, e a BYD, empresa que está investindo no País mas atualmente só importa os modelos eletrificados vendidos por aqui, acreditam que um movimento como esse trará situação de insegurança jurídica muito grande, afastando novas marcas e afetando o consumidor final, que encontrará preços mais altos nas revendas quando quiser adquirir um veículo elétrico ou híbrido vindo da China ou da Europa, por exemplo.
Ricardo Bastos, presidente da ABVE, afirmou que é importante que o governo mantenha as regras como foram definidas anteriormente para não causar ruídos e uma possível retração na demanda por veículos híbridos e elétricos, que estão em franco crescimento no País: “Eu tenho a certeza de que isto não acontecerá. O governo federal concorda que é necessário garantir a previsibilidade para a indústria automotiva e é contra esse retorno imediato, o que nos faz acreditar que o pedido das montadoras instaladas no País não será aceito”.
Pressão contrária
Bastos também disse que uma decisão como esta pode gerar uma série de dificuldades para o Brasil, como insegurança jurídica maior e adiamento de novos investimentos. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD, segue em linha parecida com o presidente da ABVE, uma vez que é contra a decisão de aumento imediato do II, ainda que não acredite que será afetado por uma possível elevação da alíquota, pois está investindo no País para construir sua fábrica e ter produção local.
Mesmo sem se preocupar tanto com essa retomada do II Baldy disse que esse movimento pode afetar a imagem global do Brasil: “Acredito que mudar as regras no meio do jogo não é uma mensagem legal que será passada para outras empresas que estão pensando em investir e produzir no Brasil, pois eles ficarão inseguros”.
Marcelo de Godoy, presidente da Abeifa, foi enfático ao se posicionar contra o pedido da Anfavea e disse que não existem conversas das duas entidades sobre o tema, mas ele acredita que deveria acontecer: “Estamos sempre abertos para discutir qualquer mudança no setor automotivo nacional, mas hoje essas conversas quase não acontecem. Ficamos sabendo do pedido da Anfavea pela imprensa e nos posicionamos de forma contrária, articulando nossos movimentos em Brasília para que isso não aconteça”.
O executivo acredita que a posição do vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, contra o retorno imediato do II deverá ajudar a manter as regras do jogo como estão, até porque mudar tudo com o jogo em andamento é pior que não ter nenhuma regra previamente definida.
Problema não resolvido
Godoy também disse que mudar as regras do Imposto de Importação não resolvem o problema da indústria nacional pois os modelos importados representam em torno de 10% do mercado: “Se a indústria nacional não consegue disputar o espaço com 10% de veículos importados ela precisa rever seu portfólio e o seu modelo de operação”.
O presidente da Abeifa acredita que o aumento da taxa de importação não fará com que a indústria eleve de forma relevante a produção local. Para isto é necessário exportar mais e o que está acontecendo, hoje, é uma queda acentuada dos volumes embarcados para outros países e as razões para isto podem ir além dos custos que o Brasil tem para exportar.
“Isto acontece por causa dos impostos ou porque os consumidores de outros mercados estão preferindo outros veículos do que os produzidos aqui? Será que o que está sendo produzido no País é o que os compradores de outros países querem?”