Juros para compra de veículos recuam após forte alta

São Paulo – Os juros cobrados nos financiamentos de veículos para pessoas físicas voltaram a cair em fevereiro, após a forte alta de janeiro, considerada “inexplicável” pelo presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes. A média do mês passado, segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil na sexta-feira, 27, chegou a 19,4%, 0,3 ponto porcentual abaixo de janeiro – em dezembro estava em 19,2%, menor nível dos últimos anos.

 

O recuo da taxa média veio acompanhado de uma nova alta na inadimplência para pessoas físicas no setor, que subiu de 3,5% em janeiro para 3,6% no mês passado. Em dezembro o índice estava em 3,4%.

 

Ou seja, tanto inadimplência quanto taxa de juros médias subiram 0,2 ponto porcentual de dezembro para fevereiro. Mas a taxa Selic, referência para os juros, recuou 0,75 ponto no período, de 4,5% em dezembro para 3,75% na última reunião do Copom, em 18 de março. Ou seja: a redução da taxa de juros não está chegando na ponta do processo.

 

O problema não é exclusivo dos financiamentos de veículos para pessoas físicas. As taxas médias para compra de veículos para pessoas jurídicas, em fevereiro, ficaram em 12,1%, 0,4 ponto porcentual abaixo de janeiro e 0,2 ponto superior a dezembro, enquanto a inadimplência, de 1%, manteve o índice de janeiro e estava em 0,9% ao fim do ano passado.

 

Empresários também reclamam dos bancos de varejo, que anunciam medidas para facilitar o crédito para empresas, sejam grandes, médias ou pequenas, mas, na prática, seguram o crédito – ou elevam a taxa de juros, como relatou o presidente da Zen, Gilberto Heinzelmann.

 

Na sexta-feira, 27, o presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciou financiamento para folha de pagamento de empresas que faturam de R$ 360 mil a R$ 10 milhões. O governo cobrirá dois meses da folha, até dois salários mínimos, por meio do BNDES a taxas de juros de 3,75% ao ano, o equivalente à Selic. Segundo o BC a medida beneficia cerca de 1,4 milhão de empresas e deverá estar disponível em uma a duas semanas.

 

Foto: Marcos Santos/USP Imagens.

GM reduz em 20% o salário de seus executivos

São Paulo — A General Motors anunciou que reduzirá em 20% os salários de seus executivos em todo o mundo, que também não receberão bônus e outros benefícios referentes a 2020. A medida temporária foi tomada por causa do avanço do coronavírus. A empresa disse que pagará essa diferença de volta para os funcionários em até um ano.

 

Nos Estados Unidos 6,5 mil funcionários que não podem fazer trabalho remoto terão redução de 25% e ficarão de licença até que as operações voltem ao normal. Mary Barra, CEO da companhia, disse que a empresa precisa tomar medidas imediatas e agressivas para cortar os custos.

Abeifa pede redução de imposto para veículos importados

São Paulo – A Abeifa, Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, apresentou ao governo federal pedido para que a alíquota do imposto de importação para veículos seja reduzida dos atuais 35% para 20%.

 

João Oliveira, novo presidente da associação – ele assumiu há cerca de quinze dias, sucedendo a José Luiz Gandini –, justificou o pedido afirmando que “o dólar deve permanecer na faixa de R$ 5 pelo menos no curto prazo. É um câmbio muito severo para as nossas empresas associadas e torna inviável o modelo de operação das importadoras”.

 

Esse quadro, naturalmente, se soma às consequências de fechamento forçado de concessionárias pela pandemia do novo coronavírus.

 

A Abeifa representa atualmente quinze empresas: BMW, BYD, Caoa Chery, Ferrari, Jac Motors, Jaguar, Kia Motors, Lamborghini, Land Rover, Maserati, Mini, Porsche, Rolls Royce, Suzuki e Volvo.

 

O pedido, segundo Oliveira, foi entregue ao ministro da Economia, Paulo Guedes: “O segmento de importados não pode ser esquecido dentro de um conjunto de medidas que o governo certamente tomará para o setor automotivo.” Para ele a redução do imposto, mesmo que ocorra de forma temporária, “auxiliará para que possamos continuar operando”.

 

Ainda de acordo com o novo presidente da Abeifa o pedido relativo à redução do imposto de importação foi iniciativa exclusiva da associação, mas outros pleitos foram encaminhados ao governo federal em conjunto com a Anfavea e a Fenabrave, como extensão de prazos de pagamento de obrigações tributárias e criação de linhas de crédito especiais para aliviar o fluxo de caixa das empresas.

 

Pelos cálculos de Oliveira as associadas à Abeifa dispõem de cerca de quatrocentas concessionárias e, no momento, seu cenário é de incerteza: “Quase que só a metade das oficinas está funcionando, e de portas fechadas, sem contato com os clientes, buscando e devolvendo os veículos que necessitam de algum tipo de serviço”.

 

De acordo com ele há casos em que determinações estaduais e municipais entram em conflito, algumas permitindo e outras vetando o funcionamento.

 

Já as operações nos portos, como chegada e desembaraço de veículos importados, estão funcionando normalmente, ainda que com restrições à circulação de funcionários e pessoas.

 

Em janeiro a Abeifa divulgou suas projeções para o ano em cenário que, na média, apontava vendas de 42,5 mil unidades importados em 2020, o que significaria aproximadamente 22% de crescimento ante 2019, 34,6 mil. Agora essa projeção já está definitivamente desatualizada, ainda que não exista uma nova: “Diante do cenário não conseguimos fazer um novo cálculo, mas é certo que o total será menor do que no ano passado. Só não sabemos ainda o quanto”.

 

Foto: Divulgação.

Bright revê projeção de queda de mercado de 3% para até 6%

São Paulo – A Bright, empresa de consultoria especializada no setor automotivo, atualizou suas projeções para o mercado este ano, diante do cenário de pandemia do novo coronavírus. Se na quarta-feira passada, 18 de março, projetava redução de 3% nas vendas de veículos leves novos no País agora o índice aponta retração de 5,5% a 6%.

 

A informação é de Paulo Cardamone, chief strategy officer da Bright. Ele reconheceu que “nesse momento todos os modelos estatísticos deixam de funcionar”, mas lembrou que seus cálculos levam em conta dados como índice de confiança, renda e a situação produtiva atual das empresas do segmento automotivo. Em volume a estimativa caiu de 2 milhões 610 mil unidades vendidas este ano para 2 milhões 540 mil veículos.

 

Para a produção Cardamone trabalha, hoje, com projeção de queda de 7,4%, para 2 milhões 590 mil. A empresa fará atualizações semanais destes índices.

 

Ele revelou que a média diária de emplacamentos está agora ao redor de setecentas unidades, devido à continuidade de operação de alguns Detrans, mas lembrou que, “antes, estávamos na faixa de 10 mil”. Para ele um volume diário variando de 7 mil a 10 mil unidades ao dia poderá ser registrado em maio – isso se a previsão de retorno às atividades produtivas em 24 de abril se confirmar.

 

Cardamone imagina que “a perda não terá como ser recuperada. Prevemos um movimento em U e não em V, com um retorno das atividades e dos negócios de forma gradual”. Para 2021 a Bright estima, hoje, mercado em elevação de 5% ante o fechamento de 2020 – antes da crise do coronavírus a projeção para este ano era de avanço de 7% no mercado interno ante 2019.

 

“Em 42 anos de experiência no mercado automotivo já vi muitas crises, mas nunca algo parecido com o que está acontecendo agora.”

 

De acordo com o consultor algumas empresas de autopeças tier 1 decidiram não interromper totalmente as atividades, preferindo afastar os funcionários de grupos de risco como os acima de 60 anos ou com doenças pré-existentes e mantendo um grupo de trabalhadores fisicamente mais distantes uns dos outros, além de outras medidas de prevenção: “Estão rodando a cerca de 50% da capacidade, promovendo manutenções preventivas em maquinário e  trabalhando no desenvolvimento de novas peças que serão utilizadas nos próximos lançamentos das montadoras.”

 

Sua preocupação maior é com as empresas tier 2 e 3: “Essas já vinham em dificuldades financeiras e possivelmente precisarão de ajuda para se manter vivas”.

 

Foto: Divulgação.

Moura desenvolve e distribuirá 100 mil máscaras

São Paulo – O Grupo Moura doará à população 100 mil máscaras para proteção contra o covid-19, desenvolvidas por sua própria equipe de engenharia. A companhia coordenará, também, a produção desse equipamento, auxiliando a cadeia produtiva do agreste pernambucano, atingida pela pandemia.

 

O produto desenvolvido pela equipe não atende a profissionais de saúde, contou a empresa em comunicado: “A máscara é um reforço nas medidas de proteção individual, especialmente para pessoas que integram os grupos de risco ou que não podem estar em isolamento total neste período. Elas não dispensam as ações de limpeza frequente das mãos e cuidados para não tocar o rosto”.

 

O trabalho para desenvolver as máscaras foi feito em uma semana. Elas dispõem de duas camadas de tecidos à base de algodão e um filtro de lã sintética, com base no modelo usado pela população chinesa. Serão distribuídas à população, para trabalhadores do grupo e suas famílias e para profissionais da rede de distribuição Moura em todo o Brasil.

 

“Mobilizamos toda equipe e chegamos à conclusão de que tínhamos as ferramentas necessárias para a produção de um protótipo de máscara em nosso laboratório”, afirmou, em nota, o diretor de engenharia Antônio Júnior. “A partir disso conseguimos avançar junto aos órgãos responsáveis e chegar em um modelo de qualidade que deverá ajudar a população nesse combate. Estamos juntos nessa luta, como empresa e como cidadãos.”

 

Foto: Ana Paula Igual/Funap/Divulgação.

Ford adia pagamento de parcelas de financiamento

São Paulo – A Ford, por meio de sua financeira Ford Credit, oferece aos clientes a possibilidade de jogar para o fim do contrato de financiamento até três parcelas com vencimento a partir de 31 de março. A medida tem como objetivo ajudar àqueles que, por ventura, tiverem alguma dificuldade em arcar o compromisso por causa da turbulência gerada pela covid-19.

 

A ação abrange contratos para pessoas físicas ou jurídicas e dispensa a comprovação de saúde ou renda – exige, porém, que os pagamentos estejam em dia. Haverá, também, correção das parcelas com base em juros do mercado e diluída nas prestações do contrato.

 

Foto: Divulgação.

Volkswagen estende parada até o fim de abril

São Paulo – A Volkswagen estendeu a suspensão da produção de suas fábricas brasileiras até o fim de abril. As linhas de São Bernardo do Campo, São Carlos e Taubaté, SP, e São José dos Pinhais, PR, estão sem produzir desde 23 de março e retornariam, a princípio, após três semanas.

 

Segundo comunicado divulgado pela companhia a “produção será retomada de acordo com a programação da cadeia de suprimentos e de logística de cada fábrica”.

 

Os trabalhadores seguirão em férias coletivas no período.

 

Foto: Divulgação.

Banco Central projeta PIB zero em 2020

São Paulo – O Banco Central revisou suas estimativas de projeção para o PIB, de crescimento de 2,2% para estabilidade. Seguiu os passos do Ministério da Economia, que na semana passada apontou para alta de 0,02%. Segundo o BC “o segundo trimestre terá um forte recuo na atividade econômica, seguido de retorno relevante nos últimos dois trimestres do ano”.

 

Mais uma vez a agricultura deverá segurar a atividade econômica: o BC manteve expectativa de avanço de 2,9%, ao passo que para o setor industrial passou de crescimento de 2,9% para queda de 0,5%. “A projeção para o desempenho da indústria de transformação passou de variação positiva de 2,1% para – 1,3%, motivada pela previsão de queda na demanda final, principalmente por bens de consumo duráveis e de capital, além da possível redução na oferta resultante das medidas de restrição de locomoção e da escassez de insumos importados em alguns segmentos.”

 

Com as fabricantes de veículos paradas – apenas a DAF segue com operações normais –, mais fornecedores colocam seus funcionários em férias coletivas ou paralisam as linhas.

 

Os 5 mil trabalhadores de todas as unidades da ZF entrarão em férias de 1º a 12 de abril. Desde a segunda-feira, 23, as atividades já começaram a ser paralisadas, de forma gradual. Nas fábricas locais da Mahle os funcionários também estão em férias, com retorno previsto para 13 a 18 de abril, dependendo do local e das condições da pandemia.

 

A Cummins, em Guarulhos, SP, para a produção de motores, turbos, e sistemas de pós-tratamento por três semanas a partir da segunda-feira, 30 – o retorno está previsto para 22 de abril. As linhas de filtros e geradores seguem operando, em função da demanda.

 

Na Delphi, em Piracicaba, SP, os funcionários param de 30 de março a 12 de abril para as linhas OEM e de 25 de março a 6 de abril para os do aftermarket. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, SP, a Arteb também está parada.

 

Com informações da Agência Brasil

 

Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas.

Circulação de veículos cai 50% no País

São Paulo — A pandemia de covid-19 fez com que a circulação de veículos no País caísse 50,3% de 18 a 23 de março, na comparação com a primeira semana do mês. Os dados são do VAI, Vehicle Artificial Intelligence, sistema de conectividade automotiva criado pela Wings.

 

Segundo a Wings o tempo gasto no carro por dia foi de 62,3 minutos na última semana, contra 125,5 minutos registrados no começo do mês. Os números usados para o estudo são de 1 mil 435 veículos equipados com o VAI.

ZF tem queda na receita em 2019

São Paulo – A ZF divulgou na quinta-feira, 26, balanço consolidado da sua operação em 2019. Segundo o documento a receita obtida no ano passado foi 2% menor do que a registrada em 2018, chegando a 36,9 bilhões de euro. A margem Ebit, lucro antes de impostos, taxas e amortizações, também caiu no período na comparação com o desempenho de 2018: de 2 bilhões de euro para 1,5 bilhão de euro.

 

A companhia informou que atingiu suas metas no ano passado, as quais foram revisadas aos longo daquele ano em função de menores demandas em mercados considerados importantes, como o chinês. Para 2020, ano que deverá ficar marcado pela crise do coronavírus, as perspectivas da companhia indicam para a incerteza, segundo o presidente Wolf-Henning Scheider:

 

“Quando o mundo chega à paralisação social e econômica enfrentamos uma situação sem precedentes. Seus efeitos são incertos e é por isso que atualmente não estamos em posição de fazer uma previsão válida para 2020. Continuaremos fazendo tudo o que pudermos para proteger nossos colaboradores, impedir a propagação do vírus e garantir a estabilidade de nossa empresa”.

 

Foto: Divulgação.