Watson ajuda a contratar seguros

São Paulo – Os braços da inovação tecnológica que avançam sobre a indústria automotiva chegaram até área correlata, a de seguros de automóveis. A Planetun, que desenvolve ferramentas de tecnologia para seguradoras, e a IBM apresentaram na terça-feira, 12, aplicativo de vistoria que pretende acelerar o processo de contratação do seguro.

 

De acordo com o CEO da Planetum, Henrique Mazieiro, há empresas interessadas na ferramenta, por representar aumento de eficiência e uma estrutura de operação reduzida: “Nós operamos no mercado de aplicativos para seguros desde 2017. A ferramenta que apresentamos hoje é mais avançada porque funciona por meio de inteligência artificial criada pela IBM”.

 

Uma seguradora, cujo nome não foi revelado utilizará a aplicação a partir de março. Na prática o aplicativo funciona indicando ao proprietário de um veículo como ele deve registrar imagens de determinadas partes do automóvel para que seja feita uma avaliação e, assim, a contratação do seguro. No modelo convencional, a contratação é feita por meio de agendamentos de visitas e a consequente presença de um intermediário no processo. Com o seu produto a Planetun pretende mudar a sequência, estabelecendo um canal direto com o cliente.

 

A inteligência artificial da IBM chamada Watson, ponto-chave da ferramenta, é acionada neste momento: as fotos de partes do veículo são analisadas em conjunto com outros dados, resultando em uma avaliação que indica, ou não, a contratação do seguro por meio do cruzamento das informações.

 

Watson é uma espécie de supercomputador que armazena conhecimento a partir das informações que nele são inseridas, daí ser chamado de inteligência artificial. A Volkswagen, por exemplo, utiliza a tecnologia da IBM no manual cognitivo do sedã Virtus – o sistema do veículo responde às questões feitas pelo motorista a respeito dos parâmetros do carro e seus componentes. O presidente Pablo Di Si afirmou que o T-Cross, que será apresentado nas próximas semanas, também terá aplicações com o Watson.

 

A Planetun integra um grupo de empresas que, no universo da tecnologia, são chamadas de insurtechs, uma corruptela de insurance – seguro, na língua inglesa –  com o sufixo já conhecido que designa as empresas que trabalham com inovação. A tendência cresce no Brasil, segundo dados da Câmara E.Net, a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico: estão em operação 79 pequenas insurtechs.

 

Mazieiro afirmou que a atual aplicação, por causa da inteligência artificial IBM, está mais precisa e processa operações de forma mais segura: “O cliente recebe um SMS, abre, tira foto do carro, envia pra seguradora e em cerca de seis horas o processo todo está realizado”.

 

Para evitar fraudes as fotos só podem ser tiradas pelo aplicativo. A startup usa a geolocalização, data em que foram tiradas e checa se as imagens já foram previamente usadas.

 

Em 2018 a Planetun realizou 110 mil processos de autovistoria com uma média de adesão e retorno positivo em 70% dos casos, disse o executivo. A seguradora que contrata o serviço da companhia paga R$ 15 cada uma.

 

Foto: Divulgação.

Ghosn mantém posição em conselho da Renault

São Paulo – Semanas após anunciar novo presidente e CEO em substituição a Carlos Ghosn, que renunciara aos cargos, a Renault informou na terça-feira, 12, que ele segue mantendo posição no seu conselho de administração – ao contrário das parceiras da Aliança, Nissan e Mitsubishi, que o afastaram de suas funções de seus respectivos boards. Ghosn segue também com cargos na diretoria da Aliança Rostec Auto, que controla a russa Avtovaz, e na Renault do Brasil.

 

Para a presidência do conselho de administração da Aliança Renault Nissan foi indicado Thierry Bolloré, que assumiu o posto de CEO da Renault no lugar do executivo brasileiro.

 

Enquanto a Renault informava ao mercado a manutenção de Carlos Ghosn em sua a diretoria a Nissan divulgou seus resultados referentes ao terceiro trimestre fiscal. E as projeções de vendas, lucro e lucro operacional foram reduzidas – no caso do lucro, em cerca de 20%.

 

Foto: Divulgação.

Ford Fusion tem portfólio reduzido na versão 2019

São Paulo – A Ford revelou a linha 2019 do sedã Fusion com novidades no portfólio: a versão de entrada com motor aspirado 2.5 flex deixa de ser vendida na rede de concessionárias. Como opção restou apenas o motor EcoBoost 2.0 turbo de 248 cv e transmissão automática – por R$ 149,9 mil na SEL R$ 179,9 mil na Titanium AWD.

 

A topo de linha Titanium Hybrid sai por R$ 182,9 mil, equipada com motor aspirado 2.0 em combinação com um motor elétrico que rende 190 cv. Alguns itens dessa versão são assistente de condução, teto solar, sistema de estacionamento automático, ar-condicionado de zona dupla, bancos com aquecimento e sistema multimídia SYNC 3.

 

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Start-stop puxa demanda por baterias mais potentes

São Paulo – O aumento da demanda pelo start-stop nos automóveis brasileiros trouxe nova oportunidade para a Heliar, que comercializa baterias que entregam cargas maiores para suportar a energia exigida pela tecnologia. Segundo Marcos Randazzo, 10% dos produtos vendidos para o mercado original são EFB ou AGM – indicados para essa aplicação.

 

“A nossa estimativa é que as baterias EFB e AGM representem 50% das vendas da empresa até 2024”, disse o executivo. “Produzimos em Sorocaba as EFB, que representam a maior parte das vendas por aqui, e importamos as AGM da matriz, na Alemanha”.

 

Segundo Randazzo a bateria EFB, Enhanced Flooded Battery, é uma evolução da tradicional, com sistema de placas melhorado, que sustenta toda a parte elétrica do carro quando é realizada a parada. Este tipo de bateria é indicado para veículos com sistema simples de start-stop, em que o carro desliga quando está em ponto morto e é ligado quando o motorista aciona o pedal da embreagem, além de modelos automáticos mais baratos.

 

Os modelos de bateria AGM, Absorbent Glass Mat, são indicados a veículos mais caros, com componentes mais sofisticados, como turbo eletrônico, freio regenerativo e o sistema start-stop mais avançado, que requer bateria com capacidade de recarga mais rápida e que suporte ciclos de uso mais profundos.

 

No segmento original a Heliar fornece as duas baterias para montadoras como Citroën, FCA, Peugeot e Renault. Já no segmento de reposição as baterias estão disponíveis para diversos modelos, desde os de entrada até os mais caros, como os Land Rover e BMW.

 

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Peugeot encerra importação do 308 e 408

São Paulo – As importações do hatch e sedã médios 308 e 408 de El Palomar, na Província de Buenos Aires, Argentina, foram suspensas pela Peugeot do Brasil. Ao fim dos estoques os modelos deixarão de compor o portfólio brasileiro da marca, de acordo com comunicado divulgado pela empresa.

 

A decisão, diz a nota, acompanha os planos traçados para o mercado local: concentrar seus esforços no compacto 208, nos SUVs 2008, 3008 e 5008 e na linha de comerciais Boxer, Expert e Partner.

 

Os proprietários de 308 e 408 continuarão com atendimento de pós-vendas da rede de concessionárias, com acesso aos programas Peugeot Total Care e Renova Peugeot. Seguirá também normalmente a produção na Argentina, para atender àquele mercado.

 

Foto: Divulgação.

KPMG divulga resultado de sua pesquisa global

São Paulo – A KPMG apresentou, na manhã da terça-feira, 12, seu tradicional estudo Global Automotive Executive Survey, versão  2019, que aponta as principais tendências para a indústria automotiva na ótica dos tomadores de decisão das empresas e dos consumidores. Nessa vigésima edição responderam ao questionário mais de 1 mil executivos e mais de 2 mil consumidores de 41 países – do Brasil foram 66 executivos e 113 consumidores, em torno de 6% a 7% da amostragem total.

 

Os resultados do estudo foram divididos em quatro grandes capítulos: Megatendências Além do Óbvio, Valor do Produto, Valor do Consumidor e Valor do Ecossistema. Os principais temas em debate nas salas de reuniões das companhias do setor, como o futuro da combustão, veículos elétricos e autônomos, tendências de conectividade, mobilidade e tendências regionais estão contemplados.

 

Estão ali o número global e também a amostragem regional, por meio de ferramenta que a KMPG criou para oferecer o resultado do estudo. No caso de veículos elétricos e autônomos, por exemplo, as visões dos consumidores e dos executivos brasileiros diferem bastante das de outras regiões, como Europa e China.

 

“Há ainda uma questão importante, que é a disponibilidade de matérias-primas para desenvolver as baterias elétricas”, destacou Aline Dodd, executiva global da área automotiva da KPMG. “Essas questões são importantes para guiar o futuro dos motores a combustão.”

 

A executiva falou também da infraestrutura para esses modelos elétricos, que diferem por região do globo.

 

De toda forma os carros elétricos são apenas um dos temas do aprofundado estudo gerado a partir da pesquisa, que, se fosse impresso, teria mais de 2 mil páginas. Um tema importante que passa a gerar mais atenção devido aos últimos movimentos do setor, como as parcerias Ford-Volkswagen e BMW-Daimler, é a chamada Co-competição, uma junção dos termos cooperação e competição.

 

Segundo Dodd com o aumento da complexidade da indústria, com produtos e serviços evoluindo em alta velocidade, os competidores não conseguirão agir sozinhos para cobrir toda a cadeia de valor. Essa cooperação é considerada, por ela, “um mapa secreto para a ilha do tesouro”.

 

Durante a apresentação, no Palácio Tangará, em São Paulo, foi anunciada também a primeira edição da pesquisa sobre a indústria brasileira. A iniciativa é uma parceria da KPMG com AutoData e os leitores receberão, em breve, o questionário que servirá como base para o estudo, que será revelado no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas, em junho.

 

O estudo global divulgado na terça-feira, 12, pode ser acessado aqui.

 

Foto: AutoData.

Livre-comércio com México bate à porta

São Paulo – Salvo alguma mudança de rota o livre-comércio no setor automotivo passará a ser realidade nas relações bilaterais do Brasil e México a partir do mês que vem. O atual acordo comercial que os dois países mantêm para o comércio automotivo, com cotas para as duas correntes, se encerra em 19 de março e no dia seguinte passará a vigorar a troca comercial de veículos isentos de imposto de importação.

 

Fontes da indústria argumentam que este novo cenário na relação comercial dos dois países, neste momento, escancararia as deficiências de competitividade brasileiras. Uma grande preocupação é a atração de investimentos: com o México podendo abastecer o principal mercado da América do Sul com veículos livres de imposto, existe o temor do redirecionamento dos aportes destinados a novos produtos das companhias, todas globais, para o parceiro comercial da parte Norte do continente, por ele ser mais competitivo aos olhos das matrizes.

 

Antonio Megale, presidente da Anfavea, disse na semana passada que a entidade articularia junto ao governo a prorrogação do acordo vigente com uma cota maior, para permitir que mais veículos fossem exportados ao México, de forma que o excedente pudesse ajudar as montadoras a compensar as perdas de volume nas exportações para a Argentina, em crise:

 

“Uma cota maior seria o ideal para a nossa indústria, de forma a ajudar as empresas a ter um mercado maior para atuar frente a diminuição dos embarques para o mercado argentino. Abrir o mercado brasileiro, hoje, poderia representar trazer desafios para a nossa indústria em termos de competitividade”.

 

Na lógica da entidade que representa as fabricantes de veículos o ideal seria que o País negociasse com o governo mexicano uma cota anual maior do que o US$ 1,6 bilhão estabelecido pelo acordo comercial atual. O quanto maior, segundo Megale, seria o principal desafio nessa questão que deve mobilizar a indústria e ministérios em Brasília nos próximos dias, já que “não poderia haver um desbalanceamento no desembarque de veículos mexicanos”.

 

Entretanto, existem outros desafios além do apontado pelo presidente da Anfavea. Segundo executivo do setor ouvido por Agência AutoData, indústria e governo ainda não sentaram à mesa para discutir o futuro das exportações ao México – a nova equipe econômica tem agenda alinhada à abertura do mercado nacional em diversos setores e, por isso, há temor dentro da indústria de que haverá entrada de volume expressivo de veículos importados no País: “O livre-comércio, agora, mostraria ao mundo todas as nossas deficiências do portão para fora”.

 

A indústria, em linhas gerais, segundo a fonte, é favorável a um cenário mais flexível no que diz respeito às importações, mas é necessário tempo para uma adequação: “Não é o tempo da maturação do Rota 2030, de se modernizar as linhas. É um tempo mais breve, o das reformas que o governo prometeu fazer, o das melhorias na infraestrutura portuária do País. Precisamos ser tão ou mais competitivos do que o México para que a indústria nacional continue sendo relevante sob o ponto de vista da atração de novos investimentos”.

 

Há cláusula no acordo que se encerrará em março que estabelece que, na situação de livre-comércio, a quantidade de conteúdo nacional nos veículos envolvidos na corrente comercial aumente de 35% para 40%. Isso é visto como algo a ser respeitado pelos países no cenário futuro, contou a fonte: “Reza o acordo que a regra de origem poderá ser negociada pelos países, e esperamos que isso seja respeitado. Do contrário, poderia haver problemas na cadeia de fornecedores”.

 

O setor automotivo do México vem passando por dificuldades nas vendas internas em função da taxa de câmbio e escassez de crédito. As linhas de produção vêm sendo ocupadas nos últimos anos pelas demandas das exportações – e não apenas para os parceiros regionais de longa data, como Estados Unidos e Canadá, mas para outras regiões, como Brasil e países europeus.

 

De acordo com dados da Amia, a associação que representa as montadoras daquele país, as vendas no acumulado do ano caíram 7% na comparação com o volume vendido em, 2017, chegando a 1 milhão 421 unidades. As exportações cresceram 6% na mesma base de comparação, atingindo um volume de 3 milhões 449 mil 201 unidades embarcadas. A produção foi de 3 milhões 908 mil 139 veículos, praticamente o mesmo volume de 2017 – 0,6% menos.

 

O México representou 12% das exportações de veículos nacionais no ano passado, ao passo que as exportações ao Brasil representam 2,3% do total vendido pelas montadoras instaladas no país da América do Norte em 2017.

 

O modelo mais vendido no mercado mexicano, no ano passado, foi o Nissan Versa. No segmento de comerciais leves, uma picape da empresa, a Nissan MP300, é o veículo mais vendido, seguido por modelos também produzidos aqui, como o Nissan Kicks e o Honda CR-V.

 

Foto: Divulgação.

Exportações de autopeças cresceram 6%

São Paulo – As exportações de autopeças somaram US$ 7,8 bilhões em 2018, contra US$ 7,4 bilhões no ano anterior, alta de 6,4%. As importações foram de US$ 13,5 bilhões, ante US$ 12,7 bilhões em 2017, aumento de 6,1% na mesma base de comparação. Com isso, o déficit da balança comercial foi de US$ 5,6 bilhões no ano passado, alta de 5,6%, de acordo com os dados divulgados pelo Sindipeças, entidade que representa as fabricantes nacionais de autopeças.

 

Considerando apenas o mês de dezembro, as exportações chegaram a US$ 629,2 milhões, queda de 1,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior e as importações foram de US$ 675,7 milhões, retração de 28,3%.

 

A Argentina segue como principal mercado, para onde as empresas de autopeças exportaram US$ 2 bilhões, contra US$ 2,2 bilhões em 2017, retração de 9,5%. Com esse resultado, a participação do país caiu para 25,7%, ante 30,3% — influenciado pela crise econômica, que derrubou as vendas do setor.

 

Os Estados Unidos foram o segundo principal destino dos componentes nacionais, com US$ 1,5 bilhão exportados, contra US$ 1,2 bilhão na mesma base comparação, alta de 23,8% e 19,1% de participação. E o México foi o terceiro principal mercado, com US$ 973 milhões exportados, crescimento de 52,7% na comparação com 2017 e participação de 12,3%. 

 

Foto: Divulgação.

Viação Campos Gerais compra trinta Neobus

São Paulo – A Neobus vendeu trinta ônibus para a Viação Campos Gerais, de Ponta Grossa, PR, e os modelos já estão operando nas linhas da cidade. O modelo escolhido pela empresa foi o New Mega, produzido com chassi Mercedes-Benz OF1721L e capacidade para transportar 35 pessoas sentadas.

 

Luciano Rasera Gulin, diretor operacional da Viação Campos Gerais, disse que a parceria com a Neobus já existe há alguns anos e que “os modelos comprados são para reposição de frota”.

 

Foto: Gelson Mello da Costa/Divulgação.

Cledorvino Belini é nomeado diretor presidente da Cemig

São Paulo – Cledorvino Belini, que presidiu a Fiat na América Latina de 2004 a 2015 foi nomeado diretor presidente da Cemig, Companhia Energética de Minas Gerais. Com 44 anos de carreira na Fiat o executivo, que presidiu a Anfavea de 2010 a 2013, deixou a companhia há dois anos e agora assume novo desafio, a convite do novo governador do Estado.

 

A nomeação foi anunciada na sexta-feira, 8, por meio de fato relevante ao mercado de capitais. Na segunda-feira, 11, as ações da companhia recuaram 2% no pregão da Bovespa, Bolsa de Valores de São Paulo.