Mitsubishi produzirá Eclipse Cross em Catalão

São Paulo – A HPE Automotores, fabricante dos veículos Mitsubishi no Brasil, anunciou na quarta-feira, 7, durante sua entrevista coletiva no Salão do Automóvel de São Paulo, investimento de R$ 300 milhões em Catalão, GO, para nacionalizar o SUV Eclipse Cross, lançado no mercado, ainda importado, este ano. De acordo com o seu presidente, Robert Rittscher, as primeiras unidades começarão a sair das linhas de montagem no segundo semestre do ano que vem.

 

Na fábrica de Catalão, que completou vinte anos em agosto, são produzidos atualmente os modelos ASX, L200 Triton, Lancer e o Suzuki Jimny. Rittscher contou que o dinheiro será aplicado especificamente em produtos Mitsubishi, para adequação da linha, infraestrutura, licenças e treinamento: “A maior parte será destinada ao Eclipse Cross, mas o valor contempla também a evolução de outros produtos, como as picapes”.

 

Contratações também estão no planejamento para a unidade, que trabalha em um turno mas opera apenas com 30% de sua capacidade de 100 mil veículos/ano – alcançado após investimento de mais de R$ 1 bilhão aplicado a partir de 2010. O presidente disse que a HPE emprega, ao todo, 2 mil pessoas no País, e deverá expandir seu quadro em cerca de 10% após o investimento.

 

Este ano a Mitsubishi projeta comercializar 27 mil veículos no Brasil, volume que representa avanço de 18% sobre o ano passado. Rittscher disse esperar desempenho semelhante no ano que vem: “Teremos novos produtos, algumas mudanças nas linhas e estamos otimistas com o mercado. Achamos que conseguiremos repetir, em 2019, esse nível de crescimento”.

 

Da parte da Suzuki a HPE trará ao País a nova geração do Jimny a partir do ano que vem. Ela conviverá com o modelo atual produzido na fábrica de Goiás.

 

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E o Rota 2030?

São Paulo – Nos corredores do primeiro dia de imprensa do Salão do Automóvel de São Paulo, na terça-feira, 6, muitos executivos buscavam informações para entender o que ocorria em Brasília, DF. Enquanto nos estandes eram anunciados investimentos, planos para o mercado brasileiro e carros-conceito, deputados, senadores e representantes da indústria costuravam a aprovação da MP 843, que cria o Rota 2030.

 

Ao final de um longo dia de apresentações no pavilhão da São Paulo Expo chegou a informação de Brasília: a pauta de votações do plenário da Câmara dos Deputados fora adiada para a manhã da quarta-feira, 7. Na verdade, segundo apurou a Agência AutoData, a aprovação do Rota 2030 está em risco.

 

E a falta de consenso na indústria automotiva contamina o andamento das negociações no legislativo. Dentro da própria Anfavea existem montadoras que desejam a aprovação do novo regime automotivo e empresas que são radicalmente contrárias ao texto final. Em xeque estão os chamados penduricalhos ao Rota – em outras palavras, a renovação do Regime do Nordeste.

 

“São regras que mexem com a competitividade da indústria”, afirmou à reportagem uma fonte da indústria, reclamando dos benefícios concedidos a empresas que mantêm fábricas nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oestes. “Os incentivos são muito generosos”.

 

Enquanto o Rota 2030 corria sozinho, com benefícios tributários concedidos exclusivamente às empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento, as divergências ocorreram dentro do governo. Mas ao inserir no texto da MP a prorrogação do chamado Regime do Nordeste, a indústria se dividiu. Segundo apurou a reportagem, ao menos quatro empresas associadas à Anfavea são contrárias ao Rota 2030 com o Regime do Nordeste. Outra sócia da entidade, no sentido oposto, trabalha duro nos bastidores para a sua aprovação.

 

Durante o dia as bancadas de parlamentares do Nordeste e do Sudeste trabalharam de acordo com os interesses das suas regiões – alinhados com os interesses de empresas com fábricas nesses estados. Uma fonte do governo chegou a afirmar que a retirada do Centro-Oeste da lista de regiões beneficiadas com incentivos fiscais selaria a paz no setor – algo que não ocorreu. “Existem empresas trabalhando contra. Espero que arquem com as consequências caso o programa automotivo não seja aprovado”, relatou uma fonte nos corredores do Salão do Automóvel.

 

Até o fim da noite da terça-feira, 6, o presidente da República não havia confirmado presença na abertura do Salão do Automóvel. Fabricantes e representantes do setor esperavam que ele anunciasse a promulgação do Rota 2030 nessa ocasião. Mas ainda resta uma esperança para que isso aconteça: a remota expectativa de que a Câmara e o Senado aprovem a MP 843 no mesmo dia – algo que ocorreu raras vezes na história do País. Ou, até, que isso ocorra após a abertura do Salão, sem o clímax aguardado com o anúncio presidencial no maior evento do setor automotivo na América do Sul.

 

De todo modo, o prazo persiste: em 16 de novembro a MP 843 perde seus efeitos. Junto com ela, o Rota 2030. E, na esteira, a tão desejada previsibilidade para a indústria automotiva.

 

Colaboraram Bruno de Oliveira, Leandro Alves, Márcio Stéfani e Vicente Alessi, filho

 

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Picape Tarok ofusca o T-Cross no estande da VW

São Paulo – Dentre todas as novidades apresentadas para a imprensa no Salão do Automóvel a que mais surpreendeu foi a picape Volkswagen Tarok. Trata-se de uma picape compacta, com as mesmas proporções da Fiat Toro que, apesar da VW dizer que é uma versão conceito, pode ser lançada “muito em breve” mais ou menos como será vista no estande da empresa.

 

O projeto 100% nacional compreende o desenvolvimento do estilo e também de diversas soluções até então inéditas no segmento. Ela deve ser lançada na virada da década como mais um produto global. Durante sua apresentação o presidente e CEO da VW na região, Pablo Di Si, enfatizou a liderança regional e a velocidade com que novos produtos serão agregados ao portfólio da marca: “Estamos no meio do caminho da ofensiva de vinte produtos novos. A Tarok representa não apenas o trabalho inédito realizado pelas equipes na América do Sul, mas também a versatilidade da nova linha de produtos VW”.

 

A Tarok será uma picape global e pode ser exportada da região América do Sul para outros mercados, segundo a VW. Todas essas novidades acabaram por ofuscar o maior destaque na VW no Salão: o SUV T-Cross, cujas vendas começam no ano que vem.

 

Versátil – Além das tecnologias já presentes nos últimos lançamentos da VW, como os paineis digitais e pacotes de conectividade, a Tarok apresenta algumas soluções inovadoras. Uma delas é a possibilidade de rebater os bancos traseiros e agregar esse espaço com o da caçamba, por meio do rebatimento da tampa que separa o compartimento de carga da cabine.

 

O design, criado pelo time de estilo baseado em São Bernardo do Campo, SP, mesmo ainda em se tratando de um modelo conceito, pode ser o definitivo da versão de produção. Assim como impressionou os jornalistas, a Tarok pode chamar a atenção do público a partir de quinta-feira, 8, quando as portas do SP Expo serão abertas ao público. A conferir.

 

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BMW investirá R$ 125 milhões em Araquari

São Paulo – A BMW aproveitou o primeiro dia do Salão do Automóvel, a terça-feira, 6, para anunciar investimento de R$ 125 milhões em sua fábrica de Araquari, SC. O valor será aplicado para produzir ali as novas gerações do SUV X4, já no mês que vem, e do Série 3, a partir do segundo semestre de 2019. As versões atuais já são produzidas ali, ao lado de X1 e X3.

 

De acordo com Helder Boavida, presidente e CEO do BMW Group Brasil, o investimento total na fábrica catarinense desde sua inauguração, em 2014, atingiu R$ 1 bilhão sem contar esse novo aporte. Além disso a empresa comemora marco produtivo de 50 mil unidades ali neste ano.

 

Boavida afirmou que o investimento já está decidido independente da aprovação do Rota 2030. Ele, porém, reclamou da demora do processo de definição de um novo regime automotivo nacional. “O substituto do Inovar-Auto já deveria estar em vigor desde o ano passado. Se um programa já estivesse em andamento teríamos mais novos projetos além destes para anunciar agora.”

 

De acordo com o executivo a fábrica brasileira participou de concorrência interna da BMW global para receber produção de outros modelos, mas sem uma política automotiva definida no País perdeu a disputa para outra unidade no mundo, a qual ele não quis revelar. “Perdemos tempo e, por isso, perdemos projetos.”

 

Em 2018 Araquari deverá produzir 10 mil unidades, bem abaixo de 2017, quando fez 15 mil ajudada por contrato de exportação para os Estados Unidos. De qualquer modo a unidade responde atualmente por 65% das vendas da BMW aqui, índice que poderá cair um pouco em 2019 pelo período de transição da atual geração do Série 3 para a próxima: na primeira metade do ano que vem o modelo virá ao mercado importado da Alemanha.

 

Outras premium – No salão apenas a BMW deu destaque para sua operação nacional. Audi e Mercedes-Benz deram destaque apenas para modelos importados e a Jaguar Land Rover sequer participa da mostra.

 

Pelos lados da Audi o presidente e CEO Johannes Roscheck fez coro na reclamação pela indefinição sobre o Rota 2030, que tem inclusive mecanismos específicos para as fabricantes do segmento de luxo. “O novo regime automotivo cria base para a produção nacional de veículos premium. Sem ele fica inviável devido ao baixo volume” – a Audi deve encerrar o ano com cerca de seis mil unidades produzidas em São José dos Pinhais, PR, sendo que a capacidade produtiva ali é de 25 mil.

 

Roscheck disse que a Audi “estuda fortemente” nacionalizar mais modelos no Paraná, mas que vai esperar as definições do Rota para tomar qualquer decisão a respeito – o prometido uso dos créditos de IPI que sobraram do Inovar-Auto, um dos itens do Rota 2030, também está no aguardo de aprovação pelo Congresso Nacional.

 

O executivo ainda reclamou das regras do comércio automotivo com a Argentina. “O Mercosul não funciona, é uma ilusão, porque cada mercado tem um conteúdo local mínimo que não conseguimos atingir por nossa característica de produção em volumes reduzidos. A Argentina fica aqui ao lado e mesmo assim os modelos que vendemos lá são importados da Europa. É um absurdo.”

 

Pelos lados da Mercedes-Benz o presidente Philipp Schiemer não participou da coletiva de imprensa do Salão do Automóvel. A empresa apresenta oito lançamentos no Salão do Automóvel, mas todos são modelos importados.

Em janeiro Honda dará largada a Itirapina

São Paulo – A Honda começará a produzir o Fit em sua fábrica de Itirapina, SP, em janeiro, a primeira etapa da transferência das linhas de Sumaré, SP, para a nova unidade. O presidente Issao Mizoguchi afirmou, na terça-feira, 6, durante sua apresentação no Salão do Automóvel que a capacidade será de 120 mil unidades em dois turnos – mas, de início, será instalado apenas um.

 

Todos os modelos – City, Civic, Fit, HR-V e WR-V – sairão das linhas da nova fábrica, a exemplo do que ocorre atualmente em Sumaré. Questionado sobre um possível aumento no volume de produção o presidente disse é possível ampliar a capacidade da unidade, que ocupa parte de um grande terreno — até mesmo voltar a produzir em Sumaré está nos planos.

 

Mizoguchi estima crescer no ano que vem com base na sua gama de produtos e estrutura de rede e pós-vendas: “A nossa projeção para esse ano é crescer 2% e manter o nível de crescimento no ano que vem”.

 

Novidades no Salão – A Honda anunciou o HR-V Touring com motor 1.5 turbo, que chegará ao Brasil no começo do ano que vem. Também foi apresentado o Honda Accord 2019, ao preço de R$ 198,5 mil, que traz como novidade relevante o Honda Sensing, pacote de segurança que oferece piloto automático adaptativo com redução de velocidade baseada na do carro da frente, sistema de frenagem para mitigação de colisão, sistema de assistência de faixa, sistema para mitigação de evasão de pista e leitura de placas de velocidade da via por meio de sensores que equipam o carro.

 

Durante a coletiva a Honda também anunciou que começará a vender o WR-V ainda esse ano na Argentina.

 

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Toyota quer exportar Yaris para diferentes mercados

São Paulo – A Toyota prepara a entrada do Yaris, produzido em Sorocaba, SP, em outros mercados na América do Sul para compensar as perdas de volume que teve na Argentina.  Com esse cenário será possível sustentar o terceiro turno aberto nas fábricas de Sorocaba e Porto Feliz, SP.

 

O presidente Rafael Chang evitou informar para quais países a montadora articula a exportação do Yaris. Sinalizou, porém, que os embarques devem acontecer para aqueles já atendidos pela empresa com os modelos Etios e Corolla: “Será exportado naturalmente para onde os demais modelos que produzimos o são, como Chile, Colômbia, Peru e Paraguai. Há demanda reprimida também no Brasil, e com isso esperamos poder equilibrar a produção e sustentar o terceiro turno”.

 

A empresa verificou ao longo do ano que precisava produzir 9 mil unidades a mais para poder atender a demanda dentro e fora do País, e por isto recorreu à abertura do terceiro turno. Embora a possibilidade de produzir mais resolva a equação da Toyota, trabalhar próximo ao limite é algo visto como delicado. De acordo com o vice-presidente Miguel Fonseca esta é a quarta vez que a companhia opera com três turnos no mundo:

 

“Afora este caso brasileiro houve um terceiro turno nos Estados Unidos, na Turquia e no Japão. Vemos a situação como algo delicado porque, com a produção máxima, aumentam também as atenções nos processos de qualidade, por exemplo. Não faz parte da cultura da companhia e é algo praticado agora para poder atender aos clientes”.

 

O executivo disse que sem o terceiro turno aumentariam os prazos de entregas dos veículos na rede de concessionários, o que poderia acarretar fuga de clientes para os concorrentes: “Percebemos justamente o contrário depois do lançamento do Yaris. Conseguimos, com ele, atrair as atenções de clientes cativos de outras marcas para o nosso produto. Se não aumentássemos o volume de produção o movimento seria justamente o contrário por causa de eventuais atrasos”.

 

Na Argentina a Toyota observou queda de 15% nas vendas e, segundo Fonseca, o mercado recuou 40%. Ainda assim a empresa projeta um 2019 de recuperação ali, onde, desde maio, o Etios hatch é o modelo mais vendido. Para Daniel Herrero, presidente da Toyota Argentina, a produção no país, pelo menos por ora, está estabilizada: “Atendemos muito bem o mercado brasileiro com as picapes, é um segmento em crescimento que nos mantém produzindo da mesma forma que antes da crise”.

 

Na terça-feira, 6, durante o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, a Toyota apresentou nova versão da picape Hilux, a GRS. O modelo é produzido na fábrica de Zárate, Argentina, e foi desenvolvido pelo braço de competição da empresa, o Gazoo Racing. Foram apresentadas também duas versões do Yaris, a GRS, esportiva, e a X Way, aventureira.

 

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Conceito Fastback traz linhas dos futuros Fiat

São Paulo – Dos quinze lançamentos prometidos pela Fiat no mercado latino-americano até 2023 três serão SUVS – ou UVs, como prefere chamá-los o seu presidente, Antonio Filosa: para ele SUVs são modelos da outra marca da FCA, a Jeep. Um pouco dos traços desses futuros modelos está no conceito Fastback, a principal atração FCA no Salão do Automóvel 2018, que abre as portas na quinta-feira, 8, no São Paulo Expo.

 

De porte grande o Fiat Fastback é o oitavo carro-conceito desenvolvido pela FCA e tem ampla participação das equipes de design e engenharia da FCA América Latina. Filosa disse que, assim como a Toro – que também debutou como conceito há dois salões – é possível que um modelo seja produzido a partir deste conceito. Mas, mais importante do que isso, são os traços de design que nortearão seus futuros modelos.

 

Anunciado em junho o plano de investimento de R$ 15 bilhões da FCA para a região até em 2023 começa a sair do papel. Cerca de R$ 7 bilhões serão aplicados na Fiat e outros R$ 7 bilhões na Jeep – o outro R$ 1 bilhão, dedicado a powertrain e tecnologias de infotainment, serão aproveitados pelas duas marcas.

 

Em Betim, MG, o investimento já foi oficialmente anunciado. Para Goiana, PE, onde pretende atrair 38 fornecedores para uma área de 11 milhões de m² próxima à fábrica, Filosa aguarda o anúncio oficial do Rota 2030 – que, se tudo correr conforme o esperado pela indústria e o governo, será feito pelo presidente da República na abertura do Salão na quinta-feira, 8.

 

“Queremos ajudar a desenvolver a região da fábrica de Goiana. Não só Pernambuco mas também a Paraíba e outros estados do Nordeste. Esses fornecedores gerarão em torno de 8 mil empregos, diretos e indiretos”, disse Filosa. “Faremos investimentos na área social também. Temos dados que mostram que desde a inauguração da fábrica da Jeep os índices de criminalidade de Goiana reduziram.”

 

A atração de fornecedores não é uma novidade. Filosa lembra que ele era o responsável pela área de compras quando a fábrica pernambucana foi anunciada — e a localização de fornecedores na região era uma das premissas: “Existe uma lacuna logística de 20% na fábrica, comparada com unidades de outras regiões. Para reduzir esta diferença precisamos atrair fornecedores para perto”.

 

O executivo manteve sua perspectiva otimista para 2019, para quando acredita em um mercado de 2,7 milhões de automóveis e comerciais leves – ante 2,5 milhões até o fechamento deste ano. A escolha do novo presidente ajudou a clarear o horizonte e, em sua opinião, os primeiros sinais indicam manutenção da recuperação econômica: “O Ibovespa alcançou sua maior marca e a volatilidade do câmbio foi reduzida. Todos os indicadores se mantiveram positivos e ajudam a reafirmar o meu otimismo”.

 

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Ford aposta em híbridos plug-in

São Paulo – A Ford acredita que o melhor caminho para o crescimento das vendas de veículos elétricos no Brasil é sua aposta em híbridos plug-in, pois o País ainda não tem a estrutura necessária para veículos 100% elétricos e outros modelos híbridos. Com essa visão, um dos principais lançamentos da Ford no Salão do Automóvel de São Paulo foi o Fusion Hybrid Energi, com tecnologia plug-in, que será vendido no País.

 

“O brasileiro gosta de tecnologia e queremos atrair essa parcela do público, mas também esperamos que esse carro atraia quem gosta de dirigir”, afirmou o vice-presidente Rogelio Golfarb. “O torque de um veículo híbrido fica todo disponível em baixas rotações, o que agrada esse tipo de consumidor.”

 

Na comparação com a versão híbrida que não é plug-in o Fusion Energi tem baterias maiores e entregará autonomia próxima de 800 quilômetros. Golfarb também disse que as novas regras do Rota 2030 para veículos híbridos e elétricos ajudarão o setor a crescer e deixou claro que isso não é um projeto de curto prazo: “Isso não é uma corrida de 100 metros e, sim, uma maratona e estamos começando: o primeiro passo foi dado”.

 

Com relação ao mercado no ano que vem, o executivo acredita que o crescimento será de 10% a 12%: “O principal fator para a expansão no ano que vem será o PIB, que voltará a ter um crescimento interessante. Também é necessário ressaltar que a base de comparação no ano que vem será mais sólida”.

 

Após a definição das eleições, Golfarb vê movimentação no ambiente de negócios positiva, algo muito importante para a indústria. A expectativa da companhia é que isso seja mantido para o ano que vem.

 

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Apreensão e otimismo com novo governo: é a Kia.

São Paulo – A Kia Motors vive clima de temor com relação à tramitação do Rota 2030, a nova política para o setor automotivo, dentro do prazo estipulado, 16 de novembro. De acordo com o seu presidente no Brasil, José Luiz Gandini, a vinda – ou não – dos modelos elétricos, por exemplo, perderá relevância caso a transformação em lei da MP 843 fique nas mãos do próximo governo:

 

“O texto tem que ser aprovado ainda no governo atual, que está mais próximo ao tema. Se perdermos o prazo pode ser que haja perdas na questão fiscal, sobretudo no IPI para híbridos e elétricos. Não sabemos se a tônica do próximo governo será a de auxiliar a indústria neste sentido”.

 

No segmento de elétricos e híbridos a empresa mostrou na terça-feira, 6, durante as apresentações no Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, os modelos Soul EV, Niro Hybrid e Optima Hybrid. Os veículos, segundo Gandini, estão em fase final de homologação e estarão disponíveis para venda condicionados a uma tributação diferenciada:

 

“São todos produtos de alta tecnologia, que dependem de taxação diferenciada para híbridos e elétricos, como ocorre no restante do mundo, para que sejam viáveis do ponto de vista mercadológico diante dos carros convencionais movidos a combustão interna”.

 

A agenda da adminstração federal que assume o País a partir de janeiro é incerta no que diz respeito ao setor automotivo. Em outubro o presidente eleito recebeu pleitos da indústria e sinalizou o estreitamento de laços, fato que não é comentado – nem foi confirmado – pela Anfavea. Durante todo o processo eleitoral a entidade se mostrou neutra e afirmou estar “acompanhando todas as propostas”.

 

Se existe apreensão sobre o futuro dos híbridos, no mercado dos veículos importados a visão da Kia é otimista acerca do crescimento das vendas no País. De acordo com Gandini, que também é presidente da Abeifa, no ano que vem a Kia deve importar um total de 20 mil unidades: “Para este ano a expectativa é a de que o volume total seja de 12,5 mil unidades. No ano passado foram 7,8 mil”.

 

O que move a empresa a acreditar no crescimento em 2019 é a projeção de cenário de estabilidade cambial, que será observado, segundo Gandini, a partir de janeiro com o início dos trabalhos da nova administração: “As vendas devem voltar à normalidade, com perfil de crescimento, e com o dólar em patamar de R$ 3,20 até R4 3,40 acreditamos em mais emplacamentos”.

 

Em função do crescimento visto desde o ano passado a empresa tratou de expandir sua rede de concessionários. Este ano foram onze novas lojas, o que eleva para 108 o número de pontos de vendas Kia no País. Gandini disse que foi procurado por “vários grupos de investidores querendo representar a marca”. Dentre os interessados estariam, segundo ele, as empresas Navesa, Germânica e Saga. Seria a primeira vez que essas empresas representariam a Kia Motors no varejo.

 

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Salão é mesmo dos elétricos

São Paulo – Passo importante para um eventual processo de eletrificação da frota brasileira de veículos foi dado na terça-feira, 6, o primeiro dia de apresentação das novidades do Salão do Automóvel 2018 à imprensa. General Motors, Nissan e Renault anunciaram a venda, no mercado brasileiro, de automóveis elétricos – ainda importados, é verdade.

 

Logo pela manhã Carlos Zarlenga, presidente da General Motors do Brasil, revelou que em 2019 o Chevrolet Bolt será vendido na rede de concessionárias por R$ 175 mil. À tarde foi a vez de a Nissan oficializar a venda do Leaf, que já rodou em sua geração anterior em frotas de táxis de São Paulo e Rio de Janeiro, RJ, por R$ 178,4 mil. Minutos depois a Renault informou que o Zoe, já vendido para pessoas jurídicas, também será oferecido para o consumidor comum por R$ 149 mil.

 

Nenhuma empresa arriscou estimar volume comercializado para os modelos. A GM, que já trabalha com o poder público para parcerias que visam a criação de infraestrutura para recarga destes modelos – mantém conversas nesse sentido com o Estado do Rio Grande do Sul e, segundo Zarlenga, outros estados e municípios no Brasil e na Argentina – trabalha com a hipótese de que os veículos elétricos sejam produzidos no Brasil nos próximos cinco anos com a chegada dos primeiros modelos e com o amadurecimento do mercado: “Não seria nenhuma surpresa se até 2023 já exista produção de modelos elétricos no Mercosul”.

 

A Nissan espera que boa parte da recarga seja feita na própria residência do motorista. Ao menos foi o que experiência em outros mercados demonstrou, de acordo com o presidente Marco Silva: “A recarga em tomada doméstica demora em torno de oito horas. Enquanto o carro não é usado ele pode ser recarregado”.

 

A autonomia do Leaf varia de 270 a 380 quilômetros, dependendo do uso. Importado do Reino Unido já está em pré-venda e chegará aos primeiros compradores no primeiro semestre do ano que vem: “Acreditamos que até 2025 as vendas de híbridos e elétricos possam representar até 15% do mercado brasileiro”.

 

Luiz Pedrucci, presidente da Renault, contou que o Zoe será vendido em duas concessionárias: a Sinal, em São Paulo, e a Globo, em Curitiba, PR. Produzido na França o modelo será comercializado também pela internet, nos mesmos moldes do Kwid —  “As vendas começam a partir de hoje”.

 

Por ora os veículos 100% elétricos e os híbridos representam fina fatia no mercado nacional de veículos. De janeiro a setembro foram vendidas aqui, de acordo com dados da Anfavea, 2 mil 754 unidades, o que representa 0,2% do mercado total.

 

Colaborou André Barros

 

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