Setor contrata. Exigência: mais qualificação.

São Paulo – Com a retomada do mercado as empresas do setor automotivo voltarão a contratar para recompor parte dos postos de trabalho cortados durante a crise dos últimos anos. Segundo Maria Sartori, gerente sênior de recrutamento da consultoria Robert Half – empresa que fez a décima-primeira edição do Guia Salarial Robert Half –, as contratações serão efetivadas já no ano que vem.

 

“Depois do período de crise percebo um movimento do mercado em retomar seus projetos parados e, para isso, as empresas precisarão retomar vagas que foram fechadas no passado”.

 

Segundo o estudo, divulgado na quarta-feira, 17, as posições com maior procura pelas empresas do setor automotivo são gerente de projeto, engenheiro de processos e engenheiro de vendas. Elas, porém, encontram dificuldades na hora de contratar esses profissionais:

 

“O inglês fluente é o principal entrave na hora de contratar para essas áreas: 51% das empresas exigem essa qualificação porque, em geral, as matrizes dessas empresas estão em outros países e o profissional precisa conseguir se comunicar”.

 

Maria Sartori também ressaltou que os profissionais que não se atualizaram durante o período de crise não atendem mais à demanda das empresas, que atualmente buscam funcionários com uma visão mais abrangente e de outras áreas de atuação. A gerente citou como exemplo engenheiros de projetos e de processos, que precisam saber o máximo possível sobre a área de produto: “Um engenheiro de processo, com alto conhecimento na área de produto e inglês fluente, tem sido altamente disputado pelas empresas do setor”.

 

Um gerente de projetos, segundo estudos da consultoria, tem salários que variam de R$ 9 mil a R$ 17 mil em empresas de pequeno e médio porte e de R$ 11 mil a R$ 23 mil em companhias de grande porte. Os engenheiros de processos de pequenas e médias empresas receberão de R$ 6,7 mil a R$ 8 mil, e no caso de grandes empresas o salário pode chegar a R$ 13 mil e. Já os engenheiros de vendas poderão ganhar de R$ 6,8 mil a R$ 17 mil, dependendo do porte da empresa. Segundo Sartori empresas de pequeno e médio porte são aquelas que faturam até R$ 500 milhões por ano, enquanto as grandes têm faturamento superior.

 

A gerente da Robert Half também apontou que, com a retomada do setor, a faixa salarial dessas áreas está voltando a crescer – nos últimos dois anos ficaram estagnadas e, em alguns casos, passaram por reduções: “2019 será o ano em que isso voltará a mudar e acredito que os salários voltarão a crescer. Ainda distante do que era registrado em 2012, mas melhor do que nos anos de crise”.

 

Foto: Divulgação.

Adefa anuncia Vázquez como novo presidente

São Paulo – A Adefa, associação das fabricantes de veículos instaladas na Argentina, anunciou na quarta-feira, 17, seu novo presidente: Hernán Vázquez, presidente da Volkswagen Argentina sucede a Luis Fernando Peláez Gamboa, que agora será presidente da comissão diretiva da associação.

 

Por meio de comunicado a Adefa informou que o objetivo da nova gestão, 2018-2019, será “estreitar as relações com a cadeia de fornecedores, promover o investimento e a inserção internacional”.

 

Hernán Vázquez é graduado em marketing e publicidade e começou a trabalhar na VW em 1987. Em junho de 2015 cheogu à vice-presidência de marketing da VW Argentina, chegando a presidente da operação no ano passado.

 

Foto: Divulgação.

BNDES investe R$ 6,7 milhões em redes de recarga para elétricos

São Paulo – O BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, aprovou na terça-feira, 16, aportes de R$ 3,4 milhões e R$ 3,3 milhões em dois projetos de redes de recarga de veículos elétricos. Os recursos serão provenientes do Funtec, fundo da instituição dedicado a projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação. As iniciativas foram selecionadas em chamada pública realizada em 2016 e dentre elas está uma registrada pela fabricante de motores elétricos Weg.

Audi pagará multa de 800 milhões de euro por Dieselgate

São Paulo – A Audi, controlada pelo Grupo Volkswagen, foi condenada na Alemanha a pagar multa de 800 milhões de euro por envolvimento no caso dos motores a diesel manipulados mundialmente — o chamado Dieselgate — anunciou a empresa na terça-feira, 16.

 

Por meio de comunicado, a Audi informou que o pagamento da multa afetará negativamente o balanço financeiro de 2018. A Procuradoria de Munique indicou que “ficaram evidenciadas violações na supervisão”, dentro da empresa, “a respeito da homologação de carros a diesel, que não respeitam a regulamentação”.

 

Até o momento a fraude dos motores diesel já custou ao grupo, no total, cerca de 27 bilhões de euro.

Volkswagen moderniza sistema de vendas

São Paulo – A Volkswagen iniciará em novembro projeto piloto de padronização de pontos de venda no País. O modelo que desenvolveu, que terá como principal característica a aplicação de recursos digitais no canal de venda, será adotado a princípio em 25 concessionários da rede, escolhidas em função do desempenho de vendas.

 

De acordo com o presidente Pablo Di Si, da VW, hoje há diferenças na forma como as concessionárias conduzem o negócio: “Parte já utiliza elementos modernos, outras convivem com burocracia nos processos. Nosso modelo busca padronização e vamos testá-lo. Representa a transição da rede para o mundo digital”.

 

Os recursos tecnológicos presentes no modelo envolvem, por exemplo, realidade virtual. Outra medida oferecida pelo novo modelo, segundo o presidente Di Si, é a opção de ponto de venda de 150 metros quadrados: “O concessionário poderá escolher se quer expor um, dois ou nenhum modelo na loja, pois há a opção de o cliente conhecer mais os veículos por meio da internet”.

 

Apostar em recursos digitais faz parte de um planejamento global da companhia. Em agosto a matriz anunciou investimento de 3,5 bilhões de euro que serão aplicados no desenvolvimento de uma estrutura de serviços digitais e de um sistema operacional veicular. Em setembro foi a vez de uma parceria com a Microsoft para a criação de ambiente digital na nuvem baseado no conceito de cloudcomputing. Outra parceria costurada foi com a IBM em serviços de concierge virtual no modelo sedã Virtus: o sistema, chamado de Watson, responde às perguntas feitas pelos motoristas.

 

Foto: Divulgação.

Compacto VW chega ao mercado em 2023

São Paulo – O modelo de automóvel compacto que a Volkswagen planeja produzir no Brasil e que já tem a aprovação do board, na Alemanha, deverá chegar ao mercado em 2023, segundo o presidente Pablo Di Si. A empresa, por ora, articula com fornecedores, com a rede de concessionários e com sindicatos a viabilidade da sua fabricação local.

 

Di Si, contudo, disse que o veículo foi pensado para atender às necessidades do mercado – e da montadora – a partir dos próximos cinco anos: “Estamos pensando lá na frente, quando o mercado estará melhor do que hoje em termos de vendas, e também demandando outras características de mobilidade. Queremos participar e dispor de ofertas em todos os subsegmentos”.

 

Hoje o modelo compacto da Volkswagen é o up!, produzido na fábrica de Taubaté, SP, desde 2014. O novo modelo planejado para entrar no mercado em cinco anos será construído sobre a plataforma modular MQB.

 

Di Si disse, ainda, que essa fabricação local demandará investimento adicional aos R$ 7 bilhões já anunciados para o País até 2020 que contempla vinte lançamentos na América do Sul. O novo investimento, de acordo com ele, será anunciado em 2019. Há indefinição sobre em qual fábrica será produzido o novo modelo.

 

O presidente da Volkswagen disse que atualmente “as fábricas estão lotadas”. Na prática, contou, os turnos ativos estão operando a plena capacidade em função da demanda no mercado interno, que é crescente: no acumulado do ano foram emplacados 215 mil 12 veículos VW, 36,2% a mais do que nos nove primeiros meses do ano passado. É segunda maior marca em termos de vendas, depois da General Motors:

 

“Brigaremos pela ponta no fim de 2019 ou no começo de 2020. Isso se dará de forma sustentável, com foco em vendas no varejo. Não queremos brigar em market share de forma a diminuir nossas margens e as de toda a cadeia”.

 

Desde o fim de maio a companhia reduziu a velocidade da produção de veículos em São Bernardo do Campo, SP, e Taubaté, e de componentes em São Carlos, SP, por causa da crise na Argentina, principal destino das exportações de veículos VW. Em São José dos Pinhais, PR, onde são produzidos o VW Fox e o Audi Q3, a expectativa é a de que a capacidade seja ocupada com a chegada do SUV T-Cross, programada para 2019.

 

Foto: Rafael Cusato.

Demanda por crédito e consórcio será maior ano que vem

São Paulo – As entidades financeiras de crédito e consórcio de veículos esperam observar em 2019 aumento gradual da demanda por cotas e financiamentos. A projeção se baseia nas perspectivas de vendas maiores de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no ano que vem. As impressões foram retratadas durante painel realizado no Congresso AutoData Perspectivas 2019, em seu segundo dia, a terça-feira, 16, em São Paulo, Capital, com as principais associações do segmento.

 

Seus representantes entendem que o cenário é favorável para que o consumidor, seja pessoa física ou jurídica, tenha confiança em fazer aquisições.

 

Luiz Montenegro, presidente da Anef, a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras, afirmou que a demanda por financiamentos ainda não acompanhou totalmente o ritmo das vendas internas: “A inadimplência está sob controle e o crédito está disponível, mas o consumidor precisa recuperar a confiança, o que acreditamos que aconteça a partir do segundo trimestre do ano que vem. Esperávamos que este movimento ocorresse este ano, mas ele foi reprimido pelo fator político”.

 

O dirigente afirmou que em agosto estavam disponíveis nos bancos das montadoras R$ 2 bilhões para crédito. No mesmo mês, em 2015, quando o setor de veículos padecia dos efeitos de crise e vendas menores, o volume disponível foi de R$ 705 milhões. Para ele “o que precisa aumentar no mercado não é a oferta de crédito, mas a demanda por ele. Em 2019, se forem feitas as reformas, por exemplo, quem tem carta de crédito nas mãos deverá usá-la para trocar de veículo ou renovar a frota”.

 

Quando o cenário é de cautela o consumidor recorre mais às formas de compra de longo prazo, como o consórcio, disse Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da Abac, a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios.

 

“O volume de cotas de crédito concedidas cresceu 8,3% até agosto na comparação anual e deverá crescer mais em 2019, principalmente em caminhões. Em outubro pode até ser que essa evolução alcance dois dígitos, porque os frotistas estão se preparando para o transporte de grãos da próxima safra. Pelos nossos cálculos há 350 mil consumidores com dinheiro na mão que estão apenas esperando o cenário se tornar mais confiável.”

 

Foto: Rafael Cusato.

Nas motos, evolução de 10% em 2018 e 5% em 2019

São Paulo – A indústria de motocicletas no Brasil crescerá na ordem de 10% este ano, mas a indústria contém qualquer euforia vista em outros momentos, como por exemplo em 2011, quando atingiu 2 milhões de unidades produzidas. Durante painel específico do segmento promovido no segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2019, a terça-feira, 16, em São Paulo, Capital, a Abraciclo mostrou-se animada porém, ao mesmo tempo, cautelosa para cravar a quebra da barreira de 1 milhão de motos produzidas no País no ano que vem.

 

“Estamos em um patamar de crescimento e devemos chegar a 980 mil unidades produzidas este ano. Em setembro registramos alta de 19% no comparativo anual. A demanda está aquecida”, afirmou Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, associação que reúne as fabricantes do segmento.

 

Este volume representaria alta de 10% na produção em 2018 ante 2017. Para 2019 Fermanian estimou crescimento de 5%, “no mínimo”, o que, entende, “já seria de bom tamanho”.

 

De 2011 para cá, recordou, a retração foi muito grande. “O segmento sofreu queda sobre queda, e ainda estamos longe da capacidade instalada na Zona Franca de Manaus.”

 

De acordo com Oscar Pires de Castro Neto, diretor da Yamaha, também participante do painel, a rede de concessionárias ainda se adapta para trabalhar com esse menor volume, ao mesmo tempo em que o setor enfrenta custo elevado de frete.

 

As exportações foram fortemente afetadas com a crise na Argentina, e não há perspectivas de melhoras tão cedo. De acordo com Fermanian o país vizinho é o principal destino das nossas vendas externas, representando de 70% a 75%. “Gostaríamos de exportar mais, a outros mercados, mas tudo depende do custo. O Brasil tem questões logísticas complexas.”

 

Outro ponto delicado é a concessão de crédito: pelos cálculos da Abraciclo apenas 20% dos interessados conseguem aprovação de ficha. Uma das razões é a necessidade de comprovação de renda, dificultada em um mercado de trabalho cada vez mais informal. “O futuro do crédito transita em um desafio estatístico. É preciso encontrar uma maneira de cruzar informações do mercado e conceder crédito saindo do tradicional.”

 

Neto, da Yamaha, citou neste item as taxas subsidiadas pelo banco da montadora, a oferta por concessionários de venda parcelada por cartão de crédito e até o próprio lojista fazendo o financiamento por sua conta e risco.

 

Já o desafio da eletrificação ainda é um exercício para o futuro: “Existem marcas com alguns protótipos e desenvolvimento de produtos. Mas a bateria ocupa um grande espaço na moto”, avaliou Fermanian. Para ele as motocicletas elétricas deverão chegar em um momento seguinte à eletrificação dos automóveis. E lembrou que “desde 2009 temos a motocicleta flex, que hoje responde por quase 70% de nossa produção e é mais benéfica ao meio ambiente”.

 

Para a Yamaha as montadoras estão debruçadas atualmente sobre o etanol e não na eletricidade. “A indústria se preocupa com o descarte das baterias, a questão do espaço dela na moto e a autonomia limitada.”

 

Foto: Rafael Cusato

Itaú: economia crescerá, mas em ritmo lento.

São Paulo – A economia não apresentará crescimento expressivo em 2019 de acordo com Fernando Machado Gonçalves, economista do Itaú, pois o ritmo atual é fraco e não sugere que haverá uma grande recuperação nos próximos meses, ainda mais com as incertezas políticas que envolvem o futuro do País.

 

“Tantas dúvidas sobre o futuro político trazem impactos na economia e isso se soma à confiança do consumidor em baixa, assim como a condição financeira apertada da população”, disse Gonçalves durante palestra no segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2019, a terça-feira, 16, em São Paulo, Capital.

 

A projeção do banco para o crescimento do PIB em 2019 é de 2%, ante 1,3% este ano. A expectativa do Itaú é que o próximo governo faça as reformas necessárias para o desenvolvimento da economia, começando com a previdência. “Independente de quem vencer a eleição o congresso que foi formado parece ser mais reformista, o que aumenta as chances destes movimentos acontecerem.”

 

Com relação à taxa de desemprego o economista acredita que haverá uma leve queda no ano que vem, para 12,1% contra 12,3% deste ano. A taxa Selic deve subir para 8% em 2019 e encerrará esse ano em 6,5%, de acordo com as previsões do economista, enquanto o IPCA ficará em 4,3% ante 4,5% de 2018. A expectativa para o dólar é de taxa em torno de R$ 3,90 em 2019, mesmo patamar do encerramento deste ano.

 

Foto: Rafael Cusato.

KPMG: parcerias serão fundamentais na sobrevivência da indústria.

São Paulo – Para sobreviver a indústria automotiva precisa estar antenada, construindo novas parcerias e relações de negócios. É a opinião de Ricardo Bacellar, diretor da área automotiva da KPMG, em apresentação no segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2019, na terça-feira, 16, em São Paulo, Capital.

 

Para Bacellar uma expectativa enorme pelo Rota 2030 não é por acaso: “É preciso ter previsibilidade, uma boa visão do que vem pela frente, para ser assertivo no planejamento hoje e não errar lá na frente. Todo processo de disruptura tem uma curva de aprendizado longa, e as empresas precisam montar um planejamento estratégico para ações que só vão começar a chegar ao mercado em 5 ou 6 anos”.

 

Para o diretor da KPMG a inovação está em tudo: é preciso repensar produtos, modelos de produção, matriz energética, relação com consumidor etc., ou seja, “todos os elos que pertencem ao ecossistema”.

 

A partir dos estudos lançados pela KPMG que dão suporte à indústria Bacellar citou três vetores sobre o futuro do segmento que impulsionam o direcionamento de planejamento: veículos elétricos, veículos autônomos e serviços de mobilidade.

 

Para o executivo a solução está em se unir com outras indústrias, de forma rápida. “Precisamos arregaçar as mangas e tomar uma atitude pró-ativa. Existem empresas oferecendo serviços de mobilidade que geram receitas”, disse Bacellar, citando o caso da Sem Parar.

 

Para ele, é preciso sair da zona de conforto e fazer parceria com outras indústrias provedoras de experiências. “A questão é: há um mar de oportunidades e as perspectivas são enormes. O importante é saber onde priorizar, colocar as fichas.”

 

Foto: Rafael Cusato