Leves: vendas crescerão independente da eleição.

São Paulo – O segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2019, realizado na terça-feira, 16, em São Paulo, Capital, promoveu painel de debates específico para as fabricantes de automóveis. Um dos participantes, o vice-presidente comercial da Renault, Alejandro Botero, afirmou que o mercado crescerá no ano que vem, mas considerou difícil projetar um número.

 

O presidente da Caoa, Mauro Correia, também participou e disse que no ano que vem o mercado crescerá, mas em ritmo lento. Sua projeção para as vendas totais do segmento neste ano é de 2 milhões 540 mil unidades.

 

José Luiz Vendramini, diretor comercial da Nissan, também acredita no crescimento do mercado em 2019: para ele as vendas de automóveis e comerciais leves serão de 2,6 milhões a 2,7 milhões de unidades. Porém, salientou que “esse crescimento dependerá das definições políticas, mas acredito que o mercado crescerá independente de quem seja eleito”. Com relação às vendas da Nissan em particular a projeção é comercializar de 110 mil a 120 mil unidades ante 95 mil neste ano.

 

A meta da Renault para 2018 era chegar a 8% de participação de mercado e a companhia já atingiu 8,6%, segundo Botero. “Para o ano que vem a intenção é seguir com o crescimento constante que registramos até agora, e a nossa próxima meta é alcançar 10% de participação até 2022.”

 

Já o executivo da Caoa disse que a projeção da empresa para esse ano é vender 110 mil veículos, das marcas Chery e Hyundai, alta de 7% na comparação com o ano passado. “O crescimento das nossas vendas esse ano virá dos novos modelos, avanço da rede e o aumento da qualidade nos serviços. Para crescer mais no ano que vem esperamos recuperar a marca Chery, trazendo novos produtos e trabalhando forte na rede, e com isso as vendas da marca poderão chegar a 34 mil unidades.”

 

Fotos: Rafael Cusato.

Para ônibus, expectativa é de continuidade do crescimento

São Paulo – O setor de ônibus tem no Brasil um 2018 de crescimento e uma continuidade de boas perspectivas para 2019, de acordo com painel de integrantes das montadoras do segmento realizado no Congresso AutoData Perspectivas 2019 em seu segundo dia, a terça-feira, 16, em São Paulo, Capital.

 

Apesar do segmento ser de difícil previsão, e no geral dependente de políticas públicas para crescer, a expectativa é fechar 2018 em alta de 23%, com a venda de 14 mil unidades. Para 2019 há apostas que variam de 5% a 15%, dependendo da empresa. Todas têm seus motivos a comemorar e seus representantes  concordam que retorno a patamares de 20 mil a 25 mil unidades por ano demorará ainda de 3 a 5 anos.

 

A Mercedes-Benz, que espera crescer de 5% a 10% no próximo ano, teve uma alta expressiva em 2018 no segmento de fretamento, de 154%, confrontada porém com queda de 58% nos escolares. “Estamos otimistas com o cenário de 2019, com PIB crescente, inflação controlada, taxa de juros estável e expectativa de melhora nas vendas dos escolares”, afirmou Walter Barbosa, diretor comercial ônibus.

 

Pelos lados da Volvo Bus 2018 foi um ano de recuperação, com crescimento de 42% no volume de vendas de janeiro a setembro no segmento acima de 17 toneladas. Para 2019 a expectativa é continuar avançando, de 10% a 15%, “muito em função da renovação da frota, alta no segmento de fretamento e turismo e novas licitações de transporte público”, de acordo com Gilberto Vardânega, diretor comercial.

 

A Volkswagen Caminhões e Ônibus prevê crescimento de dois dígitos em 2019, mas não pormenoriza números. “Crescimento da economia, investimentos em infraestrutura, renovação de frota e valorização do transporte público dão potencial ao setor para crescer um pouco mais no próximo ano”, ressaltou Jorge Carrer, gerente executivo de vendas ônibus.

 

Sílvio Munhoz, diretor comercial da Scania do Brasil, comemora os resultados da empresa, que deve fechar 2018 em alta de 32%. “Apostamos no desafio de crescer mais que o mercado”, disse o executivo. Para 2019 ele estimou avanço de 15%.

 

Humberto Spinetti, diretor comercial Iveco Bus, também não citou números para 2019. Ele abordou expectativa de investimentos com foco nas questões de combustíveis e trações alternativas: “O gás é uma ponte viável de agora para o que teremos no futuro, a eletrificação. O gás oferece como benefícios custo de aquisição, que não é maior que o veículo a diesel, e um retorno com menor custo de operação”.

 

Foto: Rafael Cusato.

Toyota acredita em alta nas exportações ano que vem

São Paulo – O vice-presidente executivo da Toyota, Miguel Fonseca, acredita que as vendas de automóveis e comerciais leves crescerão 4,4% no ano que vem, chegando a 2 milhões 630 mil unidades, ante 2 milhões 520 mil que a companhia calcula que serão vendidos esse ano.

 

Os números foram apresentados em palestra no segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2019, em São Paulo, Capital, onde Fonseca afirmou que a expansão prevista representa a recuperação e a solidez dessa indústria.

 

Para a produção a expectativa da Toyota é que saiam das linhas 3 milhões 140 mil automóveis e comerciais leves no ano que vem, expansão de 4,1% na comparação com este ano, previsto em 3 milhões e 10 mil unidades. Com relação às exportações Fonseca acredita que chegarão a 797 mil unidades no ano que vem, alta de 4,8% na comparação com o volume deste ano, que deve ficar estável em 760 mil.

 

O executivo também falou sobre o crescimento da participação das vendas diretas no total comercializado, que em 2013 era de 25% e neste ano já chegou a 46%. No ano que vem esse tipo de venda também será responsável por puxar a alta do setor: a evolução dos negócios por esta modalidade será de 12,8% enquanto o varejo deverá subir apenas 3,4%, nos cálculos da fabricante.

 

No caso dos números particulares da Toyota as vendas em 2019 chegarão a 214 mil unidades, crescimento de 4,8% ante as 203 mil que a empresa espera vender até o final deste ano. A produção chegará a 224 mil automóveis no Brasil no ano que vem, alta de 6,7% na comparação com as 210 mil unidades que serão produzidas esse ano. “É necessário ressaltar que nossos números de vendas e produção serão recorde esse ano e, caso as projeções se confirmem, portanto, também o serão em 2019.”

 

A projeção para as exportações da companhia é de 78 mil unidades no ano que vem, expansão de 19,5% na comparação com este ano, previsto em 65 mil unidades até o fim do ano – ambas igualmente serão recordes caso atingidas.

 

E para o PIB mais uma projeção otimista: 3,2% ante 1,4% deste ano.

 

Fotos: Rafael Cusato.

Sistemistas esperam crescimento mediano em 2019

São Paulo – As empresas sistemistas e fabricantes de autopeças acreditam em crescimento do mercado automotivo em 2019, ainda que em índice mais modesto ante aquele previsto para este ano, tanto no que diz respeito ao mercado interno quanto produção. O argumento principal para este quadro: ainda que existam fatores positivos no horizonte, como manutenção da oferta de crédito, controle da inflação e juros baixos, incertezas na política e a crise Argentina reduziram as expectativas iniciais.

 

A expectativa foi apresentada em painel que reuniu empresas do segmento no segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2019, realizado em São Paulo, Capital, na terça-feira, 16.

 

Para Marcello Lucarelli, diretor da unidade de veículos comerciais da Continental, no segmento de automóveis e comerciais leves em 2019 haverá crescimento de 8% ante o volume produzido no Brasil em 2018, o que, representaria volume em torno de 2,9 milhões de veículos. No Mercosul, somado, a projeção da empresa aponta 3,6 milhões ante 3,4 milhões neste 2018, ou seja, quase 5%. Para a produção de caminhões e ônibus, também considerando o total do Mercosul, haverá crescimento de 2%: de 128 mil deste ano para 131 mil unidades.

 

“Construímos o orçamento para o ano que vem com base em cenário de crescimento conservador, já que existem incertezas no horizonte que podem produzir reflexos nos nossos números”.

 

No caso da Eaton o nível de crescimento na produção projetado para o ano que vem também é de um dígito: 5% acima deste ano no que se refere a veículos leves. O porcentual é menor do que o esperado na comparação 2018-2017: 7%.

 

A redução do ritmo da produção será ainda mais relevante no segmento de caminhões e ônibus, estima a Eaton, que calcula elevação de 22% neste ano frente a 2017 e 8% para 2019 ante 2018. Segundo Amaury Rossi, diretor de negócios, contribuirão para este quadro “menores investimentos em infraestrutura, crise argentina e endividamento das prefeituras”.

 

As projeções da Bosch reforçam a expectativa por um 2019 de crescimento mediano. Para Besaliel Botelho, presidente, este ano deve fechar com crescimento de 8% na produção, índice que para o ano que vem deverá fechar em 5%. O executivo, de qualquer maneira, classificou o cenário à frente como positivo:

 

“Estamos vivendo um momento bom e vamos começar 2019 no mesmo ritmo que imprimimos este ano. O mercado absolverá o crescimento das montadoras e o crédito estará disponível”.

 

Foto: Rafael Cusato.

GM: 2019 verá mercado em crescimento de até 13%.

São Paulo – Carlos Zarlenga, presidente da General Motors Mercosul, se mostrou otimista durante apresentação no Congresso AutoData Perspectivas 2019, em seu segundo dia na terça-feira, 16, em São Paulo, Capital.

 

Para o executivo o mercado brasileiro fecha 2018 em 2,5 milhões de unidades vendidas, “ou até mais”. Apesar das vendas diretas em alta, ele ainda vê potencial para crescimento no varejo e, assim, para 2019 projeta avanço de 12% a 13% nas vendas internas.

 

A General Motors tem sua operação no Mercosul unificada. E para a Argentina Zarlenga aposta em 2018 de 790 mil veículos, queda de 12,5% em relação a 2017, e um 2019 com ampla variação, de 700 mil a 800 mil. De qualquer forma, considerando o Mercosul como um todo, o executivo garante: “Não vemos um cenário de crise no próximo ano”.

 

Sobre o programa Rota 2030, Zarlenga fez ponderações. Defensor de uma política de integração do Mercosul, ele afirmou acreditar que na comparação com outros mercados globais Brasil e Argentina estão como em uma corrida partindo de trás, com “um monte de lição de casa” a cumprir.

 

Para ele o Rota 2030 falha em alguns pontos como, por exemplo, não aprofundar a questão da eletrificação: “E todos os mercados sabem que o futuro é elétrico”. Ele citou a reserva de lítio da Argentina como uma vantagem para aquele país.

 

Apesar da crise no mercado vizinho Zarlenga confirmou a produção de um futuro modelo na Argentina, para ser comercializado no Mercosul: “Estamos comprometidos com esse investimento e contamos com a reforma fiscal aprovada na Argentina”.

 

E mais uma vez o executivo da GM defendeu a padronização veicular Brasil-Argentina em itens como segurança, emissões e eficiência energética. “Para pensar no Mercosul como potência exportadora precisamos corrigir vários pontos. Temos grandes oportunidades.”

 

Foto: Rafael Cusato

Faturamento das autopeças deve ultrapassar R$ 100 bilhões em 2019

São Paulo – O Sindipeças acredita na manutenção da recuperação do setor de autopeças em 2019, quando, caso as projeções divulgadas pelo presidente Dan Ioschpe na terça-feira, 16, segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2019 no Hotel Transamerica, em São Paulo, se concretizem, será alcançado o terceiro ano consecutivo de crescimento no faturamento das suas associadas.

 

Em moeda local, as receitas do setor somarão R$ 98,8 bilhões este ano, crescimento de 14% ante 2017 – que por sua vez já apresentara avanço de 24% ante 2016, quando a indústria faturou R$ 86,6 bilhões. A equipe econômica do Sindipeças estima alta de 8,4% no ano que vem, bem acima da estimativa para o PIB, de 2,5%.

 

“Nos anos de crise registramos quedas superiores ao PIB, então é natural agora crescermos acima dele. Em 2019 vamos cruzar os R$ 100 bilhões de faturamento, alcançando R$ 107 bilhões em receita.”

 

A ocupação das fábricas, que chegou a 50% nos anos de crise – e que, segundo Ioschpe, mostrou a resiliência do segmento, que se manteve operando mesmo em um cenário adverso – encerrou agosto em 71%. Mas o dirigente entende que a recuperação e a expectativa para o ano que vem poderiam ser ainda melhores não fosse a crise Argentina:

 

“Estamos um pouco mais cautelosos por conta do solavanco na Argentina. As vendas lá caíram mais de 30% nos últimos meses e, na condição de um parceiro importante, essa baixa afetará nossa exportação de veículos, que hoje responde por 20% do volume total produzido. Por outro lado, seguimos entusiasmados com o mercado doméstico”.

 

O Sindipeças projeta alta de 5% na produção em 2019, em 3 milhões 140 mil veículos, sendo o avanço bem distribuído em veículos leves e pesados – 5% nos automóveis, 3% nos comerciais leves, 6% nos caminhões e 2% nos chassis de ônibus. Para o segmento de máquinas agrícolas a associação estima avanço de 4% no ano que vem, chegando a 58 mil unidades.

 

Ioschpe afirmou que independente da aprovação do Rota 2030, programa voltado ao setor automotivo que ainda tramita no Congresso, as autopeças investirão em pesquisa e desenvolvimento. O presidente do Sindipeças ainda ponderou alguns itens que considera importantes e ficaram de fora da política automotiva, como a simplificação tributária, obrigatoriedade de inspeção veicular e programa de renovação de frota.

 

Mais um ponto a merecer atenção, na visão do executivo, é o déficit na balança de autopeças. Em 2019 a entidade estima que superará os US$ 7,5 bilhões, 20% além deste ano. Ioschpe minimizou o aumento de importações, puxado pelo bom desempenho do mercado doméstico e introdução de novos modelos, que ainda não têm alto índice de nacionalização: para ele, as exportações não crescem em ritmo suficiente para balancear o saldo comercial.

 

Para crescer as exportações, segundo o executivo, o País precisa de maior integração com o resto do mundo. Em outras palavras, avançar em acordos comerciais com União Europeia, México e demais mercados – inclusive o Mercosul, com o qual, ao menos na área automotiva, ainda não há livre comércio.

 

Foto: Rafael Cusato.

Para rede, leves crescem 10% e pesados 28%

São Paulo – Os distribuidores de veículos projetam um 2019 positivo na vendas apesar das incertezas relacionadas ao panorama político. Se o próximo presidente da República mantiver as taxas de juros em níveis favoráveis de acesso ao crédito, as vendas de veículos leves no próximo ano serão 10% maiores na comparação com o volume licenciado em 2018, estimado em 2,5 milhões. No caso dos caminhões o porcentual projetado é maior: 28%.

 

Durante o Congresso AutoData Perspectivas 2019, realizado em seu primeiro dia, a segunda-feira, 15, em São Paulo, Capital, Luiz Eduardo Guião, presidente da Assobrav, associação do concessionários Volkswagen, afirmou que o crescimento esperado se dará em função dos lançamentos programados pelas montadoras para o período, que se somarão a demanda reprimida que ainda existe no mercado. “O crescimento das vendas será porcentualmente menor do que o visto este ano. Diminuiu o fluxo nas lojas, mas haverá crescimento de segmentos já aquecidos, como os SUVs”.

 

Outra associação de concessionários que observa crescimento das vendas pelas mesma razões é a Abrac, a representante dos distribuidores de veículos Chevrolet. Carlos Sponchiado, presidente, comparou o processo de retomada pelo qual o setor deverá passar à reconstrução de um edifício: “Com a crise o mercado veio abaixo. Levaremos dez anos para voltar ao patamar de vendas de 2013, mas haverá crescimento em 2019”.

 

A Fenabrave, representante das associações de distribuidores de veículos, aguardará um pouco mais para fazer suas projeções, informou José Maurício Andreta Junior, seu vice-presidente. Porém o dirigente adiantou que vislumbra mercado com volume de vendas semelhante ao que deverá ser registrado até este dezembro: “A Fenabrave prefere aguardar um cenário mais claro para apresentar suas expectativas para 2019, mas minha percepção é de crescimento dependendo do que o novo presidente fizer nos seus primeiros meses de mandato”.

 

Andreta Junior afirmou ainda que a Fenabrave trabalha junto ao governo para melhorar a rentabilidade das concessionárias, pleiteando medidas como a criação do Renave, registro nacional de estoque, “que desburocratiza e gera economia para os distribuidores, além de criação de lei para retomada dos veículos com financiamento inadimplente e incentivos à renovação de frota”.

 

A expectativa de crescimento no segmento de caminhões é de João Batista Saadi, presidente da Assobens, a associação do distribuidores Mercedes-Benz: para ele serão vendidos até dezembro cerca de 70 mil caminhões, sendo 50% pesados. No ano que vem o volume será próximo de 90 mil unidades.

 

A projeção feita por Saadi tem como base oportunidades de negócios a partir das demandas do agronegócio, com crédito disponível. Mas “isso acontecerá se os nossos governantes fizerem tudo certo. Não podemos ter um acidente de percurso”.

 

Foto: Rafael Cusato.

FCA projeta mercado de 2,6 milhões no ano que vem

São Paulo – A projeção da FCA para as vendas de veículos leves no Brasil em 2019 é de 2,6 milhões de unidades, ante 2 milhões 450 mil que deverão ser comercializados neste ano. Os números foram apresentados por Antonio Filosa, seu presidente para América Latina, palestrante do primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2019, a segunda-feira, 15, em São Paulo, Capital.

 

“A situação atual nos leva a acreditar que não há razões para esperar mercado abaixo deste volume no ano que vem. Nem mesmo as incertezas políticas.”

 

Com relação ao PIB para 2019 a expectativa também é de crescimento: “Projetamos alta de 2,5% ante 1,2% deste ano, enquanto a taxa Selic ficará em torno de 8% e a inflação em 4,5%”. O executivo afirmou entender que a situação das famílias brasileiras começa a melhorar, com olhar mais otimista para os próximos doze meses.

 

Filosa também apresentou números para a Argentina no ano que vem: estimativa de mercado em 650 mil unidades ante 770 mil deste ano – configurando-se como o segundo ano de queda. Futuros investimentos ali dependerão de análise do desempenho nos próximos quadrimestres. “Acredito que o PIB da Argentina sofrerá retração de 2,4% em 2018, e não deverá se recuperar antes do segundo semestre do próximo ano, o que também irá desacelerar os investimentos na região”.

 

Para os demais mercados da América Latina a projeção da empresa é que as vendas cheguem a 1 milhão 170 mil veículos no ano que vem, volume estável na comparação com 2018, sendo os principais mercados Chile, Colômbia e Peru.

 

No Brasil a FCA já anunciou este ano investimento de R$ 14 bilhões até 2023, que se materializará em 25 lançamentos. Segundo Filosa a FCA atualmente negocia com quarenta fornecedores para instalação em Goiana, PE, onde são produzidos os Jeep Compass e Renegade e a Fiat Toro. Atualmente a fábrica gira em 930 unidades por dia, volume que em Betim, MG, chega a 1,5 mil/dia.

 

Fotos: Rafael Cusato.

Para Ford vendas sobem e exportações caem em 2019

São Paulo – A planilha para 2019 de Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford Brasil, aponta crescimento de 5% a 10% nas vendas totais do mercado brasileiro. Mas há um asterisco: esse volume será alcançado “desde que não haja deterioração dos níveis de confiança e que a taxa Selic e o risco-país se mantenham nos mesmos níveis atuais”, argumentou durante palestra no primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2019, a segunda-feira, 15, em São Paulo, Capital.

 

Nas exportações ele projetou queda de 8% a 9% neste 2018, que se somará a nova redução de 7% a 10% em 2019. E isso “desde que a crise na Argentina não se aprofunde mais e que a volatilidade cambial ali seja baixa”.

 

A expectativa por maior mercado interno no ano que vem, entretanto, não anima o executivo, assim como a previsão de crescimento de 13,7% no licenciamento total de veículos no Brasil neste ano, índice revisado para cima pela Anfavea no começo deste outubro. “Temos pressão de custos, somos exigidos por eficiência, produtividade, conteúdo importado, modernização da indústria. Talvez esse seja o momento mais claro na história da indústria automotiva brasileira onde aumento de volume não traz melhoria na saúde dos negócios.”

 

Ele complementou seu raciocínio considerando que “quando olhamos o negócio automotivo precisamos ter mais cautela. Neste ano e no ano que vem o grande dilema será esse: voltar a obter resultados [financeiros], porque buscar volume não basta mais”.

 

Nos cálculos do executivo as vendas ao varejo até setembro tiveram alta de 8,4%, com participação no crescimento total de 37%, enquanto as vendas diretas evoluíram 22,7%, com participação de 63% na elevação do volume. “Ou seja, nos 14% de crescimento geral há uma forte predominância das vendas diretas” – realizadas geralmente com vultosos descontos. 

 

A este quadro se soma a inflação dos custos industriais, mais alta em relação à inflação média, reclamou: “Os preços dos carros não acompanharam os investimentos em conteúdo e os custos relativos, incluindo a alta da carga tributária”.

Fabricantes de motores diesel projetam vendas 10% maiores

São Paulo – Três das principais fabricantes de motores para veículos comerciais do País – Cummins, MWM e FPT – esperam que as vendas em 2019 sejam pelo menos 10% maiores no mercado interno. A construção da expectativa, compactuada pelas empresas, se apoia em dois pontos: demanda aquecida por caminhões e ônibus produzidos para exportação e amadurecimento de novos produtos.

 

O mais otimista foi José Eduardo Luzzi, presidente da MWM. Durante painel do segmento no Congresso AutoData Perspectivas 2019, realizado em seu primeiro dia, segunda-feira, 15, em São Paulo, Capital, o executivo afirmou que o cenário de crescimento econômico do País pauta o planejamento econômico da companhia para o ano que vem:

 

“As vendas de caminhões, que afetam diretamente o nosso negócio, são baseadas no PIB. Se chegar a 2,5%, seguindo a expectativa da indústria, atingiremos 20% de crescimento, mas porque cresceremos em outros segmentos também”.

 

Maurício Rossi, diretor comercial da Cummins, projetou aumento de 12% nas vendas da companhia em 2019. Mas chamou a atenção para o fato de que, embora seja um ano com expectativa de indicadores positivos, a evolução é relativa: “O mercado de comerciais mostrou crescimento nas vendas porque o ano passado representa uma base baixa, assim como será 2018 na comparação com 2019”.

 

No acumulado do ano até setembro as vendas de caminhões no País apresentaram crescimento de 49%, totalizando 53 mil unidades, segundo dados da Anfavea. Os ônibus foram 10,5 mil, 22% mais. No segmento de máquinas agrícolas, que também são equipadas por motores das fabricantes, as vendas somaram até setembro 34,5 mil unidades, alta de 8% ante igual período em 2017.

 

Para a FPT, fabricante de motores da CHN Industrial, o panorama é positivo nas vendas internas de motores para máquinas agrícolas em função da safra esperada para o ano que vem. Segundo Marco Rangel, presidente, também participante do painel, o mercado externo também refletirá na produção desses veículos nas linhas instaladas no País: “Ainda que a Argentina tenha puxado para baixo os números das exportações, há safras importantes em outros países onde atuamos”.

 

O executivo apresentou estimativa “cautelosa” de 6% a 10% para o mercado de motores, em geral, no ano que vem.

 

Foto: Rafael Cusato.