Renault encosta na Hyundai

São Paulo – Com o bom desempenho das vendas de modelos Renault no mercado brasileiro em setembro – foi a quarta mais vendida no mês, à frente da Ford – ficou ainda mais acirrada a disputa pelo quinto posto do ranking brasileiro de automóveis e comerciais leves. Apenas 92 unidades separam a Hyundai da Renault – um empate técnico, com ambas registrando 8,6% de participação.

 

A Volkswagen voltou a superar a Fiat, que em agosto havia fechado na segunda posição, e consolidou-se na vice-liderança do mercado, com 14,8% das vendas. A distância da líder Chevrolet é de cerca de 40 mil automóveis e comerciais leves.

 

Veja o ranking das vendas acumuladas janeiro-setembro:

1º Chevrolet          303 mil 448     17,0%
2º Volkswagen       263 mil 848     14,8%
3º Fiat                  236 mil 719     13,3%
4º Ford                 166 mil 998      9,4%
5º Hyundai           152 mil 400       8,6%
6º Renault            152 mil 308       8,6%
7º Toyota             143 mil 015       8,0%
8º Honda               96 mil 243       5,4%
9º Jeep                  77 mil 919       4,4%
10º Nissan             71 mil 724       4,0%

 

Foto: Divulgação.

Garrett, independente, produzirá turbo para automóveis

São Paulo – Na segunda-feira, 1º, Olivier Rabiller, presidente e CEO da Garrett, bateu o sino da Bolsa de Valores de Nova York, cumprindo o tradicional ritual que marca o início das negociações de ações de uma empresa. Após um ano de negociação e planejamento a fabricante de turbocompressores se tornou independente da Honeywell, que passou a manter o foco em suas outras áreas de negócio.

 

Nasceu, ali, uma empresa com US$ 3,1 bilhões de faturamento, US$ 623 milhões de lucro EBITDA, 7,5 mil empregados em 160 países, sendo 1,2 mil engenheiros, e treze fábricas – uma no Brasil, em Guarulhos, na Região Metropolitana da Grande São Paulo. Somente no primeiro semestre do ano as vendas globais cresceram 7% com relação ao mesmo período de 2017.

 

Há 65 anos produzindo turbocompressores a Garrett acompanha a tendência de eletrificação do mercado. O presidente da subsidiária brasileira e responsável pela área global de reposição, Eric Fraysse, contou que os principais projetos futuros em âmbito global serão dedicados ao desenvolvimento dos chamados e-turbos, que proporcionarão mais potência e eficiência aos motores aplicados em veículos híbridos e elétricos.

 

No Brasil, porém, os passos estão um pouco mais atrás. A tendência é a aplicação de turbocompressores em automóveis, tecnologia que ainda engatinha – mas, por causa das exigências do Rota 2030, precisará levantar e dar passos firmes nos próximos anos: “No ano passado o mercado de turbocompressores, leves e pesados, OEM e aftermarket, chegou a 700 mil unidades na América do Sul. Em 2022, estimamos que alcançará 2,5 milhões de unidades”.

 

A Garrett, que foi fornecedora do Gol Turbo, já fornece turbos para veículos flex, todos importados. As versões turbo do Hyundai HB20, por exemplo, são equipadas com material produzido em outros países, assim como as dos modelos Mercedes-Benz e BMW. Mas, graças a acordo fechado com uma montadora, que Fraysse não nomeou, os produtos passarão a ser produzidos em Guarulhos – e o desenvolvimento do processo já está em curso, embora sua produção deva começar em dois ou três anos.

 

“O trabalho de localização da produção de turbos para motores flex já começou. Estamos desenvolvendo fornecedores locais, em especial na área de fundição. Precisamos chegar a uma equação de conteúdo local forte com boa competitividade.”

 

Fraysse não revelou investimento nem o volume que será produzido para atender motores 1.0 e 1.4. Contou que será uma linha para um modelo de turbo, com variações de tamanho e aplicação e que não serão necessárias grandes adaptações na fábrica – a linha ocupará o mesmo prédio onde atualmente são produzidos turbos para caminhões, ônibus e picapes.

 

“Temos potencial para fazer crescer em dois dígitos a produção da fábrica”, disse o presidente. “Trabalhamos atualmente com um turno, um turno e meio, então temos condições de atender à demanda.”

 

Por questões internas Fraysse não revelou o volume de produção nem o faturamento na região. Além do mercado brasileiro Guarulhos atende a exportação para diversos países, sobretudo no aftermarket. São quinze modelos de turbo produzidos atualmente, somando mais de trezentos códigos numéricos diferentes.

 

A decisão de nacionalizar a produção de turbos foi tomada antes da publicação do Rota 2030. De toda forma Eric Fraysse admite que a regulamentação é fundamental para que essas tecnologias sejam incorporadas aos modelos locais. Foi assim com os turbos e deverá ser assim com os elétricos, estima o executivo.

 

“Acredito que os híbridos chegarão, mas isto não deverá ocorrer nos próximos anos. É preciso regulamentação. Não temos nenhuma conversa com montadora no sentido de fornecer turbos para esses modelos na região.”

 

Mas, para o outro negócio da independente Garrett, os veículos conectados e autônomos, já existem conversas. A empresa fornece softwares especialmente para a área de cybersegurança. Segundo o presidente essas tecnologias começarão a entrar no mercado brasileiro por meio das fabricantes de veículos comerciais.

 

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Máquinas seguem no caminho do crescimento

São Paulo – O primeiro balanço de vendas apresentado pela Anfavea em fevereiro registrou queda de 33% nos negócios do segmento de máquinas agrícolas e de construção. Mesmo assim, a entidade projetava um incremento de 7% das vendas até dezembro. Mas agora, a perspectiva é de um crescimento ainda mais robusto, de 11% para 2018.

 

“Foi uma surpresa quando apresentamos a queda dos negócios em fevereiro, mas as projeções para o ano eram positivas. Estamos reajustando o porcentual de crescimento das vendas baseados nesse bom desempenho, especialmente das máquinas agrícolas”, pondera Antonio Megale, presidente da Anfavea.

 

São muitas as razões que explicam o desempenho do segmento este ano. A renovação das máquinas por conta da safra recorde e a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que traz oportunidades para o agronegócio brasileiro, são algumas, segundo avaliação da entidade.

 

Assim, a produção de máquinas agrícolas e de construção registra crescimento no acumulado do ano de 9,2% sobre igual período do ano passado. Foram produzidas 46 mil 200 unidades. Só em setembro foram produzidas 4 mil 800 unidades, aumento de 40,1% na comparação com o mesmo mês de 2017.

 

Já o mercado interno segue o caminho do crescimento. De janeiro a setembro os negócios cresceram 7,7%, com 34 mil 600 unidades entregues. Porém, o resultado de setembro, 4 mil 900 unidades foi 2,9% inferior. Megale minimiza o desempenho por conta de “dois dias úteis a menos, que não prejudicou o ritmo de crescimento. Ainda abaixo da média histórica, de 45 mil 300 unidades no ano, continuamos no caminho certo”.

 

As vendas mensais comparadas com setembro de 2017 seguem 17,5% melhores.

 

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Chassis de ônibus: alta de 43% até setembro.

São Paulo – A produção de ônibus alcançou, no período janeiro-setembro, 23 mil 51 unidades, o que significa crescimento de 42,9% sobre o volume produzido nos nove primeiros meses do ano passado, quando as fábricas produziram 16 mil 128 unidades.

 

Do total produzido até setembro 17 mil 669 unidades foram do segmento urbano, 43,8% a mais do que no ano passado. Os rodoviários somaram 5 mil 382 unidades, 42,7% a mais.

 

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Setor de caminhões registra alta de 31%

São Paulo – A produção de caminhões manteve o ritmo de crescimento em setembro, ainda que as demandas para o mercado argentino tenham regredido nos últimos dois meses. Saíram das linhas nos primeiros nove meses do ano 77 mil 254 unidades, volume que representa crescimento de 30,5% ante igual período de 2017.

 

De acordo com Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea, as vendas de pesados, em alta, têm puxado o ritmo da produção nas fábricas: “É a principal demanda hoje dentro das montadoras. O crescimento até setembro, nas vendas, foi de 89% sobre o desempenho de 2017, o que nos deu sustentação”.

 

Do total de caminhões produzidos 34 mil 693 unidades corresponderam a pesados, 52,9% a mais do que o volume produzido em idêntico período do ano passado. Os semipesados foram 21 mil 199 unidades, 19,8% a mais, e os leves 14 mil 990 unidades, 27,3% a mais.

 

A indústria esperava demanda adicional por caminhões tendo como base o fato de algumas empresas terem se mostrado inclinadas a constituírem frota prória. Saltini, no entanto, disse que os telefones continuam tocando nas montadoras, mas pouco, ou nada, se converteu em vendas.

 

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Mercado para cima, produção e exportações para baixo

São Paulo – Com o fechamento do terceiro trimestre a Anfavea corrigiu, pela segunda vez no ano, suas projeções para produção, vendas e exportações de veículos em 2018, cumprindo promessa feita por seu presidente, Antonio Megale, em setembro, durante a coletiva de divulgação dos resultados de agosto. Embora não divirjam muito das estimativas divulgada em julho, os números comprovam a tendência observada nos últimos meses: o desempenho do mercado interno está melhor do que o esperado, mas as curvas de produção e, especialmente, exportações, apontam para baixo.

 

No caso das vendas externas a tendência é fechar o ano com volume inferior aos registrados em 2017 – com a ressalva de que o ano passado foi recorde histórico de embarques de veículos. Os números divulgados pela Anfavea na quinta-feira, 4, apontam queda de 8,6% nos embarques, ou 700 mil unidades, ante estabilidade nas 766 mil unidades da última projeção, divulgada em julho.

 

Megale justificou as novas expectativas pela situação econômica da Argentina, principal cliente dos veículos brasileiros, e do México, segundo principal comprador. Os dois países têm queda nas vendas e, especialmente no vizinho, a expectativa é a de que a situação ainda permaneça nos próximos meses.

 

Como os volumes levados para outros mercados tendem a reduzir a produção também teve seus números revistos para baixo. Mas ainda serão positivos: segundo a Anfavea a indústria produzirá 3 milhões de veículos, aumento de 11,1% sobre 2017. São 21 mil veículos a menos do que na última estimativa divulgada pela entidade, em julho, que representava 11,9% de crescimento sobre o ano passado.

 

Pelas novas projeções as fabricantes de caminhões e ônibus terão desempenho superior ao anteriormente estimado, 120 mil unidades produzidas, ante 115,4 mil. Já os automóveis e comerciais leves passaram das 2 milhões 906 mil unidades de julho para 2 milhões 880 mil unidades.

 

Na tendência oposta está o mercado doméstico, cujas projeções foram revisadas para cima: em vez de aumento de 11,7% crescimento de 13,7%, para 2 milhões 546 mil unidades. Nesta caso ambos os segmentos receberam índices mais otimistas: automóveis e comerciais leves de 11,3% para 13,1% e veículos pesados de 24,7% para 35%.

 

Confira abaixo as novas projeções da Anfavea divulgadas na quinta-feira, 4.       

 

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Quadro das exportações Brasil-Argentina se agrava

São Paulo – As exportações de veículos brasileiros seguiram em queda em setembro, ainda um desdobramento da grave crise que se instaurou na economia argentina, principal parceiro comercial do Brasil no setor automotivo. Segundo balanço da Anfavea divulgado na quinta-feira, 4, os embarques realizados nos nove primeiros meses do ano chegaram a 524 mil 289 unidades, 8% a menos do que em igual período em 2017, o pior resultado do ano. Em agosto o resultado já fora negativo em 4,6%.

 

Tudo indica que o perfil de queda visto nos dois meses permanecerá pelo menos até dezembro. Isso porque a Anfavea revisou para baixo suas projeções do ano para as exportações: a expectativa pré-crise era a de que o volume chegasse a 766 mil unidades. Com o desaquecimento no mercado vizinho a indústria tirou o pé nas pretensões e projetou o ano com 700 mil unidades exportadas, o que representará, caso se confirme o número, queda de 8,6% ante o resultado do no ano passado.

 

Especificamente na Argentina, até setembro, o volume de exportações regrediu 8%. Os números da Anfavea mostraram que nos três primeiros trimestres o Brasil enviou 363,1 mil veículos para lá. No ano passado, no mesmo período, foram 395,2 mil unidades. De janeiro a agosto as exportação à Argentina representavam por volta de 73% do total. Em setembro, no entanto, essas exportações caíram e chegaram a 50% do total.

 

Por segmentos as exportações foram 8,2% menores até setembro nos veículos leves, e de 4,5% em caminhões. Nos ônibus a retração chegou a 3,6%, e a 2,4% em máquinas agrícolas. Em valores as exportações renderam no acumulado do ano R$ 11 bilhões 897 milhões 431 mil às montadoras, valor maior do que o do ano passado no mesmo período, R$ 11 bilhões 659 milhões 15 mil.

 

Segundo Antonio Megale, presidente da Anfavea, o setor intensificou a busca por oportunidades em novos mercados como forma de diminuir os efeitos da crise argentina: “As montadoras estão tentando diluir a produção que estava indicada ao mercado argentino para outras regiões. Não será fácil porque não se faz isso do dia para a noite, mas é possível. Estamos contando com aumento dos estoques por causa da situação”.

 

Não será tarefa fácil para a indústria, pois os demais mercados com que o Brasil mantém relações comerciais estreitas passam por dificuldades ou tentam se recuperar de perdas recentes. Ao México, principal parceiro depois da Argentina, o País exportou 34,9 mil unidades no acumulado do ano, contra 69,3 mil no mesmo período do ano passado. Já o volume destinado ao Chile cresceu: 31,4 mil ante 25,7 mil no ano passado. Ao Uruguai foram enviados até setembro 18,8 mil veículos, volume menor do que os 25,5 mil exportados nos primeiros nove meses de 2017, e para Colômbia seguiu praticamente o mesmo volume registrado no ano passado: 16,3 mil unidades ante 16,2 mil. E queda no Peru: 11,9 mil unidades contra as 12,8 mil de 2017.

 

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Produção supera os 2 milhões

São Paulo – Em setembro a produção brasileira de veículos superou a casa das 2 milhões de unidades no ano, com um mês de antecedência com relação a 2017, quando apenas em outubro esse volume foi alcançado. Segundo dados divulgados pela Anfavea na quinta-feira, 4, saíram das linhas de montagem 2,2 milhões de unidades de janeiro a setembro, 10,5% acima de igual período do ano passado.

 

Embora positiva na comparação dos acumulados, em setembro o ritmo das linhas das fabricantes foi 23,5% inferior a agosto, explicado pela menor quantidade de dias úteis – 19 ante 23 – e 6,3% abaixo do registrado em setembro de 2017. Para o presidente Antonio Megale, o desempenho negativo dos principais mercados de exportação, Argentina e México, reduziu as encomendas e, por consequência, a produção de veículos.

 

“As empresas estão ajustando a produção para se adequar aos novos volumes. Infelizmente não conseguimos convergir o bom momento do mercado brasileiro com o dos principais parceiros: Argentina e México estão em queda”.

 

Segundo ele parte dos volumes estão sendo absorvidos pelo próprio mercado brasileiro, em trajetória ascendente, e outra parte direcionada a outros países – Megale citou Chile e Colômbia como estes parceiros. Não é suficiente, porém, para compensar a perda: só a Argentina é responsável por cerca de 70% dos embarques de veículos do Brasil: “A indústria segue buscando novos mercados e há a expectativa de que, com a posse do novo presidente, o mercado mexicano se recupere. Mas, enquanto isso, ajustes precisam ser feitos nas linhas”.

 

A situação das exportações não mexeu, ao menos por enquanto, com o nível de emprego da indústria, que ficou estável de agosto para setembro. Megale disse que as medidas tomadas pelas empresas incluem férias coletivas, licenças e, em alguns casos, layoffs.

 

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Média diária de setembro é a melhor desde 2015

São Paulo – A média diária de licenciamentos de veículos em setembro chegou a 11,2 mil unidades, a maior registrada desde janeiro de 2015, de acordo com Antonio Megale, presidente da Anfavea. Com quatro dias úteis a menos do que agosto, setembro registrou 213,3 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus emplacados.

 

O volume ficou 14,2% abaixo do registrado no mês anterior, desempenho explicado pela menor quantidade de dias úteis. Na comparação com setembro do ano passado o mercado avançou 7,1%.

 

No acumulado do ano as vendas registram alta de 14%, para 1 milhão 846 mil unidades. É o melhor resultado para um janeiro a setembro desde 2005: “O mercado segue seu crescimento gradual, indiferente à volatilidade política do País”.

 

As empresas fabricantes e concessionárias fecharam o mês com 283,4 mil unidades em estoque, volume suficiente para abastecer quarenta dias de vendas no ritmo de setembro.

 

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