Carro único do Mercosul está mais perto da realidade

São Paulo – O tão aguardado carro único do Mercosul deixou de ser apenas um sonho para se tornar algo palpável após a assinatura, na sexta-feira, 24, do memorando de entendimento para unificar as especificações técnicas na produção de veículos no Brasil e na Argentina. A ideia – e antigo anseio da indústria – é que o carro que saia de uma fábrica brasileira ou argentina possa ser vendido em ambos mercados sem grandes alterações – o que, na prática, significa redução do custo operacional das montadoras.

 

Os dois governos decidiram iniciar o trabalho conjunto a partir dos itens de segurança e há, aparentemente, boa vontade dos dois lados em convergir – no ano passado, por exemplo, a Argentina postergou para 2020 a obrigatoriedade do ESP, sistema de controle de estabilidade, para novos modelos, antes prevista para 2018. À época o presidente da Adefa, entidade que na Argentina corresponde à Anfavea, Luis Fernando Pelaéz Gamboa, afirmou ao Autoblog, uma publicação local, que a razão desse adiamento foi alinhar as datas com a indústria brasileira.

 

Do ponto de vista de custo operacional há dois fatores que reduziriam os gastos com o desenvolvimento do carro único. Um deles é a calibração do motor, que é diferente nos dois países em função dos tipos de combustíveis utilizados – no Brasil há porção maior de etanol na gasolina, o que demanda ajuste no veículo que é exportado ao mercado vizinho.

 

Outro ponto está relacionado às normas técnicas: um modelo que é produzido na Argentina passa por homologação seguindo critérios estabelecidos lá. Quando este mesmo veículo é exportado ao Brasil a emporesa fabricante tem de realizar novos testes, agora seguindo as normas brasileiras. Com a padronização sinalizada pelo memorando de intenções, um veículo homologado na Argentina seria aceito no Brasil e isso eliminaria uma etapa do processo como é feito atualmente.

 

O constante sobe e desce dos mercados argentino e brasileiro explicam a intenção das fabricantes em unificar as especificações. Nos últimos anos as vendas de veículos no Brasil estavam em queda e, na Argentina, a trajetória era oposta. Agora o cenário foi invertido nos dois lados: cresce no Brasil e começa a recuar na Argentina, que passa por crise econômica.

 

Segundo o Sindipeças as exportações brasileiras de peças e componentes para a Argentina recuaram 15,3%, em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Poder orientar a direção para um lado ou outro sem precisar mexer constantemente na programação das fábricas ajuda no planejamento e, por consequência, a reduzir os custos.

 

Os grupos técnicos dos dois países começarão a trabalhar nos próximos dias. Em 180 dias espera-se que saiam os resultados de segurança veicular. Segundo o MDIC, Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a estimativa é a de que todo o processo de convergência de normas demore em torno de dois anos.

 

Colaboraram Bruno de Oliveira e Caio Bednarski

 

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Tabela do frete será decidida em plenário

São Paulo – Após uma audiência pública sobre a tabela de frete, na segunda-feira, 27, o ministro Luiz Fux, do STF, afirmou que não decidirá sozinho, mas levará as três ações diretas de inconstitucionalidade, as ADIs, sobre o assunto para análise diretamente no plenário da Corte.

 

Disse Fux, à Agência Brasil: “Agora que temos informações suficientes, vou submeter os processos em conjunto, vamos julgar de forma mais breve possível a questão. Todas em conjunto, vou levar a plenário o mais breve possível”.

 

O tabelamento do frete foi enviado pelo governo para tramitação no Congresso como resultado da negociação que encerrou a paralisação nacional de 11 dias dos caminhoneiros em maio passado. A proposta foi aprovada e sancionada pelo presidente no início de agosto.

 

O ministro evitou pormenores sobre projeção de quando liberaria as ações para julgamento: “Estabelecer prazo é criar especulação econômica, tudo que não queremos. O Supremo tem que garantir governabilidade”.

 

Fux informou que, primeiro, enviará o caso para a manifestação dos órgãos competentes que ainda não deram parecer. Entre esses, está a Procuradoria-Geral da República. Somente depois desse trâmite, as ações devem ser remetidas ao plenário.

 

Uma vez liberada pelo relator, caberá à presidência do STF marcar uma data para o julgamento das ações, o que não tem prazo para ocorrer. No dia 13 de setembro, a Corte muda de comando, e a ministra Cármen Lúcia passa o posto para o ministro Dias Toffoli.

Ônibus Marcopolo chegam a Angola

São Paulo – Quinhentos ônibus Marcopolo do modelo Torino desembarcaram em Angola, onde serão usados no transporte de 14 mil crianças e adolescentes das dezoito províncias. Os veículos fazem parte do Projeto Avante, Programa de Mobilidade Escolar de Angola, desenvolvido pelo Ministério dos Transportes de Angola.

 

Os modelos exportados para lá têm duas configurações – uma delas com elevador, para atender a usuários com mobilidade reduzida –, ambas montadas sobre chassi Volkswagen 17.210 Jungle Bus, com comprimentos de 10 m 50 e 12 m 60.

 

A concessionária Volkswagen Asperbras Veículos, que faz parte do projeto, recebeu os ônibus – ainda participam do Avante a MAN Latin America, a PAIT Consultoria, responsável por colocar o programa em prática, e a Transdata Smart, empresa que automatiza o acesso e o pagamento de passagens.

 

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Locadoras têm seiscentos veículos híbridos e elétricos

São Paulo – O Brasil tem seiscentos veículos híbridos e elétricos disponíveis para locação, segundo a ABLA, Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis, que considerou as 11 mil 482 locadoras que atuam no País. Para a entidade é necessário que o País crie incentivos para que aumente o uso desse tipo de veículo.

 

Paulo Miguel Júnior, presidente do conselho nacional da ABLA, disse que o segmento de elétricos e híbridos mudará nos próximos anos: “Forçosamente, esses paradigmas sobre veículos híbridos e elétricos mudarão diante das novas necessidades de uso inteligente e ao mesmo tempo compartilhado dos meios de transporte”.

Jaguar Land Rover anuncia novo diretor de fábrica no RJ

São Paulo – A Jaguar Land Rover anunciou na segunda-feira, 27, João Batista Mattosinho Filho como seu novo diretor de operações de manufatura para a fábrica de Itatiaia, RJ. O executivo, que já exerce a função, sucede a Neale Jauncey, que retorna à matriz.

 

O executivo brasileiro tem quase vinte anos de experiência na indústria automotiva. Desde 2015 ocupava a posição de diretor de produção da fábrica da Jaguar em Castle Bromwich, Inglaterra, onde era responsável pela produção de 80 mil veículos por ano e pela gestão de oitocentos funcionários diretos.

 

Ele é engenheiro formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com pós-graduação em engenharia de produção e engenharia de segurança do trabalho.

 

Em Itatiaia são produzidos os modelos Range Rover Evoque e Discovery Sport.

 

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Renault Kwid completa um ano de mercado

São Paulo – O compacto Renault Kwid completou um ano no mercado brasileiro em agosto. Considerando as vendas realizadas no período anterior ao lançamento oficial, uma vez que o carro estava em pré-venda, até julho deste ano foram emplacadas 57 mil 457 unidades, de acordo com dados do Renavam divulgados pela Fenabrave. O desempenho das vendas até agora mostrou que o veículo atingiu uma das principais metas estipuladas pela Renault no lançamento, que era obter uma fatia de mercado igual ou maior do que 8% com a incorporação do Kwid na sua oferta.

 

Os dados do Renavam mostram que de agosto a dezembro do ano passado a Renault detinha 8% do mercado de veículos. E 8,81% nos primeiuros sete meses deste ano.

 

O Kwid chegou a ser considerado o carro-chefe da empresa no País, onde também fabrica os modelos de entrada Logan e Sandero, e os SUV Duster e Captur em São José dos Pinhais, PR.

 

No janeiro-julho foram emplacados 34 mil 881 Kwid, o que significa que foi o terceiro mais vendido do País e também o Renault mais vendido. Na categoria de veículos de entrada o Kwid foi o terceiro mais vendido, ficando atrás do Volkswagen Gol, que deteve 19,45% do mercado, e do Ford Ka, líder com 28,73%.

 

Ao varejo foram vendidas, no acumulado do ano, 29 mil 415 unidades, o quinto melhor resultado na comparação com outros modelos. Por meio das vendas diretas  os emplacamentos somaram 5 mil 466 unidades até julho.

 

O modelo é exportado para Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. No total, segundo a Renault, cerca de 25 mil unidades do veículo foram exportadas para esses mercados.

 

No primeiro ano de mercado, falhas no modelo fizeram com que a Renault convocasse três campanhas de recall.

 

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Brasil e Argentina dão passo para unificar regras

São Paulo – Brasil e Argentina assinaram um memorando de entendimento que prevê a unificação das especificações técnicas na produção automotiva dos dois países. O documento foi assinado no Palácio do Itamaraty, em Brasília, DF, pelo chanceler brasileiro e os ministros do MDIC, Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil, Marcos Jorge, e da Produção da Argentina, Dante Sica.

 

A segurança veicular foi o primeiro item escolhido pelos dois países para o trabalho conjunto. Um grupo de trabalho formado por técnicos dos dois países procurarão estabelecer as bases da unificação das especificações técnicas deste quesito – depois, outras equipes seguirão trabalhando para padronizar as emissões sonoras e de gases poluentes, eficiência energética e autopeças.

 

Um outro grupo de trabalho ficará responsável pelos regulamentos técnicos automotivos, com o objetivo de acompanhar a homologação dos veículos de diversas categorias para identificar divergências e correspondências das regulamentações dos dois mercados. O governo estima que todo o processo dure em torno de dois anos.

 

A unificação das normas é um desejo antigo das montadoras, que, assim, podem produzir o veículo único do Mercosul, capaz de ser vendido em qualquer mercado da região. Com isso os custos gerados pelas flutuações dos mercados podem ser reduzidos, uma vez que não haverá mais o carro brasileiro e o argentino – quando um mercado sofrer um baque, o modelo pode ser destinado para outro sem grandes problemas.

 

Segundo o titular do MDIC o ambiente de negócios dos dois países deve melhorar com a padronização técnica do setor. “[O memorando] vai possibilitar que nossas equipes já comecem os trabalhos para convergência regulatória, ou seja, que tenhamos regulamentos similares para o automotivo”.

 

O mercado argentino é, segundo o ministro, destino de boa parte da produção nacional de automóveis, que representa 4% de todo o Produto Interno Bruto brasileiro.

 

Com informações da Agência Brasil

Para Adefa a redução da restituição vai contra objetivos da indústria

São Paulo – Depois que o governo argentino retirou parte do reembolso que concedia às empresas fabricantes de veículos e às empresas produtoras de autopeças pelas exportações para o Mercosul a Adefa, entidade que representa as montadoras na Argentina, divulgou nota com a opinião de alguns executivos das suas associadas. Hernán Vázquez, presidente da Volkswagen Argentina, disse que, considerando o perfil de exportadora da indústria local, a decisão do governo vai contra seus objetivos. Segundo ele, reduzir o valor que era devolvido para as montadoras pode reduzir o volume de exportações das empresas.

 

O assunto foi discutido em reunião com o ministro da produção, Dante Sica, que também contou com a participação de executivos da Ford, Iveco, Scania, Toyota e de integrantes da Adefa.

Empresas do Grupo Toyota criam joint-venture para autônomos

São Paulo – As empresas do Grupo Toyota criaram uma joint-venture para o desenvolvimento de tecnologias autônomas a fim de aumentar sua competitividade diante de outras grandes empresas do setor automotivo, como a Bosch, de acordo com as informações divulgadas pelo site Automotive News na sexta-feira, 24.

 

A nova empresa será controlada por Denso, Aisin Seiki, Jtekt e Advics e atuará nas áreas de frenagem e direção para veículos autônomos. A expectativa é que a Denso tenha a participação majoritária da nova empresa.