Rota 2030: oitenta emendas em duas semanas.

São Paulo – Menos de duas semanas após a sua – tardia – divulgação, a medida provisória 843, que instituiu o Programa Rota 2030 – Mobilidade e Logística, já recebeu oitenta emendas apresentadas por deputados e senadores. Na verdade 81 pois na terça-feira, 17, o ex-ministro e atual senador Armando Monteiro retirou uma da lista.

 

A informação foi divulgada pelo jornal Valor Econômico em sua edição da quarta-feira, 18. Algumas dessas medidas, caso aprovadas, podem elevar os incentivos do governo à indústria, e outras pretendem tirar benefícios previstos no regime automotivo. De toda forma são propostas embrionárias: a MP será avaliada por uma comissão mista, formada por senadores e deputados, e depois passará por votação no plenário das duas Casas, antes de ser enviado à sanção presidencial – que pode aprovar ou vetar as emendas do Legislativo.

 

Há emendas sugerindo desde simples inclusões de palavras no texto até mudanças radicais nos créditos tributários sobre investimentos de pesquisa e desenvolvimento, o que ampliaria os R$ 1,5 bilhão de repasse ao ano previsto pela MP original. Muitas das emendas pedem também alterações na questão do ex-tarifário das autopeças, alegando que zerar o imposto de importação de componentes sem produção local atrapalharia o desenvolvimento da indústria nacional. Outras versam sobre questões trabalhistas.

 

De toda forma uma fonte do setor que prefere não se identificar informou à reportagem de AutoData que dificilmente a Anfavea tomará posição a favor ou contra as emendas sugeridas pelos parlamentares: “Não descarto, porém, que as montadoras venham a adotar uma posição e trabalhem de forma individual por uma ou outra emenda ao texto original”.

 

No caso o alvo seria o Regime Automotivo do Desenvolvimento Regional, mais conhecido como Regime do Nordeste – embora contemple, também, fabricantes instaladas no Centro-Oeste. O ex-ministro Armando Monteiro apresentou emenda que resolve uma questão que vem preocupando especialmente Ford, FCA, Caoa e HPE, que possuem fábricas em Camaçari, BA, Goiana, PE, Anápolis e Catalão, GO, respectivamente. Os benefícios concedidos pelo regime vigoram até 31 de dezembro de 2020, segundo a legislação atual. Em março o presidente da República anunciou, em evento na fábrica da FCA em Goiana, que seria prorrogado, mas não deu pormenores. Há intensa agenda de negociação de representantes da indústria com o MDIC e até encontros com o próprio presidente mas, até agora, nada foi estabelecido.

 

Embora vigore ao menos até 2020 as regras atuais emperram decisões de investimento, uma vez que, sem saber se conseguirá o crédito do IPI após este prazo, as fabricantes evitam arriscar o anúncio de novos projetos em suas fábricas. O ex-ministro encontrou no Rota 2030 uma alternativa para prorrogar o regime, embora com novas regras, até 2025 – e conta, segundo o Valor Econômico, com apoio de ao menos cem parlamentares da Região Nordeste.

 

O senador, porém, deu uma colher de chá ao governo: a emenda reduz à metade o crédito do IPI concedido às montadoras das regiões. Monteiro justificou ao Valor: “Temos que considerar o momento econômico complicado que o País está vivendo. Então o benefício foi feito dentro da realidade possível”.

 

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FCA e Inhotim renovam parceria

São Paulo – Ainda em ritmo de celebração dos 42 anos de sua chegada a Betim – e ao Brasil –, a Fiat renovou sua parceria com Inhotim, o tradicional museu e jardim botânico a céu aberto da Capital mineira, Belo Horizonte.

 

Segundo informações divulgadas pela empresa na terça-feira, 17, o presidente da FCA para a América Latina, Antonio Filosa, entregou a Antonio Grassi, diretor executivo do Instituto Inhotim, uma renovada frota para uso da instituição. São doze modelos como Argo, Cronos, Toro, Dòblo e Strada, todos Fiat – que é, por mais alguns anos, o carro oficial do museu.

 

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Acordo UE com Mercosul na ponta da chuteira

São Paulo – Ministros da área econômica da Região Mercosul — basicamente Argentina e Brasil — e iguais seus da União Europeia devem se reunir na manhã da quarta-feira, 18, em Bruxelas, Bélgica, sede da Comissão Europeia, e poderão definir o padrão de seu comércio automotivo bilateral. Para os primeiros seis, sete anos a alíquota de importações mútuas seria reduzida de 35% para 17,5% para cota de 60 mil unidades/ano no caso do Brasil.

 

Após estes primeiros anos ocorreria a redução gradual da alíquota de importação até o exercício do livre comércio bilateral. Veículos híbridos e elétricos seriam considerados extra-cota e o seu livre comércio seria imediato, tão logo o acordo fosse assinado e sacramentado.

 

De acordo com fontes do setor automotivo ouvidas no Brasil pela Agência AutoData “em tese não há veículos produzidos na Região Mercosul com status de elegível para troca com a União Europeia”. A esperança, nesse caso, diz, “são os esforços a ser desenvolvidos no âmbito do Rota 2030”. Lembra, outra fonte, que produtos agrícolas eventualmente poderiam integrar essa pauta de acordo bilateral como contrapartida aos veículos.

 

Acreditam, essas fontes, que a fórmula encontrada, e mencionada acima, “é equilibrada como abertura inicial pois não coloca em risco o atual padrão do mercado brasileiro”.

 

Colaborou Bruno de Oliveira

 

Foto: APPA.

 

Argentina volta a receber o Fiat Uno

São Paulo – A FCA voltará a exportar o compacto Fiat Uno, produzido em Betim, MG, para a Argentina. A empresa confirmou novos embarques para até o fim do mês — o processo fora interrompido no ano passado. Com a retomada dessas exportações são oito os modelos produzidos aqui e enviados pela FCA para a Argentina: os Fiat Argo, Fiorino, Mobi, Strada e Toro e os Jeep Compass e Renegade, estes produzidos em Goiana, PE.

 

As importações do modelo Fiat Cronos, produzido em Córdoba, Argentina, poderiam ter aberto espaço para mais um modelo na corrente comercial mantida pelos dois países. A empresa, no entanto, não especificou a razão para o retorno das exportações do Uno.

 

No mercado brasileiro o Uno foi o quadragésimo-terceiro veículo mais vendido no primeiro semestre, com 4 mil 761 unidades, segundo dados do Renavam. Na categoria de veículos de entrada foi o sétimo mais vendido até junho, 1 mil 616 unidades, o que lhe garantiu participação de mercado de 2,78%.

 

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Bosch Rexroth de mudança para Itatiba

São Paulo – A Bosch Rexroth, divisão de atuadores mecânicos controlada pelo Grupo Bosch desde 2001, prepara sua mudança para Itatiba, SP. A companhia opera em Atibaia, SP, e decidiu pela troca de endereço para ficar mais próxima das mais importantes rodovias do Estado. A informação foi confirmada pela empresa e pela Prefeitura de Itatiba.

 

A data estipulada para o início da operação novo endereço é janeiro. A companhia informou que os cerca de duzentos postos de trabalho de Atibaia serão mantidos na nova unidade — embora não façam fronteira uma com a outra, Itatiba e Atibaia são distantes por poucas dezenas de quilômetros. A Bosch Rexroth também mantém produção de componentes em Pomerode, SC.

 

Em Atibaia funciona a área administrativa da operação brasileira: os departamentos financeiro, de recursos humanos, diretoria e também a área de pós-venda. Com o aumento da demanda esse endereço – um prédio locado – ficou pequeno para comportar todos os serviços. Em Itatiba a empresa funcionará em prédio, também locado, onde operava uma concessionária de caminhões.

 

A Bosch Rexroth presta serviços na área de projetos de engenharia para diversos setores, inclusive o automotivo. Afora produzir atuadores hidráulicos e pneumáticos – alguns aplicados em veículos comerciais – a companhia participa de projetos como fornecedora. Os componentes da empresa também integram sistemas de soldagem de chassi.

 

No mundo a companhia tem 30,5 mil funcionários e, nas Américas, 2,9 mil.

 

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VW anuncia recall para Gol, Up, Voyage e Tiguan Allspace

São Paulo – A Volkswagen anunciou, na terça-feira, 17, três recalls no Brasil. No primeiro caso para reparar airbags de motoristas em Gol, Up e Voyage produzidos em 2017 e 2018 e, no segundo caso, para eliminar defeitos no airbag e na suspensão do Tiguan Allspace.

 

No caso do recall dos três modelos, com 406 unidades envolvidas, a VW informou que o airbag do motorista não corresponde ao modelo especificado e, em caso de acidente, o componente não oferecerá a proteção que deveria.

 

Já a bolsa do airbag do Tiguan Allspace apresentou uma dobra incorreta devido a falha do fornecedor e o chamado envolve 177 unidades.

 

No segundo recall divulgado para o modelo, que envolve 163 unidades, a VW identificou falha no aperto da porca de fixação do pivô da suspensão dianteira, o que compromete a dirigibilidade e pode causar acidentes.

 

Em todos os casos os proprietários devem entrar em contato com uma concessionária para agendar a troca dos componentes.

Marcopolo promove mudanças na sua estrutura comercial

São Paulo – A Marcopolo promoveu mudanças na estrutura de suas operações comerciais para o mercado externo, com foco na expansão de suas exportações e negócios internacionais. O engenheiro José Luiz Moraes Góes, que era o gerente executivo para a região Ásia, Pacífico e Índia, retornou ao Brasil para assumir a região Américas.

 

Seu cargo agora é ocupado pelo administrador Rodrigo Estevan Alves, que desde agosto de 2017 integrava a área comercial da Polomex, a operação mexicana da Marcopolo.

 

Góes e Alves se reportam ao diretor de estratégia e negócios internacionais da empresa, André Vidal Armaganijan.

Ford faz acordo de R$ 1,1 bilhão por airbags com defeitos

São Paulo – A Ford fez acordo de US$ 299 milhões, ou cerca de R$ 1,1 bilhão, para pagar indenizações a clientes que sofreram lesões em carros equipados com os problemáticos airbags Takata, informou a agência Reuters na terça-feira, 17. O problema nos airbags produzidos durante anos pela Takata faz com que o dispositivo se abra com mais força do que o necessário em caso de acidentes e, com isso, fragmentos metálicos eram disparados nos ocupantes, podendo causar lesões graves.

 

O acordo feito pela Ford cobrirá diversas formas de perdas econômicas dos consumidores que processaram a empresa e alegaram que os veículos foram vendidos como seguros, ou que pagaram a mais por modelos com airbags danificados.

 

Outras montadoras também fizeram acordos semelhantes, caso de BMW, Honda, Mazda, Nissan, Subaru e Toyota. Os valores somam mais de R$ 4,6 bilhões.

Nissan Kicks conversa com funcionários de Resende

São Paulo – Para celebrar o primeiro ano de produção do Nissan Kicks no Brasil a companhia resolveu homenagear os funcionários da sua fábrica de Resende, RJ, com uma ação inusitada: um automóvel falante.

 

Colocado num dos corredores da fábrica, e em meio a buzinadas e acendidas de faróis controladas remotamente, o modelo troca ideias com engenheiros, operadores, técnicos e analistas da unidade. Um vídeo foi feito com algumas das conversas e pode ser visto aqui.

 

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Setor tem a receber R$ 500 milhões em crédito de exportação

São Paulo – As fabricantes de veículos e de autopeças podem receber mais de R$ 500 milhões em créditos tributários via Reintegra, o programa federal que desonera diversos setores exportadores. O valor corresponde ao período compreendido de janeiro de 2016 ao primeiro trimestre deste ano. Considerando as demais áreas da economia nacional, o valor a ser restituído chega a R$ 9,5 bilhões.

 

De acordo com Rogério Borili, vice-presidente da Becomex, empresa de gestão tributária responsável pelo levantamento, está em curso nas montadoras e nas sistemistas procedimentos que tornem viável o acesso aos valores correspondentes à operação externa de cada uma. O que pode ser um entrave no caminho, disse o executivo, é a compilação das informações junto ao governo:

 

“Os departamentos jurídicos das companhias se debruçam sobre o assunto porque são créditos que podem abater outros tributos. Por outro lado muitas ainda não conseguiram receber os valores aos quais têm direito devido à complexidade do processo de comprovação de dados da exportação”.

 

Borili disse que, recentemente, uma única montadora conseguiu R$ 20 milhões de um total de R$ 70 milhões a que tem direito: “É um mecanismo importante para um setor da economia que vem de um período de crise. Ainda há muito dinheiro parado, são recursos que poderiam já estar sendo aplicados na operação das empresas instaladas aqui”.

 

O Reintegra é um mecanismo criado pelo governo para devolver uma parcela dos impostos pagos na cadeia produtiva às empresas exportadoras de bens manufaturados, que podem reaver, parcial ou integralmente, o resíduo tributário existente na sua cadeia de produção.

 

Em maio o governo decidiu reduzir a alíquota do programa como forma de compensar as perdas com a diminuição dos impostos sobre o óleo diesel. De 2%, valor fixado para o ano, a alíquota caiu para 0,1%. Com isso, lembrou Borili, haverá oneração da estrutura tributária para os exportadores: “A expectativa antes da greve era a de que a alíquota seria ajustada para cima em 2019, 3%, o que não acontecerá mais”.

 

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