Recado aos fornecedores: é hora de contratar.

São Paulo – Os fornecedores de peças e componentes para veículos comerciais devem contratar mais trabalhadores, abrir novos turnos, ou expandir capacidade produtiva para atender à atual demanda do mercado. Em painel que fechou o Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2018, na segunda-feira, 25, no World Trade Center, em São Paulo, executivos da indústria relataram que gargalos na cadeia limitam a expansão da produção.

 

Segundo Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da MAN Latin America, “já passou da hora [de os fornecedores ampliarem a produção]. O pior momento passou e os fornecedores não estão reagindo. É preciso contratar para se adequar ao mercado que vem em 2019 e, em alguns casos, até para atender à demanda atual”.

 

Impulsionada pelo desempenho na última Fenatran, a Volvo aumentou o segundo turno, contratou trezentos funcionários em fevereiro e começou a receber pedidos, de acordo com seu responsável por vendas de caminhões, Alcides Cavalcanti. Mas a produção está limitada por causa de fornecedores que não entregam peças: “O mercado existe e está com procura maior do que as montadoras conseguem atender”.

 

O diretor para operações de caminhões da Ford, João Pimentel, fez coro a seus colegas de setor: “Perdemos produção durante a greve dos caminhoneiros que não conseguiremos recuperar. É a hora de investir em pessoas”.

 

Não é só no segmento de caminhões que gargalos produtivos são relatados. Segundo Walter Barbosa, diretor de vendas e marketing de ônibus da Mercedes-Benz, a empresa também pediu a seus fornecedores investimento em pessoal, “pois o fundo do poço foi no início do ano passado. Agora o mercado está se recuperando gradativamente”.

 

Barbosa estimou vendas locais de 12 mil a 14 mil chassis de ônibus em 2018, aumento de 15% a 20% sobre o ano passado. Em caminhões o índice projetado pelos executivos foi de 30% a mais.

 

Marco Borba, vice-presidente de vendas e marketing da Iveco, pediu cautela até o fim do ano, por causa das eleições que se aproximam: “De toda forma não acredito que prejudique as vendas. O mercado deverá crescer 30%, ou até um pouco mais”.

 

Foto: Christian Castanho.

Confiança cai diante da incerteza das eleições

São Paulo – As condições macroeconômicas brasileiras estão recuperadas e estabilizadas, mas o cenário que se avizinha, especialmente diante da incerteza das eleições, eleva a desconfiança do consumidor. Essa foi a análise de Fernando Machado Gonçalves, economista do Itaú, que palestrou no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2018, na segunda-feira, 25, no World Trade Center, em São Paulo.

 

Gonçalves mostrou que nos últimos meses as curvas de crescimento da geração de emprego e do aumento de massa salarial apontaram desaceleração, embora o cenário ainda seja de retomada: “Esses fatores prejudicam as vendas no varejo, que também dão sinais menos positivos”.

 

Para o economista o cenário ficará mais claro após as eleições presidenciais: “É relevante que seja eleito um presidente reformista. A reforma da Previdência é fundamental para resolver a situação fiscal brasileira”.

 

Foto: Christian Castanho.

Nissan revisa projeção de vendas depois da greve

São Paulo – A Nissan revisou sua projeção para o mercado nacional por causa do impacto da greve dos caminhoneiros sobre o setor automotivo e a economia, informou o seu presidente para o Brasil, Marco Silva, durante apresentação no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2018, na segunda-feira, 25, no World Trade Center, em São Paulo:

 

“Tivemos que refazer nossas projeções após a paralisação dos caminhoneiros, pois os concessionários relatam movimento até 20% menor nas lojas. A confiança do consumidor caiu e, a partir de agora, ele esperará para tomar decisões de compra”.

 

A Copa do Mundo e as eleições também ajudarão a esfriar o mercado no segundo semestre, mas segundo Marco Silva esses fatores já estavam na conta no início do ano — a greve não: “Nossa projeção de crescimento para o mercado foi reduzida de 4% a 5% e, agora, acreditamos que as vendas totais ficarão em torno de 2 milhões 450 mil unidades”.

 

Mesmo revendo suas projeções para o mercado nacional a Nissan manteve a expectativa de expandir as vendas em 15% na comparação com o ano passado, apostando em um crescimento orgânico das vendas no País com a consolidação da marca, o que vem ocorrendo nos últimos anos. Para a produção a empresa acredita em crescimento de 30%: “Estamos operando em dois turnos, na nossa capacidade máxima, e assim atingiremos esse crescimento na comparação com o ano passado”.

 

Para as exportações a projeção de crescimento é bem grande, 50%: “Essa expansão acontecerá por causa da Argentina, que até o momento cresceu, mas, mesmo que comece a cair, consumirá uma parte dos veículos produzidos em Resende. Outros países que ajudarão nesse crescimento são Colômbia, Peru e Chile”.

 

A companhia também exporta veículos para Costa Rica, Panamá e Uruguai.

 

Com relação ao futuro da mobilidade no Brasil o presidente da Nissan acredita que veículos elétricos farão parte da frota nacional — até porque o governo começa a dar sinais de que teremos uma infraestrutura para esse tipo de veículo — e já estuda a vinda da tecnologia e-power, que combina um pequeno motor a combustão que alimenta o motor elétrico, responsável por movimentar o veículo: “Queremos trazer a tecnologia e-power no futuro e já estudamos esse caso, mas precisamos tornar viável a produção local, o que é mais complicado”.

 

Foto: Christian Castanho.

Montadoras trabalham na rentabilidade das redes

São Paulo – As montadoras estão trabalhando com as suas redes concessionárias para que a lucratividade cresça nos pontos de vendas. Executivos da Caoa Montadora, Toyota e Volkswagen que participaram de painel no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2018, realizado na segunda-feira, 25, no World Trade Center, em São Paulo, relataram medidas tomadas neste sentido para adequar a distribuição com a demanda.

 

A Volkswagen, que vive processo de recuperação do volume de vendas no País – acelerado após os lançamentos do hatch Polo e do sedã Virtus –, prepara-se para reduzir o tamanho de sua rede em busca de maior rentabilidade. De acordo com Gustavo Schmidt, vice-presidente de vendas, “teremos de cortar o número de lojas de forma a buscar a eficiência de toda operação. Numerosa como estava eram menores as margens aos concessionários”.

 

No caso da Caoa Montadora vigora a manutenção da estrutura: o presidente Mauro Correia afirmou que a empresa trata de não aumentar o tamanho da rede por meio do crescimento da meta de vendas de veículos por loja: “Ainda vivemos momento de incertezas, mas antes de qualquer prognóstico é preciso manter o foco em volumes maiores, até porque trabalhamos com a venda de veículos de maior valor”.

 

A Toyota avalia os movimentos do mercado no segundo semestre para tomar decisões a respeito de planejamento na rede de vendas. Isto porque, contou o diretor Ricardo Bastos, o crescimento de vendas e exportações provocaram surpresa: “Cresceu acima da expectativa e isso é algo para se acompanhar de perto para que nada escape das nossas possibilidades. O importante é uma operação estruturada”.

 

Foto: Christian Castanho.

Scania inaugura linha dedicada às exportações

São Paulo – A Scania inaugurou na segunda-feira, 25, uma linha dedicada à exportação na sua fábrica de São Bernardo do Campo, SP. Resultado de investimentos de R$ 15 milhões, parte de pacote de R$ 2,6 bilhões até 2020 anunciado no ano passado, a nova área produzirá kits desmontados, como SKD e CKD, para serem enviados a outros mercados.

 

De acordo com Christopher Podgorski, presidente e CEO da Scania Latin America, durante o Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2018, realizado na segunda-feira, 25, no World Trade Center, em São Paulo, a nova área “é como uma linha de produção completa de veículos, sequenciada e com fluxo contínuo, mas que produz, em vez de caminhões e ônibus prontos, os kits para exportação”.

 

Segundo ele há diferentes índices de produção dentro dos kits: para a Tailândia, por exemplo, 60% dos veículos são montados no ABC e o restante dentro da unidade local da Scania. Assim atende-se às mais variadas barreiras e exigências mínimas de nacionalização dos diversos mercados ao redor do mundo.

 

“A linha KD [como é chamada internamente] demandará por competitividade e redução de custos. Ela competirá diretamente com linha similar na fábrica de Eindhoven, na Holanda.”

 

Podgorski disse que a produção brasileira é muito procurada por mercados que demandam customização, uma vez que há maior flexibilidade na linha. Mas nada impede que a unidade de São Bernardo forneça à Europa: “No ano passado produzimos em torno de vinte cabinas por dia para serem montadas em fábricas europeias. Foi a primeira vez [na Scania] que uma cabina brasileira se juntou a um chassi europeu”.

 

Mesmo com a retomada do mercado brasileiro as exportações seguem com maior relevância na produção da Scania por aqui. Segundo Podgorski este ano 68% da produção, que alcançará 28,9 mil unidades, serão enviados para outros mercados: “Nossa produção crescerá 40% com relação a 2017”.

 

Foto: Christian Castanho.

Vendas de máquinas crescerão em patamares diferentes

São Paulo – O segmento de máquinas agrícolas e de construção projeta um 2018 de crescimento, mas bem diferente nos dois segmentos, pois os produtores de máquinas rurais esperam expansão tímida, em torno de 5%, enquanto o setor de construção espera que suas vendas cresçam até 40%. O setor foi tema de um dos painéis do Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2018, realizado na segunda-feira, 25, no World Trade Center, em São Paulo.

 

O painel foi composto por Roberto Marques, diretor de vendas da John Deere, Roque Reis, diretor comercial da CNH Industrial, Luiz Marcelo Daniel, presidente da Volvo CE e Alexandre Vinícius de Assis, diretor comercial da AGCO. Segundo Assis, as vendas de máquinas agrícolas deverão crescer em torno de 5%, impulsionadas por safra que, embora grande, não deverá superar a recorde do ano passado.

 

De acordo com o diretor da AGCO, “com as novas tecnologias no mercado e a modernização do produtor rural a demanda deve ser por máquinas mais modernas e com motores mais potentes, que trabalham de maneira mais eficiente”. Essas máquinas mais modernas já são produzidas no Brasil por algumas empresas, como a CNH, que segundo seu diretor Reis, tem todas as tecnologias disponíveis para atender a demandas futuras — mesma opinião de Marques, da John Deere.

 

Com relação ao mercado de máquinas de construção a Volvo CE, de Daniel, atingiu crescimento de 40% nas vendas no primeiro semestre, mas espera um segundo semestre menos aquecido, projetando crescimento de no máximo 30%. A John Deere, de Marques, também aumentou suas vendas em 40% no primeiro semestre e projeta manter esse volume até o fim do ano: “Esperamos que o setor receba novos investimentos no período para retomar o crescimento, pois no primeiro semestre a expansão foi puxada por licitações públicas”.

 

O crescimento previsto para o setor de construção pode parecer grande ,mas todos os executivos presentes observaram que a base de comparação é muito baixa: a queda nos últimos dois anos, durante a crise, foi muito grande.

 

Fotos: Christian Castanho.

Motores: reposição é a aposta do segundo semestre.

São Paulo – O mercado de reposição ajudará a sustentar a operação das empresas fabricantes de motores no segundo semestre do ano, afirmaram executivos de FPT, MWM e Cummins — as maiores do País — durante o Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2018. Ou seja: o cenário até dezembro é o de buscar oportunidades com a venda de componentes.

 

Para Luís Pasquotto, presidente da Cummins, a reposição já veio sustentando o negócio no primeiro semestre. Esse crescimento, no entanto, não se sustentará no segundo: “O crescimento até maio aconteceu porque a base do ano passado é baixa, e não se manterá até dezembro porque o segundo semestre do ano passado foi melhor”.

 

Afora a dedicação à reposição, a empresa mantém a produção brasileira, que é voltada em 65% ao setor automotivo, atendendo à demanda de motores da MAN Latin America e exportando componentes para outras unidades da Cummins no mundo.

 

Na MWM, de acordo com o presidente José Eduardo Luzzi, as vendas para reposição têm muita responsabilidade no crescimento que a empresa registrou no primeiro trimestre: “Tivemos de nos ajustar à realidade do mercado automotivo focando nas oportunidades da reposição, pois as vendas de caminhões ainda passam por recuperação. Por outro lado vemos o segundo semestre com cautela em termos de vendas”.

 

No caso da FPT, fabricante de motores controlada pela CNH Industrial, a reposição é vista como fonte importante de receitas em ambiente de vendas de caminhões ainda considerada baixa, embora para o segundo semestre a empresa tenha se mostrado inclinada a intensificar as exportações:

 

“A produção atualmente está voltada para os mercados externos”, contou o diretor de vendas e marketing Amauri Parizoto. “Sobretudo na América Latina. Uma vez que a retomada no setor se consolide, imaginamos uma demanda maior no mercado interno, mas ainda não para o segundo semestre”.

 

Foto: Christian Castanho.

Reoneração da folha de pagamento é retrocesso

São Paulo – A decisão do governo em retirar do setor de autopeças a desoneração da folha de pagamentos foi considerado um retrocesso pelos executivos que participaram do painel de Autopeças do Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2018, realizado na segunda-feira, 25, no World Trade Center, em São Paulo.

 

Para George Rugitsky, conselheiro do Sindipeças, “a decisão do governo mostra a falta de previsibilidade que o nosso setor sofre e a nossa insegurança jurídica, pois sem nenhum aviso prévio aconteceu essa mudança na folha de pagamento das empresas de autopeças”.

 

O governo havia desonerado a folha de pagamento das empresas produtoras de autopeças há alguns anos, visando fortalecimento da cadeia de fornecedores do setor automotivo. A paralisação dos caminhoneiros e as reivindicações dos grevistas, como um preço mais baixo do óleo diesel, obrigaram o governo a tomar a decisão de reonerar folhas de pagamentos de alguns setores para ajudar a bancar a conta da redução do preço do combustível — e um dos escolhidos foi o de autopeças.

 

“Teremos impactos nos nossos custos e precisaremos nos readequar a essa nova realidade para acompanhar a retomada do setor automotivo”, disse Osias Galantine, diretor comercial da Aethra. “Essa decisão do governo mostra a sua falta de experiência em negociações durante uma greve”.

 

Amaury Rossi, diretor de negócios da Eaton, seguiu pela mesma linha de raciocínio e também afirmou que sua empresa será afetada, sendo necessário avaliar como absorver esse novo custo.

 

Projeções –  Durante a palestra o representante do Sindipeças informou que as projeções para o ano serão revisadas, mas que o momento para isso não é dos melhores: “O índice de confiança da indústria caiu bastante no último mês, assim como o índice de confiança do consumidor e o de produção industrial. Com isso revisaremos nossas projeções para o ano, mesmo em um momento complicado”.

 

Rugtisky observou que, além dos indicadores que caíram, as projeções nacionais também já mudaram bastante, sinalizando um segundo semestre mais complicado: “Começamos o ano esperando por um PIB acima de 2,5%, mas hoje a expectativa é a de que não passe de 1,6%. Com isso é necessário reajustar as nossas projeções para o segundo semestre”.

 

Fotos: Christian Castanho.

Anfavea projeta vendas abaixo de 200 mil

São Paulo – A Anfavea trabalha com cenário de vendas de veículos abaixo das 200 mil unidades em junho, ainda um reflexo da greve dos caminhoneiros, em maio, que segundo a entidade fez com que consumidores adiassem suas compras. O presidente Antonio Megale disse no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas na segunda-feira, 25, que as vendas, ao contrário das unidades que deixaram de ser produzidas por causa da paralisação, não serão reconquistadas pela indústria:

 

“Não será possível recuperar as vendas que deixaram de ser feitas no período. Quem ainda mantém a intenção de compra perdeu a confiança e deve observar o cenário político e econômico no segundo semestre”.

 

Os números de vendas da quinzena, segundo dados do Renavam, indicam que a projeção da Anfavea faz sentido: queda de 18% na comparação com a primeira quinzena de maio.

 

A entidade trabalha na revisão de suas projeções para o ano. Os números ainda não foram fechados, mas Megale apontou tendências que guiarão as novas estimativas para os seis meses finais do ano. Na produção o cenário deve ser de estabilidade nos números divulgados em janeiro, embora o presidente considere que haverá a diminuição do crescimento previsto: se, antes, a entidade apontava para uma alta 13,2% este ano ante 2017 não seria surpresa para a Anfavea que a produção de veículos seja “um pouco menor”.

 

Nesse sentido ele apontou para uma produção sustentada pelas vendas internas, com a oscilação para baixo creditada a uma possível queda no volume das exportações:

 

“Haverá revisão, para baixo, de cerca de 5% em nossas projeções por causa da situação dos nossos principais parceiros comerciais, Argentina e México. O consumo no México está desaquecido e haverá eleições para presidente. Na Argentina a elevação dos juros e a valorização do dólar devem inibir a compra de novos veículos”.

 

Para o mercado interno a Anfavea espera um cenário mais estável, apesar da diminuição dos emplacamentos esperados para junho: “Não deverá ser menor do que os 11,7% projetados no começo do ano. Se houver alteração será pra cima, coisa de 13%”.

 

Foto: Christian Castanho.

Grupo VW entrega gestão regional às suas marcas

São Paulo – O Grupo Volkswagen anunciou na sexta-feira, 22, que as responsabilidades pelas suas gestões regionais são, agora, de suas diferentes marcas, como parte de plano para reestruturar suas operações e descentralizar as decisões.

 

O presidente executivo, Herbert Diess, que assumiu a direção em abril, iniciou reformulação da estrutura corporativa para dar agilidade ao grupo e melhorar o desempenho das marcas. Em comunicado ele afirmou que “estamos entregando responsabilidades para muitos ombros, estamos tornando a Volkswagen mais ágil, simples e mais eficiente”.

 

A marca Volkswagen assumirá responsabilidade pelas operações nas Américas do Sul e do Norte e do Sul e pela região subsaariana, enquanto a Audi administrará Oriente Médio e Ásia. A Seat ficará com a gestão no Norte da África e a Skoda com a da Rússia e da Índia. A China permanecerá sob a gestão central do grupo.

 

Foto: Divulgação.