Setor elétrico estuda modelo de negócios para automóveis

Campinas, SP – Os automóveis elétricos ainda representam pequena parcela da frota do País mas a expectativa de crescimento do modal até 2030, com base em eventual aprovação de decreto governamental específico para o segmento este ano, movimenta um setor de energia otimista com relação às novas oportunidades de negócios. 

 

A CPFL Energia, que atua na geração, transmissão e distribuição de eletricidade nas regiões Sul e Sudeste, concluiu estudo no qual afirma ser possível, com a atual estrutura de rede e capacidade de geração, abastecer frota de 2 milhões de veículos — essa informação, apresentada na terça-feira, 19, é vista, pela empresa, como desmistificadora da inviabilidade dos elétricos.

 

Segundo Rafael Lazzaretti, diretor de estratégia e inovação da companhia, do ponto de vista da oferta de energia o sistema que abastece o País foi projetado para uma demanda 5% acima da que existe atualmente: “Um adicional de 2 milhões de veículos elétricos ao sistema representaria de 1% a 2% do que é gerado e, portanto, não haveria riscos de sobrecarga”.

 

De 2013 a 2018 a empresa desenvolveu seu Projeto Emotive, programa que envolveu um conjunto de testes de rede e de aplicação de veículos elétricos em situações cotidianas. A partir dele a CPFL constatou que a carga adicional que o volume de veículos representaria na rede, do ponto de vista do consumo, seria o equivalente a um chuveiro em uso: “A carga consumida por um eletroposto residencial não assusta a ponto de se investir mais em rede para atender a demanda”.

 

Dessa forma, disse Lazzaretti, um dos pontos da discussão que envolve a adoção do carro elétrico no País perde força: o de ser necessário forte investimento em estrutura de rede e geração para comportar essa demanda adicional.

 

Em um cenário considerado conservador, no qual a evolução do número de automóveis elétricos aconteça sem política governamental, o estudo aponta que os carros movidos a eletricidade – elétricos puros ou híbridos – constituirão 3,8% da frota nacional em 2030. Nesse sentido, disse Lazzaretti, atender à demanda significaria aumentar a capacidade de geração e distribuição de energia: “O investimento em estrutura é feito pensando no longo prazo e antecipando demanda de energia”.

 

Negócios – Com os resultados do Emotive em mãos, a CPFL estuda modelos de negócios para explorar em contexto de massificação dos automóveis elétricos. Mesmo que isso ainda dependa da criação de regras específicas para a modalidade por parte da Aneel, a Agência Nacional de Energia Elétrica, a empresa visualiza oportunidades na construção e gestão de pontos de recarga.

 

Sobre isso Renato Povia, gerente de inovação e transformação, contou que o modelo que será difundido no País, em um primeiro momento, poderá ser o de atrelar à recarga a oferta de outros serviços que circundem o universo veicular: “Será possível tarifar o uso do ativo de recarga. Afora isso haverá a possibilidade de se criar uma cadeia de empresas para atuar na manutenção dos equipamentos, oferta de seguros específicos para carros elétricos e espaço publicitário”.

 

O setor elétrico ainda discute em Brasília, DF, as formas de tarifação da energia no contexto de massificação de veículos elétricos. Lazzaretti, porém, acredita que não haverá a criação de uma tarifa específica para a aplicação de eletricidade em automóveis: “Acho pouco provável porque as reuniões técnicas que são realizadas junto ao governo mostram que não há exploração comercial da energia. O veículo, do ponto de vista de consumo, tem o mesmo perfil de um celular plugado na tomada”.

 

Foto: Divulgação.

Volkswagen e Ford estudam formar aliança

São Paulo – Volkswagen e Ford divulgaram comunicado no fim da tarde da terça-feira, 19, anunciando a assinatura de memorando de entendimento para explorar uma aliança estratégica global. Segundo o documento as duas empresas estudam projetos conjuntos para uma variedade de veículos comerciais – mas não deverá parar por aí. A princípio essa aliança estratégica não envolveria aportes financeiros ou troca de ações.

 

A ideia é, justamente, aproveitar sinergias e dividir custos de desenvolvimento para fortalecer a competitividade de cada uma das empresas. De acordo com o comunicado VW e Ford divulgarão pormenores da parceria conforme o progresso das conversas.

 

Thomas Sedran, diretor do grupo de estratégia da VW, afirmou no comunicado que as empresas possuem posições fortes e complementares em diferentes segmentos de veículos comerciais: “Para nos adaptarmos a este ambiente desafiador é de extrema importância ganhar flexibilidade por meio de alianças”.

 

Segundo Jim Farley, presidente de mercados globais da Ford, as duas empresa usarão os próximos dias para explorar em conjunto como trabalhar para atender as necessidades – “Dos clientes de veículos comerciais – e muito mais”.

 

Foto: Arte AD.

Lifan quer mais concessionárias

Campos do Jordão, SP – A retomada do mercado e a chegada do SUV X80 deverão puxar o crescimento da rede de concessionárias da Lifan. Durante o lançamento do modelo, na segunda-feira, 18, o diretor de marketing Luiz Zanini disse que dos 46 pontos de vendas, 25 são mais ativos no mercado, com maior participação, mas há planos para aumentar.

 

“Já temos interessados em abrir novas concessionárias Lifan e, com o lançamento do X80, a procura aumentou. Estamos estudando quem serão os parceiros para inaugurar novos pontos de vendas, mas não sabemos, ainda, quantos serão”.

 

Com o primeiro SUV chinês de sete lugares no mercado brasileiro a empresa quer mudar sua fama no País. Atualmente é totalmente ligada ao X60, SUV compacto que tem como principal atrativo o custo-benefício na comparação com seus concorrentes, observou o presidente Johhny Fang: “Com o X80 queremos atrelar nossa marca a um produto mais luxuoso, elevando o patamar da Lifan no Brasil. Mas sabemos as dificuldades que teremos”.

 

Um dos passos para tentar alcançar os planos da empresa foi o treinamento dos vendedores e do pós-vendas de todas as revendas para a comercialização do X80, lembrou Zanini: “Fizemos um treinamento técnico em todos os pontos de vendas e nossos concessionários estão preparados para vender o novo modelo”.

 

O novo SUV X80 já chegou às concessionárias, as vendas começam nesta semana e o aumento do portfólio faz com que a empresa projete a expansão das vendas, sem revelar números, mas afirmando que a expectativa é de crescimento moderado.

 

Esperando crescer no ano a Lifan acredita que o mercado ficará ainda mais aquecido após as eleições: “Independentemente de quem for eleito, esperamos que uma boa proposta econômica seja apresentada para o País, afastando a instabilidade e movimentando ainda mais o mercado”.

 

Rota 2030 – Fang se mostrou preocupado com a indefinição por parte do governo com relação ao Rota 2030, o programa que estabelecerá as diretrizes para o setor automotivo nacional nos próximos anos.

 

“Sem a definição desse programa automotivo, é impossível tomar decisões mais importantes: manter nossa fábrica no Uruguai ou iniciar uma produção no País? Por isso esperamos que o Rota 2030 seja aprovado o quanto antes para sabermos como será o futuro da indústria”.

 

O presidente também afirmou que, mesmo sem o Rota 2030, o plano da Lifan é seguir vendendo veículos no Brasil. Uma definição do governo, porém, ajudará a iniciar possíveis novos projetos.

 

Fotos: Divulgação.

Ford adquire Michigan Central Station

São Paulo – A Ford anunciou a aquisição da Michigan Central Station, icônica estação ferroviária em Detroit, Michigan, desativada há trinta anos. A ideia da companhia, segundo comunicado divulgado, é reformar o prédio e torná-lo um centro comercial, com restaurantes, estações de trabalho, lojas.

 

Mais do que isso: a Ford pretende transformar o bairro de Corktown em uma espécie de Vale do Silício da mobilidade. Ao reformar a Central Station a Ford pretende atrair profissionais jovens e talentosos para desenvolver soluções para o futuro do transporte.

Valorização do dólar mexe com planos para Lifan X80

Campos do Jordão, SP – A rápida escalada do dólar nos últimos meses mexeu com o planejamento da Lifan para o SUV X80. Lançado em novembro passado na China, o modelo com sete lugares inicialmente chegaria ao mercado brasileiro na faixa de R$ 110 mil a R$ 120 mil, mas a valorização da moeda estadunidense fez com que a empresa reajustasse o preço antes mesmo de seu lançamento, na segunda-feira, 18.

 

“Com o dólar no patamar em que está hoje ficou inviável vender o X80 na faixa de preço que pensamos inicialmente”, disse o diretor de marketing, Luiz Zanini. “Afinal, apesar de montarmos o veículo no Uruguai, importamos os componentes e isso cria impacto financeiro.”

 

Diante do aumento — e instabilidade — do dólar, a Lifan definiu que o X80 será vendido por R$ 129 mil 777, em versão única. A projeção da empresa é comercializar 120 unidades por mês, considerada modesta por Johnny Fang, presidente no Brasil: “Acreditamos que esse volume pode aumentar no futuro, mas veremos como será a aceitação do produto no mercado”.

 

A empresa também afirmou que importará os lotes de acordo com o dólar e com a demanda do mercado, com a possibilidade de importar um lote maior para suportar alguns meses de vendas caso a cotação da moeda recue.

 

Nessa faixa de preço, a empresa espera que o modelo concorra com Hyundai Santa Fé, Chevrolet Trailblazer, Kia Sorento, Peugeot 5008, Mitsubishi Outlander e até SUVs de segmentos menores, como Hyundai Tucson, Chevrolet Equinox e Jeep Compass.

 

Para atrair clientes dos concorrentes a Lifan acredita que os pontos fortes do X80 no mercado são o preço e o pacote oferecido, pois o modelo vem equipado com motor 2.0 turbo de 184 cv, câmbio automático DSI de seis marchas, ar-condicionado automático e digital com saída de ar para a segunda fileira de bancos, direção elétrica, bancos de couro, espaço para sete ocupantes, kit multimídia com espelhamento para Android, câmara de ré e volante multifuncional com ajuste de altura e de profundidade. 

 

O X80 é produzido na fábrica de San José, Uruguai, com capacidade para montar 6 mil unidades por ano em um turno e, caso seja necessário, 12 mil em dois turnos — mas esse volume está distante ainda, reconheceu Fang: “A unidade no Uruguai produz mais do que o nosso volume atual de vendas na região e, com isso, ela fica parada alguns meses do ano até vendermos as unidades já produzidas. Atualmente a fábrica está parada”. 

 

Foto: Divulgação.

Marcopolo renova frota do Expresso Biagini

São Paulo – A Marcopolo entregou três ônibus rodoviários Paradiso 1800 Double Decker, com 15 m de comprimento, para a Expresso Biagini, operador de transporte de Belo Horizonte, MG. Os veículos serão utilizados em rotas turísticas em Minas Gerais e estados vizinhos. Os Paradiso 1800 DD transportam até 64 passageiros.

 

E dispõem de tomadas de força com entrada USB em todas as poltronas, DVD, monitores, microfone, wi-fi e sistema de ar-condicionado.

 

Cliente há quinze anos a Expresso Biagini conta com mais de quarenta Marcopolo em sua frota, segundo Rodrigo Pikussa, seu diretor do negócio ônibus.

Honda busca proprietários que não atenderam a recall

São Paulo – A Honda corre atrás de proprietários de seus veículos que não atenderam à convocação para substituir os airbags. Segundo a empresa, em comunicado, as campanhas de recall, amplamente divulgadas por emissoras de rádio e de televisão, revistas e jornais, envolvem modelos produzidos há até dezessete anos – e muitos não compareceram à concessionária para realizar o reparo.

 

Desde segunda-feira, 18, equipes da empresa estão em Belo Horizonte e Contagem, MG, em locais de circulação de veículos com velocidade reduzida, como estacionamentos de shopping centers e centros comerciais, postos de combustível, dentre outros, para identificar, a partir da placa ou chassi, veículos envolvidos em campanhas de recall que não substituíram o componente.

 

Segundo a empresa “é comum que, com o passar do tempo, os carros mudem de donos e que eles nem sempre retornem à concessionária para realizar revisões e eventuais reparos periódicos”.

 

A Honda escolheu Minas Gerais por ser o terceiro em representatividade no volume de veículos afetados pela convocação: a empresa estima que 9% dos modelos circulem pelo Estado. Em São Paulo a empresa firmou convênio com o Detran para notificar os proprietários de veículos registrados.

 

Outras medidas foram tomadas pela Honda na busca pelos proprietários: foram firmadas parcerias com seguradoras e empresas de cobrança automática de pedágio para buscar, dentre seus clientes, carros envolvidos no recall. 163 mil clientes já foram notificados por meio desses cruzamentos de dados.

Hyundai terá novo presidente no Brasil

São Paulo – Mudanças promovidas pela Hyundai em sua operação global produziram reflexos no Brasil: a empresa anunciou na segunda-feira, 18, que Yong-woo Lee [foto], presidente da HMB, deixará o cargo para assumir a presidência da Hyundai Motor North America, operação recém-criada pela companhia. De acordo com a empresa o nome do substituto está indefinido e será anunciado em breve.

 

Lee ocupava a presidência aqui desde janeiro de 2013, logo após o lançamento do modelo de entrada HB2O. Ele sucedeu a Chang Kyun Han, o primeiro presidente da companhia no Brasil. Antes de desembarcar, Lee já trabalhara na Hyundai dos Estados Unidos que, junto com Canadá e México, formam a operação North America.

 

Afora a criação da nova estrutura na América do Norte a empresa também anunciou a criação de unidades na Europa e na Índia, que passam a operar a partir de julho. Mais mercados estrangeiros serão transformados em sedes regionais como parte de planejamento que projeta reorganização global até 2019.

 

Segundo a Hyundai cada unidade regional será responsável por todos os aspectos do negócio, como desenvolvimento de produtos, marketing, vendas e fabricação. Cada sede regional também terá divisões funcionais para finanças, produtos e atendimento como forma de “conceder maior autonomia a cada região, estimular o crescimento sustentável e aumentar a inovação.”

 

A HMB iniciou operação no Brasil em 2011 com a instalação de fábrica em Piracicaba, SP, onde produz o compacto HB20 e o SUV Creta, fruto de investimento de US$ 130 milhões feito em 2016. A fábrica opera em três turnos e tem capacidade de produção de 180 mil carros/ano.

 

Foto: Divulgação.

Neobus abre filial em São Paulo

São Paulo – A Neobus abriu uma filial em São Paulo, o que responde à necessidade de “ficar mais próxima dos clientes e de atuar de maneira direta, rápida e eficiente”. A empresa, que integra o Grupo Marcopolo, segue os passos de própria Marcopolo, que há algumas semanas anunciou que passará a manter uma filial na Capital paulista.

 

Segundo o diretor da Neobus João Paulo Ledur o ano começou com ritmo e demanda crescente no segmento de urbanos e micros: “Terminamos 2017 com excelente desempenho no segmento de micro-ônibus, no qual fomos o maior fornecedor para o programa Caminho da Escola, e nas exportações, nas quais alcançamos o nosso melhor resultado histórico, com vendas superiores a quinhentas unidades”.

 

A empresa, disse Ledur, é reconhecida pela robustez e qualidade do produto, além de rapidez na resposta às demandas de seus clientes: “A filial São Paulo permitirá que sejamos ainda melhores e atendamos ao cliente com ainda mais excelência”.

Média diária de vendas cai 18% na quinzena

São Paulo – Até a sexta-feira, 15, os licenciamentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus somaram, em junho, 97,7 mil unidades, informou à Agência AutoData fonte ligada ao varejo. Com onze dias úteis a média diária de emplacamentos somou 8,9 mil unidades, queda de 17,8% com relação à primeira quinzena do mês passado.

 

Nos primeiros quinze dias de maio foram licenciados 107,6 mil veículos.

 

Disse a fonte que o resultado da quinzena ainda reflete os efeitos da greve dos caminhoneiros, que parou o País no fim do mês passado. Por cerca de uma semana nenhum veículo foi produzido no País, pois a indústria ficou sem estoque de peças. Do mesmo modo as revendas sofreram com o menor fluxo de compradores e com a consequente redução nas vendas — e o reflexo nos emplacamentos foi sentido na última semana de maio e na primeira deste mês.

 

Os varejistas acreditam que as vendas fiquem por volta das 200 mil unidades, um desempenho semelhante ao de maio, quando foram comercializados 201,9 mil veículos. A Copa do Mundo, segundo a fonte, pode reduzir o fluxo nas lojas – embora diversas concessionárias tenham optado por manter as portas abertas inclusive durante os jogos da seleção brasileira.

 

O Chevrolet Onix liderou as vendas da quinzena, com 8,2 mil licenciamentos, seguido pelo Hyundai HB20 com 4,7 mil unidades. Completam o Top 5 Ford Ka, com 3,7 emplacamentos, e Fiat Mobi e Argo, com 2,7 mil e 2,6 mil unidades vendidas, respectivamente.

 

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil