Japão: empresas criam rede de carga de hidrogênio

Honda, Nissan, Toyota e outras oito empresas finalizaram acordo para construir rede de estações de carregamento de hidrogênio em todo o Japão. As outras empresas envolvidas são Nippon Oil & Energy, Idemitsu Kosan, Iwatani, Tokyo Gas, Toho Gas, Air Liquide, Toyota Tsusho e o Banco de Desenvolvimento do Japão.

Os pormenores do plano foram anunciados em maio, com a assinatura de memorando de entendimento, e as informações foram divulgadas na quinta-feira, 14, pelo portal Carscoops. Nos primeiros quatro anos do projeto as empresas pretendem construir oitenta estações de hidrogênio em todo o país e ter 40 mil veículos movidos a hidrogênio nas ruas locais até 2020. 

 

Além da construção das estações a nova empresa promoverá tecnologias de hidrogênio e garantirá que o equipamento de carregamento seja padronizado em todas as empresas.

 

Embora muitos fabricantes de automóveis estejam protegendo suas apostas inteiramente em veículos elétricos a bateria, esse acordo mostra que há, também, empresas que acreditam que os veículos com hidrogênio desempenharão papel importante nos futuros veículos.

 

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CNI: indústria puxará crescimento da economia em 2018.

A economia brasileira parece ter deixado para trás a recessão, concluiu o Informe Conjuntural, divulgado na quinta-feira, 14, pela CNI, Confederação Nacional da Indústria. De acordo com o estudo a economia brasileira crescerá 1,1% este ano e a indústria terá expansão de 0,2%. A expectativa é a de que 2018 será um pouco melhor, com crescimento do PIB de 2,6% e do PIB industrial de 3%. 

 

A indústria automotiva tem papel fundamental na recuperação: a projeção da Anfavea para este ano é de alta de 25% na produção na comparação com o ano passado, e o Sindipeças também tem expectativas positivas, com expansão de 22%.

 

A Ford Caminhões afirmou, em comunicado distribuído na quinta-feira, 14, que revisará o seu planejamento de produção, para volumes maiores: sua expectativa é de crescimento do mercado no primeiro trimestre de 2018. A projeção é aumentar em mais de 45% o volume de caminhões montados na comparação com o último trimeste deste ano.

 

Para Carlos Gasquez, gerente nacional de vendas da Ford Caminhões, “desde outubro a indústria voltou ao patamar de vendas de 5 mil caminhões por mês e deve fechar o último trimestre com um crescimento de 35% comparado ao mesmo período do ano passado. Por isso a expectativa é fechar 2017 no mesmo nível do ano passado e voltar a crescer em 2018, o que nos levou a redimensionar o programa de produção”.

 

Robson Braga de Andrade, presidente da CNI, disse que “é fundamental criar as condições para a reativação do investimento privado, o que exige o aprofundamento das reformas estruturais voltadas para a melhoria do ambiente de negócios e para a competitividade das empresas”. 

 

Segundo o levantamento da CNI o item investimento fechará 2017 com retração de 2,1%, a quarta queda anual consecutiva. Para 2018 a projeção é a de que aumentem 4%. Já o item consumo das famílias deve crescer 1,3% este ano, impulsionado, especialmente, pela queda da inflação, o que, aparentemente, protegeu a renda. Para 2018 a projeção é a de que o consumo cresça 2,8%.

 

O Informe Conjuntural da CNI estima que, no curto prazo, “o ritmo de crescimento da economia será moderado: haverá uma melhora gradual do emprego e o aumento da renda em um cenário de inflação baixa e juros reduzidos”.

 

Dez anos depois da crise global – O estudo também faz avaliação sobre o desempenho do Brasil depois da crise financeira que eclodiu com a falência do sistema de hipotecas subprime dos Estados Unidos, em julho de 2007. De acordo com o informe o Brasil até saiu na frente na busca pela reabilitação econômica, mas faltou combustível para sustentar o ritmo de aceleração: “Com isso o País acabou crescendo menos do que a média mundial”.

 

Conforme dados do FMI, Fundo Monetário Internacional, de 2010 a 2016, passado o momento mais agudo da crise, o PIB mundial cresceu 3,8% ao ano em média. No mesmo período os países desenvolvidos cresceram 1,9% ao ano e os em desenvolvimento 5,4% ao ano. O crescimento médio do Brasil foi de 1,4% ao ano.  Nos anos mais recentes, incluindo as projeções do FMI para 2017 e 2018, o quadro é ainda pior: de 2014 a 2018 a economia mundial deve crescer 3,5% ao ano enquanto que a do Brasil mostra queda média de 0,9% ao ano. Com isso o País ficará no 183º lugar no ranking de 190 economias avaliadas pelo FMI.

 

Na avaliação da CNI o Brasil perdeu a corrida pelo crescimento porque apostou no consumo para estimular a economia, sem incentivar o aumento da produtividade e da competitividade: “Alguns anos após a crise já era possível perceber sinais de desajuste neste modelo. A taxa de inflação gravitava acima do teto da meta, os déficits gêmeos, saldo negativo nas contas externas e resultado nominal negativo nas contas públicas, cresciam, o investimento era cada vez menor e a indústria não conseguia liderar o crescimento”.

 

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Vendas VW crescem 22% no Brasil

Até novembro a Volkswagen cresceu mais em vendas na América do Sul do que em qualquer outro mercado. Segundo balanço divulgado na terça-feira, 12, nos primeiros onze meses do ano foram vendidos 389,1 mil automóveis, alta de 27,4% frente ao desempenho do mesmo período do ano passado. O crescimento foi maior do que o verificado em outros mercados, como América do Norte, Ásia e Europa.

 

Os números apresentados mostram o Brasil como principal mercado da empresa na região, onde vendeu, até novembro, 240,1 mil unidades, 22% a mais do que em igual período em 2016. Apenas em novembro foram vendidas 26,3 mil unidades, alta de 34% com relação ao mesmo mês do ano anterior. Na Argentina, segundo maior mercado da região, o crescimento foi de 29,8%. A empresa creditou o desempenho às vendas de veículos de entrada.

 

A região receberá importantes investimentos da matriz nos próximos anos, aportes anunciados este ano — que ficará marcado pela chegada de Pablo Di Si para a presidência da região no lugar de David Powels, o inicio da produção dos novos modelos Polo e Virtus e o anúncio de aporte de € 560 milhões na fábrica de Pacheco, Argentina, onde será produzido um SUV a partir de 2018.

 

No mundo as vendas da VW até novembro totalizaram 5 milhões 636 mil 100 unidades, alta de 4% frente aos onze primeiros meses de 2016. Em volume o mercado que mais absorveu veículos da empresa, no período, foi o asiático, 2 milhões 986 mil 600 unidades, 4,6% a mais do que nos primeiros onze meses do ano passado. A China, sozinha, foi a maior responsável pelas vendas VW na região: 2 milhões 835 mil 300 veículos.

 

Na Europa foram vendidos 1 milhão 551 mil 700 veículos, leve queda de 0,3% na comparação do acumulado anual. A Alemanha, maior mercado da região, absorveu 489,6 mil veículos VW até novembro, queda de 5,7%. As vendas na Rússia, outro mercado importante, cresceram 18,7%, chegando a 79,1 mil veículos.  Na América do Norte foi registrada alta de 3,5% nas vendas: foram 540 mil veículos, 3,5% a mais. Nos Estados Unidos, isoladamente, 309,4 mil veículos, crescimento de 8,3%.   

 

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Mais de 151 mil Argo, Mobi e Uno passarão por recall

A FCA, Fiat Chrysler Automóveis Brasil, fará recall de 151 mil 480 veículos dos modelos Argo, Mobi e Uno por problemas no comando da chave de setas. O anúncio foi feito na quinta-feira, 14, e prevê “a atualização do software da central eletrônica do comando da chave de setas, uma vez que a eventual falha do componente poderá acarretar o não funcionamento das luzes das setas de direção sem a ciência do condutor, aumentando o risco de acidente, com consequentes danos físicos e materiais ao condutor, aos passageiros e a terceiros”.

 

O tempo de reparo é de aproximadamente 1 hora e os proprietários devem agendar sua visita previamente na concessionária Fiat de sua preferência.  Agendamento e mais informações estão disponíveis no site www.fiat.com.br

 

Os modelos que fazem parte do recall são Mobi, ano/modelo 2016 a 2018, Argo, ano/modelo 2017/2018, e Uno, ano/modelo 2014 a 2018, em todas as versões. Este é o segundo recall do Argo em uma semana. Na quinta-feira, 7, a FCA convocava todas as modelos unidades Argo produzidas por problemas no airbag.

 

Toyota – A Toyota também convocou, na quinta-feira, 14, os proprietários de 42 unidades do Lexus CT200h para a substituição do conjunto do tanque de combustível. O agendamento do reparo deve ser feito em uma concessionária a partir de 22 de janeiro.

 

No comunicado a empresa informa ter constatado “a possibilidade de haver uma falha na solda entre o tanque de combustível e o tubo de entrada do bocal de abastecimento. Em decorrência desta falha há risco de vazamento de combustível e, consequentemente, de incêndio, que poderá causar danos materiais, lesões físicas graves e até mesmo fatais aos ocupantes do veículo e terceiros”.

 

Mais informações estão no site www.lexus.com.br/pt/contact-us/book-a-service.html.

 

Mercedes-Benz – Na quarta-feira, 13, a Mercedes-Benz anunciou recall dos veículos Classe E 250 Avantgarde fabricados em agosto de 2016 por falha no cinto de segurança traseiro, lado esquerdo. Em comunicado informou que os agendamentos, em concessionárias, devem ser feitos a partir de 20 de dezembro para substituir o cinto.

 

A empresa informou ter constatado “a possibilidade de o deflagrador do cinto de segurança traseiro, do lado esquerdo, apresentar inconformidade técnica. Esta falha pode, em situações remotas, fazer com que o cinto se segurança não seja regularmente ativado em hipótese de colisão do automóvel. Estas circunstâncias aumentam o risco de dados físicos e materiais aos ocupantes do veículo ou terceiros”.

 

Mais informações no site www.mercedes-benz.com.br.

 

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Toyota e Panasonic buscam soluções para bateria verde

A Toyota e a Panasonic anunciaram, por comunicado distribuído na quarta-feira, 13, em Toyota, Japão, um acordo que visa a estudar a viabilidade de negócio conjunto na área de baterias prismáticas automotivas.

 

A ideia é buscar soluções para questões sociais como aquecimento global, poluição do ar, esgotamento dos recursos naturais e segurança energética. Visa, ainda, a atender à crescente demanda e às expectativas para veículos eletrificados. Para atingir esses objetivos as empresas buscam avanços no desenvolvimento de baterias automotivas, tecnologias fundamentais em veículos eletrificados.

 

No comunicado Toyota e Panasonic afirmam reconhecer a importância de novos avanços no desempenho, preço e segurança da bateria, bem como uma capacidade de fornecimento estável, para incentivar a popularização de veículos eletrificados. Ambas as empresas consideram pormenores da colaboração com o objetivo de “alcançar a melhor bateria prismática automotiva na indústria e, em última análise, contribuir para a popularização dos veículos eletrizados da Toyota e de outras montadoras”.

 

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CAOA faz parceria com SAE Brasil

A CAOA passa a integrar, a partir de dezembro, o quadro de empresas associadas à SAE Brasil, honorável entidade dedicada à engenharia da mobilidade. O objetivo da empresa é se tornar ainda mais atuante no desenvolvimento e no debate de tendências de novas tecnologias de mobilidade no Brasil.

 

A SAE Brasil foi inaugurada em 1991 e é filiada a SAE Internacional, Society of Automotive Engineers International. No País tem como principal objetivo “fomentar o estudo, o aperfeiçoamento e a difusão de informações técnicas para mais de 6 mil engenheiros, estudantes, técnicos e executivos da área de engenharia, relacionados com a indústria e com a tecnologia da mobilidade, seja automotivo, ferroviário, naval e aeroespacia”.

 

Com a parceria a CAOA passa a ser uma das empresas mantenedoras da entidade e também poderá contar com um representante no seu conselho, no qual “são debatidos temas técnicos relacionados à mobilidade, terrestre, naval e aeroespacial, e definidas diretrizes para o desenvolvimento, intercâmbio, implementação e divulgação de informações e de novas tecnologias”.

Goiás anuncia fábrica da JAC em Itumbiara

A JAC Motors e o governo de Goiás assinarão na segunda-feira, 18, na sede do governo, o protocolo de intenções para a instalação de uma fábrica de veículos em Itumbiara. A empresa adquiriu a planta desativada da Suzuki, que teve sua produção interrompida em maio de 2015 antes de se mudar para Catalão, também em Goiás. O investimento previsto na linha de montagem é de R$ 120 milhões.

 

As informações são do secretário de Desenvolvimento do Estado, Francisco Pontes, que estará presente na assinatura do documento ao lado de autoridades locais e representantes da JAC. A negociação que será formalizada no dia 18 teve a duração de quatro meses, segundo Pontes.

 

Procurada pela reportagem, a JAC Motors não confirmou a informação, embora afirme que procura lugar para se instalar. Sua assessoria de imprensa disse que a empresa mantém o compromisso com Camaçari, BA, onde chegou a lançar pedra fundamental em 2012, quando as vendas no mercado brasileiro ainda estavam em alta. À época, a fabricante anunciou investimento de R$ 1 bilhão para produzir 100 mil carros por ano.

 

No entanto, no final de 2011, com o anúncio do governo brasileiro de aumentar em 30 pontos porcentuais o IPI para carros importados, por meio do Inovar-Auto, e com o mercado entrando em declínio nos anos seguintes, os planos da JAC na região encolheram – em 2016, o objetivo era investir na região R$ 200 milhões para produzir 20 mil carros por ano a partir de 2017, o que não aconteceu. O terreno cedido pelo governo baiano foi devolvido.

 

Com o anúncio da nova fábrica, termina uma briga entre Estados pela instalação da JAC. Goiás venceu a disputa que também tinha no páreo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, além da Bahia. O governo goiano não revelou se foram oferecidos benefícios fiscais para que a região fosse escolhida, mas afirmou que pesou na decisão da montadora o fato de Goiás ter se tornado um polo automobilístico nos últimos anos.

 

O Estado terá ao todo quatro fabricantes: JAC, Suzuki, Mitsubishi e a CAOA, que monta alguns modelos da Hyundai e que, a partir de 2018, também fabricará veículos Chery. A negociação da CAOA com a empresa chinesa envolveu investimento de US$ 2 bilhões, como antecipou AutoData em novembro.

 

Entraves – O anúncio da nova fábrica surge em meio a uma discussão envolvendo JAC e o governo federal sobre os benefícios fiscais concedidos à empresa por meio Inovar-Auto entre 2013 e 2014. Por não ter tirado do papel a construção da unidade em Camaçari, o governo cobrou a devolução dos benefícios e o MDIC, Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, chegou a cancelar a habilitação da empresa no programa industrial.

 

Por ter sido uma das primeiras empresas a aderir ao Inovar-Auto, sob o comando da Sérgio Habib Corporation, a SHC, foi contemplada com a possibilidade de isentar até 4,8 mil veículos por ano dos 30 pontos de IPI, um bônus já usado. Caso não instale uma fábrica até 2017, a empresa terá de pagar a conta por cada veículo que vendeu no período.

 

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Ford firma parceria com o Alibaba

A Ford e o Alibaba Group, empresa de comércio eletrônico da China, firmaram uma parceria estratégica para desenvolver novas experiências de varejo e soluções de mobilidade sustentável para os consumidores. Jim Hackett, presidente da Ford mundial, e Daniel Zhang, presidente do Grupo Alibaba, participaram do evento em Hangzhou, na China, onde viram Jason Luo, presidente da Ford China, e Simon Hu, vice-presidente do Alibaba, assinarem a carta de intenções.

 

No acordo de três anos, as empresas atuarão conjuntamente em áreas que estão redefinindo a indústria automotiva na China e em todo o mundo. A Ford trabalhará em parceria com quatro unidades de negócios do Alibaba: Aliás, sistemas operacionais, Alibaba Cloud, computação em nuvem, Alimama, marketing digital, e Tmall, varejo on-line, explorando várias áreas, como serviços de mobilidade, conectividade, computação em nuvem, inteligência artificial e marketing digital.

 

Na primeira fase, a Ford e o Alibaba realizarão um estudo piloto sobre soluções digitais e novas oportunidades de varejo em várias etapas do ciclo de propriedade automotiva, desde pré-venda e test-drive até opções de locação.

 

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Caxias perdeu 25 mil empregos com a crise. Número não será recuperado.

A crise dos últimos três anos gerou uma situação até então sem precedentes na economia de Caxias do Sul, RS, segundo maior polo metalmecânico do País. Foram fechados 25 mil postos de trabalho, a maioria na indústria metalúrgica, onde o segmento automotivo participa com 75% do faturamento e 40% da mão de obra empregada. O estoque geral de empregos na cidade caiu de 183 mil, em 2013, para 158 mil em dezembro passado. Neste ano houve pequena melhora, atingindo 160 mil em outubro. A indústria em geral responde por cerca de 50% dos números.

 

Em painel sobre o futuro da economia de Caxias do Sul, que tem forte dependência da indústria automotiva pesada, realizado no Fórum AutoData de Veículos Comerciais, na terça, 12, o presidente das Empresas Randon, David Randon, alertou que, dificilmente, a cidade voltará a ter os mesmos números de empregos do passado. Até porque, de acordo com ele, volumes de produção como os de 2013 também não se repetirão no curto prazo. Afirmou que a crise forçou a adoção de medidas para tornar as empresas mais competitivas, o que inclui maior uso da automação. “Só assim vamos ganhar produtividade e, consequentemente, competitividade para conquistar mercados no exterior”, argumentou.

 

Francisco Gomes Neto, CEO da Marcopolo, reforçou a visão de Randon defendendo investimentos expressivos em inovação, produtividade e qualidade para garantir seu crescimento. Afirmou que a fabricante de carrocerias de ônibus intensificou ações nestas áreas e conseguiu ganhos em eficiência e redução de custos. “Com isto, aliado a estratégias comerciais fortes, retomamos mercados no exterior que havíamos perdido para concorrentes de outros países e conquistamos novos”, sustentou. O executivo salientou que, em razão da crise, a empresa reduziu o quadro em 4 mil pessoas. Neste ano já recontratou em torno de quatrocentos. Também destacou que, mesmo com a crise, não houve o corte de nenhum benefício social aos funcionários.

 

Leandro Mantovani, presidente da Keko Acessórios, de Flores da Cunha, comentou que a empresa reduziu seu quadro de 470 para 320 funcionários, mas já iniciou as recontratações. Assinalou que a organização sempre aportou recursos em inovação, medida que amenizou os impactos da crise. A Keko já tem em torno de 30% de sua receita associada a novos produtos. “Sofremos como todas as empresas, mas pela adoção de ações inovadoras anteriores e forte atuação no mercado de SUV’s, que não apresentou queda como nos veículos pesados, foi possível controlar a situação”.

 

Confiança em ano melhor – O presidente das Empresas Randon, David Randon, projeta crescimento de 15% a 20% no próximo ano, em linha com a visão das montadoras de caminhões. Referiu, no entanto, ser imprescindível a aprovação de reformas, como a da Previdência, para que o País tenha um desenvolvimento sustentável. “Espera-se que a classe política comece a pensar no País e deixe de lado somente os seus interesses”, cobrou.

 

Ponderou, no entanto, que o setor empresarial precisa fazer sua parte, em especial os fornecedores da cadeia automotiva. Segundo ele, é preciso explorar novos mercados. “Independente de tamanho, devem investir nas exportações. Os chineses são um bom exemplo: começaram copiando os japoneses, mas investiram no aprimoramento e hoje têm presença mundial, com produtos de qualidade e competitivos”, exemplificou.

 

Francisco Gomes Neto confirmou que a Marcopolo tem uma boa carteira de pedidos para o primeiro trimestre do ano, o que não ocorria nos últimos anos. Acredita que todo o semestre se comporte de forma positiva. Já o segundo, em razão das eleições, ainda é uma incógnita. Ainda assim estima alta de 10% a 15% em 2018. Mantovani, da Keko Acessórios, não crê mais em avanços de 20%, como a empresa teve em anos anteriores. Projeta alta sustentável, na ordem de 3% a 4%.

 

Luciano Beltrame, diretor da planta de Eaton de Caxias do Sul, lembrou que a empresa está na cidade há 12 anos após ter adquirido a operação da Pigozzi Cipolla, especializada no atendimento do setor agrícola. Ressaltou que a unidade está recebendo atenção especial da companhia para, inclusive, ampliar seus nichos de mercado. “Além da concorrência com o mercado, também disputamos projetos com as demais unidades do grupo”, ressaltou. Em área de 40 mil m² construídos, a planta produz transmissões e componentes agrícolas para tratores, colheitadeiras e pulverizadores.

 

Foto: Ícaro de Campos.

Sindipeças revisa projeção e crescimento deve ser de 22%

A melhora no desempenho da economia fez o Sindipeças revisar para cima a projeção de crescimento da receita do setor este ano, que projeta, agora, faturamento de R$ 76,9 bilhões, alta de 22% na comparação com o ano passado. O Sindipeças iniciou 2017 com perspectiva de faturamento de R$ 69 bilhões, alta de 6% com relação a 2016. Os dados foram apresentados na quarta-feira, 13, pelo presidente Dan Ioschpe:

 

“Iniciamos o ano com visão mais conservadora e fomos revendo ao longo dos meses. Em meados do ano projetávamos crescimento de 10%, depois falamos em 19% até chegar à projeção atual, de 22%”.

 

Para o ano que vem ele afirmou que a projeção é um pouco melhor do que a do início deste ano, com expectativa de alta de 7,4% na comparação com 2017: “Devemos superar a marca de R$ 82,6 bilhões em faturamento”.

 

Os dados apresentados mostram, ainda, aumento nos investimentos feitos pelas empresas. A perspectiva é a de fechar o ano com R$ 1 bilhão 870 milhões de investimentos, alta de 19,1% na comparação com o ano passado. Para 2018 a projeção é de alta de 34,4%  atingindo R$ 2 bilhões 520 milhões.

 

Com relação aos postos de trabalho Dan Ioschpe observou que a recuperação foi inferior ao nível da atividade. Isso seria reflexo “da maior automação, produtividade e tecnologia nas empresas”. O número consolidado de trabalhadores é 164,6 mil, alta de 1,5% este ano na comparação com 2016. A projeção é que em 2018 o número de postos de trabalho chegará a 172,8 mil, expansão de 5% na comparação com este ano.

 

A balança comercial segue com saldo negativo de R$ 5,4 bilhões, mas um dado positivo foi o avanço nas exportações este ano: “Qualitativamente estamos indo na direção correta”.

 

Este ano as exportações cresceram 12,8% na comparação com o ano passado. Para o ano que vem a projeção é de aumento de 6,5% diante dos resultados de 2017. Já as importações deste ano avançaram 8,4% com relação ao ano passado e a expectativa é de alta de 20,9% em 2018 contra 2017.

 

“Estamos avançando também em outros mercados, com exportações para países árabes, europeus, além dos destinos tradicionais, como o Mercosul e Estados Unidos. Essa diversificação é muito importante.”

 

O principal destino das exportações de autopeças brasileiras é a Argentina, com 30% do total, seguido por Estados Unidos, México, Holanda, Alemanha, Chile e Colômbia.

 

A utilização da capacidade instalada ainda está bem abaixo do período pré-crise: “Há uma melhora mas há uma capacidade ociosa relevante, com 32%”.

 

Em outubro de 2013 melhor momento para o setor, a capacidade ociosa das empresas era de 24,5%.

 

Foto: Divulgação.