Venda cresce 3,4% e caminha para recuperação

De janeiro a julho deste ano foram emplacados 1 milhão 204 mil 260 veículos no País, a uma média diária de 9 mil veículos, apontaram dados da Anfavea divulgados na sexta-feira, 4. A quantidade de licenciamentos foi 3,4% maior do que a verificada no mesmo período em 2016. Para a entidade, o desempenho traduz a confirmação da retomada das vendas de automóveis e diminuição das perdas no segmento de caminhões.

Os emplacamentos de veículos leves, categoria que engloba automóveis e comerciais leves, totalizaram 1 milhão 172 mil 131 unidades no acumulado dos meses deste ano, 4% mais do que o volume registrado no mesmo período do ano passado. De acordo com Antônio Megale, presidente da Anfavea, os licenciamentos de janeiro a julho ocorreram de maneira uniforme pelo país, ou seja, o volume médio de licenciamentos foi considerado pela entidade similar em várias regiões: “Verificamos que as compras não se concentraram nos grandes centros, mas se espalharam em proporção similar em outras regiões, e isso é positivo para o setor”.

Dados da Anfavea mostraram que, em janeiro, houve crescimento dos emplacamentos em dois dos 27 estados do País, Minas Gerais e Rondônia. Em julho, 16 estados mostraram crescimento positivo, enquanto que 11 ainda se encontram em uma zona, dita pela entidade, de retração.

Importados – A participação dos veículos importados no volume de emplacamentos feitos no País nos sete meses do ano atingiu 11%, menor parcela dos últimos três anos. Para Megale, a diminuição da parcela destes veículos é resultado do Inovar-Auto e consequente construção de fábricas no Brasil. Fora esse dois fatores, ele creditou também a fatia menor à elevação de patamar do carro nacional em termos de qualidade na comparação com o importado.

Megale disse que a tendência para os próximos anos é de que a quantidade de importados nos emplacamentos seja de 15% ou 20%, o que ele considera o ideal para o setor automotivo brasileiro: “Nos próximos anos haverá o período de maturação dos investimentos feitos na Argentina, e então o Brasil passará a importar mais veículos daquele país. É um nível de importação considerado saudável”.

Produção de máquinas agrícolas cresce 35,2% no ano

A safra recorde continua dando frutos para o setor de máquinas agrícolas. A produção de equipamentos cresceu 35,2% no acumulado deste ano, quando foram fabricadas 34 mil 420 unidades frente às 25 mil 459 unidades do mesmo período do ano passado. Os números também são favoráveis na comparação da produção de julho de 2016 e julho de 2017, com alta de 13%, subindo de 4 mil 978 unidades para 5 mil 625 unidades.

Para Antônio Megale, presidente da Anfavea, os bons ventos devem continuar no segundo semestre, mesmo com o período de entressafra: “O crescimento irá permanecer nos próximos meses, pois as expectativas são positivas do ponto de vista climático”.

As exportações têm forte parcela de responsabilidade no aumento da produção. As vendas para o mercado externo aumentaram 40,9% nos sete meses de 2017 com relação ao mesmo intervalo de 2016, quando passaram de 5 mil 221 unidades para 7 mil 357 unidades. Ao comparar os meses de julho de 2016 e 2017, as exportações subiram 75,9%, passando de 755 equipamentos para 1 mil 328.

A maioria das exportações de máquinas agrícolas e rodoviárias, 28%, segue rumo aos Estados Unidos, seguido pela Argentina com 20%, Chile com 5%, Peru com 4% e México com 3%. A Argentina, que também vive um momento favorável no agronegócio, tem aumentando a compra de equipamentos brasileiros:

“Na Argentina, a safra também será recorde, acima de 140 milhões de toneladas. O país está incentivando a produção agrícola comprando nossas máquinas que apresentam alto nível de tecnologia”.

Vendas internas – As vendas no mercado interno subiram 17,1% no acumulado do ano. De janeiro a julho de 2017, foram vendidas 25 mil 244 unidades ante 21 mil 554 unidades comercializadas no mesmo período do ano anterior. Já na comparação de julho de 2016 e julho de 2017, as vendas diminuíram 2,6%, caindo de 4 mil 42 unidades para 3 mil 935 unidades.

No acumulado deste ano, o maior destaque das vendas foram os tratores de rodas, cujas vendas cresceram 21% nos sete meses do ano quando foram comercializadas 21 mil 547 unidades frente às 17 mil 814 unidades em igual período do ano passado.

Cavalgada e documentário marcam os 88 anos de Raul Randon

Um dos empresários com mais tempo de trabalho ainda na ativa em Caxias do Sul, RS, o fundador e atual presidente do Conselho de Administração das Empresas Randon, Raul Randon, completou 88 anos de vida no domingo, 6. A data teve dois momentos públicos de comemoração.

No sábado, 5, o empresário participa da 10ª edição da cavalgada que leva o seu nome. Com fortes laços ligados à tradição gaúcha, Raul Randon percorreu dezoito quilômetros sobre uma carreta puxada por cavalos, acompanhado pelos integrantes do Centro de Traições Gaúchas Os Carreteiros. A cavalgada saiu no Galpão da Brigada Militar, na Universidade de Caxias do Sul, e terminou na sede campestre da Associação Empresas Randon, onde ocorreu a benção dos cavaleiros e foi servido típico almoço gaúcho.

Documentário – Viver e Acreditar. Este é o nome do documentário sobre a trajetória de Raul Randon a ser lançado para convidados nos dias 7 e 9 de agosto, no cinema do Shopping Iguatemi, em Caxias do Sul. Com 1h de duração, o documentário traz o depoimento do próprio Raul Randon, da esposa Nilva D’Agostini Randon, dos cinco filhos, do primeiro funcionário e do primeiro cliente, e de outras pessoas que acompanharam sua trajetória.

A iniciativa retrata o início da infância em Tangará, SC, até os tempos atuais. Em seu depoimento, Randon se diz realizado ao ver as empresas saudáveis, enfrentando as crises, se renovando e com o olhar sempre à frente em busca de oportunidades.

O documentário segue o roteiro baseado na bibliografia Os Olhos de Quem Vê, de 2009, de autoria de Charles Tonet, Diogo Osório Coelho e Tânia Maria Zardo Tonet. Ele passa a integrar o Memorial Randon, que conta com rico acervo mostrando a trajetória das empresas Randon e seu desenvolvimento em paralelo com a industrialização brasileira.

Venda de implementos ainda em queda: 17,95%.

O volume de implementos rodoviários emplacado de janeiro a julho foi 17,95% abaixo do total vendido ao mercado na comparação com o mesmo período do ano passado. A indústria entregou 30 mil 712 unidades ante 37 mil 430 unidades, segundo dados divulgados pela Anfir.

O setor aposta que o segundo semestre será capaz de reverter a queda nas vendas do ano, de acordo com Mário Rinaldi, diretor executivo da Anfir. “Os números ainda estão negativos, mas percebemos uma leve retomada a cada mês. Se mantivermos esse volume de vendas fecharemos o ano com crescimento em torno de 5% com relação ao ano passado”.

Este ano a expectativa de alta para o PIB, após dois anos de queda consecutiva, também deve ser positiva para o setor de transporte: “O aumento de 1% no PIB reflete em cerca de 5% de crescimento para o nosso setor. Nosso ritmo de negócios também poderia crescer se tivéssemos mais investimentos em infraestrutura”.

A leve melhora, segundo ele, foi impulsionada pela comercialização de implementos rodoviários com aplicações no agronegócio, ancorada na safra recorde de grãos, como graneleiros, basculantes, canavieiros e baús frigoríficos.

Mercado – O mercado de reboques e semirreboques apresentou queda de 12,19% nos primeiros sete meses do ano. No período 12 mil 912 unidades foram emplacadas frente a 14 mil 704 no mesmo período do ano passado. Cinco segmentos apresentaram variação positiva: baús para carga geral, transporte de toras, baús frigoríficos, baús lonados e tanque de alumínio.

Já no mercado de carrocerias sobre chassis a retração foi de 21,68% de janeiro a julho, com o emplacamento de 17,8 mil unidades contra 22 mil 726 na comparação com o mesmo período de 2016. Como este mercado está ligado à distribuição de mercadorias nos centros urbanos a recuperação deve demorar, pois depende do aumento de consumo nas cidades, disse Rinaldi.

BorgWarner investe US$ 200 milhões em tecnologia elétrica

A BorgWarner anunciou acordo para a aquisição da Sevcon, fabricante de componentes para carros elétricos, por US$ 200 milhões. Segundo balanço da companhia, referente ao desempenho de junho, o negócio está sujeito à aprovação das autoridades fiscais do Reino Unido, onde fica a sede da Sevcon. A conclusão do negócio deverá ser realizada até dezembro.

A Sevcom chamou a atenção por seus trabalhos no campo da eletrificação, área na qual atua desde 1988, quando firmou os primeiros acordos de desenvolvimento em parceria com algumas fabricantes de veículos. Para James Verrier, presidente da BorgWarner, a empresa possui tecnologias complementares a projetos da Sevcon: “Esta aquisição suporta nossa estratégia para fornecer tecnologia líder para todos os tipos de sistemas de propulsão, combustão, híbrido e eletricidade”.

A Sevcon surgiu em 1961, em Gateshead, Inglaterra. De lá para cá abriu unidades na Alemanha, China, Estados Unidos, França e Itália. No setor automotivo, participou do desenvolvimento do elétrico Renault Twizy, em 2012. Atualmente é fornecedora da SGMW, joint-venture chinesa criada por General Motors e Shangai Automotive que vende veículos Wuling.

A empresa, que possui capital aberto na Nasdaq, a bolsa de valores composta em sua maioria por companhias de tecnologia, registrou no segundo trimestre receita de US$ 15,7 milhões, volume maior do que o registrado no ano passado, US$ 13,2 milhões. As vendas da companhia cresceram 19% no período na comparação com o segundo trimestre do ano passado.

Na área de veículos elétricos a BorgWarner vem ampliando sua oferta de componentes. Seu portfólio tem transmissões, motores e sistemas de arrefecimentos específicos para veículos movidos a eletricidade. A aquisição da Sevcon demonstra que a empresa segue a tendência de fusões e aquisições com empresas de tecnologia, comum no setor automotivo nos últimos anos.

Na América do Sul a BorgWarner faturou US$ 90 milhões em 2016, ou 1% do volume total de vendas alcançado no mundo todo, US$ 9 bilhões 7 milhões. A empresa acredita que com suas ações no mercado de reposição no Brasil poderá dobrar o faturamento na região até 2020.

Segundo seu balanço financeiro o faturamento no semestre foi de US$ 4 bilhões 797 milhões, 4,3% maior do que o obtido no mesmo período do ano passado. O lucro foi de US$ 401 milhões, aumento de 21,1% no comparativo com o resultado de janeiro a junho de 2016.

A BorgWarner informou, por meio de comunicado, que o bom desempenho no mundo ocorreu pela melhora das vendas para o mercado de reposição: o aftermarket cresceu 7,8% no período.

Presidente da Audi entra na mira

A promotoria pública de Munique, Alemanha, anunciou na segunda-feira, 7, que abrirá procedimento para investigar e, se for o caso, impor sanções econômicas à Audi devido à suspeita de manipulação de emissões de gases de seus veículos movidos a diesel. Caso venha a ser considerada responsável a multa, para a empresa, poderá ser de até € 10 milhões. A promotoria já abrira ações contras funcionários da companhia e, agora, investiga o presidente Rupert Stadler.

Os investigadores já haviam aberto, em março, procedimento penal pela suspeita de engano e publicidade enganosa contra a Audi nos Estados Unidos, caso que se ampliou recentemente para a Europa. A suspeita atual cai sobre a figura de Stadler, que teria escondido das autoridades estadunidenses informações sobre a fraude das emissões de gases poluentes.

Um diretor da companhia está em prisão preventiva, desde julho, acusado de ter ordenado que funcionários seus desenvolvessem software, e o instalassem, para manipular os testes de emissão de gases nos Estados Unidos. Em julho do ano passado a empresa reconheceu que alguns dos modelos diesel eram equipados com dispositivos ilegais.

Em junho promotores alemães ampliaram a investigação sobre uma possível fraude de emissão de poluentes em modelos Audi, que faz parte do Grupo Volkswagen, pivô do escândalo mundial conhecido como dieselgate. Uma comissão do governo alemão teria detectado software ilícito que frauda o controle de emissões nos modelos A7 e A8.

Após o início das investigações, também em junho, a Audi convocou cerca de 24 mil unidades destes modelos para recall, alegando que um software da transmissão estaria provocando poluição acima do permitido pela União Europeia. O ministro de Transportes da Alemanha afirmou que os modelos, equipados com motores de 6 e 8 cilindros movidos a diesel, emitem até o dobro de óxidos de nitrogênio que o permitido quando o volante é girado mais de 15 graus.

Receita da Marcopolo cresce 23% no semestre

O faturamento da Marcopolo, fabricante de carrocerias para ônibus de Caxias do Sul, RS, aumentou 23,6% no primeiro semestre deste ano com relação ao mesmo período em 2016, para R$ 1 bilhão 295 milhões. Para a companhia o desempenho é reflexo da melhora no mercado de ônibus rodoviários de janeiro a junho.

No semestre o lucro bruto e o ebtida, lucro antes dos impostos, cresceram, respectivamente, 8% e 0,8%, e alcançaram R$ 171,4 milhões e R$ 48 milhões. No período o lucro líquido recuou 43,8%, para R$ 29,2 milhões. No primeiro semestre de 2017 a Marcopolo produziu 541 unidades de ônibus rodoviários para o mercado interno, 29,1% a mais do que no mesmo período de 2016.

Para José Antônio Valiati, diretor financeiro da Marcopolo, o cenário denota a retomada dos negócios da empresa: “Ainda estamos distantes dos volumes históricos realizados no mercado brasileiro, porém o desempenho do segundo trimestre ensaia o que pode ser uma retomada gradual, especialmente no segmento de ônibus rodoviários”.

Para o presidente Francisco Gomes Neto o desempenho também é reflexo de melhorias aplicadas à competitividade: “Fizemos a nossa lição de casa e agora estamos ainda melhor preparados para atender com mais efetividade a demanda brasileira, na medida de sua recuperação”.

No mercado brasileiro a produção da Marcopolo, incluindo exportações, foi de 3 mil 933 unidades. O valor está bem abaixo do recorde conquistado no primeiro semestre de 2013, 9 mil 121 unidades. As exportações no primeiro semestre aumentaram 38,2% com relação ao mesmo período do ano passado – de 1 mil 84 para 1 mil 498 unidades. A produção no segmento de rodoviários apresentou crescimento de quase 40% com relação ao primeiro semestre de 2016, 1 mil 445 unidades contra 1 mil 49. Em contrapartida no segmento de urbanos houve queda de 24,7% no mesmo período: 1 mil 113 unidades contra 838. O segmento de micro-ônibus também apresentou crescimento forte de volumes, com aumento de 341,1% – de 175 para 772 unidades. A unidade de negócios Volare, empresa do Grupo Marcopolo, registrou crescimento de 54,7% no semestre – de 574 para 888 veículos fabricados.

Nas unidades externas os destaques positivos ficaram por conta das operações da Polomex, no México, que produziu 742 ônibus nos primeiros seis meses de 2017 contra 378 unidades no mesmo período de 2016, aumento de 96,3%. A empresa acredita que o crescimento deve-se às mudanças no modelo de negócio da unidade e a uma linha mais nobre de produtos, sobretudo no segmento de rodoviários. A operação da Marcopolo na África do Sul aumentou em 53,5% os volumes fabricados com relação ao mesmo período de 2016. Já a unidade Superpolo, na Colômbia, cresceu 33,7%.

Na falta do que mais fazer… mau agouro sobre rodas!

Instituições especializadas na gestão de marcas sugeriram que a FCA mude critérios na escolha de nomes para seus veículos nos Estados Unidos. Reclamam que a fabricante batiza os carros com nomes agressivos para os seguidores da fé cristã, informou o portal Flash de Motor, da Venezuela.

A polêmica ganhou força com o lançamento do novo veículo da linha de alto rendimento Dodge Challenger, o SRT Demon, ou Demônio, na tradução livre. Chamou a atenção, também, a logomarca do veículo: as instituições acreditam que o nome e o símbolo são inadequados para um momento em que se busca a redução da mortalidade no trânsito dos Estados Unidos.

A Chrysler sempre utilizou denominações consideradas polêmicas por alas religiosas. Usou um pentágono, símbolo do satanismo para algumas religiões, como sua marca até integrar o grupo FCA. A sua divisão de picapes, a RAM, tem como símbolo um carneiro, figura também associada a culto satanista.

As pressões exercidas pelos críticos parecem ter surtido efeito. Há duas semanas uma das empresas do grupo registrou no departamento de patentes dos Estados Unidos o nome Angel, ou Anjo. A solicitação da companhia junto ao órgão federal indica que o nome será utilizado para “identificar veículos de turismo”.

Festa política: Congresso Fenabrave apóia reformas.

A aprovação das reformas trabalhista, previdenciária, tributária e política foi o assunto principal na mesa de abertura do 27º Congresso & Expo Fenabrave, na terça-feira, 8, em São Paulo, no Transamérica Expo. Seu tema é Confiança. É Preciso Acreditar para Vencer.

O presidente da República ressaltou as reformas realizadas nos seus catorze meses de governo:

“Conseguimos aprovar a reforma trabalhista com diálogo construtivo dos empresários com os sindicatos. É imperioso fazer a reforma da Previdência, cujo déficit, este ano, é de R$ 134 bilhões. No ano que vem será de R$ 205 bilhões. Caso contrário virá ano em que só teremos dinheiro para pagar funcionários públicos e pensões previdenciárias”.

Ele também destacou a importância da realização das reformas tributárias e política:

“Estamos reformulando o Brasil. Em nosso início de governo propusemos o teto para os gastos públicos, algo que nunca foi feito. Este é um governo reformista que busca colocar o País nos trilhos. É fundamental ter confiança no País. No tocante ao setor automotivo é preciso continuar o trabalho que estamos fazendo, não só por palavras mas com ações otimistas”.

Para Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, a escolha do tema do congresso coincide com a recuperação de confiança no setor, após a crise provocar o fechamento de mais de 1,8 mil concessionárias de veículos nos últimos anos:

“Nosso setor declara apoio total às reformas necessárias ao País. A Fenabrave já apresentou projetos que podem desenvolver ainda mais o setor, como a Lei de Retomada de Veículos Inadimplentes, o Renave e o Programa de Sustentabilidade Veicular”.

Também presente à mesa de abertura o governador do Estado de São Paulo destacou a recuperação dos indicadores do setor automotivo: “Contem conosco para ajudar na aprovação das reformas para a retomada do crescimento econômico e dos postos de emprego. Nosso Estado já tem o programa Pró-Veículo, cujo objetivo é a utilização de créditos do ICMS para desenvolver a indústria automotiva. E nós deveremos ser o primeiro Estado a assinar o Renave”.

Também presente o presidente da Câmara dos Deputados reforçou o coro pelas reformas: “O setor produtivo sofre de forma absurda a tributação no Brasil, que talvez seja a maior do mundo. Nosso desafio é reduzir o tamanho do Estado para aumentar a produção e gerar emprego para a população. O setor automotivo poderá gerar ainda mais empregos. O coração de todas as reformas é a Previdência: não para tirar os direitos do trabalhador mas, porque, precisamos acabar com os privilégios, tanto no setor público como no privado”.

Além das reformas o programa Rota 2030 trará benefícios ao setor com a renovação da frota, de acordo com Antônio Megale, presidente da Anfavea: “Trabalhamos em contato com vários ministérios para transformar o Brasil num dos cinco maiores mercados automotivos do mundo. O programa trará competitividade, colocando nossos produtos em níveis mundiais para exportação”.

O congresso termina na quarta-feira, 9.

Volvo investe em novo motor

Por enquanto o novo motor, nacionalizado, equipa apenas o chassi B8R, de ônibus urbanos de 15 t, produzido pela Volvo Bus Latin America. Mas provocou a contratação de mais engenheiros e de novos fornecedores e investimento em produto de promete ganhos maiores de eficiência. O equipamento novo foi desenvolvido na Suécia e nacionalizado aqui. O presidente Fabiano Todeschini disse, na terça-feira, 8, que a ideia é dispor de uma família de motores para todos os veículos fabricados no Brasil:

“A nacionalização do motor faz parte do investimento de R$ 1 bilhão para a operação na região. Demoramos cerca de um ano nesse processo, e uma das vantagens é que aumentamos os índices de peças nacionais no motor e atingimos um pouco mais de 60% de nacionalização, índice exigido pelo BNDES para o Finame. Esse motor é muito mais eficiente com relação ao consumo e à manutenção do que o seu antecessor”.

Todeschini observou que fornecedores tornaram-se parceiros da Volvo a partir do novo motor: “Será, também, exportado e, em cidades com altitudes elevadas, o motor será mais potente. Conseguimos reduzir em 3% o consumo de combustível e em 4% o custo de manutenção. Há mais peças disponíveis, o que facilita o pós-venda. Esse modelo faz parte de nossa estratégia de produção de veículos a partir de uma plataforma global”.

O novo motor tem versões de 250 cv e de 330 cv.

Mauro Martins, líder de projetos de manufatura, resgatou a realidade de que o desenvolvimento do motor a partir de parceria global trouxe diversos benefícios:

“Nós nos valemos de sinergias e de boas práticas, locais e globais, que replicamos na nossa planta para aumentar ainda mais os nossos níveis de qualidade”.

Hoje são produzidos em Curitiba os motores de 8, 11 e 13 litros, caixas de câmbio I-Shift e motores industriais de 13 litros.

Chassi global – Todeschini contou que o do chassi foi projeto liderado pela engenharia brasileira e desenvolvido em conjunto com a França e a Índia: “É um chassi que se adapta bem nas cidades brasileiras. A intenção é oferece-lo em cidades que prezam por um veículo com motor traseiro, como São Paulo, Campinas, Curitiba, Brasília e Porto Alegre”.

O B8R é um chassi com vocação de aplicação urbana, pelo menos por enquanto, segundo Todeschini. Ele disse que esse modelo substituirá o B7R no Brasil e na América Latina: “Mesmo com ganhos de eficiência conseguimos manter o preço dos veículos. Não reajustamos os valores com as novas tecnologias. Esperamos, com isso, fazer grandes negócios”.

Com o novo motor de 250 cv de potência, 950 Nm de torque, novas gerações de caixa de cambio Voith e ZF disponíveis e novas relações de diferencial, o veículo garante desempenho superior ao do seu antecessor no transporte de passageiros. Equipado de série com sistema de freios a disco EBS 5, suspensão eletrônica e volante com ajuste de altura e profundidade, oferece segurança e conforto ao motorista e aos passageiros. O modelo possui configuração de eixo 4×2 e está disponível nas versões com pisos alto e baixo.

Mercado – Todeschini observou que o mercado de ônibus, principalmente os pesados, acima de 15 toneladas, não se recuperará nos próximos dois anos. Segundo ele no segmento de urbanos a situação ainda é pior:

“Há perspectivas de novas licitações nos próximos meses, como em São Paulo. Mas esses veículos só devem começar a rodar no ano que vem. Este ano devemos manter o ritmo de queda apresentado até julho, 40% de retração em pesados e 15% no mercado total”.

Um dos entraves, segundo ele, é a falta de caixa das prefeituras no Brasil: “Os prefeitos até querem renovar a frota dos ônibus municipais, mas eles não têm capacidade financeira para comprar o veículo mais equipado. Então optam por ônibus mais simples. Conforto e segurança do passageiro estão sendo deixados de lado por falta de dinheiro…, e essa situação deve perdurar por mais um tempo. Nos próximos anos veremos recuperação, mas ainda tímida”.

O segmento de ônibus rodoviários segue a mesma tendência – falta de capacidade de financiamento das empresas de transporte rodoviário: “Muitas estão com capacidade de crédito tomada e precisam fazer caixa antes de qualquer coisa. O que acontece é que as renovações são postergadas até diminuir o nível de endividamento. O setor de transporte, como um todo, precisa de previsibilidade e estabilidade jurídica para voltar a crescer”.