Caminhoneiros protestam por aumento no diesel

Caminhoneiros fizeram protestos em estradas do País na terça-feira, 1º, contra o aumento dos impostos sobre os combustíveis, o que encarecerá o valor do frete. O diesel ficou até R$ 0,46 mais caro por litro. Foram registrados atos em rodovias de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo, alguns deles com bloqueio de pistas.

Como a margem de lucro do transporte é pequena, representando em média 5% do valor do frete, o reajuste de combustível compromete os rendimentos tanto dos caminhoneiros como das transportadoras, de acordo com Lauro Valdívia, assessor técnico da NTC&Logística, entidade que representa os empresários do transporte de cargas. O valor do frete caiu 2,89% no primeiro semestre, segundo pesquisa com cerca de dois mil associados da entidade.

Segundo ele o volume dos fretes está em queda desde 2014 e apenas em 2016 as receitas das transportadoras caíram em torno de 20%:

“As transportadoras não têm capital para investir em novos veículos. Prova disso é que as vendas de caminhões despencaram e representam apenas um terço daquelas de 2013. Se tivermos uma retomada na economia há o grande perigo de faltar caminhões, pois muitas transportadoras fecharam ou diminuíram de tamanho”.

Prova disso é que a NTC reunia 160 mil transportadoras cadastradas, que hoje são 117 mil 360.

Repasse – O aumento do diesel costuma provocar um efeito dominó no encarecimento do frete: caminhoneiros repassam o custo para as transportadoras que, por sua, vez, o transferem para seus clientes. No entanto, com a diminuição do volume de negócios, as transportadoras se encontram em uma sinuca de bico: repassar ou não esse custo adicional aos seus clientes.

“As transportadoras não têm como assumir mais esse aumento sem repassar para seus clientes. Outras, no entanto, podem escolher arcar com esse custo para manter a clientela e diminuir outras despesas. Mas após três anos de crise as empresas não têm onde cortar mais despesas”.

 

Crédito da Foto: Valter Campanato/Agência Brasil 

Protestos paralisam turno da GM

A General Motors suspendeu na terça-feira, 8, seu primeiro turno de produção na fábrica de Gravataí, RS, por causa de protestos realizados por caminhoneiros, no Estado, contra o aumento dos combustíveis promovido pelo governo federal. De acordo com Valcir Ascari, presidente do sindicato dos metalúrgicos local, a paralisação comprometeu o fornecimento de componentes à fábrica. A companhia, por comunicado, justificou a suspensão citando preocupações com a segurança dos transportes.

“Devido ao clima de insegurança causado pelas manifestações e paralisações promovidas pelos caminhoneiros a GM se viu obrigada a cancelar sua produção no complexo de Gravataí”, afirmou a nota divulgada. O sindicato informou que, por ora, não há informações sobre novas paralisações ao longo desta semana.

Desde a semana passada caminhoneiros protestam nas rodovias federais gaúchas. Na segunda-feira, 7, foram registrados protestos em ao menos cinco rodovias. Na região Sul do Estado, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal, ao menos dez veículos foram apedrejados durante os protestos em diferentes pontos das BR-116 e BR-392.

Em Gravataí é produzido o carro mais vendido do País, o Chevrolet Onix, e o sedã Prisma. De janeiro a julho foram emplacadas 98 mil 469 unidades Onix, de acordo com dados da Fenabrave, e o Prisma foi o sexto mais vendido, com 37,5 mil licenciamentos.

Na quinta-feira, 3, a GM anunciou investimento de R$ 1,4 bilhão para a expansão da fábrica em Gravataí, que produzirá uma nova família de veículos. Com a ampliação a unidade se tornará a mais importante da empresa na América Latina, que possui fábricas, em São Paulo, em São Caetano do Sul e São José dos Campos.

Afora a expansão a empresa passará a ter um número maior de fornecedores de componentes na região. Segundo o governo do Estado seis multinacionais que estariam envolvidas no desenvolvimento desses veículos têm em mãos projetos avançados para se instalar na cidade. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia durante o ano e meio em que a GM articulou novo investimento na região, em parceria com o governo, os novos fornecedores buscavam terrenos próximos ao seu complexo industrial. Há dúvidas sobre a instalação dentro do condomínio industrial ou nos seus arredores.

O condomínio industrial de Gravataí foi inaugurado em 2000 e começou com dezesseis fornecedores instalados ao redor das linhas da GM. Atualmente, ali, estão 21 empresas fornecedoras de componentes.

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Neo Rodas eleva sua capacidade

A Neo Rodas aumentará sua produção em 1 mil rodas de alumínio por dia com sua nova célula de usinagem, que começará a operar este mês. Hoje, são fabricadas 3 mil unidades diárias. A máquina, uma IMT, é única no Brasil e totalmente automática, o que conferirá maior qualidade ao produto e mais competitividade à empresa.

Comprada por R$ 5 milhões tornou-se a maior aquisição da Neo Rodas este ano, em que a empresa pretende investir R$ 15 milhões em máquinas de laboratório, fornos de fusão, máquinas de fundição e também na infraestrutura da fábrica. Para o ano que vem a meta de investimento chega a R$ 18 milhões.

A capacidade de produção da Neo Rodas totaliza 1,2 milhão de rodas por ano. No primeiro semestre a produção chegou a 330 mil rodas, o que representou aumento de 33% com relação ao mesmo período do ano passado. Para o segundo semestre a estimativa é a de aumentar a produção em, no mínimo, 40%. Boa parte desse crescimento será impulsionada pelos lançamentos de veículos como Fiat Argo, Mitsubishi ASX, Lifan X60 e os novos modelos Volkswagen Polo e Virtus.

O foco da empresa – que hoje ocupa a terceira posição do ranking, depois de Maxion Wheels e de Mangels – é atingir a vice-liderança no fornecimento de rodas de alumínio no Brasil em 2019, de acordo com o CEO Alexandre Abage:

“Queremos impulsionar o crescimento com novos negócios. Estamos em negociação com montadoras instaladas aqui e temos trabalhado fortemente para aumentar nossas exportações para América do Sul e Europa. Nossos investimentos são feitos com capital próprio, o que dá garantia muito grande aos nossos clientes”.

A ideia da Neo Rodas é manter-se como fornecedora OEM, e não pretende produzir para o mercado de reposição. No Brasil a empresa produz para BYD, FCA, Hyundai CAOA, Mitsubishi e Volkswagen. Já suas exportações são realizadas por meio da General Motors para Chile e Argentina, para a Volkswagen na Argentina e para a Lifan no Uruguai.

 

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BorgWarner investe US$ 200 milhões em tecnologia elétrica

A BorgWarner anunciou acordo para a aquisição da Sevcon, fabricante de componentes para carros elétricos, por US$ 200 milhões. Segundo balanço da companhia, referente ao desempenho de junho, o negócio está sujeito à aprovação das autoridades fiscais do Reino Unido, onde fica a sede da Sevcon. A conclusão do negócio deverá ser realizada até dezembro.

 

A Sevcom chamou a atenção por seus trabalhos no campo da eletrificação, área na qual atua desde 1988, quando firmou os primeiros acordos de desenvolvimento em parceria com algumas fabricantes de veículos. Para James Verrier, presidente da BorgWarner, a empresa possui tecnologias complementares a projetos da Sevcon: “Esta aquisição suporta nossa estratégia para fornecer tecnologia líder para todos os tipos de sistemas de propulsão, combustão, híbrido e eletricidade”.

 

A Sevcon surgiu em 1961, em Gateshead, Inglaterra. De lá para cá abriu unidades na Alemanha, China, Estados Unidos, França e Itália. No setor automotivo, participou do desenvolvimento do elétrico Renault Twizy, em 2012. Atualmente é fornecedora da SGMW, joint-venture chinesa criada por General Motors e Shangai Automotive que vende veículos Wuling.

 

A empresa, que possui capital aberto na Nasdaq, a bolsa de valores composta em sua maioria por companhias de tecnologia, registrou no segundo trimestre receita de US$ 15,7 milhões, volume maior do que o registrado no ano passado, US$ 13,2 milhões. As vendas da companhia cresceram 19% no período na comparação com o segundo trimestre do ano passado.

 

Na área de veículos elétricos a BorgWarner vem ampliando sua oferta de componentes. Seu portfólio tem transmissões, motores e sistemas de arrefecimentos específicos para veículos movidos a eletricidade. A aquisição da Sevcon demonstra que a empresa segue a tendência de fusões e aquisições com empresas de tecnologia, comum no setor automotivo nos últimos anos.

 

Na América do Sul a BorgWarner faturou US$ 90 milhões em 2016, ou 1% do volume total de vendas alcançado no mundo todo, US$ 9 bilhões 7 milhões. A empresa acredita que com suas ações no mercado de reposição no Brasil poderá dobrar o faturamento na região até 2020.

 

Segundo seu balanço financeiro o faturamento no semestre foi de US$ 4 bilhões 797 milhões, 4,3% maior do que o obtido no mesmo período do ano passado. O lucro foi de US$ 401 milhões, aumento de 21,1% no comparativo com o resultado de janeiro a junho de 2016.

 

A BorgWarner informou, por meio de comunicado, que o bom desempenho no mundo ocorreu pela melhora das vendas para o mercado de reposição: o aftermarket cresceu 7,8% no período.

 

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Venda cresce 3,4% e caminha para recuperação

De janeiro a julho deste ano foram emplacados 1 milhão 204 mil 260 veículos no País, a uma média diária de 9 mil veículos, apontaram dados da Anfavea divulgados na sexta-feira, 4. A quantidade de licenciamentos foi 3,4% maior do que a verificada no mesmo período em 2016. Para a entidade, o desempenho traduz a confirmação da retomada das vendas de automóveis e diminuição das perdas no segmento de caminhões.

 

Os emplacamentos de veículos leves, categoria que engloba automóveis e comerciais leves, totalizaram 1 milhão 172 mil 131 unidades no acumulado dos meses deste ano, 4% mais do que o volume registrado no mesmo período do ano passado. De acordo com Antônio Megale, presidente da Anfavea, os licenciamentos de janeiro a julho ocorreram de maneira uniforme pelo país, ou seja, o volume médio de licenciamentos foi considerado pela entidade similar em várias regiões: “Verificamos que as compras não se concentraram nos grandes centros, mas se espalharam em proporção similar em outras regiões, e isso é positivo para o setor”.

 

Dados da Anfavea mostraram que, em janeiro, houve crescimento dos emplacamentos em dois dos 27 estados do País, Minas Gerais e Rondônia. Em julho, 16 estados mostraram crescimento positivo, enquanto que 11 ainda se encontram em uma zona, dita pela entidade, de retração.

 

Importados – A participação dos veículos importados no volume de emplacamentos feitos no País nos sete meses do ano atingiu 11%, menor parcela dos últimos três anos. Para Megale, a diminuição da parcela destes veículos é resultado do Inovar-Auto e consequente construção de fábricas no Brasil. Fora esse dois fatores, ele creditou também a fatia menor à elevação de patamar do carro nacional em termos de qualidade na comparação com o importado.

 

Megale disse que a tendência para os próximos anos é de que a quantidade de importados nos emplacamentos seja de 15% ou 20%, o que ele considera o ideal para o setor automotivo brasileiro: “Nos próximos anos haverá o período de maturação dos investimentos feitos na Argentina, e então o Brasil passará a importar mais veículos daquele país. É um nível de importação considerado saudável”.

 

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Hyundai CAOA é a melhor em satisfação do cliente, diz pesquisa

Em três anos, a Hyundai CAOA saltou do 9º lugar para o topo no ranking da Customer Service Index, CSI StudySM, que mede a satisfação do cliente na pós-venda nas concessionárias, realizado pela consultoria global J.D. Power. Em 2014, primeiro ano em que o levantamento foi feito, a rede de concessionárias ocupou o 9º lugar, em 2015 ela passou para o 6º lugar e no ano passado conquistou a vice-liderança. 

Para alcançar o topo, a empresa traçou uma estratégia e investiu em ações de qualidade que seguem padrões internacionais, de acordo com Rogério Gonzaga, diretor de pós-venda da CAOA. 

Em 2014, a empresa implementou pesquisas para medir o nível de satisfação dos clientes. Após o atendimento na concessionária, o consumidor responde um questionário em um tablet. Posteriormente, ele responde outra enquete por telefone ou e-mail para medir o nível de satisfação com o serviço. 

Durante sua permanência na concessionária, o cliente aguarda em uma sala de espera com acesso à internet e estações de recarga de celular com o intuito de se sentir no escritório. Para se manter no topo, a empresa está investindo na área digital. Hoje, o cliente já faz agendamento pelo site e em breve será atendido por chat. 

Segundo ele, o pós-venda é uma área estratégica para retenção do cliente que pode reverter em vendas futuras de automóveis: “O pós-venda é responsável por 10% do nosso faturamento, mas responde pela metade da rentabilidade”. No ano passado, o faturamento com pós-venda foi de R$ 600 milhões. 

As 130 oficinas administradas pelo pós-venda da Rede CAOA empregam 2 mil funcionários e atenderam 500 mil clientes no ano passado e a projeção é de crescimento de 3% sobre esse número para 2017.

 

Pesquisa – Pelo levantamento, essa foi a primeira vez, a Toyota foi perdeu a liderança no ranking e ainda empatou com a Mitsubishi na vice-liderança, seguida por Honda e Hyundai-HMB. A predominância de concessionárias asiáticas demonstra o foco dessas empresas na satisfação do cliente, de acordo com Fabio Braga, diretor de operações da J.D. Power do Brasil.

A pesquisa foi realizada com base nas avaliações de 4 mil 585 proprietários de veículos comprados de 2014 a 2016 e que utilizaram os serviços de pós-venda nos últimos 12 meses. A metodologia é utilizada em dezesseis países como Canadá, Estados Unidos e Japão: “O levantamento mostra as tendências e preferências do consumidor para as concessionárias, que podem monetizar os seus serviços. Já as montadoras podem comparar o nível de satisfação dos clientes em diferentes países”.

 

 

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Meritor volta a trabalhar seis dias por semana

A tímida melhora na produção de caminhões no primeiro semestre fez com que a Meritor retomasse sua operação normal no Brasil, de segunda a sábado. A fabricante de eixos reduzira a jornada de trabalho em sua fábrica de Osasco, SP, em 2015: na época o acordo com o sindicato dos metalúrgicos local determinava que a produção ficasse parada três dias úteis por mês.

 

Adalberto Momi, diretor geral da Meritor para a América do Sul, disse que os volumes de produção retornaram ao patamar normal:

 

“Fabricamos, em média, trezentas unidades por dia. Em 2016, no auge da crise, esse volume chegou a 150 eixos. Agora a economia começa a dar sinais, apesar de tímidos, de recuperação. Mesmo com todo problema político”.

 

A fábrica de Osasco tem ao todo 650 funcionários e, segundo Momi, o acordo de redução de jornada passou pelo não repasse do dissídio coletivo em 2015 e pela manutenção dos empregos:

 

“Com a volta da operação normal esse reajuste nos salários, que deveriam ser pagos em 2015, será pago agora”.

 

Ele não quis informar qual o porcentual de aumento nos salários. Ao todo a Meritor emprega no Brasil novecentos funcionários, em Osasco e em Resende, RJ.

 

Exportação – Uma das razões para a retomada da produção, contou Momi, foi o crescimento das exportações de caminhões no primeiro semestre. De acordo com dados da Anfavea de janeiro a junho os embarques somaram 13 mil 631 unidades, alta de 45,4%: “O mercado interno ainda não deu sinais de recuperação. O que está sustentando a produção no País é a exportação. E isso deve se manter em um ritmo satisfatório”.

 

A Meritor contabiliza a exportação em veículos montados, pois não exporta os seus eixos separadamente:

 

“Nossa expectativa é a de que o mercado se normalize em 2019, com produção de 110 mil a 120 mil caminhões. Em 2017 a produção de caminhões, no Brasil, deverá chegar 75 mil unidades, com vendas de um pouco mais de 45 mil”.

 

O executivo ponderou que, se essa estimativa se confirmar, novos investimentos para o Brasil deverão ser anunciados. Nos últimos três anos a Meritor aplicou US$ 15 milhões na operação local: “Ainda é muito cedo para saber se vamos, ou não, investir em larga escala por aqui. Para tornar viável a obtenção de novos recursos as reformas propostas pelo governo devem ser aprovadas, a economia tem que realmente se descolar da política e voltar a crescer. Se isso acontecer estará justificado novo investimento para a operação”.

 

Momi observou que na Meritor o exercício de análises econômicas são diários: “Há uma dose enorme de esperança de que a recuperação econômica se confirme, mas estamos contidos e com o pé no chão. Olhamos semana a semana, dia a dia como andam os negócios no Brasil. É um otimismo moderado”.

 

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Exportações ultrapassam volume histórico de 2005

As exportações de veículos já são recorde neste ano. Foram exportados de janeiro a julho 439 mil 586 unidades, alta de 55,3% no comparativo com o acumulado do ano passado. Com esse desempenho, Antônio Megale, presidente da Anfavea, já fala que 2017 deverá superar o ano de 2005, até então o melhor ano em embarques da história da indústria automotiva no País. De janeiro a julho de 2005, as montadoras exportaram 420 mil veículos. 

Megale creditou novamente o bom desempenho das exportações aos acordos comerciais na América Latina e também à aceitação dos produtos nacionais em novos mercados. O representante contou, ainda, que a indústria trabalha com uma meta de manter um nível mensal de 65 mil unidades exportadas: “O governo também percebeu a necessidade de estreitar os acordos comercias. A exportação é uma válvula de escape importante para regular a nossa indústria. Cada vez mais nossos produtos são aceitos nos países vizinhos e o esforço que as empresas têm feito para aumentar o volume exportado tem dado bons resultados”. Ele contou que hoje de 25% a 30% da produção é destinada ao mercado externo.

 

Ele comemorou, também, a assinatura do acordo automotivo com a Colômbia no mês passado: “É um mercado importante. A participação dos veículos brasileiros no mercado colombiano era de 3%. Já estamos em 5% e temos potencial para chegar a 10%. O acordo está em processo de internacionalização, acredito que termine nos próximos dois meses. Espero não morrer pela boca. Falei isso algumas vezes e não aconteceu”.

 

Em julho, foram exportadas 65 mil 722 unidades, volume 55,3% maior do que em julho do ano passado. Veículos leves representaram a maior parte dos embarques, com 61 mil 984 unidades de automóveis e comerciais leves. No acumulado do ano, foram 418 mil 113, alta de 56,7%. Caminhões, de janeiro a julho, foram 16 mil 588, 47,4% a mais do que no mesmo período de 2016. Só em julho, foram 2 mil 957. Em ônibus, nos sete meses do ano, leve queda de 0,4%, com 4 mil 885 unidades. Em julho, 781. Os principais destinos, em volume, foram Argentina, México, Chile, Uruguai e Colômbia.

 

Esse desempenho rendeu às fabricantes instaladas aqui R$ 8 bilhões 792 milhões 6 mil, outro recorde. A receita, divulgada pela Anfavea, inclui também os negócios envolvendo máquinas agrícolas e representou 52% mais do que o obtido em igual período em 2016. As exportações de veículos, isoladamente, renderam US$ 7 bilhões 320 milhões 168 mil, alta de 54,5%.

 

Segurança – As reprovações de veículos produzidos aqui em testes feitos este ano pela Latin NCAP, entidade independente que testa a segurança nos carros, não representam uma espécie de ameaça à reputação do produto nacional, segundo Megale. Para ele, reprovações como a do Chevrolet Onix e, mais recente, do Fiat Mobi, são um sinal de alerta no que diz respeito às divergências de critérios de avaliação utilizados pelas fabricantes e as instituições que realizam testes:

 

“Existem alguns institutos que fazem verificações e sua própria avaliação. Temos um pouco de preocupação com isso porque os protocolos destas instituições eles não são estáveis. Às vezes uma empresa que tira uma nota máxima em um item de segurança por causa de uma simples mudança de protocolo, ela cai nessa medição”.

 

Megale contou que é preciso levar em consideração quando se discute segurança nos veículos a questão do tempo de adoção de novos itens de segurança, e como isso pode aumentar o valor do veículo ao cliente: “Temos que agir com muita prudência porque produzimos carros para brasileiros, não produzimos para europeus. Os itens de segurança tem que ser gradualmente incorporados aos veículos, não podemos de nenhuma forma encarecer o preço dos veículos. Por isso que é importante a previsibilidade. Quando o projeto começa a ser feito já se sabe que quando ele entrar em produção, ele vai ter de atender a certas normas”.

 

O presidente da Anfavea disse que o desenho do Rota 2030, a nova política industrial para o setor, leva em consideração a adoção de novos itens de segurança e testes a serem implementados no Brasil de forma gradual. Isso para que as empresas tenham tempo para se adequarem em seus próximos lançamentos.

 

Argentina – Outro tema que parece não criar preocupação nas fabricantes de veículos daqui é o decreto baixado na Argentina que exige a antecipação das multas às montadoras que extrapolaram o coeficiente flex estabelecido no acordo automotivo. O Brasil pode exportar US$ 1,5 para cada US$ 1 importado da Argentina livre de impostos:

 

“É a primeira vez que isso acontece. Essa é uma questão de governos, expressamos a nossa preocupação porque são nossas próprias empresas. Mas, da mesma forma que o flex está desequilibrado hoje, porque nós estamos exportando mais pra Argentina, quando os investimentos feitos aqui no Brasil terminarem, isso vai gerar novos produtos e provavelmente teremos uma reversão desse quadro”.

 

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Fabricantes já usam 70,9% da capacidade

A indústria de máquinas e equipamentos está recuperando sua capacidade instalada. Em junho o NUCI, Nível de Utilização da Capacidade Instalada, chegou a 70,9%, alta de quase 2 pontos porcentuais no comparativo com maio. Se comparado ao mês de junho de 2016 a alta foi maior – 4,5 pontos porcentuais, quando atingiu 66,4%. Os dados fazem parte do levantamento da Abimaq.

O crescimento do NUCI foi impulsionado por dois grupos setoriais que apresentaram desempenho positivo no ano, de acordo com Maria Cristina Zanella, gerente de economia e estatística da Abimaq:

“O setor de máquinas para agricultura cresceu quase 12% no primeiro semestre em função da supersafra. Já o setor de máquinas para a indústria de transformação cresceu 8% por causa da reposição de componentes, manutenção e substituição de equipamentos sem condições de uso. Mas ainda não há sinais de investimentos para a ampliação ou a modernização do parque industrial”.

No acumulado do primeiro semestre as exportações alcançaram R$ 4 bilhões 80 milhões, alta de 2,3% se comparadas às do mesmo período do ano passado. Só em junho elas atingiram R$ 752,7 milhões, o que representou aumento de 6,8% com relação ao mês anterior.

Quatro dos sete setores fabricantes de bens de capital registraram aumento das vendas para o mercado externo, com destaque para máquinas para logística e construção civil, com alta de 24%, e máquinas para agricultura, com acréscimo de 43%.

As exportações para a América Latina cresceram 17,9% na comparação com o primeiro semestre de 2016, passando de R$ 1 bilhão 540 milhão para R$ 1 bilhão 820 milhões. Só para o Mercosul as exportações cresceram 28,5%, passando de R$ 669 milhões para R$ 861 milhões. Para os Estados Unidos, segundo maior mercado, as exportações aumentaram 11,6%, de R$ 669 milhões para R$ 747 milhões.

Já as importações somaram R$ 6 bilhões 50 milhões no semestre, o que representa recuo de 27,9% na comparação com o primeiro semestre do ano anterior. Com relação a junho de 2016 a queda foi ainda maior, 56,7%, mas se comparado a maio houve alta de 9,8%.

Mesmo com a alta nas exportações e queda nas importações a balança permanece negativa em R$ 1 bilhão 97 milhões, tendência que deve permanecer no ano:

“Apesar de o real ter se valorizado em quase 14% no primeiro semestre quando comparado com o mesmo período de 2016, as empresas exportadoras ainda mantêm suas vendas com margens reduzidas, o que deve ser reproduzir ao longo do ano. Com relação às importações, ainda que o câmbio se mantenha favorável, os altos índices de ociosidade da indústria de transformação, combinados com as incertezas crescentes do cenário político, têm inviabilizado qualquer decisão de investimentos”.

 

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GM atrai sistemistas no Rio Grande

O anúncio de investimento, de R$ 1,4 bilhão, na fábrica da General Motors em Gravataí, RS, para a produção de nova família de veículos que chegará em 2020, atraiu a atenção de seus fornecedores para o município gaúcho. Segundo o governo do Estado “seis multinacionais” que estariam envolvidas no desenvolvimento desses veículos têm em mãos projetos avançados para se instalar na cidade.

 

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, durante o ano e meio em que a GM articulou novo investimento na região, em parceria com o governo, os novos fornecedores buscavam terrenos próximos ao seu complexo industrial. Há dúvidas sobre a instalação dentro do condomínio industrial ou nos seus arredores.

O secretário disse que algumas dessas empresas cogitam fornecer para fabricantes sistemistas na condição de tier 2 ou 3 – o que não pode acontecer dentro de espaços GM: “O Estado mantém programa de incentivo que tem como objetivo aquecer cadeias produtivas como a de autopeças. Isso fez com que parte das empresas interessadas em se instalar aqui estudem a possibilidade de fornecer para mais de uma companhia”.

Dentro ou fora as empresas chegaram pelas mãos do Fundopem RS, principal programa estadual de fomento que, se não libera recursos para os projetos incentivados, permite às empresas financiarem o ICMS incremental mensal a partir de sua operação. Este ano o governo lançou o Programa Mult, com pacotes de incentivos específicos para o setor automotivo. Serão beneficiárias, por exemplo, empresas que investirem na expansão de fornecedores ou que se instalem no Estado.

O condomínio industrial de Gravataí foi inaugurado em 2000 e começou com dezesseis fornecedores instalados ao redor das linhas da GM. Atualmente são 21 empresas que fornecem componentes para Prisma e Ônix, este o veículo mais vendido do Brasil no primeiro semestre, com 98 mil 469 unidades. O segundo colocado, o Hyundai HB 20, vendeu 60 mil 460 unidades, segundo a Fenabrave.

O investimento, cujo anúncio foi feito na quinta-feira, 3, é parte do plano da empresa de investir R$ 13 bilhões no Brasil de 2014 a 2019. De janeiro a julho saíram da fábrica de Gravataí 73% dos 185 mil automóveis de passeio Chevrolet emplacados no País. Atualmente a unidade conta com 2,8 mil funcionários.

A empresa não revelou quantas novas vagas serão abertas, mas a expectativa, segundo o governo do Estado, é a de que os novos veículos demandem abertura de vagas nos novos fornecedores, ainda que a tendência seja a de que a nova linha absorva funcionários que já trabalham ali.

 

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