Até 2040, um terço da frota mundial será elétrica

Um terço da frota mundial de veículos leves será de elétricos até 2040. É o que estima uma pesquisa da Bloomberg New Energy Finance, BNEF. Esse tipo de veículo, segundo o levantamento, representará 54% das vendas de carros novos no mundo. Em alguns países, o percentual das vendas será ainda maior: 67% das vendas de carros novos na Europa e 58% na China e nos Estados Unidos. No entanto, existem muitos entraves, principalmente no Brasil, para o carro elétrico ser uma alternativa ambientalmente viável e segura.

Segundo a pesquisa, a crescente queda do preço das baterias de íon de lítio permitirá que os fabricantes abaixem os preços dos elétricos, o que deve ocorrer de 2025 a 2029. Desde 2010, os preços das baterias de íons de lítio caíram 73% por kWh. O levantamento apontou que, até 2030, os preços devem ser ainda menores.

Os baixos custos operacionais também devem impulsionar as vendas, conforme destaca Colin McKerracher, analista em transportes avançados da BNEF: “Esperamos que veículos de grande utilização, como táxis, Ubers e comerciais, façam primeiro a transferência para os elétricos devido à economia atrativa. Os investimentos iniciais serão compensados pelo baixo custo operacional ao longo do uso por uma extensa quilometragem”.

O número de veículos elétricos na frota mundial poderia ser ainda maior se não fosse o seu maior entrave: a falta de locais para carregamento da bateria. Segundo McKerracher, a infraestrutura adequada será uma missão para governos, empresas de energia, fabricantes de automóveis e outros investidores do setor privado:

“Ainda assim, a maior parte do carregamento será realizada em residências e muitos consumidores já têm a capacidade de carregar os automóveis com um investimento mínimo. Os custos operacionais serão mais baixos e os consumidores com carregadores residenciais poderão começar todos os dias com um ‘tanque cheio”.

Solução brasileira – O consumo europeu é o responsável por inflar as projeções do número de veículos elétricos de acordo com Renato Romio, Chefe da Divisão de Motores e Veículos do Centro de Pesquisas do Instituto Mauá de Tecnologia: “Como a Europa não tem outra fonte de combustível renovável, a melhor solução é a eletricidade para baixar os níveis de emissão de gás carbônico. O governo europeu, inclusive, dá subsídios para a compra de elétricos”.

Ele acredita que cada país deve buscar sua própria solução por combustíveis menos poluentes. O Brasil, por exemplo, deveria investir prioritariamente em veículos híbridos – misto de motor à combustão e elétrico –, tendo o álcool como combustível, pois já desenvolveu toda a tecnologia para a sua produção:

“O álcool é bem menos poluente que a eletricidade usada para rodar o veículo elétrico na Europa. O gás carbônico que sai pelo escapamento é recapturado durante o cultivo de cana de açúcar”. Outra razão é que os veículos elétricos e suas peças de reposição serão importados, o que não irá desenvolver os centros de tecnologia automotiva no Brasil.

A falta de locais para carregar a bateria também poderá restringir a circulação dos veículos elétricos aos centros urbanos. Romio lembra, porém, que a Europa já conta com postos de carregamento em estradas.

Inúmeros acidentes têm acontecido nos últimos anos com os carros elétricos da Tesla: “A tensão elétrica nesses carros é mais alta, em torno de 600 volts, o que pode gerar curto-circuito. No entanto, as normas de segurança para os elétricos estão aumentando e, consequentemente, sua tecnologia, o que não irá atrapalhar a adoção desses veículos”.

Aumento do diesel encarece frete de commodities

O aumento da alíquota do PIS/Cofis sobre os combustíveis para melhorar a arrecadação e atingir a meta de déficit fiscal de R$ 139 bilhões para este ano, impactará o valor dos fretes no País. O transporte de grãos e commodities poderá ficar até 6% mais caro que o transporte de outros produtos.

Para Lauro Valdivia, assessor técnico da ANTC, a Agência Nacional de Transporte de Cargas, a alta do frete será de 4% de forma geral, mas alguns segmentos verão os custos subirem mais do que outros em função da alta no diesel – em média o preço chegará a R$ 3,54: “Os produtos da cesta básica como um todo ficarão mais caros porque as empresas que os transportam já não tem margem para absorver este aumento”.

A alta da alíquota anunciada na quinta-feira, 20, foi maior do que o esperado pelo setor de transportes, que agora visualiza um tempo maior para a esperada recuperação econômica. Marinaldo Barbosa dos Reis, diretor de abastecimento e distribuição do Setcesp, o Sindicato das empresas de transporte de São Paulo, disse que a medida atrasará uma renovação de frota esperada para o primeiro semestre de 2018 nas empresas do estado:

“Embora o setor como um todo esteja descapitalizado para fazer investimentos, algumas empresas previam renovação de frota no ano que vem. Com a alta da alíquota, voltam à gaveta os projetos. Eles poderiam cortar de custos se pensarmos que caminhões novos consomem menos combustível”.

O modal rodoviário é o predominante no Brasil – 60% das mercadorias são transportadas por caminhões, segundo a ANTC. De acordo com a entidade, o combustível representa 40% do custo de um frete e o aumento geralmente é repassado para o preço.

Fora o mercado interno, o aumento poderá ter impacto também no mercado externo. Os caminhões que transportam carga para a exportação são maiores e o combustível ultrapassa a média de 40% no custo do frete. Nas cidades, a porcentagem cai, e o combustível de pequenos caminhões chega a representar 10% do custo.

Repasse incerto – Ainda que a nova alíquota tenha provocado aumento do preço do diesel, não é o maior valor praticado nos últimos tempos, lembrou Maria Fernanda Hijjar, sócia-executiva da consultoria Ilos. Ela afirma que o aumento do imposto é uma notícia ruim para o segmento de transportes porque muitas acabarão absorvendo o aumento: “No entanto, outro aspecto importante é a nova política de preços da Petrobras. O preço do diesel que está na bomba atualmente não é o maior dos últimos anos, o que dilui o impacto da alta do imposto”. De acordo com dados da ANP, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a última medição semanal de junho nas refinarias o preço do diesel foi de R$ 2,997. Em junho do ano passado, o valor foi de R$ 3,013.

Sai o acordo com a Colômbia. Enfim.

Os governos do Brasil e da Colômbia assinaram na sexta-feira, 21, acordo de complementação econômica que beneficiará as relações de comércio exterior dos dois países, principalmente de veículos e autopeças. Antiga reivindicação da Anfavea o acordo poderá ser fator de incremento de embarques para o mercado colombiano, um dos que mais crescem na América Latina.

Segundo o MDIC o novo acordo ampliará as preferências pactuadas nos setores têxteis e siderúrgicos, permitindo a desgravação total das alíquotas do Imposto de Importação aplicadas a esses segmentos e possibilitará, em breve, a entrada em vigor do acordo automotivo assinado em 2015.

O acordo automotivo, além de zerar alíquotas de importação, prevê a concessão de 100% de preferência para veículos dos dois países, com cotas anuais crescentes. No primeiro ano serão 12 mil unidades, no segundo 25 mil, e a partir do terceiro 50 mil unidades.

Para o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços o acordo automotivo com a Colômbia é de grande importância para a indústria brasileira: “A Colômbia é um excelente mercado para os veículos fabricados no Brasil devido à proximidade geográfica. Todas as empresas instaladas aqui, que possui o maior parque industrial automotivo da América do Sul e um dos maiores do mundo, serão beneficiadas com esse acordo”.

O ministro disse ainda que o acordo também proporcionará maior agilidade nas tomadas de decisão e colaborará para a criação de um novo cenário para as relações econômicas e comerciais na região latino-americana.

Em 2016 as exportações brasileiras para a Colômbia cresceram 5,7% com relação ao ano anterior, passando de US$ 2 bilhões 115 milhões para US$ 2 bilhões 235 milhões. No mesmo período as importações brasileiras da Colômbia diminuíram 23,7%. Assim a balança comercial com a Colômbia resultou em superávit de US$ 1 bilhão 327 milhões para o Brasil em 2016. No ano anterior o superávit foi de US$ 926 milhões.

No ano passado a pauta de exportações brasileiras para a Colômbia foi formada, principalmente, por produtos manufaturados, 88% do total. Os principais produtos brasileiros exportados para a Colômbia em 2016 foram automóveis, 5,5%, óleos brutos de petróleo, 5,5%, polímeros de etileno, propileno e estireno, 4,9%, pneumáticos, 4,5%, preparações para a elaboração de bebidas, 3,6%, produtos laminados planos de ferro ou aços, 3,5%, veículos de carga, 2,7%, medicamentos para medicina humana e veterinária, 2,7%, partes e peças para veículos automóveis e tratores, 2,3%, motores para veículos automóveis e suas partes, 2,1%.

Na Alemanha cresce a polêmica do cartel de montadoras

A revista semanal Der Spiegel, da Alemanha, publicou que Audi, BMW, Daimler, Porsche e Volkswagen formaram cartel, desde os anos 90, para acordar questões relacionadas a tecnologia, custos, fornecedores e, inclusive, às emissões de gases poluentes nos veículos movidos a diesel. A BMW assegurou, em nota, que seus carros “não são manipulados e cumprem todos os requisitos legais, incluindo os modelos diesel”. As informações são do Flash de Motor, da Venezuela.

Segundo a revista as empresas definiam o tamanho dos tanques para o AdBlue, solução de ureia utilizada para reduzir as emissões de óxidos de nitrogênio, NOx, para limitar os custos. Eram tanques pequenos que, ao fim, se comprovou que eram insuficientes para diminuir as emissões.

A BMW rechaçou categoricamente as acusações e reafirmou que sua tecnologia difere significativamente das de outras empresas. Disse, ainda, que ao contrário de outros fabricantes seus veículos a diesel utilizam uma combinação de vários componentes, o que permite cumprir a legislação e não ter que chamar seus carros para recall, como acontece com outras marcas.

No entanto a BMW observou, em comunicado, que melhorará, voluntaria e gratuitamente, o software dos motores Euro 5 para reduzir as emissões, ação inserida em plano de medidas que a indústria e as autoridades locais criaram, o Summit Diesel, programado para 2 de agosto.

Já a Volkswagen informou que realizará na quarta-feira, 26, reunião especial do conselho de supervisão para discutir alegações de cartel, disse uma fonte à Agência Reuters. Um porta-voz da VW confirmou a reunião extraordinária na quarta-feira, mas se recusou a falar mais sobre o assunto.

Grupo VW segue forte em caminhões e ônibus

As vendas mundiais de veículos pesados da Volkswagen Caminhões e Ônibus cresceram 8% no primeiro semestre. Foram comercializadas 96 mil unidades. Com isso, as três marcas do grupo. MAN, Scania e Volkswagen Caminhões e Ônibus, demonstram forte de tendência de crescimento na segunda metade do ano.

Segundo a Volkswagen, no primeiro semestre as vendas na MAN Truck & Bus chegaram a 41,7 mil veículos, alta de 5%. Já os licenciamentos de veículos da Volkswagen Caminhões e Ônibus foram apoiados pela demanda positiva das exportações, com 11 mil 750 unidades, 16% maior do que no ano anterior. Na Scania, as vendas aumentaram 8% com relação a janeiro a junho de 2016, alcançando 43 mil 610 caminhões e ônibus.

Andreas Renschler, CEO da Volkswagen Truck & Bus e integrante do Conselho de Administração do Grupo Volkswagen, disse que a tendência de desempenho positivo continua na segunda metade do ano, especialmente na América do Sul, China e na Rússia: “Estamos muito satisfeitos com o desenvolvimento de nossas vendas unitárias e o acúmulo adicional da Volkswagen Truck & Bus no primeiro semestre 2017”.

No setor de caminhões, as três marcas registaram um aumento nos números de vendas. Com um total de 87 mil 530 veículos, alta de 7% com relação ao mesmo período do ano anterior. Na União Europeia, as vendas foram de 53 mil 860 unidades, quase ao mesmo nível que em 2016.

Na América do Sul, as marcas registraram vendas de 13 mil 230 caminhões, aumento de 20% com relação ao ano anterior. Na Argentina, as reformas adotadas pelo governo e o impulso do setor agrícola levaram a um aumento significativo nas vendas. Na Rússia, sinais de recuperação econômica e queda das taxas de inflação geraram crescimento considerável nos negócios. O desenvolvimento positivo nas vendas na China teve uma contribuição importante para o crescimento de 47% nas vendas na região Ásia-Pacífico, segundo a VW.

O negócio de ônibus também se desenvolveu positivamente no primeiro semestre de 2017. As vendas de ônibus das marcas Volkswagen Truck & Bus totalizaram 8 mil 480 veículos, aumento de 12%.

Receita da Randon recua 8,5% no semestre

As Empresas Randon, de Caxias do Sul, RS, fecharam o primeiro semestre com receita líquida consolidada de R$ 1,3 bilhão, queda de 8,5% na comparação com igual período do ano passado. Os dados foram divulgados por meio de comunicado enviado à Bolsa de Valores de São Paulo. O faturamento bruto acumulado totalizou R$ 1,9 bilhão, recuo de 6,4%.

Em junho, a receita líquida somou R$ 246,9 milhões, alta de 17,8% sobre o mesmo mês de 2016. Com relação a maio, o resultado permaneceu praticamente estável, 0,5% de crescimento. Já o faturamento bruto somou R$ 353,6 milhões, elevação de 17,8% sobre junho do ano passado e de 0,5% com relação a maio.

A controlada Fras-le também publicou os números preliminares do semestre. A receita líquida apurada de janeiro a junho sofreu queda de 6,9%, totalizando R$ 392,4 milhões. Já o faturamento bruto chegou a R$ 592,2 milhões, recuo de 4,8%.

Ao contrário do grupo, a Fras-le teve desempenho negativo em junho, com a receita líquida 5,2% inferior ao mesmo mês de 2016, totalizando R$ 70,3 milhões. Com relação a maio, a queda foi de 3%. O faturamento bruto mensal de R$ 110,2 milhões foi 1,7% inferior a junho de 2016 e 5% superior a maio.

Os resultados completos do semestre serão publicados em 8 de agosto pela Fras-le e, no dia seguinte, pelas Empresas Randon. Por se encontrarem em período de silêncio, determinado por lei, as diretorias não comentam os resultados preliminares.

Chery busca mercado com vendas diretas

Única empresa chinesa de veículos que instalou fábrica no Brasil a Chery aposta nas vendas diretas a clientes corporativos como estratégia para ganhar mercado após dois anos de produção local. Até junho 28% das suas 1 mil 250 unidades emplacadas foram vendidas de forma direta a pequenas e médias empresas. Um plano comercial em curso, que envolve contratos de fornecimento de pequenos lotes a locadoras de carros, pode elevar esta fatia para 35% até dezembro.

Na semana passada a empresa fechou o primeiro negócio com locadora. À Inova, de Santa Catarina, foi vendido lote de quinze unidades do QQ, veículo de entrada que passou por reformulação e teve um novo modelo lançado em abril. Segundo o contrato firmado a locadora fica com a responsabilidade de promover os veículos na região.

De acordo com o diretor de vendas Fábio Campos este modelo de negócio representa duas oportunidades: a primeira, aumentar a capilaridade de maneira mais rápida – e barata – da rede de concessionárias, que hoje tem 28 lojas. A segunda é popularizar o seu portfólio, visto pela empresa como pouco conhecido em mercados além dos grandes centros:

“É um contrato de fornecimento e também uma forma de se costurar parcerias com empresas que conhecem bem os mercados onde atuam. É um ganho de tempo em contexto de expansão da nossa oferta sem que haja investimento pesado em ações de marketing para desmistificar o veículo chinês”.

Henrique Sampaio, gerente de marketing da empresa, afirma que os veículos da Chery possuem características aderentes às demandas dos clientes corporativos – perfil de comprador que, para a empresa, vai dos grandes frotistas ao microempreendedor que compra um veículo utilizando o CNPJ da empresa para poder trabalhar: “São clientes que, mais do que outros fatores, buscam por veículos novos que tenham preço mais competitivo”.

Fora o esforço de vendas realizado diretamente nas locadoras a fabricante busca contratos por meio do sindicato que as representa, o Sindiloc. Na semana passada Campos reuniu-se com integrantes da entidade para divulgar as condições especiais oferecidas pela Chery às empresas que venham a renovar suas frotas.

O plano traçado pela empresa é fruto de processo de reestruturação pela qual a área comercial passou recentemente. A contratação dos executivos Campos e Sampaio, por exemplo, foi outra decisão no sentido de explorar melhor as oportunidades no segmento de clientes corporativos: ambos trabalharam durante dezesseis anos na área comercial da Volkswagen e Campos era o especialista da empresa nas negociações com clientes considerados chave e, também, com o governo.

As vendas diretas às empresas, fora ser um canal de vendas importante e que tem sua participação crescendo em todo o mercado – aumentou em 35% sua participação nas vendas do setor, segundo a Fenabrave, no primeiro semestre –, é vista pela Chery como uma forma de ocupar a linha de produção instalada em Jacareí, SP. A fábrica de US$ 530 milhões foi projetada para produzir 150 mil carros por ano, em três turnos. Hoje a capacidade está em 10 mil unidades por ano, com apenas um turno.

Com o eventual sucesso do método de buscar mercado para o QQ, a empresa produzirá o SUV Tiggo, ainda inédito no mercado brasileiro: “Sua produção tem início previsto para o segundo semestre, e acontecerá quando percebermos que há demanda e um caminho pavimentado pela modalidade de venda às locadoras com modelos QQ e Celar”.

Compartilhamento é solução para o trânsito?

Durante o Fórum Mobilidade, realizado na quinta-feira, 20, em São Paulo, promovido pelas revistas Quatro Rodas e Superinteressante, o compartilhamento de veículos foi considerado uma das alternativas mais viáveis para melhorar a mobilidade urbana. Nesse sentido a General Motors apresentou o programa Maven, por enquanto disponível apenas para seus funcionários.

Para seu diretor, Péricles Mosca, o compartilhamento de carros será cada vez mais comum nos grandes centros urbanos “para não ficarmos presos no trânsito. Em Nova York, por exemplo, é compatível o uso da ferramenta, do aplicativo, mas não no interior do Kansas”.

Ele lembrou que os veículos são conectados pela plataforma tecnológica On Star, que permite acompanhar o trajeto do carro, avisar sobre acidentes e abrir e fechar as portas. Em caso de roubo o veículo é encontrado em duas horas.

Outra forma de compartilhamento é a do aplicativo Pegcar, que permite que pessoas compartilhem seus próprios carros. No Brasil desde 2015 o serviço já conta com mais de 25 mil usuários e quinhentos veículos. Com atuação em São Paulo, Paraná e Minas Gerais o objetivo é ampliar ainda mais a capilaridade da rede, segundo seu fundador, Conrado Ramires: “Cada pessoa que compartilha carro evita de doze a catorze veículos em circulação nas ruas. O sistema permite, ainda, ao usuário, uma renda extra: há quem ganhe até R$ 1,5 mil por mês”.

O aplicativo Bynd procura conectar pessoas que têm rotas compatíveis para compartilhar a carona solidária. Como clientes estão empresas como Mercado Livre, pois o foco é a carona corporativa, de acordo com o co-fundador Gustavo Gracitelli: “Segundo a CET em São Paulo 62% das pessoas vão de carro para o trabalho e 64% vão sozinhas. Queremos conectar pessoas com perfis e interesses semelhantes”.

Guilherme Telles, diretor do Uber, disse que o aplicativo de transporte de passageiros é um dos que mais cresce em número de usuários no Brasil. Ele, que participou de um dos painéis do evento, contou que o País já é o segundo em volume de negócios, depois dos Estados Unidos: “Em São Paulo 20% dos usuários utilizam o uber pool, em que os clientes dividem a corrida. Já em São Francisco, na Califórnia, esse número é de 50%. O compartilhamento diminui a quantidade de veículos nas ruas em 10%, melhorando o trânsito. Mas essa modalidade ainda é pouco utilizada no País”.

Mais pimenta para up! e Saveiro

O Fox ganhou mais dois companheiros na Linha Pepper, up! e Saveiro, que agora também têm versões com o apelo esportivo dessa linha que entrou no portfólio da Volkswagen em 2014. Os modelos chegam às concessionárias até o fim deste mês.

O Fox Pepper é oferecido com o motor 1.6 MSI de até 120 cv, que pode ser associado ao câmbio manual de seis marchas ou à transmissão I-Motion, de trocas de forma automática. A Saveiro Pepper está disponível nas carrocerias de cabine estendida e dupla, sempre com a motorização 1.6 de até 104 cv e câmbio manual de cinco marchas. O up! Pepper traz a motorização 1.0 TSI de até 105 cv e transmissão manual, também com cinco marchas.

Segundo a Volkswagen essa série especial está disponível nas cores Preto Ninja, Branco Cristal, Prata Sirius e Vermelho Flash. Para trazer ainda mais diferenciação as capas dos espelhos retrovisores externos têm cores diferentes da carroceria. Ela conta, ainda, com adesivos nas laterais das portas dianteiras e na tampa do porta-malas com o nome da versão – pintada de preto.

Internamente os modelos da linha trazem ambientação escurecida. Forro de teto, para-sóis, colunas e acabamento do espelho retrovisor são pretos, pretendendo conferir ainda mais esportividade à cabine do compacto. Volante é multifuncional, revestido em couro, e a alavanca de câmbio e as saídas de ar no painel são em vermelho. O logotipo Pepper aparece nas soleiras das portas e nos bancos revestidos de couro sintético Native.

O up! Pepper será vendido a partir de R$ 57,9 mil e o preço da Saveiro Pepper partirá de R$ 67 mil 810, a cabine estendida, e R$ 71 mil 90 o modelo cabine dupla. A VW não informou o preço do Fox nessa configuração.

Segundo Gustavo Schmitt, vice-presidente de vendas e marketing, a inclusão do up! e da Saveiro nessa linha mais esportiva faz parte da ofensiva da VW para conquistar market share no Brasil: “Esse movimento já começou. Em abril, com o lançamento do novo up!, realizamos oito eventos no Brasil para apresentar mais de perto o carro aos nossos revendedores”.

Ele contou que no mês passado a empresa levou os onze principais grupos de concessionários para a Alemanha para conhecerem planos, estratégia e táticas da companhia para até 2025: “Antes disso já havíamos mostrado a oitenta grupos a nossa ofensiva de produtos. Essa aproximação com a rede é fundamental para ganharmos mercado”.

O quanto o terceiro lugar incomoda a VW

A Volkswagen do Brasil deu início à sua ofensiva para voltar ao topo do mercado brasileiro. Hoje a montadora, que durante décadas sustentou o primeiro lugar no ranking, amarga a terceira posição, ficando atrás de General Motors e Fiat, com 12,60% de participação. David Powels, seu presidente, foi categórico: “Ser o terceiro no Brasil não é o lugar da Volkswagen”.

Ele disse que, no ano que vem, pelo menos a segunda posição será alcançada – e a liderança até 2020

“Começamos a ofensiva quando traçamos nossos planos para a operação. Com os novos produtos que serão lançados no ano que vem, o novo Polo e o Virtus, já daremos um grande passo. A matriz quer que sejamos rentáveis. Liderança de mercado é uma consequência. Mas estar em terceiro ou quarto lugares não é realmente o ideal para a Volkswagen”.

Powels contou que uma das táticas é renovar toda a linha de produtos no Brasil em três anos. Isso inclui, ainda, a entrada em segmento que a VW namora, o de SUVs:

“Temos projetos para São José dos Pinhais e para São Bernardo do Campo. E está também nos planos a produção de um modelo novo na Argentina. Esse é um segmento que vem crescendo no País. Consumidores de hatches médios e sedãs estão migrando para os utilitários esportivos”.

De acordo com dados da Fenabrave até junho foram comercializados 182 mil 331 SUV’s no mercado brasileiro, mais de 10% das vendas totais no Brasil no período.

O Fox, segundo o presidente, também será reformulado, ficará mais alto e ganhará características de utilitário esportivo: “As mulheres gostam de carros altos. A posição de dirigir mais elevada é uma das modificações que vamos fazer no modelo”.

Outra tática, contou Powels, é tornar o portfólio mais simples: há dois anos existiam 347 combinações possíveis na gama de produtos Volkswagen. Isso foi reduzido para menos de cem e, até dezembro de 2018, a meta é chegar a 93 possibilidades: “Em 2019 podemos reduzir ainda mais. Isso nos ajuda na diminuição de custos tanto na produção quanto na revenda. O estoque do concessionário fica mais justo. O Brasil é muito diferente do mercado europeu, por exemplo, e o brasileiro não gosta de esperar muito para receber o carro. Ele quer comprar e já sair com o automóvel. E com um portfólio mais simples isso é mais fácil”.

Segundo ele essa simplificação na gama foi uma demanda das empresas concessionárias, por meio da sua entidade, a Assobrav: “Essa aproximação com a rede de concessionárias é importante nesse momento de recuperação de mercado. Hoje, temos 545 lojas com 237 grupos, uma rede grande para o volume que fazemos hoje mas ideal para quando tivermos toda a linha renovada. Estamos preparados para a nossa ofensiva”.

No ano passado a VW vendeu 228 mil 473 unidades e, até junho, 100 mil 206, segundo dados da Anfavea.

“Esse ano devemos crescer em mercado no Brasil e na América Latina. Esperamos chegar 430 mil veículos vendidos na região e 300 mil no País. E mesmo assim não fecharemos o ano no azul. É impossível lucrar no mercado de hoje. Todo mundo perderá dinheiro este ano.”

Segundo Powels a operação brasileira apresenta prejuízo desde 2015.

Exportação – A produção no Brasil, também crescer este ano, afirmou o presidente> a expectativa é fabricar mais de 400 mil veículos nas três fábricas que mantém no Brasil. No ano passado esse volume chegou a 335 mil unidades e em 2015 a 425 mil veículos. Isso para abastecer os 28 países que compõem a região América do Sul e Caribe: “Temos plano para exportar 150 mil veículos este ano. Em 2016 os embarques totalizaram 106 mil unidades”.

O executivo afirmou que nos 26 da região, excluindo Brasil e Argentina, a Volkswagen detinha 2% de participação nas vendas. Só nos primeiros três meses deste ano a empresa conquistou fatia de 3,2%:

“É mercado de 1,6 milhão de veículos por ano, quase como o Brasil, e ter um crescimento desse quilate mostra o nosso esforço para melhorar a utilização de nossa capacidade produtiva no País”.

O plano, segundo Powels, é deter 5% de participação até 2019 e, até 2027, mais de 10% das vendas no Caribe e na América do Sul.