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04/08/2017

O quanto o terceiro lugar incomoda a VW

Por Ana Paula Machado

- 04/08/2017

A Volkswagen do Brasil deu início à sua ofensiva para voltar ao topo do mercado brasileiro. Hoje a montadora, que durante décadas sustentou o primeiro lugar no ranking, amarga a terceira posição, ficando atrás de General Motors e Fiat, com 12,60% de participação. David Powels, seu presidente, foi categórico: “Ser o terceiro no Brasil não é o lugar da Volkswagen”.

Ele disse que, no ano que vem, pelo menos a segunda posição será alcançada – e a liderança até 2020

“Começamos a ofensiva quando traçamos nossos planos para a operação. Com os novos produtos que serão lançados no ano que vem, o novo Polo e o Virtus, já daremos um grande passo. A matriz quer que sejamos rentáveis. Liderança de mercado é uma consequência. Mas estar em terceiro ou quarto lugares não é realmente o ideal para a Volkswagen”.

Powels contou que uma das táticas é renovar toda a linha de produtos no Brasil em três anos. Isso inclui, ainda, a entrada em segmento que a VW namora, o de SUVs:

“Temos projetos para São José dos Pinhais e para São Bernardo do Campo. E está também nos planos a produção de um modelo novo na Argentina. Esse é um segmento que vem crescendo no País. Consumidores de hatches médios e sedãs estão migrando para os utilitários esportivos”.

De acordo com dados da Fenabrave até junho foram comercializados 182 mil 331 SUV’s no mercado brasileiro, mais de 10% das vendas totais no Brasil no período.

O Fox, segundo o presidente, também será reformulado, ficará mais alto e ganhará características de utilitário esportivo: “As mulheres gostam de carros altos. A posição de dirigir mais elevada é uma das modificações que vamos fazer no modelo”.

Outra tática, contou Powels, é tornar o portfólio mais simples: há dois anos existiam 347 combinações possíveis na gama de produtos Volkswagen. Isso foi reduzido para menos de cem e, até dezembro de 2018, a meta é chegar a 93 possibilidades: “Em 2019 podemos reduzir ainda mais. Isso nos ajuda na diminuição de custos tanto na produção quanto na revenda. O estoque do concessionário fica mais justo. O Brasil é muito diferente do mercado europeu, por exemplo, e o brasileiro não gosta de esperar muito para receber o carro. Ele quer comprar e já sair com o automóvel. E com um portfólio mais simples isso é mais fácil”.

Segundo ele essa simplificação na gama foi uma demanda das empresas concessionárias, por meio da sua entidade, a Assobrav: “Essa aproximação com a rede de concessionárias é importante nesse momento de recuperação de mercado. Hoje, temos 545 lojas com 237 grupos, uma rede grande para o volume que fazemos hoje mas ideal para quando tivermos toda a linha renovada. Estamos preparados para a nossa ofensiva”.

No ano passado a VW vendeu 228 mil 473 unidades e, até junho, 100 mil 206, segundo dados da Anfavea.

“Esse ano devemos crescer em mercado no Brasil e na América Latina. Esperamos chegar 430 mil veículos vendidos na região e 300 mil no País. E mesmo assim não fecharemos o ano no azul. É impossível lucrar no mercado de hoje. Todo mundo perderá dinheiro este ano.”

Segundo Powels a operação brasileira apresenta prejuízo desde 2015.

Exportação – A produção no Brasil, também crescer este ano, afirmou o presidente> a expectativa é fabricar mais de 400 mil veículos nas três fábricas que mantém no Brasil. No ano passado esse volume chegou a 335 mil unidades e em 2015 a 425 mil veículos. Isso para abastecer os 28 países que compõem a região América do Sul e Caribe: “Temos plano para exportar 150 mil veículos este ano. Em 2016 os embarques totalizaram 106 mil unidades”.

O executivo afirmou que nos 26 da região, excluindo Brasil e Argentina, a Volkswagen detinha 2% de participação nas vendas. Só nos primeiros três meses deste ano a empresa conquistou fatia de 3,2%:

“É mercado de 1,6 milhão de veículos por ano, quase como o Brasil, e ter um crescimento desse quilate mostra o nosso esforço para melhorar a utilização de nossa capacidade produtiva no País”.

O plano, segundo Powels, é deter 5% de participação até 2019 e, até 2027, mais de 10% das vendas no Caribe e na América do Sul.


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