Após crescimento, exportações se estabilizarão

Para reverter as quedas nas vendas de veículos no Brasil, as fabricantes descobriram uma saída para escoar a produção: o mercado externo. Se no ano passado foram exportados 482 veículos, em 2017 as exportações devem chegar a 608 mil, o que corresponde a um aumento de 26,2%. Esse aumento expressivo no volume exportado, deve no entanto, se estabilizar nos próximos anos, segundo a projeção da empresa multinacional de consultoria IHS Markit.

Para Fernando Trujillo, diretor da IHS Brasil, como o nosso maior parceiro é a Argentina, com a estabilização no mercado automotivo no país vizinho, as exportações tendem a se manter no patamar em torno de 600 mil unidades até 2021: “Este ano, teremos um boom de exportação. A Argentina deve responder por 70% das exportações”.

Trujillo não vê crescimento nas exportações brasileiras para outros países, fora da América Latina: “Seria preciso que o governo brasileiro fechasse acordos de livre comércio com outros países. Mas, nossos veículos não seguem a legislação de segurança e eficiência energética de alguns mercados”.

Se as exportações ficarão estabilizadas, a boa notícia é que o mercado interno irá voltar a crescer e ano a ano até 2021, quando a projeção é de 2,5 milhões unidades. Deste total, cerca de 430 mil unidades serão de veículos importados: “Com o Inovar Auto, as importações de veículos no Brasil diminuíram bastante e não representam ameaças ao mercado interno. Uma das mudanças foi a cobrança da alíquota de IPI majorado de 30 pontos percentuais. Muitos das fabricantes de veículos premium, já contam com fábricas no Brasil, como é o caso da Audi, BMW e Mercedes-Benz”.

TOP 3 – O setor automotivo no Brasil está se tornando cada vez mais descentralizado. Se em 2012, as montadoras tradicionais – General Motors, Volkswagen, Fiat e Ford – abocanhavam juntas mais de 70% do mercado, no ano passado elas ocupavam 53,8%. A estimativa é que em 2021, esse percentual diminua ainda mais, para 48,9%.

As montadoras asiáticas, com crescimento consistente nas vendas de olho nas preferências do consumidor, vêm ganhando espaço no mercado. Mas é a Aliança Renault Nissan a principal ameaça às montadoras tradicionais. Se em 2012, ela detinha 9,5% do mercado, a estimativa é que esse percentual chegue a 12,2% em 2021, sendo 8,4% da Renault e 3,8% da Nissan. Isso significa que Renault- Nissan juntas irão se tornar a terceira maior, atrás apenas da GM e da Fiat, e desbancando a Volkswagen.

Por problemas com a BMW, Bosch compra fornecedora italiana

Para colocar um ponto final na crise estabelecida na semana passada com a BMW, a Bosch decidiu comprar o pivô do corte de abastecimento de itens de direção – a fabricante Albertini Cesare. Problemas na produção e logística da companhia da Itália, provocaram paradas na produção da BMW na Alemanha, China e África do Sul. O valor da transação, anunciada na quinta-feira, 2, não foi divulgado e a aprovação do negócio ainda passará pelo crivo das autoridades fiscais europeias.

Por meio de comunicado, a Bosch informou que a Albertini Cesare era uma fornecedora especializada na produção de componentes fundidos em alumínio que são aplicados no sistema de direção elétrica dos carros da BMW. A origem da empresa, sediada na região de Milão, é familiar e possui 270 funcionários. A compra foi determinada para que se garantisse “um fornecimento confiável de componentes de direção elétrica no futuro”, informou a Bosch.

Dirk Hoheisel, membro do conselho de administração da Bosch, disse estar confiante sobre a manutenção da produção local e sua expansão a partir da aquisição da Albetini. O plano é integrar Albertini na divisão de direção automotiva da Bosch. A divisão emprega cerca quinze mil funcionários em doze países, onde desenvolve soluções de sistemas de direção para automóveis e veículos comerciais.

A Albertini já estava em um momento difícil. Em janeiro deste ano, anunciou a demissão de 180 funcionários. A empresa chegou a ter 450 em sua folha de pagamento. As demissões foram motivadas à época pela redução do volume de vendas em 2016.

Neobus fornece 30 ônibus ao BRT do México

A Neobus, controlada pelo grupo Marcopolo, forneceu trinta ônibus para o sistema de transporte rápido, o BRT, da cidade de Tijuana, no México. O negócio, prospectado pela parceira Scania, é o primeiro concretizado neste ano no segmento de transporte urbano pela encarroçadora e faz parte da estratégia de expansão na América Latina, a principal meta da companhia em 2017.

Os modelos embarcados foram os Mega BRT de piso baixo para 28 passageiros com chassi Scania k250. As carrocerias do ônibus começaram a ser produzidas em Caxias do Sul, RS, no final do ano passado a um ritmo de duas unidades por dia em uma linha que trabalha com capacidade de cinco a sete unidades por dia. Isto, segundo Adriano Porto, coordenador de vendas da empresa, ajudou a ocupar a capacidade da empresa acima do volume demandado pelo mercado interno. Embarcados em março, os ônibus seguiram parcialmente desmontados e em abril, remontados na Polomex, outra subsidiária da Marcopolo que fica em Monterrey. A Scania enviou do Brasil os chassis em kits SKD para serem montados na unidade que mantém em Querétaro.

Porto disse que o México é o segundo maior da empresa em termos de volume. O país, nos últimos anos, vem disputando o posto com o Chile, hoje terceiro maior mercado: “Por causa disso, colocamos em prática um plano de expansão em outras cidades nestes dois lugares. Antes, nossa operação de vendas era concentrada nas capitais”. O plano citado inclui o aumento da equipe de vendas em território mexicano. Foram contratados mais vendedores e a empresa deslocou para liderar a equipe Emanuel Perini, que era gerente de vendas no Chile.

Exportações – A Neobus respondeu em 2016 por 7,8% das exportações brasileiras de carrocerias de ônibus, com 332 unidades. O resultado a posiciona como a quinta colocada em participação de vendas ao exterior, atrás da líder Marcopolo, 2 mil 179 unidades. Mascarello, 649. Caio, 501, e Comil, 360.

No ano passado o crescimento nas exportações foi de 12,3% a mais que o volume de 2015, com destaque para os micro-ônibus, o principal produto da companhia em termos de vendas. Ao todo foram embarcados 4 mil 42 ônibus no ano passado, segundo dados da Fabus, associação que reúne as fabricantes de carrocerias.

A meta da empresa, segundo o executivo, é crescer em 10% as exportações este ano: “Esse é o objetivo que a Neobus adotou no início do ano. Para isso, expandimos nossa atuação em países chaves, como o México”.

Vendas nos Estados Unidos ficam estáveis

As vendas de automóveis nos Estados Unidos se mantiveram estáveis em maio. No mês passado os licenciamentos registraram uma pequena queda de 0,3% e uma venda ao redor de 1,5 milhão de veículos. Os resultados de maio foram díspares para os fabricantes. Ford, Honda e Nissan terminaram o mês com aumento em suas vendas, mas outros como General Motors, GM, Fiat Chrysler, FCA, e Toyota contabilizaram perdas. As informações são do Flash de Motor, da Venezuela.

A Ford, que no mês passado anunciou de forma inesperada a troca de CEO, com Jim Hackett sucedendo Mark Fields, para mudança de cultura da empresa, foi uma das fabricantes que obtiveram os melhores resultados. As suas vendas subiram 2,2% com relação ao mesmo mês do ano passado, com 241 mil 126 unidades. A alta aconteceu graças ao aumento das entregas de picapes e de veículos para locadoras.

Segundo a Ford, as vendas de picapes se situaram em 99 mil 237 unidades, 9,4% a mais que maio de 2016. Já os licenciamentos de SUVs subiram 4,3% para 81 mil 324 veículos. No entanto, os emplacamentos de automóveis caíram 10% no mês passado, passando para 60 mil 565 unidades.

Mark LaNeve, vice-presidente de vendas nos Estados Unidos, disse, em comunicado, que maio foi um mês surpreendente para os modelos SUVs da empresa com recorde de vendas: “Assim, seguimos tendo fortes resultados com a Série F, com o aumento este ano das vendas e na participação de mercado”.

Mas, tirando a Ford, o resto das quatro principais fabricantes perderam vendas no mês passado. A GM viu os seus licenciamentos caírem 1,3% no período, chegando a 237 mil 364 unidades. Já a FCA perdeu 1%, com venda de 193 mil 40 veículos, a Toyota apresentou recuo de 0,5% com emplacamentos de 218 mil 248 unidades.

Apesar da queda em maio, a GM expressou otimismo nas perspectivas de mercado. Kurt McNeil, vice-presidente de vendas da empresa, disse que a fabricante está muito bem posicionada no segmento de SUVs: “Esperamos que os próximos lançamentos nos permitam seguir ganhando mercado”.

A Toyota também adotou uma posição otimista. Jack Hollis, vice-presidente e gerente geral da empresa, disse: “O setor automotivo nos Estados Unidos segue desfrutando de um sólido ano, com melhora significativa das vendas de SUVs”.

Renault abre segundo turno em Córdoba

Montadora
A Renault Argentina anunciou a contratação de setecentos trabalhadores, a partir de outubro, para a sua fábrica de Santa Isabel, em Córdoba. Olivier Murguet, presidente da empresa para a América Latina, em conjunto com seu parceiro da Argentina, Fernando Peláez Gamboa, fizeram o anúncio durante o Salão do Automóvel de Buenos Aires, que foi aberto ao público no sábado, 10, informou o Flash de Motor, da Venezuela.

As contratações serão para a abertura de um segundo turno de trabalho, que a partir de outubro produzirá Sandero e Logan. Com este aumento da produção a unidade terá capacidade para 230 a 350 veículos/dia.

Lá também serão fabricadas as picapes Renault Alaskan e Nissan NP300 Frontier no ano que vem, e no fim de 2017 será iniciada a montagem do novo Kangoo. Para esta linha também serão realizadas novas contratações.

A unidade, hoje, tem 1,2 mil funcionários. Segundo o Flash de Motor más notícias rondavam a fábrica, como o fim da produção do Clio, um veículo com alto índice de nacionalização. Com os novos funcionários a Renault terá quase 2 mil empregados em Santa Isabel, mas toda a companhia, considerando também a Nissan, poderá ter 3 mil trabalhadores, informaram os executivos.

Investimentos – No ano passado a unidade recebeu US$ 100 milhões para a produção de modelo inédito para substituir o atual Kangoo.

Um mês depois foi a vez da Aliança Renault-Nissan anunciar investimento de US$ 600 milhões para a produção da NP300 Frontier 2018, que seria o primeiro veículo Nissan produzido na Argentina, como também para a picape Renault Alsakan, resultado de projeto que reúne Renault Nissan com Mercedes-Benz até o fim da década. O projeto estima aumentar a capacidade para 70 mil unidades/ano e poderá gerar 1 mil novos postos de trabalho e outros 2 mil indiretos.

Os investimentos anunciados permitiram melhorar a utilização da fabrica da Renault no país e o seu desempenho comercial na Argentina, mercado no qual a empresa tem como objetivo alcançar o segundo lugar em vendas até 2018 – e ser líder em 2019.

Neumann, ex-Opel, pode assumir Audi

Karl-Thomas Neumann pediu demissão da presidência da Opel na segunda-feira, 12, e seu destino pode ser a direção da Audi. Michael Lohscheller, diretor financeiro da companhia, será o seu sucessor. De acordo com a agência Reuters a Volkswagen, controladora da Audi, estuda recontratar Neumann para dirigi-la, pois seu atual presidente, Rupert Stadler, sofre pressões do conselho administrativo por causa do escândalo das emissões. Ele deixou a VW em 2013.

Neumann, de 56 anos, é formado em engenharia elétrica pelas universidades de Dortmund e Duisburg. Iniciou carreira na Motorola e também tem passagem pela Continental. Na Volkswagen exerceu, de 1999 a 2004, o cargo de chefe de pesquisa e diretor de estratégia eletrônica. De 2010 a 2012 foi vice-presidente do grupo na China até seguir para a Opel.

Caso seja confirmada sua contratação ele terá pela frente a missão de reconstruir a Audi após uma série de acontecimentos que abalaram a empresa na Europa. Promotores de Munique, Alemanha, ampliaram a investigação sobre uma possível fraude de emissão de poluentes nos seus veículos. Por causa disso na quinta-feira, 1º, convocou cerca de 24 mil unidades do A7 e do A8 para recall.

Outro desafio será retomar as vendas da empresa na China. No começo do ano concessionários responsáveis pelas vendas no país exigiram US$ 4 bilhões para cobrir as perdas ocorridas nos últimos três anos. Eles acusaram a Audi de adicionar muitos distribuidores na região, o que teria causado um declínio de vendas.

De motoristas a passageiros

A popularidade dos veículos autônomos certamente gerará oportunidades de negócios que crescerão de US$ 800 bilhões em 2035 para US$ 7 trilhões em 2050, segundo pesquisa da Strategy Analytics divulgada pela Intel na segunda-feira, 12. O levantamento, Economia de Passageiros, explora o potencial econômico que surgirá com os veículos autônomos, quando os motoristas se tornarem passageiros.

As empresas devem começar a contemplar os veículos autônomos em suas estratégias a partir de agora, segundo afirmou Brian Krzanich, CEO da Intel, por comunicado: “Menos de uma década atrás ninguém considerava o potencial do mercado de aplicativos ou da economia de compartilhamento. Queremos despertar as pessoas para a quantidade de oportunidades que surgirão quando os carros autônomos se tornarem os dispositivos de geração de dados móveis mais poderosos que usamos e as pessoas trocarem a direção por outra ocupação durante o percurso”.

No momento a Intel mantém parceria com a BMW. Como resultado colocarão quarenta veículos autônomos nas ruas da Europa e dos Estados Unidos no segundo semestre. Por enquanto não há previsão do desembarque deste tipo de veículos no Brasil, que depende do desenvolvimento da tecnologia 5G. O que há no País é um caminhão autônomo da Volvo que trabalha em algumas atividades em lavoura de cana.

Para 2050 a projeção é que o uso comercial da mobilidade como serviço, MaaS, Mobility as a Service na sigla em inglês, deverá gerar US$ 3 trilhões em receitas, 43% do total da economia de passageiros. A receita esperada com o aumento do uso de novos aplicativos pelos consumidores é de US$ 200 bilhões.

Ganhos substanciais – De acordo com a pesquisa o tempo gasto pelos motoristas no trânsito também deverá diminuir, graças à presença de sensores espalhados pelas cidades. Por sua vez os motoristas economizarão mais de 250 milhões de horas de deslocamento por ano nas cidades mais congestionadas do mundo. Os carros autônomos serão mais seguros. A estimativa é a de que 585 mil vidas poderão ser salvas de 2035 a 2045. Os governos também reduzirão em até US$ 234 bilhões os custos relacionados a acidentes de trânsito.

São vários os tipos de serviços a ser gerados com essa nova forma de mobilidade. A conveniência prevê serviços sobre rodas como salões de beleza, aulas de idiomas, clínicas de saúde, serviços de hotelaria, vendas remotas. Já os produtores de conteúdo e mídia desenvolverão conteúdo personalizado para combinar com períodos curtos e longos de deslocamento. Publicitários de agências terão novas possibilidades para apresentar anúncios baseados na localização de veículos.

Experiência no Brasil – Um dos polos educacionais que investe em pesquisa e desenvolvimento de veículos autônomos é o ICMC, Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, da Universidade de São Paulo, em São Carlos, SP. Em 2009 o instituto desenvolveu um veículo autônomo movido a eletricidade. Dois anos depois os pesquisadores utilizaram esta tecnologia em um Fiat Palio Adventure. Em 2015 o instituto firmou parceria público-privada com a Scania, para o desenvolvimento de um caminhão autônomo.

São muitas as vantagens do caminhão autônomo, segundo Fernando Osório, professor do ICMC e do LRM, Laboratório de Robótica Móvel: “Não haveria a parada para descanso do motorista, o que aumentaria a capacidade de transporte e a produtividade. A segurança é outro fator, pois os sensores dos veículos têm uma visão mais apurada do que o ser humano. Estes veículos, contudo, não gerarão desemprego, pois dependeriam da presença do motorista, assim como o piloto e o copiloto nos aviões”.

De acordo com ele foi um projeto pontual: “A Scania pediu uma solução de baixo custo. A empresa tinha muito interesse em continuar com o projeto, que foi interrompido por causa da crise econômica. Atualmente, continuamos com nossas pesquisas e estamos prospectando novas parcerias”.

Crescem vendas de veículos no Chile em maio

As vendas de automóveis no Chile cresceram 24,6% em maio com relação ao mesmo período do ano passado, resultando no quinto mês de crescimento consecutivo. Foram comercializadas 29 mil 910 unidades, patamar que o mercado daquele país atingira em 2011 e 2012. No acumulado do ano o país vendeu 135 mil 337 unidades, volume 16% maior do que o registrado em 2016.

Segundo dados da ANAC, a associação nacional de fabricantes de veículos daquele país, a Chevrolet foi a empresa que mais vendeu, 2 mil 783 unidades. Hyundai, 2 mil 611, Kia, 2 mil 551, Toyota, 2 mil 286 unidades e Suzuki, 2 mil 157, formam o grupo das cinco empresas que mais venderam no mês.

O mercado de caminhões teve incremento de 6% no volume de vendas com relação a maio do ano passado: foram 1 mil 32 unidades, a maior parte delas veículos pesados importados do Brasil, cujas fábricas atendem clientes chilenos que atuam nas áreas de mineração e florestal. No acumulado do ano foram vendidas 5 mil 77 unidades, o que representa crescimento de 8,5% com relação ao volume comercializado nos cinco primeiros meses de 2016. A Mercedes-Benz foi a que mais vendeu no período: novecentas unidades.

Já no segmento de ônibus o mercado vendeu em maio 167 unidades, 16,8% a mais na comparação com maio de 2016. No acumulado foram vendidas 979 unidades, 14,5% a mais do que foi vendido no ano passado. Neste segmento a Mercedes-Benz foi a empresa que mais vendeu: 564 unidades.

Intercâmbio à vista na parceria Renault-Intel

O intercâmbio praticado pelas fábricas da Renault pode dar início ao desenvolvimento dos primeiros projetos de conectividade em veículos no Brasil. No mês passado companhia comprou a área de pesquisa e de desenvolvimento da Intel, na França, como estratégia para acelerar os trabalhos neste campo sob a ótica automotiva. E os frutos desses estudos podem refletir na operação brasileira e inserir a equipe nacional de engenharia em projetos globais.

Segundo a Intel quatrocentos seus funcionários serão incorporados à Renault. Esta nova equipe, especialista em desenvolvimento de softwares para veículos, deverá estabelecer conexão com centros de pesquisa Renault espalhados pelo mundo. No Brasil, existe desde 2008 o Centro de Design da América Latina, em São Paulo, espaço no qual são desenvolvidos projetos ligados a futuros veículos.

De acordo com Olivier Murguet, presidente da Renault nas Américas, a operação brasileira tem potencial para contribuir com o desenvolvimento de aplicações que estarão inseridas nos veículos conectados: “Mais do que conectar veículos os projetos envolvendo carros autônomos precisam contar com pessoal especializado em conteúdo, ou seja, em programas que possam melhorar a navegação dos motoristas. O Brasil é um celeiro de programadores que podem nos ajudar neste sentido. E a empresa tem a cultura de fazer intercâmbio de ideias”.

A Intel tem participado de diversos projetos de veículos autônomos nos Estados Unidos e na Europa, tendo costurado parcerias com fabricantes e com empresas fornecedoras. Isso se deu porque seu carro-chefe, os processadores, é parte fundamental nos sistemas que tornam autônoma a direção. Em maio, por exemplo, a empresa trabalhou em conjunto com a Delphi na criação de protótipo autônomo. Há, também, pareceria com a BMW para a construção de quarenta veículos de teste automatizados até o fim do ano.

A conclusão do negócio na França, que depende da aprovação das autoridades que fiscalizam a concorrência, será feita até o fim de junho. As empresas não informaram o valor da transação. A Renault era vista como pioneira em eletrônica embarcada com o sistema R-Link, que combina várias aplicações de conectividade. Este sistema, no entanto, ficou obsoleto no momento em que Apple e Google desenvolveram a sua própria solução de sincronização de smartphones com automóveis.

A expectativa da empresa é retomar as pesquisas em conectividade e dominar as tecnologias para veículos autônomos, no sentido de cumprir a meta estabelecida de vender modelos desta categoria até 2020.

Michelin nacionaliza por mercado de reposição

O cenário favorável às vendas no segmento de reposição, e os sinais de retomada dos licenciamentos de ônibus, fizeram a Michelin ampliar a oferta de pneus para transporte urbano e de cargas no Brasil. Para atacar os dois nichos tropicalizou uma linha vendida na Europa, ou seja, adaptou um produto do seu portfólio global para as características regionais. No caso da linha Incity, anunciada na terça-feira, 13, o mercado brasileiro demandou durabilidade maior e promessa de economia em custos operacionais dos transportadores.

De acordo com Nour Bouhassoun, presidente da companhia para a América do Sul, os novos pneus serão produzidos nas fábricas de Campo Grande e Itatiaia, RJ, que hoje trabalham em três turnos e possuem capacidade instalada para produzir 1 milhão 855 mil pneus por ano:

“Utilizamos capacidade próxima dos 100%. As vendas para o mercado de originais diminuíram, ao passo que na reposição o crescimento é significativo, o que manteve nossa produção longe da ociosidade”.

O executivo disse que 80% das suas receitas atuais são obtidos na reposição. No ano passado esta fatia foi de 70%.

Vender pneus que tenham como principal apelo comercial a durabilidade é uma resposta da empresa ao contexto brasileiro, onde os clientes, mais conservadores com relação a aportes em renovação de frotas, investem em sua manutenção. Antes do lançamento da Incity a Michelin atendia aos segmentos de caminhões leves, semileves e ônibus com duas opções da linha X Multi. A nova gama de pneus, ao contrário desta, possui tecnologia que prolonga sua vida útil em 10%.

Bouhassoun disse que as duas linhas serão mantidas em produção e justificou a estratégia com o argumento de que atendem perfis de cliente diferentes: “São duas linhas que, apesar de serem direcionadas aos mesmos segmentos, atendem a públicos com demandas distintas. O lançamento é para transportadores que buscam redução de custos operacionais, clientes que possuem grandes frotas e precisam aumentar o tempo da troca do pneu”.

A tecnologia importada pela Michelin aumenta de três para cinco o número de sulcos conforme o pneu vai sendo utilizado, além da borracha utilizada dispor de uma série de reforços químicos para suportar os diferentes terrenos.

Antes de iniciar a operação comercial, já em curso no País, a empresa testou 20 mil unidades do modelo em clientes com o objetivo de avaliar o seu desempenho no mercado. O retorno da pesquisa, de acordo com Renato Silva, gerente de marketing de produto, demandou modificações em sua concepção ainda que tenha recebido referências positivas: “A equipe nacional de engenharia trabalhou na busca de materiais que respondessem bem ao perfil de condução do motorista brasileiro, que é diferente do europeu. As modificações sugeridas nos levaram a utilizar materiais mais resistentes na banda de rodagem”.

Apesar de representarem menos oportunidades em termos de volume de vendas, o segmento de originais, sobretudo de ônibus urbanos, é visto pela Michelin como um filão a ser explorado no Brasil. A quantidade de licenciamentos voltou a aumentar no ano passado, e novos projetos de mobilidade urbana também atraíram as atenções da empresa para investir no desenvolvimento de produto para atender à demanda local, disse o presidente Nour Bouhassoun.

Dados da Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, foram 16 mil 792 unidades emplacadas no ano passado e 11 mil 161 em 2015.

Outro foco da estratégia de expansão do portfólio para caminhões semileves e ônibus são as exportações a partir da produção brasileira. Mercados como Argentina, Chile e Colômbia, segundo o executivo, têm demonstrado aumento nas vendas de veículos dessas duas categorias, o que implicará, no futuro, maiores demandas de manutenção. O executivo afirmou que, hoje, cerca de 30% da produção de pneus são destinadas aos países vizinhos e também para o México.