O cenário favorável às vendas no segmento de reposição, e os sinais de retomada dos licenciamentos de ônibus, fizeram a Michelin ampliar a oferta de pneus para transporte urbano e de cargas no Brasil. Para atacar os dois nichos tropicalizou uma linha vendida na Europa, ou seja, adaptou um produto do seu portfólio global para as características regionais. No caso da linha Incity, anunciada na terça-feira, 13, o mercado brasileiro demandou durabilidade maior e promessa de economia em custos operacionais dos transportadores.
De acordo com Nour Bouhassoun, presidente da companhia para a América do Sul, os novos pneus serão produzidos nas fábricas de Campo Grande e Itatiaia, RJ, que hoje trabalham em três turnos e possuem capacidade instalada para produzir 1 milhão 855 mil pneus por ano:
“Utilizamos capacidade próxima dos 100%. As vendas para o mercado de originais diminuíram, ao passo que na reposição o crescimento é significativo, o que manteve nossa produção longe da ociosidade”.
O executivo disse que 80% das suas receitas atuais são obtidos na reposição. No ano passado esta fatia foi de 70%.
Vender pneus que tenham como principal apelo comercial a durabilidade é uma resposta da empresa ao contexto brasileiro, onde os clientes, mais conservadores com relação a aportes em renovação de frotas, investem em sua manutenção. Antes do lançamento da Incity a Michelin atendia aos segmentos de caminhões leves, semileves e ônibus com duas opções da linha X Multi. A nova gama de pneus, ao contrário desta, possui tecnologia que prolonga sua vida útil em 10%.
Bouhassoun disse que as duas linhas serão mantidas em produção e justificou a estratégia com o argumento de que atendem perfis de cliente diferentes: “São duas linhas que, apesar de serem direcionadas aos mesmos segmentos, atendem a públicos com demandas distintas. O lançamento é para transportadores que buscam redução de custos operacionais, clientes que possuem grandes frotas e precisam aumentar o tempo da troca do pneu”.
A tecnologia importada pela Michelin aumenta de três para cinco o número de sulcos conforme o pneu vai sendo utilizado, além da borracha utilizada dispor de uma série de reforços químicos para suportar os diferentes terrenos.
Antes de iniciar a operação comercial, já em curso no País, a empresa testou 20 mil unidades do modelo em clientes com o objetivo de avaliar o seu desempenho no mercado. O retorno da pesquisa, de acordo com Renato Silva, gerente de marketing de produto, demandou modificações em sua concepção ainda que tenha recebido referências positivas: “A equipe nacional de engenharia trabalhou na busca de materiais que respondessem bem ao perfil de condução do motorista brasileiro, que é diferente do europeu. As modificações sugeridas nos levaram a utilizar materiais mais resistentes na banda de rodagem”.
Apesar de representarem menos oportunidades em termos de volume de vendas, o segmento de originais, sobretudo de ônibus urbanos, é visto pela Michelin como um filão a ser explorado no Brasil. A quantidade de licenciamentos voltou a aumentar no ano passado, e novos projetos de mobilidade urbana também atraíram as atenções da empresa para investir no desenvolvimento de produto para atender à demanda local, disse o presidente Nour Bouhassoun.
Dados da Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, foram 16 mil 792 unidades emplacadas no ano passado e 11 mil 161 em 2015.
Outro foco da estratégia de expansão do portfólio para caminhões semileves e ônibus são as exportações a partir da produção brasileira. Mercados como Argentina, Chile e Colômbia, segundo o executivo, têm demonstrado aumento nas vendas de veículos dessas duas categorias, o que implicará, no futuro, maiores demandas de manutenção. O executivo afirmou que, hoje, cerca de 30% da produção de pneus são destinadas aos países vizinhos e também para o México.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias