O novo Fiat Argo, sucessor do Punto, já chega às concessionárias com a tarefa de recolocar os negócios da FCA, Fiat Chrysler Automobiles, no Brasil no patamar que a empresa, digamos, percebe que é o seu: no topo. É mais uma oportunidade de colocar à prova a reconhecida capacidade, maestria Fiat de produzir e vender, com sucesso, carros compactos.
O lançamento foi realizado com festa para quase novecentos concessionários, personalidades e jornalistas na noite da terça-feira, 30, nos salões do Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. E prosseguiu, com trabalho, durante a quarta-feira, 31: apresentação técnica e dois roteiros de test-drive.
O Argo, que dispõe de três versões e de sete ofertas quando se mesclam motorização e transmissões diferentes – motores 1.0, 1.3 e 1.8 e câmbios manual, automatizado e automático – pretende ter, em projeção quase modesta, pelo menos 6 mil felizes compradores por mês. E já estaria começando a cumprir sua carreira projetada de fazer a FCA vir a ser a líder no segmento de veículos hatches compactos, com a ajuda de 3,5 mil Uno, mais 3,5 mil Mobi e de 2 mil Palio. No fim do mês somariam pelo menos 15 mil unidades.
Os designers da FCA, como Arthur Fassbender, dizem que o Argo é “a evolução do design Latino América com inspiração italiana”. Traz, sim, soluções bonitas mas não me aprazam hatches que não se mostrem mergulhando no asfalto. Em outras palavras: considero muito conservadora a sua linha de cintura, alta e paralela ao solo. Para me animar, contudo, existe o interior, a cabine, toda elegante, confortável – são 2 mil 806 litros de área, com porta-malas de 300 litros –, com direito a central multimídia de 7 polegadas com touchscreen, Uconnect, compatível com Apple CarPlay e Android Auto.
Fassbender falou em emoções e surpresas, e em classicismo dinâmico para enfrentar os rivais Chevrolet Onix e Hyundai HB20, considerados seus adversários diretos. Deve ser o resultado de se colocar estilo, tecnologia, conforto, desempenho, esportividade e segurança no cadinho da inventividade: de lá sairia o Argo, de acordo com o comunicado da FCA – seria “uma experiência premium dentro da categoria”.
O carro tem, assim, toda aquela sopa de letrinhas vinculada à segurança: ESC, de controle eletrônico de estabilidade, TC, de controle de tração, hill holder, para partida em rampas. Dispõe de airbags laterais dianteiros, câmara de ré e sensores de estacionamento. O sistema Start&Stop é de série, e as versões não dotadas de câmbio manual, de cinco velocidades, têm paddle shafts, e portas são destravadas e a ignição é acionada por telecomando.
O câmbio automático tem seis marchas e o automatizado, GSR, de cinco marchas, equipa uma versão Drive do Argo dotada de motor 1.3.
E qualidade é o único item que o presidente Stefan Ketter não discute com sua equipe da FCA: tem que ser de primeiro mundo, à prova de tolerâncias.
Versões, preços – Por enquanto a família Argo é composta pelas versões Drive 1.0, 1.3 e 1.3 GSR, sempre com motores Firefly, sendo que o 1.0 é o de três cilindros e 77 cv e o 1.3 de 109 cv, Precision 1.8 e Precision 1.8 AT6 e HGT 1.8 e HGT 1.8 AT6, sendo que os 1.8 são os motores E.torQ Evo VIS, que desenvolvem 139 cv.
Seus preços respectivos são R$ 46,8 mil, R$ 53,9 mil, R$ 58,9 mil, R$ 61,8 mil, R$ 67,8 mil, R$ 64,6 mil e R$ 70,6 mil.
Ketter foca etanol
Imaginemos que hoje seja 1º de abril e nos déssemos ao luxo de liberdades poéticas. Eu escreveria assim: “Em entrevista durante o lançamento de novo hatch compacto, o Fiat Argo, o presidente da FCA, Stefan Ketter, declarou-se adepto do bolivarianismo. Disse, também, que não apoia eleições nem diretas nem indiretas mas, sim, a manutenção do atual governo”. Sorriam e sintam-se aliviados. Ketter, na verdade, deu cores vivas ao que considera “oportunidade única” que tem o Brasil de ser o país líder da América Latina e disse esperar que a estabilidade, política e econômica, do País seja alcançada muito rapidamente.
A liderança ocorreria em função das mudanças geopolíticas que ocorrem na região e na disposição – para ele absoluta necessidade – interna por reformas estruturais a partir da agenda em curso.
Ele destacou, particularmente, o programa Rota 2030, aquele que pretende organizar o setor automotivo nos próximos anos e dar, às empresas, algum quinhão de previsibilidade.
“Tem sido um trabalho muito complexo, e uma verdadeira vitória, pois os CEOs das companhias fabricantes instaladas no País pela primeira vez na história se envolveram pessoalmente no processo. Para concluírem, por exemplo, que o etanol, a parte sustentável de nossa matriz energética, é uma incrível vantagem competitiva. Ou seja: a agenda etanol tem extrema importância para a integração nacional.”
É claro que, nesse caso, Stefan Ketter está de olho na notável evolução potencial dos veículos elétricos e híbridos por aqui e em toda a região.
Também com referência ao Rota 2030 ele recordou o índice de nacionalização do próprio motivo da festa, o Argo – cerca de 93% –, para enfatizar o trabalho dos CEOs com referência à absoluta necessidade de atenção à rede de indústrias fornecedoras, para quem, acredita, “é importante enviarmos uma mensagem de escala de produção”.
Ketter confirmou o investimento, “relevante”, de R$ 1,5 bilhão no projeto do novo carro e na reforma das bases fabris em Betim, MG, onde é produzido.