Híbridos receberão incentivos do governo via Rota 2030

A nova política industrial para o setor automotivo, que vai substituir o Inovar Auto e é chamada de Rota 2030, está sendo desenhada de forma a garantir incentivos fiscais às empresas que apostarem na produção de motorização elétrica ou híbrida, segundo Marcos Pereira, ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, MDIC. Os benefícios, no entanto, podem não contemplar todos os elos da cadeia automotiva. O ministro classificou como “difícil” uma desoneração para o segmento de autopeças.

O governo vai incluir no Programa, que tem até o dia 31 de maio para ser apresentado ao setor, medidas que beneficiam projetos de veículos eletrificados. O ministro disse, durante evento de lançamento de novo motor da Ford, na sexta-feira, 5, em São Paulo, que os incentivos irão contemplar produção de motores sem distinção de tamanho volumétrico: “A ideia é incentivar a produção de veículos elétricos e híbridos aqui. A redução de impostos, sobretudo o IPI, hoje está baseada na potência do motor, no tipo de combustível que ele utiliza. O foco agora é na eficiência energética, não importa o tamanho volumétrico do motor. Vamos universalizar”.

O segmento de autopeças, que inclusive é descrito na apresentação do Rota 2030 como um dos setores-chave da nova política industrial, não deverá passar pelo mesmo caminho dos incentivos às fabricantes responsáveis pela manufatura de veículos. Para o ministro, o governo desconsidera qualquer tipo de incentivo fiscal às autopeças: “Desoneração hoje em dia é uma palavra difícil. Não é impossível, mas para esta nova política, a grande chance é de que não haja nada neste sentido para o setor de autopeças”.

Marcos Pereira atribuiu aos governos anteriores a queda na competitividade das autopeças, e disse que são necessárias reformas para que o setor atinja os níveis de competição desejáveis no contexto da nova política industrial: “Autopeças se tornaram pouco competitivas ao longo dos anos por causa de uma série de burocracias, de medidas de taxação que foram implementadas, de regras pouco previsíveis adotadas pelos governos anteriores, sobretudo pelo governo dos últimos treze anos, e agora a nossa ideia é modernizar, reformar, facilitar para melhorar o ambiente de negócios”.

Inovar Auto – O ministro Marcos Pereira, do MDIC, explicou que no novo documento gestado em Brasília estarão presentes “as coisas boas” do Inovar Auto, programa de política industrial que se encerra em dezembro deste ano: “A nacionalização é algo que, com certeza, será mantida na nova política. Foi nosso maior ganho nos últimos anos poder trazer ao País tecnologia de ponta”.

Sobre o julgamento pelo qual o País passa junto a Organização Mundial do Comércio, OMC, que considerou o Inovar Auto uma ferramenta protecionista, o ministro acredita que o Brasil não sofrerá sanções da entidade: “O Brasil foi condenado, mas cabe recurso. A expectativa, segundo o Itamaraty, é de que dificilmente haverá uma mudança na apelação e os julgadores deverão manter o País dentro da entidade”.

Anfavea entrega pleito da indústria ao Presidente

Antonio Megale, presidente da Anfavea, disse que no encontro com o presidente Michel Temer, semana passada, os representantes das montadoras entregaram documento do que pode vir a ser a nova política industrial do setor. Segundo ele, a agenda da indústria é abrangente e aborda temas como apoio à cadeia de autopeças, a localização do desenvolvimento de tecnologias, a evolução das relações trabalhistas, eficiência energética, segurança, inspeção veicular, logística e tributação. Todos esses itens com metas de longo prazo e avaliação ao longo do percurso.

Megale ressaltou que a prioridade é a recuperação da base de fornecedores: “As autopeças sofreram muito com a queda do mercado e muitas não têm condições financeiras para suportar a recuperação”.

Uma das propostas que podem trazer competitividade aos fornecedores é o refinanciamento dos débitos das empresas: “O Refiz é importante para as companhias devedoras. Outra ideia é a garantia para empréstimos e isso pode ser feito com os contratos firmados com as montadoras”.

Ele também disse que está em estudo linhas de financiamento para empresas que tenham viés tecnológico: “São propostas viáveis para recuperar a capacidade dos fornecedores e aumentar a competitividade de toda a cadeia”.

Com relação à carga tributária, o dirigente reforçou que a indústria não levou ao Presidente da República qualquer proposta de redução de impostos, mas um pedido de simplificação tributária: “Isso também é uma forma de melhorar a competitividade. Esses ajustes são necessários para o País”.

Megale levantou um argumento importante para sensibilizar o governo: os departamentos responsáveis pelos cálculos de tributação dentro das empresas equivalem a quase a 80% do pessoal que trabalha no desenvolvimento de novos veículos. “Em algumas empresas o número de pessoas na diretoria tributária é dez vezes maior do que na engenharia. Algo que precisa ser feito.”

Vendas de importados rolam ladeira abaixo

As vendas de veículos importados continuam ladeira abaixo: de janeiro a abril foram licenciados 8 mil 128 unidades, queda de 36,1% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Já em abril os emplacamentos somaram 2 mil 44, recuo de 28,4% com relação a abril de 2016. Os dados foram divulgados pela Abeifa, Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores.

José Luiz Gandini, seu presidente, disse que o segmento poderá diminuir a perda no faturamento este ano se o governo liberar as cotas não usadas desde o início da adoção desse sistema em 2012. Com o Inovar Auto cada importadora pode trazer ao Brasil até 4,8 mil veículos sem o pagamento do IPI majorado em 30 pontos porcentuais.

Pelos cálculos da Abeifa e de Gandini a cota não contemplada tem cerca de 15 mil veículos:

“O governo está sensível a isso. Até porque as exportações de veículos têm crescido nos últimos meses. A balança comercial do setor está superavitária. Por isso não há qualquer sentido em frear as importações”.

Na sua avaliação “a recuperação comercial do setor de importados, além de salvar a rede de concessionárias, contribuirá efetivamente com o recolhimento de impostos. A venda de importados está represada há pelo menos cinco anos”.

Participações – Em abril a participação das associadas à Abeifa foi de 1,34% nas vendas totais de automóveis e comerciais leves, 152 mil 383 unidades. No acumulado do ano o market share foi de 1,33%, 8 mil 128 unidades, do total de 612 mil 220.

O total de veículos importados, em abril, somou 17 mil 135 unidades, com as associadas à Abeifa sendo responsáveis por 11,93%. O acumulado janeiro-abril mostra 68 mil 90 veículos importados – 11,94% por empresas associadas à entidade.

As associadas à Abeifa BMW, Chery, Land Rover e Suzuki produziram localmente, de janeiro a abril, 4 mil 184 unidades, aumento de 54,6% no comparativo com o mesmo período de 2016. Em abril foram fabricadas 1 mil 128 veículos, alta de 34,1% com relação a abril do ano passado.

Indústria requer adequar-se às demandas dos consumidores

O presidente da Volvo Cars, Håkan Samuelsson, disse que a empresa está mudando seu modelo de negócios para atender às demandas da sustentabilidade e que a indústria automobilística deve fazer o mesmo. Durante reunião patrocinada pela ONU, Organização das Nações Unidas, em Gotemburgo, Suécia, o executivo destacou os projetos da companhia em carros elétricos.

Samuelsson foi o anfitrião da ONU Global Compact Nordic Network, encontro que reúne empresas e especialistas para discutir desenvolvimento sustentável. Ele afirmou que as expectativas e demandas dos clientes estão mudando e que a indústria terá que mudar com eles. Sustentabilidade não é mais um simples exercício, mas um fator que pode definir negócios:

“Nossos clientes querem carros mais seguros, mais sustentáveis e convenientes. Podemos atender a essa demanda, ser uma força para a mudança e fazer nosso negócio ao mesmo tempo. Estou confiante de que nossa próxima geração de veículos, totalmente autônomos, eletrificados e conectados, ajudará a tornar as cidades do futuro mais limpas, seguras e inteligentes”.

Nos últimos anos, segundo o executivo, a empresa tem baseado sua estratégia corporativa no desenvolvimento de tecnologias focadas na sustentabilidade. Atualmente possui seis modelos de carros híbridos e pretende lançar mais um modelo eletrificado: “Reconhecemos as limitações do motor a combustão interna e o apetite pela mudança na sociedade. É por isso que temos um objetivo tão ambicioso quando se trata de eletrificação”.

Samuelsson apresentou o plano da Volvo para o mercado. Segundo ele a empresa deve entregar 1 milhão de carros eletrificados até 2025, e pretende usar energia limpa em todas as operações no mesmo ano. De 2004 a 2016 a fabricante reduziu em 70% as emissões de CO2 nas fábricas europeias.

Goldfajn vende, no Japão, a ideia de que queda da Selic promoverá confiança

Ilan Goldfajn, presidente do BC, Banco Central, disse na segunda-feira, em Tóquio, Japão, que a redução da taxa básica de juros, a Selic, contribuirá para a retomada do crescimento da economia brasileira. Ele participou da reunião bimestral de presidentes de bancos centrais do BIS, Banco de Compensações Internacionais, BIS, e de encontros com investidores institucionais.

Para ele várias reformas e ajustes aumentarão a confiança e reduzirão a percepção de risco associada à economia brasileira. Citou as reformas da previdência, a trabalhista e a da educação e a lei do teto dos gastos públicos. O presidente do BC lembrou que a Selic caiu de 14,25% ao ano, em outubro de 2016, para 11,25% ao ano na última reunião do Copom, Comitê de Política Monetária, em abril.

Goldfajn reforçou que o ritmo de cortes na Selic depende da evolução da atividade econômica, de fatores de risco e das expectativas para a inflação.

Focus – O mercado financeiro reduziu, pela nona vez seguida, a projeção para o IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, este ano. Agora a estimativa passou de 4,03% para 4,01%, de acordo com o boletim Focus, uma publicação elaborada semanalmente pelo BC.

A projeção para a inflação este ano está abaixo do centro da meta, que é 4,5%. A meta tem ainda limite inferior de 3% e superior de 6%. Para 2018 a estimativa subiu de 4,30% para 4,39%.

A projeção de instituições financeiras para o crescimento da economia este ano foi ajustada de 0,46% para 0,47%. Para 2018 a expectativa é a de que o PIB cresça 2,5% – a mesma projeção há sete semanas consecutivas

Receita da Marcopolo cresce com operações no Exterior

A Marcopolo faturou R$ 554,6 milhões no primeiro trimestre, crescimento de 29,5% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados na segunda-feira, 8, e sua análise mostra que o que sustentou o bom desempenho da empresa foram as operações no Exterior e as exportações.

A receita obtida no Exterior foi de R$ 201 milhões, alta de 46,3%, e o faturamento com as vendas externas chegou a R$ 203,8 milhões, aumento de 107,1%. Já a operação no Brasil caiu 22,2% no período, passando de R$ 192,5 milhões para R$ 149,8 milhões.

Segundo a companhia o crescimento da receita líquida é reflexo do maior faturamento nas exportações e do crescimento de 246,5% em volumes faturados pela controlada Polomex, no México. A receita líquida também foi positiva em R$ 84,9 milhões pela consolidação da operação da Neobus.

De acordo com José Antônio Valiati, diretor de relações com investidores, controladoria e finanças, “o desempenho da Neobus só passou a ser incluído no balanço no segundo semestre de 2016. Mesmo assim sem a consolidação a receita líquida da Marcopolo foi maior 9,7%”.

No primeiro trimestre a companhia lucrou R$ 3,2 milhões, recuo de 63,6% no comparativo com o mesmo período do ano passado. A geração de caixa medida pelo Ebitda também caiu 66,7%, chegando a R$ 500 mil. De acordo com dados do balanço da Marcopolo de janeiro a março foram investidos R$ 9,3 milhões, valor bem inferior aos R$ 36,5 milhões aportados no primeiro trimestre de 2016.

A produção consolidada da Marcopolo foi de 2 mil 10 unidades no primeiro trimestre. No Brasil a produção atingiu 1 mil 394 unidades, 29,4% superior à do mesmo período do ano passado, enquanto que no Exterior a produção foi de 616 ônibus, 113,9 % superior às unidades produzidas no mesmo período do ano anterior.

Chile e Peru impulsionam exportações de carros em abril

As exportações de automóveis brasileiros ao Chile e ao Peru mais do que dobraram em abril com relação ao mesmo mês do ano passado. Foram 2 mil 940 unidades, volume 176% maior do que a quantidade exportada no ano passado, que totalizou 1 mil 63 unidades. Ainda que a Argentina seja a principal parceira comercial do Brasil na região, os dois países foram os que obtiveram crescimento mais expressivo nas suas importações de carros fabricados aqui.

Ao Chile foram enviadas 1 mil 685 unidades em abril, volume que no ano passado chegou a 729. Para o Peru foram 1 mil 255 unidades ante 334 unidades registradas no ano passado, segundo dados da balança comercial do MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Os dois países, juntos, foram responsáveis por um volume de negócios de US$ 27,5 milhões. No ano passado foram US$ 9 milhões. Foi o maior crescimento registrado no grupo dos dez principais destinos das exportações brasileiras em abril.

A Argentina, principal mercado, recebeu 46 mil 17 unidades de veículos nacionais em abril, volume 59,7% maior do que o atingido em abril do ano passado. No período respondeu por 72% das exportações de automóveis, caminhões e ônibus do País, os quais geraram volume de negócios de US$ 591 milhões 7 mil às fabricantes instaladas aqui. O México, segundo principal destino da produção de carros brasileira, recebeu 7 mil 917 unidades no mês passado, 61,4% a mais do que o volume registrado no ano passado, 4 mil 905 unidades.

O terceiro país que mais recebeu carros nacionais foi a Colômbia, 1 mil 694 unidades, mais do que o dobro registrado em abril de 2016, quando foram exportadas 752 unidades. O Uruguai vem na sequência, com 1 mil 691 veículos – em abril de 2016 o país recebeu 1 mil 508 unidades. A África do Sul, 1 mil 154, Paraguai, 736, e Estados Unidos, 618, fecham a lista de principais destinos das exportações de carros do País.

Ao todo, em abril, o Brasil exportou 63 mil 528 unidades de veículos, carros, caminhões e ônibus. O volume injetou nos cofres das fabricantes US$ 810,2 milhões no mês passado, 74% a mais que o volume de negócios de abril de 2016, US$ 465,6 milhões.

O volume registrado ajudou a manter o ritmo do crescimento das exportações que o setor automotivo vive desde janeiro: de janeiro a abril foram embarcadas 232 mil 192 unidades, alta de 64,2% com relação ao mesmo período do ano passado.

Este resultado rendeu à indústria recorde histórico no volume de vendas para outros países: o quadrimestre foi o melhor dos últimos dez anos, com média mensal de 148,5 mil. Os dados são da Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

Volkswagen lança aplicativo para integrar funcionários

A Volkswagen do Brasil lançou um aplicativo de celular para facilitar os seus processos de comunicação interna. Desenvolvido em parceria com a IBM o app VW&Eu conectará os 16,5 mil trabalhadores das fábricas de São Bernardo do Campo, São Carlos e Taubaté, SP, e São José dos Pinhais, PR, com notícias sobre a empresa. A ferramenta digital também terá outras funcionalidades como acesso ao holerite, a preços de veículos com descontos atualizados para funcionários, ao banco de horas, a pedidos de férias, por exemplo.

André Senador, diretor de assuntos corporativos e de relações com a imprensa, disse que o objetivo é reforçar a percepção do empregado com atributos relacionados à inovação, à transparência e à velocidade da informação.

O app foi o segundo passo dado pela empresa dentro do conceito Fique Conectado, criado com o objetivo de ampliar o acesso dos colaboradores às mensagens e notícias sobre a companhia. Em janeiro foram instalados nas quatro fábricas da companhia 26 paineis com monitores de televisão conectados em rede. Com isso informações da empresa são espalhadas em tempo real aos empregados das áreas produtivas. Em cada setor foram instalados conjunto de três paineis que divulgam notícias, indicadores das fábricas, mensagens, desafios a serem enfrentados, conquistas das equipes.

As telas substituíram a forma tradicional de comunicação visual, que era feita por meio de quadros de avisos que consumiam até quatro horas de trabalho para a troca das mensagens e gerava gasto de R$ 30 mil reais/ano em papel e impressão. De acordo com Senador os colaboradores agora recebem um volume muito maior de notícias: “Após três meses com o Fique Conectado foram mais de 1 mil publicações divulgadas por meio dos paineis. Com o quadro de avisos este número era consideravelmente menor”.

Para ele a digitalização nos processos de comunicação será eficiente para atrair maior atenção e participação dos empregados: “Um dos mais importantes ganhos que estamos tendo com os paineis, e que também teremos com o app, é o fato de os colaboradores serem avisados em tempo real sobre as principais notícias da empresa, como, por exemplo, o lançamento de um carro”.

Senador acredita que essas ferramentas terão impacto direto no clima organizacional da empresa, o que poderá gerar ganhos de produtividade. Ele contou que, com os processos de comunicação mais tradicionais, nem sempre os funcionários ficavam sabendo que um novo modelo já fora apresentado ao mercado. Com a digitalização a informação chega simultaneamente ao acontecimento.

A ideia de oferecer mais agilidade surgiu de uma viagem que André Senador fez a instalações Volkswagen na África do Sul. Lá entrou em contato com algumas práticas de comunicação que serviram de inspiração para as brasileiras: “Os paineis e o app foram algumas delas. Contudo o aplicativo deles possui menos funcionalidades e é mais focado em notícias. Decidimos ampliar o conceito com utilidades que permitem maior digitalização nos processos”.

Com menos dias úteis, produção na Argentina recua

Em um mês particularmente curto, com dezoito dias de atividade, as fabricantes de veículos instaladas na Argentina produziram, em abril, 37 mil 730 automóveis e comerciais leves. Esse volume representou queda de 15,1% no comparativo com abril do ano passado, que teve 21 dias úteis que geraram 44 mil 447 unidades.

No primeiro quadrimestre a produção chegou a 128 mil 635 unidades, 9,8% inferior ao de mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados pela Adefa, associação que reúne as fabricantes da Argentina.

No mês passado as empresas exportaram 18 mil 571 veículos, avanço de 10,3% com relação ao quarto mês de 2016. De janeiro a abril, de acordo com dados da Adefa, os embarques totalizaram 58 mil 764 veículos, 5% a mais do que o volume exportado no primeiro quadrimestre de 2016.

Luis Ureta Sáenz Peña, presidente de Adefa, disse serem necessárias algumas medidas para melhorar a competitividade do setor na Argentina: “Propostas para diminuir a alta carga tributária, os custos logísticos, melhorar a produtividade e para abrir novos mercados são fundamentais para a indústria ser sustentável no longo prazo”.

Ele disse que a medida adotada pelo governo argentino, de reintegrar os impostos para os produtos exportados, pode ajudar na retomada da competitividade do setor nas exportações, “apesar de não reduzir a carga tributária do veículo, que se acumula no valor exportado, mas é um ponto importante que pode ajudar na retomada da indústria”.

Em vendas, as fabricantes registraram alta de 12,6% em abril com relação ao mesmo período do ano passado. Foram vendidas 68 mil 117 ante 60 mil 513 veículos. No acumulado de 2017, as vendas chegaram a 255 mil 179 unidades, aumento de 14,6% no comparativo com janeiro a abril de 2016.

Implementos ganham força no segmento florestal

As demandas do setor de papel e celulose nas exportações aumentaram o volume de vendas das empresas produtoras de implementos rodoviários no quadrimestre. Segundo dados da Anfir, Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, o número de emplacamentos de reboques e semirreboques para o setor florestal saltou de 228 unidades para 408 unidades no quadrimestre, alta de 78,9%.

Um alento para o setor que, desde 2012, vê o número de emplacamentos cair anualmente.

As fabricantes de papel e celulose intensificaram a produção do insumo por causa da alta das exportações verificada no primeiro trimestre. Isso criou um cenário favorável ao consumo de implementos específicos para o transporte de toras, por exemplo. Segundo dados do Ibá, entidade que representa o setor de papel e celulose no Brasil, foram produzidas no primeiro trimestre 4 mil 651 toneladas, sendo destinadas às exportações 3 mil 330 toneladas, volume 5,5% maior que o do mesmo trimestre do ano passado.

Para Mário Rinaldi, diretor executivo da Anfir, esse aumento é importante porque demonstra que as vendas de alguns segmentos atendidos pelas fabricantes de implementos deixaram de cair: “Ainda é cedo para considerar que iniciamos a esperada recuperação, mas os números não deixam dúvidas de que alguns segmentos já estão respondendo bem. A reação no segmento leve, com carroceria sobre chassis, demora e acontece sempre em consequência da reação no setor pesado, com reboques e semirreboques”.

Outro setor que demonstrou aumento nas vendas foi o de baús frigoríficos, impulsionado pelas exportações do agronegócio: no quadrimestre foram emplacadas 199 unidades, 27,5% a mais do que no mesmo período do ano passado, quando foram vendidas 156 unidades. Segundo David William Martins da Costa, diretor de operações da Ibiporã, a empresa passou a ganhar espaço no mercado em que outras, maiores, deixaram de crescer, e que o desempenho do setor agrícola puxou as vendas da empresa no trimestre: “Atendemos aos grandes clientes do setor, BRF e JBS, e as exportações destas empresas refletiram nas nossas vendas de baús”.

A empresa, que fica em Ibiporã, PR, tem 350 funcionários e opera com um turno.

Por outro lado – O crescimento em alguns segmentos foi insuficiente para reverter o perfil negativo das vendas de implementos das fábricas brasileiras. No quadrimestre foram emplacadas 15 mil 409 unidades de veículos rebocados e implementos sobre chassis, queda de 26,7%. O resultado foi o pior desde 2012. O recorde, alcançado em 2011: 57 mil 774 implementos.

Alcides Braga, presidente da Anfir, disse que o desempenho no início do ano sempre sofre reflexos do mês mais curto, que é fevereiro, e do mês de mercado tradicionalmente mais fraco, janeiro: “Esse ano, porém, com a crise o resultado despencou”.