A Delphi quer aumentar sua fatia, de 18%, no mercado de reposição na América do Sul competindo no segmento de velas de ignição, um produto que é novidade no seu portfólio. Por isso importará o componente da Europa, onde já fornece para as fabricantes de veículos. Por aqui, no entanto, manter negociação de velas OEM ainda é algo distante.
Por estar atuando num terreno que é dominado historicamente por empresas como NGK, Bosch e incontáveis fornecedores asiáticos independentes, a Delphi aposta na sua rede de distribuidores de sistemas de ignição para atrair clientes para as velas Blue Power, como foi batizada a linha. Segundo Amaury Oliveira, diretor de aftermarket da Delphi na América Latina, foram contratados profissionais para atuar na ponta da cadeia de fornecimento com o objetivo de inserir a novidade no mercado, além de gente especializada em pesquisa de mercado:
“Em momentos como o atual, ou as empresas do segmento cortam custos ou melhoram o portfólio. No nosso caso, após pesquisas, enxergamos boas possibilidades no segmento de velas porque já atuamos no mercado com outros componentes do conjunto de ignição. É um mercado que demanda 45 milhões de velas por ano e no qual ainda não estávamos”.
As velas Blue Power são produzidas por três fornecedores europeus e recebe a marca Delphi. A ideia é que o produto chegue ao mercado com status de premium.
Segundo Oliveira não há intenções de brigar por preço com a concorrência: “Não podemos considerar que a linha de velas chega às lojas para disputar espaço com os players tradicionais e com material fabricado na Ásia, que tem custo menor. A ideia é atender uma faixa de consumidor que busque componentes de uma mesma marca em todo o sistema de ignição”.
A nova linha incorpora uma gama de produtos para reposição que contém 32 linhas, sem contar as peças remanufaturadas, outra aposta da companhia para o aftermarket. No ano passado a Delphi remanufaturou volume de 9 mil componentes.
O executivo despistou sobre o eventual fornecimento de velas OEM: “Não há conversas ainda aqui no Brasil: o que existem são especulações. É algo distante apesar de sermos fornecedores históricos no segmento de originais”.
Ele ainda citou o exemplo do mercado estadunidense, berço da empresa, para justificar a estratégia: “Esta linha só é comercializada no Brasil e na Europa, e não nos Estados Unidos, para você ver como tudo depende da resposta do mercado. Lá, por outro lado, vendemos baterias na reposição e aqui não. Quem sabe? Tudo depende”.