Receita caiu em 2016. Expectativa, agora, é crescer.

O faturamento das locadoras de veículos caiu no ano passado. A receita foi de R$ 12,1 bilhões, valor 25,3% menor que os R$ 16,2 bilhões apurados em 2015. De acordo com Paulo Nemer, presidente da ABLA, Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, a retração está relacionada principalmente ao cenário econômico e político sob o impacto pela operação Lava Jato.

“Perdemos grandes clientes nas áreas de óleo e gás. Muitos clientes pararam seus negócios e contratos com as locadoras foram extintos.”

Apesar da redução da receita no último ano Nemer acredita que os resultados de 2017 serão mais favoráveis e o setor voltará a crescer: “O governo, que é um dos nossos principais clientes, iniciou alguns processos de licitação e isto já é um bom sinal.”

Segundo levantamento da ABLA no ano passado a área de negócio com mais representatividade no faturamento foi a terceirização de frota – aluguel e gerenciamento de veículos para pessoa jurídica –, que representou 45% da receita. Nemer disse que a melhoria foi causada pela entrada de novos clientes:

“A crise econômica fez com que grandes empresas vendessem sua frota e terceirizaram o serviço”.

O aluguel para pessoa física destinado às áreas de turismo e lazer teve participação de 25%. Já a locação para turismo de negócios ficou com 17%. Demais serviços, que inclui a locação de automóveis para usuários do aplicativo Uber, ficaram com 13% da fatia.

Perfil – O levantamento da ABLA mostra, ainda, que a idade média da frota das locadoras ficou em 20,7 meses em 2016 – no ano anterior era de 19,5 meses. O número de veículos também diminuiu, de 853 mil 217 em 2015 para 660 mil 277 no ano passado.

Em 2016 as locadoras de veículos foram responsáveis por 10,95% do volume de 1 milhão 988 mil emplacamentos de automóveis e comerciais leves. No segmento de caminhões e ônibus a participação foi de 16,14% dos 61 mil 720 veículos licenciados.

“Estes números mostram que as locadoras continuam sendo um cliente importante para as fabricantes de veículos.”

No ranking das marcas que possuem mais participação nas locadoras, a Fiat Chrysler aparece com 24,23%, depois vem a Volkswagen com 19,23%. General Motors tem 15,03%, Renault 13,5% e Ford 11,13%.

Em números gerais as 11 mil 199 empresas do setor empregaram 410 mil 378 pessoas em 2016, e contabilizaram 23 milhões 293 mil 720 usuários. No ano anterior eram 7 mil 455 as empresas, 472 mil 113 os empregos e 26 milhões 825 mil 784 os clientes.

Produtividade será a contribuição do PIB para a indústria

O BC, Banco Central, divulgou na quinta-feira, 30, o relatório trimestral de inflação que mostra a relação do NUCI, nível de utilização da capacidade industrial, com o investimento em bens de capitais da indústria de transformação. A conclusão para os três primeiros meses do ano foi que a alta ociosidade sugere limitações para a retomada dos investimentos em novos equipamentos em médio prazo e na abertura de novos postos de trabalho. O setor automotivo registra atualmente ociosidade de 54%. Somente nas fábricas de caminhões este índice chega a 80%.

Ainda de acordo com informações do BC o nível de utilização está em patamar historicamente reduzido.

Para Carlos Viana de Carvalho, diretor de política econômica do BC, “a estrutura atual dentro das fábricas seria suficiente para um eventual aumento da demanda por bens industriais”.

De acordo com ele isto significa, também, que em médio prazo a contribuição da indústria para o crescimento do PIB não ocorrerá por meio de investimentos, mas pelo aumento da produtividade.

Zeina Latif, economista chefe da XP Investimentos, observou que a baixa demanda e a ociosidade alta geram oportunidades para que a indústria se prepare melhor para a retomada, abrindo caminho para se tornar mais competitiva:

“Este é o momento para rever a gestão e se posicionar melhor para quando o mercado voltar a crescer”.

De acordo com a economista as empresas mais produtivas possuem capacidade maior de reação e isto reflete no conjunto da economia.

“Quando uma empresa estrutura sua gestão tem potencial para produzir mais com menos recursos e, com isto, consegue oferecer produtos com preços mais acessíveis. Isto ajuda a movimentar o mercado interno.”

Estas companhias passam também a ser mais competitivas no mercado externo. Para Zeina Latif é importante iniciar este exercício a partir de agora e evitar dificuldades no momento em que a demanda voltar a aquecer.

No entanto ela adverte que também é necessário fazer a lição de casa da porta para fora das empresas: “Uma indústria competitiva não se constrói apenas com a gestão interna. Há diversas questões externas que diminuem a competitividade, como o custo Brasil e complexidades tributárias, fatores que impedem o avanço”.

Ela disse que este é o momento para pressionar o governo por uma agenda de discussões que trate desta questão e contribua para soluções destes gargalos.

Em linhas gerais o relatório trimestral de inflação mostra projeção de crescimento do PIB revisada para 0,5% e expectativa de inflação de 4,1% para este ano e em torno da meta de 4,5% em 2018. De acordo com o BC está havendo “um processo de desinflação em curso mais difundido e aumento da confiança em sua continuidade”.

Fiat Mobi 1.0 ganha câmbio automatizado

Menos de um ano após o lançamento do Mobi a Fiat apresenta a linha 2018 do seu subcompacto. A principal novidade é a adição de uma versão com câmbio automatizado, o Mobi Drive GSR, o primeiro carro com motor 1.0 da empresa com este tipo de transmissão. De acordo com informações da Fiat isto não significa que o Uno com motor 1.0 também ganhará versão automatizada. Outra novidade é que a linha passa ter cinco versões: Easy, Like, Way, Drive e Drive GSR. Os preços começam a partir de R$ 33,7 mil.

A empresa informou que a expectativa é emplacar mais de 50 mil unidades do modelo por ano, cerca de 4,5 mil/mês. A projeção é mais alta do que as 38 mil que projetava comercializar com a primeira geração do Mobi. No entanto, desde que o carro chegou ao mercado, a Fiat comercializou 3,5 mil unidades por mês. No que diz respeito à participação de vendas por versão a companhia acredita que a versão Like tenha fatia 40%, seguida da Drive com transmissão manual, que deverá representar 20%. Já as versões Way e Easy terão 15% de representatividade, cada uma.

Economia – De acordo com a Fiat a versão Drive com câmbio automatizado é mais econômica do que outros modelos 1.0 à venda no País. A empresa diz que atestou esta informação com base em testes do Inmetro.

O câmbio do Mobi Drive GSR possui uma função que torna arranques e manobras mais confortáveis e seguras. A versão também dispõe de sistema que identifica uma rápida retomada de velocidade e aborta a troca para uma marcha superior. O motor Firefly 1.0 de três cilindros tem potência mais elevada, maior torque em baixas rotações. Estes atributos, de acordo com a empresa, fazem com que haja menor consumo de combustível.

Clique aqui para saber mais sobre a trajetória do Fiat Mobi no País.

Confiança e capacidade instalada aumentam em março

O ICI, Índice de Confiança da Indústria, divulgado trimestralmente pela Fundação Getúlio Vargas, avançou 2,9 pontos em março de 2017, chegando a 90,7 pontos acumulados no período. É o maior nível desde maio de 2014, quando o índice acumulado foi de 92,2. Com o resultado a média do primeiro trimestre fecha em 89,2 pontos, 3,5 pontos acima do trimestre anterior.

A alta na confiança industrial ocorreu em dezessete de dezenove segmentos pesquisados e, segundo a FGV, se espalhou por todos os quesitos do levantamento. Houve avanço tanto nas expectativas dos empresários quanto no indicador que mede a situação atual. O índice de expectativas, chamado de IE no estudo, avançou 3,8 pontos, para 93,1 pontos, o maior nível desde abril de 2014, quando chegou a 96,9 pontos, e o índice da situação atual, o ISA, subiu 2,1 pontos, para 88,5 pontos, o maior desde janeiro de 2015, quando registrou 89,1 pontos.

Para Aloísio Campelo Júnior, superintendente de estatísticas públicas da FGV, os indicadores são um termômetro da atividade na indústria e mostram projeção de crescimento.

“Com a alta de março o ICI consolida a tendência de recuperação e atinge um nível próximo ao registrado no início da atual recessão. O resultado parece retratar um setor em fase de transição no ciclo econômico: há novidades favoráveis, como o expressivo espalhamento setorial da alta e a melhora das expectativas, tendo como contraponto a persistente insatisfação com a situação atual dos negócios.”

O técnico da fundação também sinaliza para variações na expectativa por causa dos riscos intrínsecos à economia: “O cenário econômico é propício à gradual elevação da confiança industrial ao longo dos próximos meses, embora condicionado a sobressaltos e aos riscos inerentes ao ainda elevado grau de incerteza”.

A maior contribuição para a alta do índice de expectativas foi dada pelo quesito que mede os prognósticos acerca da evolução da produção. Após cair 2 pontos em fevereiro o indicador de produção prevista subiu 4,6 pontos em março, atingindo 93,3 pontos. Neste período houve elevação da proporção de empresas prevendo aumentar a produção nos três meses seguintes, de 27,6% para 30,9% do total, e relativa estabilidade na parcela das que preveem reduzir a produção, que passou de 19,3% para 19,0% do total.

Em março o indicador que mede a avaliação do nível de estoques exerceu a maior contribuição para a evolução do ISA no mês. A evolução ocorreu pelo aumento da parcela de empresas que avaliam o nível de estoques atual como insuficiente, que passou de 4,9% para 6,1% do total, enquanto a das que o consideram excessivo passou de 12,8% para 12,9%. Com o resultado os estoques industriais ficam muito próximos à situação de normalização que já haviam alcançado em setembro.

O nível de utilização da capacidade instalada, chamado de NUCI no levantamento da FGV, subiu 0,1 ponto porcentual em março, para 74,4%. No primeiro trimestre de 2017, a média do indicador fechou também em 74,4%, 1 ponto porcentual acima do trimestre anterior.

Governo criará nova taxa para o BNDES

O governo criará uma nova taxa para os empréstimos concedidos pelo BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Nos próximos dias, será editada Medida Provisória alterando a remuneração das operações de crédito concedidas pelo banco com a recém-criada Taxa de Longo Prazo,TLP. Os novos juros serão calculados mensalmente pelo Banco Central, BC, e servirão para contratos novos firmados a partir de 1º de janeiro de 2018. As informações são do Ministério da Fazenda.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse que a TLP ajudará a aumentar a potência de atuação do Banco Central (BC) no controle da inflação. Ilan afirmou, ainda, que os novos empréstimos terão uma taxa mais relacionada com o mercado. “A política monetária ficar mais potente significa que se consegue fazer políticas anticíclicas mais fortes, uma vez que uma parte maior do crédito é de mercado. Reduz os custos da desinflação. O fato de ser uma taxa de mercado gera bastante transparência.”

A TLP será composta pela variação do IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, e por taxa de juros real prefixada mensalmente, de acordo com o equivalente ao rendimento real das Notas do Tesouro Nacional – Série B, NTN-B, no prazo de cinco anos. A NTN-B reflete o custo de captação do Tesouro Nacional, o mais baixo do mercado. Em janeiro, as duas taxas – TJLP e TLP – serão iguais, 7% ao ano, mas passarão a ser diferentes ao longo do tempo. Quando os contratos já firmados terminarem, a TJLP deixará de existir. “Ao longo do tempo vamos ter uma taxa de juros menor para os empréstimos do BNDES e para todas as taxas de juros da economia”, disse Ilan.

O estoque existente de contratos não sofrerá alteração, continuará sendo atualizado pela TJLP, que permanecerá sendo calculada e divulgada obedecendo aos parâmetros atualmente em vigor.

No dia 1º janeiro de 2018 a nova taxa será igualada à TJLP vigente, não representando nenhuma descontinuidade. A partir de então, a TLP seguirá a nova sistemática, convergindo gradualmente no prazo de cinco anos para a remuneração integral da NTN-B, acrescentou o Ministério da Fazenda.

Segundo o ministério, a nova taxa poderá fomentar o financiamento privado de longo prazo. “O aumento dos financiamentos privados irá gerar mais investimentos e, consequentemente, mais empregos”. O ministério também considera que a taxa vai contribuir para a queda da Selic e o controle da inflação. “A TLP poderá contribuir para o controle da inflação ao menor custo para a sociedade.”

Chinesa compra 5% da Tesla

Fontes do setor de tecnologia informaram que a empresa chinesa Tencent Holdings formalizou a compra de ações da Tesla por US$ 1,7 bilhão. Com a transação a Tencent terá 5% do capital da fabricante. As informações são do site venezuelano Flash de Motor. De acordo com especialistas esta injeção de dinheiro vai ajudar a Tesla reforçar seu caixa que ficou desajustado após ela ter adquirido a Cidade Solar, especialista em fabricação de painéis solares para casas.

Nos últimos tempos a Tesla tem buscado dinheiro no mercado financeiro com a emissão de títulos. Assim, ela ainda não gerou lucros com a produção e a venda do sedã Model S e do SUV Model X, mesmo tendo dois carros líderes em seus segmentos nos Estados Unidos e na América do Norte. A expectativa é de que com o inicio da produção do Model 3 este cenário mude e gere mais lucro para a companhia. Ele será o primeiro carro da empresa a ser oferecido para um segmento de grande volume.

Tencent – Estabelecida em Shenzhen, no sul da China, a Tencent é um dos gigantes chineses na área de tecnologia. A empresa foi fundada em 1998, expandindo seu alcance na Europa e no restante do ocidente a partir de 2012. Com esta expansão hoje o valor da empresa é em torno de US$ 300 bilhões.

Seu negócio principal tem sido serviços online, mensagens instantâneas e o desenvolvimento de soluções digitais, como serviços de redes sociais, jogos e e-commerce, entre outros.

Com o acordo a Tencent passa a ser o quinto parceiro da Tesla, mas o empreendedor sul-africano Elon Musk ainda é o principal acionista com 21% de participação. Os restantes dos papéis pertencem a três fundos de investimento norte-americano: T.Rowe Price, Fidelity e Baillie Gifford.

Mudar quem senta à mão direita do CEO

Agora é praticamente oficial: na quinta-feira, 30, ao divulgar o Relatório Trimestral da Inflação, o Banco Central reconheceu, ainda que em bom economês, que, “como o processo de desinflação em curso mostra-se mais difundido”, passa a ter espaço para a “intensificação moderada do ritmo de flexibilização monetária”.

Traduzindo: o ritmo de redução da taxa Selic deve subir de 0,75 ponto para pelo menos 1,0 nas próximas reuniões do Conselho de Política Monetária, Copom, com reflexos diretos, ainda que não imediatos, nas taxas de juros cobradas dos consumidores e das empresas pelos bancos.

Para um setor, como o automotivo, cujas vendas são umbilicalmente dependentes de financiamentos, é uma grande notícia. Afinal, para que a decisão de compra do consumidor seja tomada, bem mais do que o preço total do carro, o que importa, de fato, é se o valor mensal da prestação a ser paga cabe dentro do orçamento.

Na prática, assim, dentro da relatividade que caracteriza os valores constantes nas tabelas de preços das montadoras, a redução do valor da prestação decorrente de qualquer eventual queda nas taxas de juros bancários tem o mesmo efeito que uma redução equivalente nos preços dos veículos. Ou, numa imagem espelhada, o mesmo reflexo que o aumento proporcional do poder aquisitivo do consumidor.

Todavia, fiel ao ritmo do clássico de João Bosco imortalizado por Elis Regina, o “Dois pra lá, dois pra cá”, movimento cíclico que tem caracterizado a vida econômica nacional neste início de 2017, já na sexta-feira, 31, o IBGE encarregou-se de jogar verdadeira ducha de água gelada. Informou que o desemprego do País foi de 13,2%, em média, no trimestre de dezembro a fevereiro, alta de 11,7% com relação ao trimestre anterior é a taxa mais alta desde que o instituto começou a publicar a pesquisa, em 2012.

O efeito, no caso, é diametralmente oposto ao da redução das taxas juros. Afinal, nada como um desempregado em casa para reduzir drasticamente o poder aquisitivo da família e, por decorrência natural, acabar com a possibilidade de viabilizar a compra de um carro zero ou pelo menos de um mais novo.

Segundo os dados divulgados pelo IBGE, que fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio, Pnad, o trimestre em questão fechou com 13,5 milhões de desempregados, 1,3 milhão a mais do que no período anterior.

Com o endividamento das famílias em níveis tão alto, não é à toa que não há como acomodar no orçamento familiar uma prestação adicional ligada à compra de um carro novo. É isto, por mais que o valor desta parcela diminua em razão de eventual queda nas taxas de juros.

É bem verdade que, desta vez, este aumento no número de desempregados traz uma leve, porém muito importante, distorção estatística. Muito provavelmente trata-se de um aumento que teria ocorrido de qualquer forma, ainda que nenhum outro trabalhador tivesse sido demitido,

Explica-se: o IBGE considera desempregado quem não tem trabalho e procurou alguma colocação nos 30 dias anteriores à semana em que os dados foram coletados. Pois bem, com os vários bons indicadores econômicos que tem pipocado com razoável frequência, é bem provável que isto tenha animado muitos trabalhadores que estava em casa há tempos a voltar a tentar encontrar alguma colocação. E foi assim que, por passar a reunir simultaneamente as duas premissas básicas, ingressaram nas estatísticas.

É bem provável que este quadro se mantenha pelo menos inalterado nos próximos meses. É certo que, de um lado, o Índice de Confiança da Industria, ICI, divulgado trimestralmente pela Fundação Getúlio Vargas, FGV, mostrou na quinta-feira, 30, avanço de 2,9 pontos em março, chegando a 90,7 pontos acumulados no período, o mais alto desde maio de 2014, conforme mostrou matéria de Bruno de Oliveira, na edição de sexta-feira, 31 da Agência AutoData.

Todavia, e sempre fiel ao ritmo “Dois pra lá, dois pra cá” da economia nacional, na mesma edição da Agência AutoData matéria de Aline Feltrin mostrou que no relatório trimestral de inflação o Banco Central também indicou que o nível de utilização da capacidade industrial, NUCI, apontou que a alta ociosidade sugere limitações para a retomada dos investimentos em novos equipamentos e, mais grave, para abertura de nossos postos de trabalho.

O próprio setor automotivo registra, hoje, ociosidade de 54%, índice que chega a 80% no universo especifico das fábricas de caminhões. E várias das empresas do setor tem funcionários em regime de Programa Seguro Desemprego, novo nome e formato do antigo Programa de Proteção ao Emprego.

Na prática isto significa que, embora já enxerguem alguma luz no horizonte, como mostra o ICI, a indústria, ainda castigada pelo NUCI, está bem longe de começar a contribuir de forma mais marcante e decisiva para a redução do grande contingente de desempregados que o IBGE constada na Pnad.

É todo este conjunto de fatores que tem feito com que o mercado de veículos permaneça relativamente insensível às mais variadas promoções que têm sido ativadas a cada semana pelas montadoras.

Ainda que às custas de muita perda da qualidade de vendas, o máximo que o setor vem conseguindo é, quando muito, manter as vendas em patamar próximo ao do ano passado, o que equivale a venda de praticamente a metade do que era comercializado antes do início da crise.

As tradicionais fórmulas de descontos com relação ao preço de tabela, IPVA grátis e juros zero mostram-se desgastadas e perdem força. Até porque, depois de tanto tempo seguido de crise, o consumidor sabe muito bem que aquela mesma oportunidade será repetida, senão melhorada, na próxima semana.

É bem provável, então, que esteja chegando a hora de fazer nova mudança na escolha de quem deve sentar á mão direita do CEO nas reuniões da diretoria.

Quando o problema era manter a empresa viva e rentável mesmo com vendas pela metade, está posição foi do financeiro. Depois, na fase das demissões em massa e acordos de redução da jornada, passou para o RH. E, na sequência, quando foi preciso enxugar a estrutura das fábricas, o posto ficou com o diretor de produção.

A rigor, com a confusão que tem marcado a vida de Brasília, apenas o responsável pelas relações governamentais, que no passado por muitos e muitos anos teve este lugar como cativo, vem ficando desta vez, de fora do rodízio.

Agora muito provavelmente chegou a hora da área especifica de marketing ganhar assento a mão direita do CEO. E com a difícil missão não apenas e tão somente de convencer os consumidores de que o produto que sua montadora fabrica é um inegável objeto de desejo.

Agora é preciso mais. Bem mais. Neste momento é preciso convencer o consumidor de que ele precisa e deve transformar este desejo na compra efetiva de um carro. E o mais depressa possível.

Pode até não chegar a ser uma missão impossível. Mas, com certeza, é bem difícil. Um desafio e tanto. Ainda mais nesta fase de Uber e outros que tais.

Mercedes-Benz moderniza fábricas e cuida dos fornecedores

As fábricas da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, SP, e em Juiz de Fora, MG, devem se tornar referência para a Daimler no mundo. Segundo o presidente da empresa para a América Latina, Phillip Schiemer, R$ 730 milhões estão sendo investidos principalmente para modernizar as duas unidades e, assim, aumentar a produtividade. Desse recurso, programado para até 2018, já foram gastos mais de 60%. “É uma atualização expressiva. Não fizemos isso nos últimos 30 anos. Todas as linhas precisavam ser modernizadas, os maquinários são antigos.”

Schiemer ressaltou que, dentro dessa atualização, alguns processos que estavam sob o chapéu da fabricante foram terceirizados para melhorar a competitividade das fábricas brasileiras. “Quando viemos para o Brasil, há 60 anos, tivemos que fabricar muitas peças de nossos veículos. Agora, já contamos com fornecedores capacitados para isso. Identificamos quais gargalos da linha de produção impediam os ganhos de produtividade”, disse o executivo sem mencionar que tipo de componente a montadora terceirizou.

A Mercedes-Benz conta com um parque de fornecedores de 400 empresas. A maior parte, segundo Schiemer, se encontra em situação financeira saudável, mesmo com a crise do setor automotivo. A empresa monitora diariamente os parceiros e quando há problema, a Mercedes-Benz analisa como auxiliar o fornecedor a fim de não prejudicar a produção. “Quando a situação é crítica, podemos antecipar recebíveis, comprar matéria-prima ou ceder funcionários para o parceiro. A relação é muito próxima.”

O diretor de compras da Mercedes-Benz, Érodes Berbetz, disse que por meio desse monitoramento diário, a companhia conseguiu detectar que menos de 5% de suas compras é feita em fornecedores em situação crítica. “A partir daí, entramos com o auxílio para que esse parceiro não pare a sua produção. Outra frente é uma ajuda para manter os fornecedores competitivos para quando o mercado voltar.”

A Mercedes-Benz espera um aumento das vendas, principalmente de caminhões, em torno de 10% neste ano. No ano passado, as montadoras instaladas aqui comercializaram 50 mil 559 unidades. Em 2015, esse volume foi de 71 mil 651 caminhões. “Um crescimento de até 15% não afetará tanto esses fornecedores em situação difícil”, disse Berbetz.

Custo Brasil – Segundo Schiemer, mesmo com a melhora da produtividade das fábricas no País, a Mercedes-Benz é pouco competitiva em relação a outras unidades da companhia no mundo. “O custo Brasil é muito alto. Para se ter uma ideia, é 20% mais caro produzir aqui do que no México, por exemplo. Isso se dá não por falta de competitividade dentro das fábricas e sim pela burocracia, pela alta carga tributária e pela falta de uma logística eficiente.”

Para o executivo, a crise econômica que o País enfrenta é uma boa oportunidade para reformas estruturantes. Isso pode melhorar a competitividade brasileira e promover a retomada da economia. “O Brasil tem uma carga tributária alta, mas antes de aumentar os impostos, o governo precisa olhar quais são os gastos que podem ser cortados. O problema não é arrecadação. O dinheiro é mal gasto. Mas, a prioridade absoluta tem de ser o ajuste fiscal.”

Vendas diminuem ritmo de queda no trimestre

As vendas de veículos no País recuaram 1,94% no primeiro trimestre com relação a igual período do ano passado: foram licenciadas 472 mil unidades contra 481 mil 360. Os números do mês passado, contudo, são mais animadores: foram comercializados 189 mil 143 veículos, alta de 5,5% no comparativo com a mesma base de 2016. Os dados são da Fenabrave.

Caminhões seguem ladeira abaixo. De acordo com o levantamento foram emplacadas 9 mil 675 unidades no primeiro trimestre, o que resultou em queda de 25,52%, pois no mesmo período do ano passado foram vendidas 12 mil 990. Em março as vendas chegaram a 4 mil 124 caminhões, o que representou declínio de 14,48%.

A venda de ônibus também não apresentou recuperação nas vendas. De janeiro a março foram comercializadas 2 mil 523 ante 3 mil 344 unidades no mesmo período do ano passado. O recuo foi de 24,55%. No mês passado os emplacamentos foram 1 mil 169, queda de 2,5%.

De acordo com o levantamento da Fenabrave de janeiro a março os licenciamentos de automóveis e comerciais leves somaram 459 mil 806. Esse volume representou queda de 1,12% com relação aos 465 mil 26 emplacamentos registrados no mesmo período do ano passado. Em março chegaram a 183 mil 850, alta de 6,11% no comparativo com o mesmo período de 2016.

A General Motors segue líder de vendas no trimestre, de acordo com os dados da Fenabrave. Deteve 17,80% de participação nas vendas de automóveis e comerciais leves. A Fiat é a segunda no ranking, com 13,59%, seguida de perto pela Volkswagen com 12,79%. A Hyundai foi quarta em licenciamentos no trimestre, com fatia de 9,32%, a Ford abocanhou 9,23% de participação e a Toyota 8,84%.

A liderança na tabela dos mais vendidos continua com o Chevbrolet Onix, com 40 mil 624 unidades. O segundo colocado, o Hyundai HB20, teve 24 mil 520 unidades licenciadas. O Ford Ka aparece em terceiro, com 20 mil 864 unidades. O Volkswagen Gol é o quarto, com 15 mil 947, e o Renault Sandero o quinto, com 14 mil 973 unidades licenciadas.

Já nos licenciamentos de comerciais leves do trimestre a Fiat tem os dois primeiros lugares no ranking de mais vendidos: a picape Strada foi a campeã, com 12 mil 269 unidades, seguida da Toro, com 11 mil 240 emplacamentos. A VW Saveiro foi a terceira colocada, com 9 mil 495 unidades. A Toyota vendeu 7 mil 406 unidades da picape Hilux, que foi a quarta colocada no trimestre, e a Chevrolet S10 foi a quinta, com 5 mil 878 unidades emplacadas.

Vendas da GM crescem nos Estados Unidos, diz The Detroit News

Cresceram as vendas da General Motors em março, nos Estados Unidos, enquanto as das rivais Ford e Fiat Chrysler apresentaram declínio no período. As informações são do The Detroit News.

De acordo com a publicação naquele país continua em alta o consumo de picapes e SUVs. A Ford, por exemplo, viu as vendas da Série F saltarem 10%, com volume de 81 mil 330 no mês. Já as dos seus automóveis declinaram 36%, com 53 mil 780 unidades.

Os emplacamentos dos automóveis da GM recuaram 11%. Apesar de Toyota e Honda terem registrado recuo nas vendas totais, também sentiram alta na procura por SUVs.

Mark LaNeve, vice-presidente de marketing, vendas e serviços da Ford nos Estados Unidos, disse em teleconferência com analistas e repórteres que as vendas de automóveis estão em queda e que este movimento ocorre em toda indústria, mas que isto não é ruim para a receita da Ford:

“Temos visto este movimento há seis anos. É um fenômeno muito positivo. Picapes e SUVs possuem um preço bem mais elevado, o que é muito bom para a empresa”.

No entanto analistas consultados por The Detroit News disseram que os números mais recentes são vistos como abaixo das expectativas e são uma indicação de que as vendas destes veículos podem ter atingido o pico. Michelle Krebs, analista executivo da Autotrader, disse ao site que há algum tempo as vendas nos Estados Unidos estabilizaram em nível muito alto: “Em março foram altas, mas estão se mantendo como previsto”.

Números e marcas – A Fiat Chrysler vendeu 190 mil 254 veículos em março, queda de 5% com relação ao mês anterior, uma redução de 44 mil unidades. A estratégia da empresa tem sido se afastar de vendas para locadoras – e as comercializações para concessionárias foram responsáveis por um quarto do total do mês. DE acordo com Krebs “quando o desempenho da Jeep cai isto reflete nos resultados gerais da empresa”.

Em vendas gerais a Dodge teve aumento de 10%, e a marca Ram cresceu 6%. As vendas da Chrysler caíram 33% e as da Fiat 5%.

Já as da GM seguem subindo. Em março a companhia contabilizou 256 mil 224 veículos comercializados, consolidando previsões dos analistas. O volume foi 15% superior ao do mesmo mês de 2016, porém as vendas para o varejo dos carros Chevrolet caíram 11%. Em contrapartida as comercializações do Chevy Cruze aumentaram 88% com relação a março do ano passado, as de Impala e Malibu retraíram 23% e 36%, respectivamente. As vendas da GMC recuaram 12%, o que significou emplacamento de 49 mil 948 picapes e SUV´s no último mês.

A Ford licenciou 236 mil 250 veículos no mês passado. Embora tenha registrado acréscimo de 10% na comercialização dos veículos da Série F – fazendo com que as vendas globais subissem 2,5% –, os outros veículos tiveram queda de 17%.

Seguindo este cenário as vendas de picapes e SUVs Toyota também se sobressaíram com relação às de automóveis. De acordo com informações da empresa houve recuo de 1,2%: somente os emplacamentos de Exus tiveram queda de 7,5%.

As vendas de picapes e SUVs também foram destaque na Honda, com 61 mil 975 unidades, o que significa 12% de acréscimo sobre o mesmo período do ano passado. Mas no desempenho total houve recuo de 0,7%. Entre os modelos o CR-V foi líder em vendas de picapes, com 82 mil 872 unidades emplacadas e acréscimo de 23% com relação ao mesmo período do ano anterior. O Civic continuou na posição de automóvel mais vendido nos Estados Unidos no primeiro trimestre.

E a Audi registrou acréscimo de 2% nos licenciamentos de março, mas no acumulado do primeiro trimestre teve aumento 9%.