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07/04/2017

Produtividade será a contribuição do PIB para a indústria

Por Aline Feltrin

- 07/04/2017

O BC, Banco Central, divulgou na quinta-feira, 30, o relatório trimestral de inflação que mostra a relação do NUCI, nível de utilização da capacidade industrial, com o investimento em bens de capitais da indústria de transformação. A conclusão para os três primeiros meses do ano foi que a alta ociosidade sugere limitações para a retomada dos investimentos em novos equipamentos em médio prazo e na abertura de novos postos de trabalho. O setor automotivo registra atualmente ociosidade de 54%. Somente nas fábricas de caminhões este índice chega a 80%.

Ainda de acordo com informações do BC o nível de utilização está em patamar historicamente reduzido.

Para Carlos Viana de Carvalho, diretor de política econômica do BC, “a estrutura atual dentro das fábricas seria suficiente para um eventual aumento da demanda por bens industriais”.

De acordo com ele isto significa, também, que em médio prazo a contribuição da indústria para o crescimento do PIB não ocorrerá por meio de investimentos, mas pelo aumento da produtividade.

Zeina Latif, economista chefe da XP Investimentos, observou que a baixa demanda e a ociosidade alta geram oportunidades para que a indústria se prepare melhor para a retomada, abrindo caminho para se tornar mais competitiva:

“Este é o momento para rever a gestão e se posicionar melhor para quando o mercado voltar a crescer”.

De acordo com a economista as empresas mais produtivas possuem capacidade maior de reação e isto reflete no conjunto da economia.

“Quando uma empresa estrutura sua gestão tem potencial para produzir mais com menos recursos e, com isto, consegue oferecer produtos com preços mais acessíveis. Isto ajuda a movimentar o mercado interno.”

Estas companhias passam também a ser mais competitivas no mercado externo. Para Zeina Latif é importante iniciar este exercício a partir de agora e evitar dificuldades no momento em que a demanda voltar a aquecer.

No entanto ela adverte que também é necessário fazer a lição de casa da porta para fora das empresas: “Uma indústria competitiva não se constrói apenas com a gestão interna. Há diversas questões externas que diminuem a competitividade, como o custo Brasil e complexidades tributárias, fatores que impedem o avanço”.

Ela disse que este é o momento para pressionar o governo por uma agenda de discussões que trate desta questão e contribua para soluções destes gargalos.

Em linhas gerais o relatório trimestral de inflação mostra projeção de crescimento do PIB revisada para 0,5% e expectativa de inflação de 4,1% para este ano e em torno da meta de 4,5% em 2018. De acordo com o BC está havendo “um processo de desinflação em curso mais difundido e aumento da confiança em sua continuidade”.


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