Uma luz já desponta no fim do túnel para o segmento de veículos pesados no Brasil. O BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, divulgou na terça-feira, 21, o volume de aprovação de contratos de financiamento do Finame. De acordo com a instituição em janeiro e fevereiro ocorreu aumento de 35% no número de contratos aprovados, R$ 2 bilhões 460 milhões ante R$ 1 bilhão 820 milhões em igual período do ano passado.
Já as aprovações em fevereiro somaram R$ 1 bilhão 250 milhões, crescimento de 32% na comparação com fevereiro de 2016, quando foram aprovados R$ 945 milhões. Segundo o BNDES, a aprovação do crédito é a etapa anterior ao desembolso dos recursos e esse volume de investimento deverá chegar ao mercado em menos de trinta dias.
Pode ser um indício de que a esperada recuperação nas vendas de veículos comerciais esteja próxima. No primeiro bimestre, segundo dados da Anfavea, foram comercializados 6 mil 491 unidades. Somente em caminhões as vendas chegaram a 5 mil 559 veículos, queda de 32,8% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Já em ônibus o tombo foi maior: os licenciamentos chegaram a 932 unidades, volume 46,2% menor que os 1 mil 733 apurados no mesmo período do ano anterior.
Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO da empresa na América Latina, disse que existe um ambiente mais propício às vendas de caminhões motivado especialmente pela redução das taxas de juros e pelo aquecimento de alguns setores da economia, como o agronegócio, cuja estimativa de safra é de 222 milhões de toneladas este ano: “Temos percebido que existe um número maior de consultas dos clientes interessados em realizar novos negócios”.
Schiemer afirmou que o desempenho das vendas de veículos comerciais no primeiro semestre não será dos melhores. Para ele a recuperação virá a partir de junho: “Para o ano enxergamos uma recuperação de mercado modesta, com estimativa de crescimento de 6 % a 10% nas vendas de caminhões”.
Bernardo Fedalto, diretor de caminhões da Volvo, também vê como positiva a melhora na aprovação dos financiamentos do Finame. Segundo ele é uma tendência de melhora no segmento:
“O telefone voltou a tocar. Estamos na fase das cotações e isso é um indício de que a recuperação está por vir”.
Fedalto acredita, no entanto, que os resultados devem aparecer somente no segundo semestre.
Ele lembrou que o tempo decorrido da venda ao emplacamento demora em média 45 dias: “Os números de licenciamentos em março ainda serão menores do que os do ano anterior. Mas esse volume maior nas aprovações de financiamento indica uma mudança na curva de vendas de veículos comerciais”.
A expectativa da Volvo é a de que o mercado de pesados e semipesados este ano cresça até 10% no comparativo com 2016: “Os sinais são positivos, principalmente os macroeconômicos. A redução da Selic, que deve se manter nas próximas reuniões do Confaz, pode impulsionar o mercado”.
Desembolso – O BNDES desembolsou R$ 5,3 bilhões em fevereiro, somando R$ 10 bilhões em crédito liberado no primeiro bimestre do ano. Na comparação com o mesmo período do ano passado o total de desembolsos nos dois primeiros meses deste ano caiu 16%, ainda refletindo o quadro econômico brasileiro de baixo investimento.
Apesar da continuidade da retração nos desembolsos as estatísticas do BNDES mostram redução do ritmo de queda desde a segunda metade de 2016. No primeiro semestre do ano passado as liberações caíram 42% com relação ao mesmo período de 2015. No segundo semestre a mesma comparação apontou queda mais amena, de 28%. Em 2017 a retração de 16% no primeiro bimestre seguiu a tendência, sempre com relação ao mesmo período do ano anterior.