Missão para poucos. Para o novo Audi A4.

Coisa pouca não é, por meio de intenso trabalho técnico, de seus engenheiros e os dos fornecedores, reduzir coisa de 110, 120 quilos num carrão como o novo Audi A4, agora em nona geração. E ainda fazê-lo crescer um poquitito. Mas o desafio foi vencido e a empresa oferece à sua rede de concessionários, já a partir deste mês, um veículo dotado de estrutura de maiores resistência e rigidez – com menor peso. O carro é bonitão, sim, mas daquela belezura reservada aos sedãs clássicos, donos de ousadia, digamos, com ademanes conservadores. Ou, então, dono de sóbria esportividade.

O primeiro a chegar faz parte de uma série limitada, a Launch Edition, de quinhentas unidades, a bordo de pacote de agrados de “excelente relação de custo diante do benefício”, como afirmou o presidente e CEO da Audi no Brasil, Jörg Hofmann. Custará R$ 172 mil 990. No mês que vem estará nas revendas a versão de entrada do novo A4, Attraction, com preços a partir de R$ 159 mil e 900, e a top line, Ambiente, R$ 182 mil 990. Todos com motor 2.0 TFSI de 190 cv e transmissão S tronic de sete marchas.

A versão Ambition, dona de motor 2.0 de 252 cv e de sistema de tração integral quatro, e o A4 Avant chegam depois de junho.

O menor peso obviamente favorece o consumo de combustível. Aferido pelo Inmetro, de quem recebeu classificação A, o novo A4 faz 11 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada. O coeficiente de arrasto do novo carro, o Cx, de 0,23, também ajuda a reduzir o consumo, No caso das emissões de CO2 chegaram a 109 g por quilômetro rodado – o que a Audi considera muito bom.

“Esta nova geração do A4 espelha, muito, as mudanças que a equipe vem operando na subsidiária brasileira”, disse Hofmann. “Crescemos, demos uma forte guinada nas nossas estratégias. Não aliviaremos o pé. E estamos à espera do Q3 nacional.”

Nos três últimos anos, dois e meio deles sob Hofmann, a Audi saiu de 6 mil 692 unidades vendidas ao mercado interno, em 2013, para 17 mil 541 no ano passado, crescimento de 162%. Isso fez da empresa a líder no mercado nacional de veículos Premium.

Hofmann e Tiago Lemes, diretor de vendas e de desenvolvimento da rede, crêem muito na hipótese de que o padrão de vendas será mantido este ano – e contam com os novos A4 para apoiar decisivamente esse objetivo. De acordo com eles a versão de entrada, Attraction, deverá ser a responsável por 40% a 50% do mix de comercialização.

“Nossas projeções não indicam crescimento”, contou Lemes. “Mas indicam que temos todas as condições de manter o patamar de 2015.”

Ele também observou o crescimento da frota circulante Audi no País: 32 mil 384 unidades em 2014, 43 mil 394 em 2015 e a projeção de 59 mil 509 para o fim deste ano.

A Launch Edition, aquela inicial, limitada a quinhentas unidades, realmente despertou curiosidade em função de seus equipamentos de série. Dispõe de Audi Drive Select e de Audi Virtual Cockpit, rodas de liga leve de 17 polegadas, sistema MMI com navegação, bluetooth e smartphone integrados, bancos de couro. Para mais gracinhas há o pacote Plus – e também os Assistance e o Tech, com Audi Pre Sense Rear, Audi Side Assist e câmara de ré no primeiro e o Head up Display, keyless go e o fantástico som de Bang & Olufsen no segundo, com dezenove altofalantes.

O Audi Virtual Cockpit merece lembrança, na forma de uma tela de instrumentos TFT, de Transistor Film Technology, digital, de 12,3 polegadas, com informações apresentadas por meio de gráficos brilhantes, de alta resolução e cheio de pormenores. O motorista escolhe a forma pela qual quer receber as informações: a clássica, com mostradores circulares, ou de maneira infotainment.
O que reforça o Audi Virtual Cockpit é, sem dúvida, o Head up Display, que projeta informações no para-brisa, bem na altura do olhar do motorista, uma solução muito conveniente.

Com sensores de radares e de ultrassom, conectados a uma câmara frontal para conduzir o carro, o sistema ACC, de Adaptive Cruise Control, combinado com o Traffic Jam Assist, pode assumir a direção do carro em situações de congestionamento até 65 km/h: ajusta a direção e controla a velocidade de acordo com o fluxo do tráfego.

Os novos Audi A4 também são novos a partir de sua nova plataforma, a MLBEVO, que ficou prenhe de alumínios – uma das razões da redução de seu peso, na suspensão, por exemplo, de 6 quilos – e de aços especiais. Suas dimensões também cresceram, 4 m 73 de comprimento e 2 m 82 de entre-eixos, o que reflete no espaço interno: com relação à oitava geração, por exemplo, pernas e joelhos dos passageiros traseiros ganharam 23 mm a  mais de e3spaço e conforto.

Abraciclo tenta incluir motocicletas nas negociações bilaterais

A Abraciclo, associação que representa a indústria brasileira de motocicletas, está conduzindo esforços para acrescentar o segmento nos acordos bilaterais automotivos que o Brasil negocia atualmente com diversos países. A informação foi revelada por Marcos Fermanian, seu presidente, na quinta-feira, 7, em São Paulo.

 De acordo com o executivo esta seria forma de reduzir um pouco a dependência dos embarques dos humores do mercado argentino, que responde por aproximadamente 75% das compras de todas as motocicletas brasileiras destinadas ao mercado externo.

Apesar de um excelente desempenho dos embarques no primeiro trimestre deste ano – foram enviadas ao Exterior 13,7 mil unidades de janeiro a março, crescimento de 116,5% ante mesmo período de 2015 – a associação reviu sua projeção para o total do ano, que agora estima em 70 mil unidades, crescimento modesto de 1,3% ante as 69,1 mil de 2015. Antes, o cálculo apontava para alta de 8,5%, com 75 mil.

Segundo Fermanian o desempenho das vendas ao mercado externo foi bom no segundo semestre do ano passado, o que provocará redução dos índices a partir da segunda metade deste ano.

Em março, isoladamente, foram vendidas a outros países 4,7 mil motocicletas Made in Brazil, crescimento de 180% na comparação com as 1,7 mil do mesmo mês do ano passado.

Mercado – Diante dos números do mercado interno no primeiro trimestre a Abraciclo decidiu ainda revisar outros índices esperados para 2016, agora em queda. As vendas no atacado devem fechar em 1 milhão 70 mil, redução de 10,1% ante as 1 milhão 190 mil de 2015, enquanto para o varejo estima-se 1 milhão 75 mil, baixa de 12,2%. Até então a associação imaginara elevações de 2,5% e 0,5%, respectivamente, para este ano.

E com isso a expectativa para a produção nacional também sofreu revés. Agora a estimativa aponta para 1 milhão 140 mil motocicletas, baixa de 9,7% ante as 1 milhão 262 mil de 2015 – antes, esperava-se crescimento de 2,5%.

Para Fermanian as revisões ainda indicam que o Brasil permanecerá como o sexto maior mercado de motocicletas do mundo, e “um volume de um milhão de unidades ao ano não pode ser desprezado”.

No primeiro trimestre, aponta a Abraciclo, foram produzidas 227,4 mil motos, quase 37% a menos do que as 360 mil do mesmo intervalo de 2015. O atacado fechou o período em baixa de 37,4%, com 215,4 mil ante 343,8 mil há um ano. E o varejo em retração de 26,6%, ao somar 240 mil unidades ante as 327 mil de janeiro a março de 2015.

Em março, isoladamente, a produção alcançou 80,4 mil unidades, 36,8% menos do que no mesmo mês do ano passado mas 13,2% melhor que fevereiro. As vendas no atacado registraram 83,5 mil motos, queda de 36,2% no comparativo anual e alta de 14,3% no mensal.

 

Abeifa: trimestre fecha em retração de 44%.

As vinte marcas que compõem o quadro de associados da Abeifa, entidade que representa as importadoras de veículos, fecharam o primeiro trimestre do ano com recuo de 44,2% nos licenciamentos de modelos importados, comparado com o mesmo período de 2015. Segundo dados divulgados pela associação na quinta-feira, 7, foram emplacados 9 mil 860 veículos, contra 17 mil 670 há um ano.

Em março foram comercializadas 3 mil 317 unidades importadas, queda de 43,1% na comparação com as 5 mil 834 unidades do mesmo mês do ano passado. Os dados só ficam positivos na comparação com fevereiro: 15,5% de crescimento, sobre um mês com menos dias úteis.

A Abeifa ainda contou com 710 licenciamentos de modelos produzidos no Brasil em março – BMW, Chery, Mini e Suzuki possuem montagem local. De janeiro a março, foram 1,9 mil unidades made in Brazil comercializadas pelas quatro marcas, queda de 25% com relação aos primeiros três meses de 2015.

Somados importados e nacionais, a participação das filiadas à Abeifa no mercado doméstico de automóveis e comerciais leves chegou a 2,5% no primeiro trimestre. Há um ano a fatia registrada foi de 3,1%.

Segundo José Luiz Gandini, presidente da associação – o empresário, representante local da Kia Motors e da Geely, tomou posse em cerimônia na noite de terça-feira, 5, e substitui Marcel Visconde no comando da Abeifa – a crise de confiança predominante no país deixa o crédito mais seletivo, fator determinante nos negócios das associadas da marca.

“De qualquer maneira a pequena recuperação em março ante fevereiro foi um alento para o setor”.

Produção tem o pior primeiro trimestre desde 2003

As fábricas de automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus produziram 482,3 mil veículos de janeiro a março, de acordo com dados divulgados pela Anfavea na quarta-feira, 6. O volume é 27,8% inferior ao do mesmo período do ano passado e o mais baixo desde 2003, quando a indústria montou 400,8 mil veículos nos primeiros três meses do ano.

Esta queda no ritmo das fábricas apenas acompanha o desempenho do mercado doméstico. Para ajustar estoques, as montadoras reduzem a velocidade das linhas e ampliam os dias de descanso dos trabalhadores. Segundo Luiz Moan, presidente da Anfavea, atualmente 8,2 mil metalúrgicos estão afastados em lay off e 30,5 mil trabalham com jornada reduzida, pelo PPE, Programa de Proteção ao Emprego do governo federal.

Ou seja: quase um terço dos 128,5 mil trabalhadores da indústria – em março foram demitidos 1,4 mil operários – estão com alguma restrição de jornada.

Em março foram produzidos 195,3 mil veículos, o maior volume para o ano, superando em 42,6% o resultado de fevereiro, mês com menos dias úteis por causa do feriado do carnaval. Mas com relação a março do ano passado o ritmo das linhas recuou 23,7% – foi o pior resultado para o terceiro mês do ano desde 2004.

A Anfavea manteve, ao menos por mais um mês, a sua otimista projeção de crescimento de 0,5% na produção, para 2 milhões 440 mil veículos. Nos últimos doze meses, porém, a indústria entregou 2 milhões 240 mil unidades.

Vendas à vista são praticamente metade dos negócios

Praticamente metade das vendas de automóveis e comerciais leves no Brasil em março foi fechada à vista, ou 48,6%. Os negócios envolvendo algum tipo de financiamento – exceto consórcios – representaram somente 51,4%, segundo revelou Luiz Moan, presidente da Anfavea, durante apresentação dos resultados da indústria automotiva brasileira do mês e do primeiro trimestre.

Esse índice, de acordo com o dirigente, é o menor da série histórica, iniciada em 2005, e reflete a rigidez dos bancos em fornecer financiamentos. “Só estão sendo liberados para os clientes mais antigos, conhecidos e com bom histórico.”

Os licenciamentos fecharam março com 179,2 mil unidades, baixa de 23,6% ante mesmo mês de 2015 porém alta de 22,1% ante fevereiro. No primeiro trimestre o resultado chegou a 481,3 mil, retração de 28,6% ante as 674,4 do mesmo período do 2015, estimulado por estoques ainda sem aumento do IPI.

O período anualizado, ou de abril de 2015 a março de 2016, indica 2,38 milhões de unidades emplacadas, retração de 29,3% ante intervalo imediatamente anterior, de 3,36 milhões.

Apesar do resultado negativo Moan lembrou que o mercado está em aparente curva de recuperação: em janeiro o resultado comparado com o mesmo período do ano passado foi 39% abaixo, que passou a 31% no bimestre e agora a 28,6% no trimestre.

Os estoques, porém, subiram levemente na comparação com fevereiro ao fechar março em 259 mil unidades, 184,6 mil nas redes e 74,4 mil nas fábricas – há um mês, 246,3 mil ao todo.

Em dias de venda este volume representa na soma geral 43 dias, 31 nas concessionárias e 12 nas montadoras, ante 41, sendo 30 e 11, ao término de fevereiro. “É um nível muito difícil para o segmento”, considerou Moan.

Exportações avançam 24% no trimestre

A indústria automobilística brasileira fechou o primeiro trimestre com 98,9 mil automóveis, caminhões e veículos exportados. Embora nem de longe compense o recuo das vendas internas, é resultado que garante algum alento para o setor: 24% a mais do que as 79,8 mil unidades negociadas para outros países em igual período do ano passado. É o melhor resultado trimestral desde 2013, quando as fabricantes brasileiras exportaram 111,1 mil de janeiro a março.

Em março, em particular, o setor registrou o embarque de 38,6 mil veículos, a maior quantidade mensal até agora no ano e 19,8% a mais do que no mesmo mês de 2015. O único destaque negativo foi a indústria de caminhões, que com 1,6 mil unidades exportados, recuou 11,5% com relação a março de 2015. Também destoou nos três primeiros meses ao somar somente 4,1 mil caminhões, 6,5% menos na comparação anual.

Em dólares, contudo, as contas continuam no vermelho com relação ao apurado em 2015. A comparação trimestral indica variação negativa da ordem de 7,6%: pouco mais de US$ 2,4 bilhões faturados nos três primeiros meses de 2015 ante US$ 2,2 bilhões em 2016.   

Luiz Moan, presidente da Anfavea, voltou a lembrar que  a indústria brasileira poderá ganhar um empurrão extra do mercado externo.  Uma missão comercial iraniana deverá chegar ao Brasil em duas semanas para discutir a compra de cerca de 227 mil veículos, sendo 145 mil automóveis, 65 mil caminhões e 17 mil ônibus. As negociações ainda são embrionárias e o Irã também negocia com outros países. “Mas já temos doze montadoras associadas interessadas em participar das tratativas e capazes de atender integralmente aos pedidos”, disse o presidente da Anfavea.

Segmento de caminhões apresenta crescimento aparente

De maneira surpreendente as vendas de caminhões em março avançaram 25,8% com relação a fevereiro. O resultado, no entanto, está longe de ser comemorado. “Os números do segmento ainda refletem a situação precária que atravessa a economia brasileira”, lamentou Luiz Moan, presidente da Anfavea, durante apresentação do desempenho do setor automotivo, na quarta-feira, 6. “É um crescimento aparente e, infelizmente, não revela sinal de recuperação. O resultado se deve a maior número de dias úteis em março e sem o efeito do carnaval ocorrido no início de fevereiro.”

Os confrontos anuais confirmam a observação de Moan. Nos três primeiros meses de 2016 o mercado absorveu 13 mil 111 caminhões, retração de 32,1% na comparação com o mesmo período de 2015, quando os licenciamentos somaram 19 mil 306 unidades.

Somente em março os 4 mil 843 caminhões negociados representaram queda de 25,4% frente ao mesmo mês do ano passado.

“O nível de investimento do setor ainda é muito baixo devido a total falta de confiança do transportador”, avalia Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea. “Hoje só quem compra caminhão é quem realmente precisa. Quando o custo operacional por um modelo novo fica mais atrativo, por exemplo. O patamar do trimestre ficou por volta de 4 mil unidades por mês e, assim, deve ser a toada do ano.”

Como nos licenciamentos, o crescimento de 6,9% na produção de caminhões de fevereiro para março não deve ser lido como recuperação. De acordo com Moan, “a indústria ainda esforça-se em ajustar a produção. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, as fabricantes de pesados utilizaram somente 18% de sua capacidade durante o primeiro trimestre.”

Nos três primeiros meses do ano o parque industrial de caminhões produziu 15 mil 113 unidades, baixa de 35,2% no confronto com o mesmo trimestre do ano passado. Apenas em março saíram das linhas 5 mil 294 caminhões, 23,2% menor do que no mesmo mês de 2015.

As exportações também continuam a registrar números negativos. No primeiro trimestre as remessas acumularam 4 mil 104 caminhões, recuo de 6,5% na comparação anual. Em março os embarques somaram 1 mil 587 unidades, queda de 11,5% frente ao desempenho de março do ano passado.

Vendas de chassi de ônibus refletem o baixo investimento

O desempenho do segmento de ônibus ainda segue nada animador e, como o de caminhões, reflete a situação da economia brasileira e seu atual nível de baixo investimento por parte dos empresários do transporte. No acumulado do primeiro trimestre o mercado absorveu 2 mil 720 chassis de ônibus, queda de 47,8% na comparação do mesmo período do ano passado.

O desempenho de vendas apenas em março também registra uma retração acentuada. As 987 unidades negociadas representaram recuo de 45,3% na comparação com o mesmo mês de 2015, quando foram vendidas 1 mil 804 unidades. No confronto com fevereiro, no entanto, o resultado é positivo, com alta de 41%.

O ritmo no chão de fábrica expressa as quedas nas vendas. Nos três primeiros meses do ano as fabricantes produziram 4 mil 339 chassis contra 7 mil 686 no mesmo trimestre do ano passado, queda de 43,5%.

O confronto isolado dentre os meses de março registra outra queda, de 40,6%, para 1 mil 654 unidades contra 2 mil 786 chassis produzidos em março do ano passado.

Mais uma vez o registro de alta fica na comparação com fevereiro passado, com expansão na produção de 9,6%.

Seguramente as boas notícias para o segmento de ônibus estão nas exportações. No acumulado dos três primeiros meses do ano os embarques de chassi cresceram 8,4%, para 1 mil 574 unidades, contra 1 mil 452 chassis embarcados no mesmo período de um ano antes.

O crescimento das remessas na análise de março contra o mesmo mês do ano passado é mais modesto, de 1%, para 726 unidades, mas considerável na comparação com fevereiro passado, de 38%.

Setor de máquinas adianta férias de 2018

As fabricantes de máquinas agrícolas e rodoviárias estão adotando as mais criativas soluções para enfrentar a baixa demanda pelos produtos no mercado brasileiro e internacional, que provocou queda de 52,2% na produção do primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, e gerou mais de 70% de ociosidade nas linhas de montagem.

Além de licenças remuneradas, PPE e lay offs, mecanismos que toda a indústria automotiva vem lançando mão a fim de evitar demitir trabalhadores, as empresas estão adiantando as férias coletivas… de 2018.

“Está sendo muito oneroso para as empresas enfrentar uma ociosidade de nível tão elevado”, afirmou Ana Helena de Andrade, vice-presidente da Anfavea, durante a coletiva à imprensa com o balanço do setor, na quarta-feira, 6, em São Paulo. “Nunca o setor de máquinas enfrentou mais de dois anos consecutivos de retração. A demanda caiu em 2014, caiu em 2015 e está novamente caindo em 2016”.

Saíram das linhas de montagem 7,3 mil máquinas agrícolas e rodoviárias de janeiro a março, volume 52,2% inferior ao do primeiro trimestre de 2015. Em março foram produzidas apenas 2,8 mil máquinas, queda de 52,6% com relação ao mesmo mês do ano passado.

O ritmo vagaroso das fábricas acompanha a fraca demanda do mercado brasileiro, que consumiu apenas 6,7 mil máquinas no primeiro trimestre, recuo de 44% com relação aos primeiros três meses de 2015. “A despeito da safra extremamente positiva, os investimentos dos agricultores estão extremamente contraídos”.

Em março foram comercializadas 2,8 mil máquinas, volume 43% inferior ao de igual período do ano passado. Na comparação com fevereiro, mês com menos dias úteis, houve avanço de 17,3%.

Ana Helena de Andrade espera que a Agrishow, mais importante feira destina ao setor da agricultura que ocorre no fim de abril em Ribeirão Preto, SP, ajude a alavancar um pouco das vendas de tratores. Linhas de financiamentos com condições especiais serão oferecidas no evento, sobretudo do programa Protator, do Governo do Estado de São Paulo.

Outro alento começa a chegar do mercado externo, especialmente do continente africano, para onde são mandados produtos por meio do programa Mais Alimentos Internacional. Tal esperança já começa a ser traduzida em números: de fevereiro para março as exportações cresceram 93,9% em volume, para 979 unidades.

O saldo acumulado, porém, segue negativo: recuo de 23,2% no trimestre, com 1 mil 811 máquinas agrícolas e rodoviárias exportadas.

Peugeot tenta tirar 208 da imobilidade

A Peugeot lançou na noite da segunda-feira, 4, em Fortaleza, CE, renovação de seu hatch compacto 208, que ganhou evoluções estéticas e nova central multimídia e já chega ao ano-modelo 2017. O melhor da mudança, entretanto, ficou para a área invisível aos olhos, sob o capô.

A montadora atacou os dois flancos da gama. Na entrada o motor 1.5 deu lugar a um tricilíndrico 1.2 com 90 cv quando abastecido 100% com etanol – ou apenas 3 cv a menos que a configuração anterior.

E na ponta de cima a topo de gama passa a ser versão esportiva GT, até então inexistente, equipada com o já conhecido THP, 1.6 turbo de 173 cv e pormenores estéticos exclusivos, bem como calibração de suspensão e de ESP particulares.

Há ainda as versões intermediárias, totalizando seis: Active e Active Pack têm apenas o 1.2, Allure pode receber este ou o 1.6 aspirado de 122 cv com câmbio automático, Sport, 1.6 manual de cinco marchas, Griffe, também com o 1.6 e câmbio automático, e a GT, com o THP e câmbio manual de seis marchas.

Os preços do 1.2 são equivalentes aos praticados para o antigo 1.5: a partir de R$ 48,2 mil chegando a R$ 55 mil. As intermediárias vão de R$ 60 mil a R$ 65 mil e o GT chega a potentes R$ 79 mil.

De acordo com Ana Theresa Borsari, diretora geral da Peugeot do Brasil, a projeção de vendas para o novo 208 é chegar à casa de 1 mil unidades/mês – como referência, no primeiro trimestre do ano o modelo fez, segundo números da Fenabrave, média pouco menor do que 800 unidades mensais, enquanto que em 2015 chegou a 1,1 mil.

A estratégia para o 1.2, explicou a executiva, será reforçar seus atributos de consumo: segundo a Peugeot trata-se do motor mais econômico do País – pelos cálculos da fabricante, em ciclo urbano o 208 atinge consumo 37% menor do que o registrado com o 1.5, chegando a 15,1 km/l quando abastecido com gasolina.

De acordo com Carlos Gomes, a chegada do 1.2 tricilíndrico à gama do 208 foi necessária para que a montadora pudesse atingir os níveis de eficiência energética exigidos pelo Inovar-Auto. Tanto assim que esta configuração será comercializada apenas no Brasil – em versão flex, até então inédita. Na Argentina, para onde o 208 é exportado, prosseguirá a oferta dos 1.5 e 1.6.

Os 1.2, pelos cálculos de Borsari, deverão responder por 60% a 65% do total de vendas da nova gama do 208.

Já para o GT a tática será chamar a atenção para sua condição de prazer e diversão ao dirigir – para a diretora geral, trata-se do “modelo nacional mais emocionante do mercado”. A expectativa é que esta responda por 5% a 10% dos volumes de comercialização, ou algo como de 50 a 100 unidades por mês.