22 de Setembro é, em grande parte do mundo, dedicado à reflexão sobre o uso de veículos automotores nos centros urbanos. É o World Car Free Day, dia sem carro no Brasil.
Esse movimento não é recente. De fato, a partir da crise do petróleo, em 1973, começaram as discussões sobre a real necessidade do uso de veículos para a locomoção das pessoas. Então o nascedouro do tema foi provocado por questão de cunho econômico, uma vez que a queda na oferta do petróleo exigiu ajustes nos preços afetando diretamente o bolso dos consumidores de gasolina e diesel e alimentando a inflação de preços mundo afora.
Na Europa a campanha nacional do dia sem carro foi formalizada em 1997 na Inglaterra, e em 1998 o mesmo ocorreu na França. Nessa época outros fatores exigiram a mobilização da sociedade na defesa do tema com apelos ligados ao meio ambiente e à saúde das pessoas: afinal, a vida sedentária e o ar poluído nos grandes conglomerados urbanos exigiam, na visão de muitos, atitude proativa para reduzir o uso de veículos motorizados.
Já me defrontei diversas vezes com comentários atribuindo à indústria automobilística o papel de vilã devido ao caos de trânsito enfrentado pelos cidadãos brasileiros nos grandes centros urbanos. Absolutamente não concordo com isso. Também não concordo que sejam os donos de veículos culpados por possuírem um ou até dois deles para uso nas atividades diárias e viagens particulares. Essa é uma visão distorcida.
Outra questão, aquela ligada ao meio ambiente e à concentração de poluentes nas grandes cidades faz sentido, porém no meu ponto de vista a saída não passa simplesmente pela abolição do uso de automóveis. O tema é bem mais complexo.
Vejamos alguns números e implicações nas questões ligadas à circulação de veículos nas cidades, para mais à frente listar alguns pontos sobre os quais se daria uma contribuição efetiva por parte da indústria automotiva.
O primeiro ponto a constatar é que, embora a frota brasileira de carros e comerciais leves tenha crescido substancialmente nos últimos anos, ainda hoje estamos bem longe da média de veículo por mil habitantes quando comparamos com outros países. Nos Estados Unidos são 809 veículos para cada 1 mil habitantes, na Austrália 731. Na Itália, segundo dados que colhi, a proporção é de 682 por 1 mil habitantes, no Canadá 607, na Espanha 593, no Japão 588, na França 578, na Rússia 320.
No Brasil, em 2011, essa relação era ao redor de 250 veículos por 1 mil habitantes, com uma frota equivalente a 38 milhões de carros e comerciais leves.
A China, cuja frota somou 250 milhões de veículos leves em 2014, registra aproximadamente duzentos automóveis mais comerciais leves por 1 mil habitantes.
Podemos concluir dos dados acima que países como China e Brasil ainda estão bem longe dos resultados registrados nas economias mais avançadas devido à desigualdade na renda, porque parte da população ainda vive nas zonas rurais e porque possuem boa parte dos cidadãos sem capacidade de compra de um carro, ainda que um compacto. Não há, portanto, como muitos querem atribuir, uma superpopulação de veículos automotores no Brasil. Lógico está que há, no Brasil, um mercado potencial a ser servido com veículos novos a depender da elevação do poder aquisitivo dos cidadãos. Não podemos fugir, no entanto, da discussão sobre a concentração da frota de veículos, pois é certo que o trânsito intenso nas grandes cidades brasileiras, e até nas de tamanho médio, tem sacrificado a mobilidade das pessoas.
Um aspecto importante a ser analisado previamente é a de como se encontra distribuída a população brasileira e as condições econômicas em que se encontram os diversos estados e em consequência seus efeitos sobre a densidade populacional de veículos automotores.
A urbanização é um dos fatores que mais contribui para o adensamento populacional e que provoca a necessidade de as pessoas utilizarem o transporte individual no dia a dia de suas atividades de trabalho, estudo e lazer. No Brasil ela se iniciou a partir da década de 1940 e em 1950 cerca de 30% da população brasileira vivia nas cidades. Já em 2010, segundo o IBGE, a taxa de urbanização no Brasil atingiu 51,6%. É sem dúvida uma evolução considerável, mas ainda estamos bem atrás dos Estados Unidos, por exemplo, cujo porcentual da população que mora nas cidades é de 82%. Tudo indica que o processo de urbanização ainda não evoluiu substancialmente em nosso País.
E como tem acontecido a ocupação das cidades pela população brasileira? Para onde os brasileiros que vêm da área rural têm se dirigido e têm se estabelecido?
O mesmo estudo do IBGE indicou que em 2010 46,4% da população urbana estavam localizadas na região Sudeste, cujo adensamento medido por habitante/km2 é de 92,9, bem superior à média nacional que ficou ao redor de 22,4. A densidade populacional na região Sul é de 84,9. Nos Estados Unidos a densidade demográfica é de 32,2 habitantes por quilometro quadrado, enquanto na China é de 139,8 e o Japão tem o dramático resultado de 335 habitantes por quilometro quadrado.
Podemos deduzir, então, que a urbanização brasileira ainda é baixa comparativamente aos países mais desenvolvidos, porém tem acontecido de modo não uniforme com excessiva concentração de pessoas na região Sudeste e, sobretudo nas grandes capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro.
E onde está a frota brasileira de carros e de comerciais leves? Justamente nessas regiões mais adensadas, a saber: o Estado de São Paulo com 37% do total, Minas Gerais vem em segundo lugar com 10% e o Rio de Janeiro em seguida, com 9%. Não é por outra razão, portanto, que vivemos hoje o caos no trânsito das cidades e com muitas queixas sobre a qualidade do ar.
A aquisição de um veículo pelo cidadão é algo que tem relação direta com o nível de renda, o desejo de possuir um e também a necessidade de locomoção justamente nesses centros urbanos em que há carência de transporte público de qualidade. Logo, atribuir à indústria automotiva o papel de vilã na questão do tráfego intenso nas cidades grandes e médias do Brasil não faz sentido.
É uma questão, sim, de política pública. Se não vejamos: o sistema de trens metropolitanos na cidade de São Paulo começou em 1975 e hoje são 78 quilômetros de linhas. Na cidade do Rio de Janeiro o sistema foi inaugurado em 1979 e hoje lá existem 41 quilômetros de linhas em operação. Já em Buenos Aires o metrô foi inaugurado em 1913 e hoje as linhas têm extensão de 56 quilômetros para um centro urbano, em população, equivalente ao Rio e 30% inferior ao número de habitantes da Grande São Paulo. O metrô de Moscou tem 325 quilômetros de extensão e iniciou as operações em 1935. Precisa falar mais?
Uma contribuição, sem dúvida, que a indústria deve dar e, em minha opinião, tem se dedicado a ela, é a questão da tecnologia na motorização de veículos tornando-os mais econômicos no consumo e menos causadores de emissões. É a tal da racionalização energética. Eu adicionaria ainda a preocupação constante com a segurança dos veículos e o papel didático de ensinar ao usuário a importância da manutenção preventiva dos automóveis.
José Rubens Vicari é administrador de empresas pela FGV com pós-graduação em finanças. Atuou por vinte anos como CEO de empresas metalúrgicas no setor de autopeças. Mentor voluntário para empresas startups pela Endeavour. Seu blog é www.senhorgestao.com.br.
Descoladas do momento de retração enfrentado pelo setor automotivo, Honda e Toyota são as meninas dos olhos da Cooper Standard, fabricante de vedação e antivibração e componentes para transferência de freio e combustível. Enquanto as montadoras registram vendas cerca de 20% menores no acumulado do ano, as japonesas nadam de braçada – e levam consigo seus fornecedores.
Depois de 14 anos de operação no País, a Peugeot anuncia sua primeira executiva com nacionalidade brasileira a comandar a montadora. Ana Theresa Borsari assumiu direção geral da Peugeot no Brasil na quinta-feira, 1.
Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, garante que os fundamentos básicos do País permanecem os mesmos e não resta dúvida de que o futuro continua tão promissor quanto antes. Segundo ele o grande problema, agora, é tentar descobrir quando a recuperação se iniciará. E esta, infelizmente, é uma pergunta muito difícil de ser respondida, pois depende de uma série de fatores de difícil controle.
Além deles, Bernardo Fedalto, diretor de Caminhões da Volvo, Marco Borba, vice-presidente comercial da Iveco, João Pimentel, diretor geral da Ford Caminhões e Luis Gambim, diretor comercial da DAF, também já confirmaram suas presenças no evento e participarão de um painel que discutirá as perspectivas futuras do mercado de veículos comerciais.