Mobilidade urbana e o desafio da indústria automotiva

22 de Setembro é, em grande parte do mundo, dedicado à reflexão sobre o uso de veículos automotores nos centros urbanos. É o World Car Free Day, dia sem carro no Brasil.

Esse movimento não é recente. De fato, a partir da crise do petróleo, em 1973, começaram as discussões sobre a real necessidade do uso de veículos para a locomoção das pessoas. Então o nascedouro do tema foi provocado por questão de cunho econômico, uma vez que a queda na oferta do petróleo exigiu ajustes nos preços afetando diretamente o bolso dos consumidores de gasolina e diesel e alimentando a inflação de preços mundo afora.

Na Europa a campanha nacional do dia sem carro foi formalizada em 1997 na Inglaterra, e em 1998 o mesmo ocorreu na França. Nessa época outros fatores exigiram a mobilização da sociedade na defesa do tema com apelos ligados ao meio ambiente e à saúde das pessoas: afinal, a vida sedentária e o ar poluído nos grandes conglomerados urbanos exigiam, na visão de muitos, atitude proativa para reduzir o uso de veículos motorizados.

Já me defrontei diversas vezes com comentários atribuindo à indústria automobilística o papel de vilã devido ao caos de trânsito enfrentado pelos cidadãos brasileiros nos grandes centros urbanos. Absolutamente não concordo com isso. Também não concordo que sejam os donos de veículos culpados por possuírem um ou até dois deles para uso nas atividades diárias e viagens particulares. Essa é uma visão distorcida.

Outra questão, aquela ligada ao meio ambiente e à concentração de poluentes nas grandes cidades faz sentido, porém no meu ponto de vista a saída não passa simplesmente pela abolição do uso de automóveis. O tema é bem mais complexo.

Vejamos alguns números e implicações nas questões ligadas à circulação de veículos nas cidades, para mais à frente listar alguns pontos sobre os quais se daria uma contribuição efetiva por parte da indústria automotiva.

O primeiro ponto a constatar é que, embora a frota brasileira de carros e comerciais leves tenha crescido substancialmente nos últimos anos, ainda hoje estamos bem longe da média de veículo por mil habitantes quando comparamos com outros países. Nos Estados Unidos são 809 veículos para cada 1 mil habitantes, na Austrália 731. Na Itália, segundo dados que colhi, a proporção é de 682 por 1 mil habitantes, no Canadá 607, na Espanha 593, no Japão 588, na França 578, na Rússia 320.

No Brasil, em 2011, essa relação era ao redor de 250 veículos por 1 mil habitantes, com uma frota equivalente a 38 milhões de carros e comerciais leves.

A China, cuja frota somou 250 milhões de veículos leves em 2014, registra aproximadamente duzentos automóveis mais comerciais leves por 1 mil habitantes.

Podemos concluir dos dados acima que países como China e Brasil ainda estão bem longe dos resultados registrados nas economias mais avançadas devido à desigualdade na renda, porque parte da população ainda vive nas zonas rurais e porque possuem boa parte dos cidadãos sem capacidade de compra de um carro, ainda que um compacto. Não há, portanto, como muitos querem atribuir, uma superpopulação de veículos automotores no Brasil. Lógico está que há, no Brasil, um mercado potencial a ser servido com veículos novos a depender da elevação do poder aquisitivo dos cidadãos. Não podemos fugir, no entanto, da discussão sobre a concentração da frota de veículos, pois é certo que o trânsito intenso nas grandes cidades brasileiras, e até nas de tamanho médio, tem sacrificado a mobilidade das pessoas.

Um aspecto importante a ser analisado previamente é a de como se encontra distribuída a população brasileira e as condições econômicas em que se encontram os diversos estados e em consequência seus efeitos sobre a densidade populacional de veículos automotores.

A urbanização é um dos fatores que mais contribui para o adensamento populacional e que provoca a necessidade de as pessoas utilizarem o transporte individual no dia a dia de suas atividades de trabalho, estudo e lazer. No Brasil ela se iniciou a partir da década de 1940 e em 1950 cerca de 30% da população brasileira vivia nas cidades. Já em 2010, segundo o IBGE, a taxa de urbanização no Brasil atingiu 51,6%. É sem dúvida uma evolução considerável, mas ainda estamos bem atrás dos Estados Unidos, por exemplo, cujo porcentual da população que mora nas cidades é de 82%. Tudo indica que o processo de urbanização ainda não evoluiu substancialmente em nosso País.

E como tem acontecido a ocupação das cidades pela população brasileira? Para onde os brasileiros que vêm da área rural têm se dirigido e têm se estabelecido?

O mesmo estudo do IBGE indicou que em 2010 46,4% da população urbana estavam localizadas na região Sudeste, cujo adensamento medido por habitante/km2 é de 92,9, bem superior à média nacional que ficou ao redor de 22,4. A densidade populacional na região Sul é de 84,9. Nos Estados Unidos a densidade demográfica é de 32,2 habitantes por quilometro quadrado, enquanto na China é de 139,8 e o Japão tem o dramático resultado de 335 habitantes por quilometro quadrado.

Podemos deduzir, então, que a urbanização brasileira ainda é baixa comparativamente aos países mais desenvolvidos, porém tem acontecido de modo não uniforme com excessiva concentração de pessoas na região Sudeste e, sobretudo nas grandes capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro.

E onde está a frota brasileira de carros e de comerciais leves? Justamente nessas regiões mais adensadas, a saber: o Estado de São Paulo com 37% do total, Minas Gerais vem em segundo lugar com 10% e o Rio de Janeiro em seguida, com 9%. Não é por outra razão, portanto, que vivemos hoje o caos no trânsito das cidades e com muitas queixas sobre a qualidade do ar.

A aquisição de um veículo pelo cidadão é algo que tem relação direta com o nível de renda, o desejo de possuir um e também a necessidade de locomoção justamente nesses centros urbanos em que há carência de transporte público de qualidade. Logo, atribuir à indústria automotiva o papel de vilã na questão do tráfego intenso nas cidades grandes e médias do Brasil não faz sentido.

É uma questão, sim, de política pública. Se não vejamos: o sistema de trens metropolitanos na cidade de São Paulo começou em 1975 e hoje são 78 quilômetros de linhas. Na cidade do Rio de Janeiro o sistema foi inaugurado em 1979 e hoje lá existem 41 quilômetros de linhas em operação. Já em Buenos Aires o metrô foi inaugurado em 1913 e hoje as linhas têm extensão de 56 quilômetros para um centro urbano, em população, equivalente ao Rio e 30% inferior ao número de habitantes da Grande São Paulo. O metrô de Moscou tem 325 quilômetros de extensão e iniciou as operações em 1935. Precisa falar mais?

Uma contribuição, sem dúvida, que a indústria deve dar e, em minha opinião, tem se dedicado a ela, é a questão da tecnologia na motorização de veículos tornando-os mais econômicos no consumo e menos causadores de emissões. É a tal da racionalização energética. Eu adicionaria ainda a preocupação constante com a segurança dos veículos e o papel didático de ensinar ao usuário a importância da manutenção preventiva dos automóveis.

José Rubens Vicari é administrador de empresas pela FGV com pós-graduação em finanças. Atuou por vinte anos como CEO de empresas metalúrgicas no setor de autopeças. Mentor voluntário para empresas startups pela Endeavour. Seu blog é www.senhorgestao.com.br.

Japonesas amenizam perdas nos resultados da Cooper Standard

Descoladas do momento de retração enfrentado pelo setor automotivo, Honda e Toyota são as meninas dos olhos da Cooper Standard, fabricante de vedação e antivibração e componentes para transferência de freio e combustível. Enquanto as montadoras registram vendas cerca de 20% menores no acumulado do ano, as japonesas nadam de braçada – e levam consigo seus fornecedores.

No acumulado do ano até agosto Honda e Toyota cresceram 17,9% e 4,5%, respectivamente. Segundo Jürgen Kneissler, diretor geral da Cooper Standard para a América do Sul, a expansão dos números das clientes levará a um aumento de capacidade na fábrica de Atibaia, SP.

“O plano já foi elaborado, mas estamos aguardando o sinal verde em decorrência do cenário econômico do País”.

O executivo não revela pormenores da expansão da unidade, mas afirma que parte dos investimentos terão origem da matriz. “A decisão final deve ser tomada em breve”.

Kneissler destaca que a boa fase das montadoras japonesas colabora para amenizar a queda geral do mercado. “Mesmo assim não estamos imunes ao momento desafiador e nossas vendas estão menores”. No ano passado a empresa faturou R$ 400 milhões no País. “Neste ano devemos ficar na casa dos R$ 350 milhões”.

Além da queda das vendas, a companhia lida com outra dificuldade: a alta do dólar. “Cerca de 70% do plástico e 20% da borracha que usamos para a fabricação dos nossos produtos são importados. Sentimos uma importante alta nos custos nos últimos meses”.

Com todo esse cenário, companhia precisou reduzir seu quadro de funcionários. Segundo o executivo, cerca de 300 trabalhadores foram dispensados neste ano e agora há 1,6 mil colaboradores no Brasil.

Reestruturação – A empresa de origem estadunidense está passando por um processo de reestruturação global. Parte de sua diretoria foi trocada nos últimos meses e as alterações chegaram ao Brasil. A operação nacional completa 20 anos em 2015 e Kneissler chegou há dois meses, vindo da Webasto, com o objetivo de ampliar a participação da América do Sul no faturamento global.

Atualmente a companhia possui três fábricas no Brasil – Atibaia, SP, Camaçari, BA e Varginha, MG –, que respondem por cerca de 5% do faturamento global. “Queremos expandir esse montante com novas tecnologias e localizando mais nossa produção. Está no radar da empresa construir fábricas em outros países da região”.

Uma parte da estratégia de crescer na América do Sul mexeu diretamente coma estrutura da empresa. Há dois anos a matriz não é mais a fonte de reportes da operação local.

“Nos reportamos diretamente para a operação da Europa, pois o Brasil exige uma mentalidade mais aberta com a qual os estadunidenses estão menos acostumados. Além disso, nosso portfólio é mais parecido com o mercado europeu”, explicou o executivo. “Essa mudança já tornou mais ágeis as decisões e nos permite ser mais flexíveis”.

Evoque será o primeiro Land Rover nacional

Embora o Discovery Sport tenha chegado primeiro aos ouvidos dos brasileiros como futuro modelo nacional, será o Range Rover Evoque o responsável pela inauguração das linhas de montagem da fábrica que a Jaguar Land Rover constrói em Itatiaia, na região sul-fluminense. A produção pré-série deverá começar no primeiro trimestre do ano que vem com o Evoque, para poucas semanas depois o Discovery Sport também entrar em linha.

A explicação para a aparente troca de posições na ordem de chegada está nos treinamentos dos operários da fábrica: o do Evoque está mais adiantado, segundo Neale Jauncey, diretor de manufatura da JLR. As turmas já estão sendo capacitadas em um galpão alugado na fábrica da Xerox, vizinha ao terreno onde foram erguidos os prédios da unidade da empresa em Itatiaia – obra esta que alcançou 90% de sua construção civil, restando alguns pormenores de acabamento, elétrica e hidráulica.

“Temos noventa pessoas em treinamento aqui e novas turmas programadas”, afirmou Jauncey a um grupo de jornalistas que visitou as instalações provisórias na fábrica vizinha e as obras da primeira JLR fora do Reino Unido. Um grupo de operários ficou quatro meses da sede para aprender e replicar os ensinamentos a seus colegas. “Nenhum trabalhador encostará as mãos na linha de produção sem passar por pelo menos oito semanas de treinamento. Buscamos um nível de qualidade no mínimo igual ao da Inglaterra, mas quero que seja superior”.

Discovery Sport e Evoque compartilham plataforma de produção, bem como algumas peças e componentes. Jauncey garante que os modelos cumprirão as exigências do Inovar-Auto de conteúdo local, talvez até com índice um pouco superior, dada a situação câmbio atual. Na primeira fase a carroceria chegará montada e pintada do Reino Unido, bem como alguns componentes do motor – que, no entanto, será montado junto com a transmissão pela Benteler, em operação dentro da própria fábrica da JLR.

“Até 2020 concluiremos a armação da carroceria e a área de pintura. Vamos trabalhar para acelerar o conteúdo local”.

A Jaguar Land Rover investe R$ 750 milhões para construir sua fábrica brasileira, que ocupa cerca de 60 mil m² com capacidade para produzir até 24 mil veículos por ano e empregará em torno de 400 funcionários. Atualmente mais de 1 mil operários trabalham no canteiro de obras, que registrou um recorde: somaram mais de 1 milhão de horas trabalhadas sem nenhum acidente. Depois do Evoque e do Discovery Sport, entrará em linha o Jaguar XE, segundo afirmou uma fonte à Agênia AutoData – essa informação, porém, ainda não é oficialmente confirmada pela montadora.

Preparação – Enquanto faz os últimos ajustes de sua fábrica, a JLR reformula sua rede de concessionários. Segundo Gabriel Patini, diretor de marketing e produto da empresa, todas as lojas venderão modelos Jaguar e Land Rover até 2017, quando a 100% da rede também adotará novo padrão visual, inaugurado por aqui em uma loja na região de Alphaville, em Barueri, SP.

Atualmente a rede possui 42 concessionárias nas principais cidades do País, mas, assim que começarem as vendas dos Evoque brasileiros, no primeiro semestre do ano que vem, o número crescera para 46 pontos de venda.

Setembro ultrapassa por pouco a marca de 200 mil unidades

Segundo dados divulgados pela Fenabrave na quinta-feira, 1,os licenciamentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus ultrapassaram por pouco a marca de 200 mil unidades em setembro.

Foram comercializados 200 mil 95 veículos no último mês, uma queda de expressivos 32,5% em relação a setembro de 2014, quando foram licenciadas 296,3 mil unidades.

Na comparação com o mês de agosto, quando foram vendidos 207,3 mil veículos, a retração foi de 3,5%.

No acumulado do ano as vendas somam 1 milhão 953 mil de unidades, uma queda de 22,7% em relação ao período de janeiro a agosto de 2014, quando foram licenciados 2 milhões 526 mil veículos.

Em nota o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, afirmou que o resultado acumulado está próximo das projeções já anunciadas pela Fenabrave para o setor, mas, em sua opinião, pode haver uma leve recuperação até o final do ano para alguns segmentos. “Algumas marcas estão realizando lançamentos que poderão estimular o consumo, principalmente, para automóveis e comerciais leves”, avalia Assumpção Júnior.

O segmento de automóveis e comerciais leves registrou vendas de 192,6 mil unidades em setembro, uma retração de 31,8% na comparação anual e de 3,6% em comparação a agosto. De janeiro a setembro a queda acumulada é de 21,7%.

As vendas de caminhões mantiveram a tendência de queda e encerram o mês com 5,9 mil unidades licenciadas, baixa de 47% em relação a setembro de 2014. No comparativo mensal houve avanço de 1,9% no volume comercializado. No acumulado do ano a baixa é de 43,7%.

Em ônibus observou-se o mesmo cenário de retração. Com 1,5 mil unidades comercializadas, o volume ficou 40,5% menor do que o visto um ano antes. Na comparação com agosto, entretanto, houve alta de 2,6%. No acumulado do ano a queda é de 29,1%.

As vendas de motocicletas também permaneceram em terreno negativo com 98,1 mil emplacamentos em setembro. O recuo foi de 18,1% na comparação anual e de 1,8% na relação mensal. No acumulado do ano a queda é de 11,4%.

Peugeot nomeia brasileira como presidente no País

Depois de 14 anos de operação no País, a Peugeot anuncia sua primeira executiva com nacionalidade brasileira a comandar a montadora. Ana Theresa Borsari assumiu direção geral da Peugeot no Brasil na quinta-feira, 1.

A executiva, de 44 anos, é advogada formada pela USP  e ingressou na marca em1995. Passou por vários postos na montadora até deixar, em 2010, o cargo de diretora de Marketing para iniciar sua carreira internacional.

Segundo comunicado da montadora, nesse período de preparação para retornar à frente da operação brasileira, Ana Theresa foi a responsável pela coordenação comercial da Peugeot no sul da Europa e a primeira mulher a comandar uma operação da marca no mundo, quando foi diretora geral da Peugeot e Citroën na Eslovênia.

Desde 2013, a executiva dirigia a Peugeot no sudoeste da França, liderando a marca em uma região que conta com mais de 150 concessionários.

No Brasil, a executiva responderá diretamente a Carlos Gomes, Presidente da PSA Peugeot Citroën para o Brasil e a América Latina.

Em comunicado a executiva afirmou que sempre desejou retornar ao País. “Por isso a minha satisfação é dupla: volto ao Brasil e à frente da Peugeot. Vou aproveitar minha experiência, com entusiasmo e energia para acelerar o reposicionamento da marca no País”, disse.

A executiva afirmou ainda que com o Peugeot 208, a chegada do 2008, os lançamentos dos novos 308 e 408, a marca possui uma gama moderna e completa a oferecer. “Juntamente com a nossa nova rede de concessionários proporcionaremos uma experiência superior aos nossos clientes”, afirma Ana Theresa.

Miguel Figari, que ocupava o posto, retorna ao Chile para seguir com seus projetos pessoais. Coube a ele a missão de iniciar o novo posicionamento da marca no Brasil, reestruturar a rede de concessionários e lançar o primeiro SUV compacto da marca, o Peugeot 2008.

“Tive o privilégio de participar da transformação da Peugeot no Brasil. Parto com o dever cumprido e deixo a marca pronta para avançar nas mãos de uma profissional brasileira, com ampla experiência e profundo conhecimento do mercado local”, disse Figari em nota.

Ford reduz preços de tabela do EcoSport em 3%

Ao apresentar o novo EcoSport com motor 1.6 TIVCT e transmissão sequencial de seis velocidades a Ford divulgou nova tabela de preços, adequando seus valores aos que já vinham sendo praticados no mercado, o que representou redução média de 3% de acordo com o gerente geral de marketing, Oswaldo Ramos:

“Decidimos materializar nas tabelas os descontos que o consumidor encontrava nas lojas. Como a primeira pesquisa de preços hoje é feita na internet, havia uma distorção entre o valor oficial e o efetivamente cobrado na rede”.

 Segundo Ramos, os preços foram reduzidos em uma faixa de R$ 1,8 mil a R$ 2 mil e, garante o executivo,  a medida não gerou redução na margem do concessionário, ficando a diferença a cargo exclusivamente da montadora. O modelo agora custa a partir de R$ 65,9 mil na versão com transmissão manual. Ramos

Na nova linha com transmissão sequencial de seis marchas, lançada na quinta-feira, 1, em Bento Gonçalves, RS, a versão mais barata é a 1.6 AT SE Direct, com ar-condicionado, direção elétrica e sistema de conectividade Sync, dentre outros itens de série, com preço a partir de R$ 68 mil 690.

O nome Direct, segundo Ramos, foi escolhido exatamente para marcar o produto como sendo prioritariamente destinado às vendas diretas: “O consumidor final também pode solicitar essa versão via internet para buscá-la na concessionária, mas em geral ela se destina a frotistas e, principalmente, portadores de deficiências físicas, que têm incentivos na hora da compra”.

Nessa mesma linha com transmissão sequencial de seis marchas há a versão 1.6 AT SE, que custa R$ 71,9 mil e incorpora, além dos itens da Direct , rodas de liga leve de 15”. Mais acima vêm a 1.6 AT FreeStyle, com rodas de liga leve 16” e sensor de estacionamento traseiro, com preço a partir de R$ 76,9 mil, e a AT FreeSstyle Plus, por R$ 80,3 mil, que acrescenta seis airbags e bancos de couro em relação à versão anterior.

De acordo com Ramos a nova linha EcoSport com transmissão sequencial tem preço bastante competitivo em relação aos concorrentes, como por exemplo o Jeep Renegade: “Em faixa similar de preço que estamos oferecendo o EcoSport o modelo da Jeep só é disponível com câmbio manual”.

O EcoSport vem agora com o motor 1.6 Flex TIVCT, da família Sigma, o mesmo que equipa a linha Fiesta e tem bloco, cabeçote e cárter de alumínio. Gera 131 cv com etanol e 125 cv com gasolina e, segundo o gerente de produto da Ford, Daniel Camargo, é 10% mais econômico do que a linha 2015: “Recebemos a classificação A de eficiência energética do Inmetro.”

MERCADO – Dominado pelo Ford EcoSport durante anos o segmento de SUVs compactos não para de ganhar novos concorrentes e mais do que dobrou de tamanho nos últimos doze meses. A participação do segmento nas vendas totais de automóveis e comerciais leves saltou de 4% em outubro de 2014 para 9,7% em agosto desde ano, revela o gerente geral de marketing da Ford, Oswaldo Ramos:

 “O segmento está explodindo. Chegará a 10% em setembro. Alguns SUVs compactos estão roubando vendas de carros médios na faixa de R$ 90 mil, o que indica uma migração do consumo com a conquista de um público novo para esse tipo de produto”.

Dentre os principais concorrentes do EcoSport incluem-se hoje o Jeep Renegade, Renault Duster, Honda HR-V, Peugeot 2008 e Chevrolet Tracker. Com tantos modelos novos o da Ford certamente perdeu espaço no segmento, mas Ramos garante que o EcoSport vem mantendo sua participação no total de automóveis e comerciais leves vendidos no País

“Estamos conseguindo manter nossa fatia nas vendas totais em 1,4%, o que é importante para a marca considerando a chegada recente de modelos totalmente novos”, diz o executivo, destacando que o segmento de SUVs compactos abrange público menos afetado pela crise atual e, por isso, seu  desempenho de vendas tem sido melhor do que a média do mercado. 

Quando lançou o EcoSport global em 2012 a Ford vendia cerca de 6 mil unidades do modelo por mês, com fila de espera nas concessionárias. Hoje, com a chegada de uma série de novos concorrentes e a retração do mercado, as vendas estão estabilizadas em 3 mil unidades/mês, segundo o gerente geral de marketing.

Salão Duas Rodas reservou um dia para profissionais do setor

Ao público o Salão Duas Rodas, um dos mais importantes eventos para o setor na América Latina, abrirá suas portas apenas na quarta-feira, 7 de outubro. Um dia antes, porém, profissionais do setor terão a oportunidade de comparecer a um Pavilhão de Exposições do Parque Anhembi menos concorrido, em tarde reservada para negócios.

Segundo Paulo Octávio de Almeida, vice-presidente da Reed Exhibitions Alcântara Machado, a organização atende a um pedido dos expositores: “Era uma demanda das empresas. Fizemos um pré-credenciamento online que já recebeu 10 mil solicitações. Ele ficará aberto até 5 de outubro, um dia antes da tarde reservada aos profissionais, quando esperamos receber 12 mil pessoas no Salão. No dia não será possível se credenciar”.

Almeida explicou que os profissionais poderão entrar no Pavilhão de Exposições do Anhembi a partir das 15h30, quando está previsto o encerramento das coletivas à imprensa. Dos 10 mil já inscritos, 63% têm intenção de fechar negócios. “Eles não estão indo apenas conferir”.

O Salão Duas Rodas espera receber 260 mil visitantes até o feriado de 12 de outubro, mesmo público da última edição, de 2013. Os preços dos ingressos vão de R$ 20 a R$ 60, com desconto para aqueles que comprarem antecipadamente – os valores variam de acordo com o dia: nos fins de semana, mais caros. “Queremos assim gerir melhor o fluxo de pessoas. 30% dos ingressos foram vendidos antecipadamente”.

Além das motocicletas, as grandes estrelas do evento, estão programados shows, apresentações especiais e test rides, dentre outras ações de entretenimento, espalhados por 78 mil m² de área do Pavilhão de Exposições e uma área externa, roubada do estacionamento. Este será gratuito para até 1,3 mil motocicletas – depois, R$ 40, preço cobrado para o automóvel. Haverá ônibus grátis saindo do Terminal Rodoviário do Tietê, estação do Metrô mais próxima.

Para José Eduardo Gonçalves, diretor executivo da Abraciclo, o Salão Duas Rodas vem em momento oportuno, apesar das dificuldades econômicas do País. “É um grande atrativo para alavancagem de negócios”.

A associação divulgará os resultados de setembro e do acumulado do ano na terça-feira, 6, em coletiva à imprensa no próprio Salão.

Segmento de veículos comerciais será analisado no Congresso AutoData Perspectivas 2016

Os dirigentes das principais e maiores montadoras de veículos comerciais do Brasil estarão reunidos em São Paulo, em 20 e 21 de outubro, para discutir a atual situação do mercado, da produção brasileira de caminhões e ônibus e suas perspectivas de curto e médio prazo.

Este encontro, quase histórico e muito importante para a busca de informações gerenciais que possam balizar a atuação das empresas que compõem a cadeia automotiva nacional frente à atual situação do mercado brasileiro, acontecerá na sede da Federação do Comércio de São Paulo, Fecomércio, durante o Congresso AutoData Perspectivas 2016.

É importante lembrar que as vendas de caminhões e ônibus estão amargando, neste ano, grande queda com relação ao volume registrado nos últimos anos.

Numa pré-analise de AutoData deste segmento específico feita para a edição Perspectivas deste ano, – que também será distribuída no evento – se tudo correr bem nestes últimos meses de 2015, o mercado doméstico alcançará, segundo os cálculos já divulgados pela Anfavea, no máximo 90 mil unidades, volume cerca de 40% inferior aos 160 mil veículos comercializados no ano passado.

Desse total previsto para 2015, a Anfavea analisa que 75 mil unidades deverão ser obtidas no segmento de caminhões e 15 mil no de ônibus. Para um comparativo direto com as vendas do ano passado, estes volumes foram 137 mil caminhões e 24 mil ônibus.

A situação de 2015, segundo informações apuradas junto aos dirigentes e responsáveis pelas áreas comerciais das principais montadoras de veículos comerciais instaladas no Brasil, deve ser vista como passageira, pois reflete o atual momento econômico e político do País, que é muito complicado.

Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, garante que os fundamentos básicos do País permanecem os mesmos e não resta dúvida de que o futuro continua tão promissor quanto antes. Segundo ele o grande problema, agora, é tentar descobrir quando a recuperação se iniciará. E esta, infelizmente, é uma pergunta muito difícil de ser respondida, pois depende de uma série de fatores de difícil controle.

Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz, que também foi entrevistado por AutoData para a edição Perspectivas, concorda com este raciocínio e vai além: o mercado brasileiro em um ano de desempenho normal deve chegar a algo em torno de 150 mil a 200 mil unidades de caminhões e ônibus. “A estratégia neste momento é estar preparado para o quando esta recuperação se iniciar”.

Cortes e Schiemer são dois dos executivos de montadoras de veículos comerciais que estarão presentes neste Congresso de AutoData. Eles farão palestras mostrando sua visão de futuro para o Brasil, para suas empresas em particular e para o seu segmento de mercado.

Além deles, Bernardo Fedalto, diretor de Caminhões da Volvo, Marco Borba, vice-presidente comercial da Iveco, João Pimentel, diretor geral da Ford Caminhões e Luis Gambim, diretor comercial da DAF, também já confirmaram suas presenças no evento e participarão de um painel que discutirá as perspectivas futuras do mercado de veículos comerciais.

Mais de 400 pessoas já garantiram sua inscrição para este encontro histórico. Restam menos de 100 inscrições para a lotação total do evento, pois a capacidade total é de 500 lugares.

O Congresso AutoData Perspectivas 2016 acontecerá nos próximo dias 20 e 21 de outubro, na Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio), em São Paulo. Mais informações sobre inscrições nos telefones (011) 5096.2957 e 98420.9350 ou pelo e-mail seminarios@autodata.com.br.

Abimaq projeta faturamento 15% menor em 2015

A três meses do fim de 2015 a Abimaq, Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos, já descartou uma retomada do setor neste ano. Carlos Pastoriza, presidente da associação, afirmou na quarta-feira, 30, que o faturamento da categoria deve cair cerca de 15% neste ano.

No acumulado até agosto o faturamento do setor de máquinas e equipamentos registrou queda de 7,4%, para R$ 58,2 bilhões. “Descontada a influência do câmbio esta queda é de aproximadamente 14% e deve chegar a 15% no final do ano”.

Pastoriza destaca que o dado é preocupante: “Serão três anos consecutivos de queda do setor. Desde 2013 não temos resultado positivo e o segmento deve acumular queda de 30% neste período com os resultados de 2015. Isso é ruim para o setor, mas também é ruim para o Brasil. Se não estamos vendendo significa que o País não está investindo”.

Apenas em agosto o faturamento das empresas representadas pela Abimaq caiu 10,7% na comparação ao mesmo mês de 2014. Os R$ 6,9 bilhões representam queda de 3,3% ante o mês de julho.

Segundo o presidente, a incerteza política combinada com a política econômica recessiva e o custo de capital incompatível com o retorno dos investimentos têm inviabilizado qualquer decisão de investimento no País.

“Os primeiros meses de 2016 deverão repetir esse cenário, a não ser que haja um milagre. A esperança é que o patamar do câmbio contribua para o aumento das exportações e os resultados apareçam no segundo semestre do ano que vem”.

A Abimaq está otimista com o câmbio no patamar dos R$ 4. Segundo o diretor de competitividade da Abimaq, Mario Bernardini, em alguns meses, o setor começará a apresentar melhoras nas exportações, caso haja manutenção do patamar atual de cotação.

Enquanto isso não acontece, a Abimaq reportou remessas ao exterior de US$ 558,3 milhões em agosto, queda anual de 32%. No acumulado do ano as exportações registraram recuo de 20,4%, para 5,1 bilhões.

Bernardini ressalta que no ano a queda nas exportações representou perdas de US$ 1,3 bilhão, e além dos motivos explicados pela retração econômica, US$ 600 milhões são decorrentes da redução do setor de óleo e gás por problemas da Petrobrás.

 “Outros US$ 300 milhões são fruto da queda nas exportações de máquinas rodoviárias e de construção”.

O executivo explicou que nesse segmento a maior parte das exportações são intercompany e muitas empresas deixaram de usar o Brasil como origem da fabricação dos produtos nesse ano.

“Se o patamar do dólar se mantiver nessa faixa atual pode ser que esse cenário seja revertido nos próximos doze meses”.

As importações também caíram e foram 19% menores em agosto, na comparação anual, para US$ 1,6 bilhão. No acumulado de 2015 a retração chegou a 18,7%, para US$ 8,4 bilhões. Segundo Pastoriza, a queda no indicador representa a redução de investimentos no País.

O déficit da balança comercial está em US$ 8,4 bilhões no acumulado do ano, valor 17,6% menor que o verificado no mesmo período de 2014.

Resultados – O consumo aparente de máquinas e equipamentos no País em agosto subiu 1,1% sobre o mesmo período do ano passado, para R$ 11,3 bilhões, com impacto parcial do dólar mais alto sobre as exportações. No ano, o consumo aparente caiu 3,9%, a R$ 90,3 bilhões.

A Abimaq afirmou ainda que o uso da capacidade instalada do setor recuou de 76,2% em julho para 66,1% em agosto. Também houve queda de 8,6% no volume de empregos do setor em agosto, na relação com o mesmo mês do ano passado. Atualmente há 330,4 mil trabalhadores no setor.

Queda nas vendas em setembro será superior a 30%

A um dia do fechamento de setembro as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus registram queda superior a 30%, comparado com o mesmo mês do ano passado. De acordo com dados preliminares do Renavam obtidos pela Agência AutoData foram licenciados 185,5 mil veículos até a terça-feira, 29.

Segundo uma fonte do varejo ouvida pela reportagem a expectativa é a de fechar setembro com 196 mil a 199 mil licenciamentos, na melhor das hipóteses. Os últimos dias do mês costumam registrar ritmo mais acelerado de emplacamentos, mas a fonte pondera que a quarta-feira, 30, dificilmente superará a casa das 15 mil unidades – na terça-feira, 29, foram pouco mais de 10 mil unidades registradas.

Fechando o mês com a mais positiva das estimativas divulgada pela fonte, 199 mil unidades comercializadas, o mercado registraria 32,8% de queda com relação a setembro do ano passado, quando foram licenciados 296,3 mil veículos. Com relação a agosto a queda seria de 4%.

A média diária até a terça-feira, 29, indica ritmo mais lento na comparação com os meses anteriores. Esse índice se manteve acima da casa das 10 mil unidades do começo do ano até junho: em julho caiu para 9,9 mil unidades. Em agosto a média diária chegou a 9,8 mil veículos emplacados, ritmo que caiu para 9,3 mil veículos este mês – e, até mesmo na mais otimista projeção dos varejistas, chegaria a no máximo 9,5 mil unidades licenciadas em 21 dias úteis.

No acumulado do ano as vendas deverão ficar próximas a 1 milhão 953 mil unidades, o que representaria uma queda de 22,7% com relação ao mesmo período do ano passado – de janeiro a setembro de 2014 os brasileiros consumiram 2,5 milhões de veículos.

Com mais um trimestre de venda seria necessário um avanço forte do mercado em outubro, novembro e dezembro para que a projeção da Anfavea para o ano, de 2,8 milhões de licenciamentos, seja alcançada. O mercado ronda na casa dos 200 mil emplacamentos por mês – é mais fácil crer, portanto, que feche em torno de 2,6 milhões de veículos.