Vendas diretas têm maior volume desde 2010

As vendas diretas chegaram muito próximas à marca de 1 milhão de unidades no ano passado. De acordo com levantamento da Agência AutoData, com base nos dados da Fenabrave, as pessoas jurídicas adquiriram 29% dos 3,3 milhões de automóveis e comerciais leves licenciados em 2014, ou cerca de 965 mil unidades.

Não foi, entretanto, o maior volume registrado pela indústria: em 2010, logo após a crise econômica mundial, os licenciamentos de automóveis e comerciais leves para pessoas jurídicas alcançaram 1 milhão 15 mil unidades.

As vendas concedidas a pessoas jurídicas geralmente são concretizadas com grandes descontos, independentemente de o cliente possuir ou não uma frota numerosa.

O volume do ano passado superou em 5,5% o resultado das vendas diretas de 2013, quando 915,4 mil veículos foram emplacados por meio deste modelo de negócio. Em 2012 foram 894 mil emplacamentos para pessoas jurídicas, ou 24,6% do volume daquele ano, quando a indústria bateu seu último recorde de vendas. Em 2011, 957 mil unidades foram licenciadas por esta modalidade.

Mas esse crescimento, tanto em porcentual quanto em volume, não preocupa o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior. O executivo afirmou na terça-feira, 6, que considera normal o nível alcançado em 2014. “Esses 30% estão em um patamar internacional para vendas diretas. O nível não tem se alterado nos últimos quatro anos, se mantendo na faixa das 900 mil unidades.”

No entanto é notável a redução dos licenciamentos no varejo, mais rentáveis aos concessionários. No ano passado os emplacamentos de automóveis e comerciais leves registraram queda de 6,9% na comparação com 2013, somadas pessoas físicas e jurídicas. Para as pessoas físicas, isoladamente, a queda alcançou 11,2%, para 2,3 milhões de unidades.

As vendas diretas, portanto, aliviaram a queda do mercado, que no varejo chegou a dois dígitos. Algumas marcas intensificaram os negócios por este canal para manter suas atividades produtivas em níveis adequados.

No caso da líder geral em vendas, a Fiat, das 700 mil unidades vendidas no ano passado 308 mil foram por meio de vendas diretas, ou 44% do volume total.

Mesmo porcentual registrou a Volkswagen: dos 576,6 mil licenciamentos que lhe deram a terceira posição no ranking, 254,7 mil foram efetivados por venda direta.

Foi alta também a participação da modalidade no resultado da Renault. A marca francesa não mediu esforços para manter a quinta posição do ranking geral, pouco mais de sessenta unidades à frente da Hyundai: 43,1% dos seus 237,2 mil licenciamentos no ano passado foram às pessoas jurídicas – terceira maior participação no ranking de vendas diretas.

No varejo a Renault ficou apenas na sétima posição, superada por, além da Hyundai, Toyota. A líder em vendas ao varejo em 2014 foi a Chevrolet, com 17,9% do bolo, seguida pela Fiat, com 16,8%.

Fiat emplaca quatro modelos na lista dos dez mais vendidos em 2014

2014 tinha tudo para promover um remelexo geral no ranking de vendas por modelo no País: a obrigatoriedade de air-bags e freios ABS marcou o fim da carreira de modelos muito bons de venda, como o Gol G4 e o Fiat Mille, aliados à chegada de muitas novidades no segmento de entrada, como o VW up! e o novo Ford Ka.

Mas com o fechamento do ano o que se viu foi um certo conservadorismo do consumidor brasileiro – o top 10 dos mais vendidos em 2014 repetiu os mesmos modelos daquele de 2013, ainda que não na mesma ordem.

Desta forma também se repetiu o índice de cada montadora nos dez mais de um ano para outro: a Fiat teve quatro, deixando a Volkswagen com dois e Chevrolet, Ford, Hyundai e Renault com um cada.

Além do grande destaque para o Palio, que roubou a coroa do Gol como mais vendido após 27 anos e por margem mínima de cerca de apenas quatrocentas unidades, com 183 mil, merece menção o desempenho da Strada, nada menos do que a terceira colocada no geral, com 153 mil emplacamentos no total do ano passado – em 2013, ficou na sétima colocação. A picape ainda liderou o mês de março, um feito inédito.

Os outros Fiat nos dez primeiros do ano passado foram o Uno, que conseguiu livrar-se sem maiores traumas da sombra do Mille com 122 mil, em quinto, e Siena/Grand Siena, 107 mil em oitavo.

Os representantes Volkswagen na lista dos dez mais, assim como em 2013, foram Gol, agora o vice-líder e desafiante, com 183 mil, e Fox/CrossFox, que recebeu revitalização em agosto e assegurou o nono posto com 101 mil.

O primeiro da lista a não carregar emblema Fiat ou VW é o Chevrolet Onix, com um impressionante quarto lugar com seus 151 mil emplacamentos: em 2013, oitavo. Depois aparece o Hyundai HB20, em um sólido sexto posto, três à frente do ranking do ano passado, e 120 mil. O Ford Fiesta se garantiu em sétimo mesmo sem o reforço da versão RoCam, de geração anterior, também descontinuada em 2014. E o Renault Sandero, que chegou à segunda geração no início de julho, mais uma vez fechou o top 10 graças às suas 95 mil unidades vendidas.

O VW Up! terminou seu primeiro ano, ainda que sem a soma de doze meses – foi lançado em fevereiro –, em décimo-sexto, com 59 mil. O novo Ka, com vendas iniciadas só no segundo semestre, foi o vigésimo, com 44 mil. Outra novidade, o Nissan new March, não foi além do trigésimo-quarto posto, com 25 mil na soma com a versão de geração anterior, ainda em oferta. Foi superado pelo Toyota Etios, vigésimo-oitavo com 39 mil.

Dezembro – No mês passado, isoladamente, o ranking dos dez mais vendidos tem mudanças perante o todo do ano, o que deverá se refletir nas primeiras tabelas de 2015.

O top 10 do mês passado aponta, pela ordem, Gol, 24 mil, Palio, 23 mil, Onix, 18 mil, Strada, 13,4 mil, HB20, 13 mil, Sandero, 13 mil, Ka, 12,7 mil, Uno, 10,2 mil, Prisma, 9,5 mil e Fox/CrossFox, 9,5 mil.

Assim, entraram nos líderes, ao menos em dezembro, o Ka e o Prisma, derrubando dos dez mais o Fiat Siena/GrandSiena e o Ford Fiesta, respectivamente décimo-segundo e décimo-sexto no período. O Up! foi décimo-nono.

Foi ainda mês bom para o Renault Duster, décimo-oitavo com 5,8 mil, e para a Toyota Hilux, vigésima-primeira com 5,1 mil, ambos à frente do Ford EcoSport,vigésimo-segundo com 5 mil.

VW demite oitocentos na Anchieta e trabalhadores decretam greve

Oitocentos funcionários da Volkswagen Anchieta, em São Bernardo do Campo, SP, que retornavam ao trabalho na terça-feira, 6, após férias coletivas de trinta dias, foram notificados pela montadora por telegrama de que não precisariam retornar às atividades. A confirmação da demissão dos trabalhadores, na mesma data, culminou em início de greve por tempo indeterminado na unidade.

Em três assembleias realizadas ao longo da própria terça-feira, 6, os cerca de 13 mil funcionários da unidade decidiram paralisar as atividades como forma de protesto e de reivindicação do cancelamento das demissões. Todos permaneceram na fábrica durante o horário de trabalho, porém sem atividades produtivas.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC há ainda temor por novos cortes – uma vez que a montadora reportou no ano passado excedente de 2,1 mil funcionários na unidade Anchieta.

Em nota a Volkswagen afirmou que a decisão de demitir os trabalhadores “visa estabelecer condições para um futuro sólido e sustentável para a unidade Anchieta, tendo como base o cenário de mercado e os desafios de competitividade”.

A companhia reforça que diversas medidas de flexibilização da produção foram aplicadas desde 2013, como, por exemplo, férias coletivas e lay off, mas considerou que “no entanto todos os esforços não foram suficientes”.

O comunicado afirma ainda que “com foco na melhoria de competitividade da fábrica frente ao cenário atual de mercado e as projeções para 2015, a Volkswagen buscou uma alternativa junto ao sindicato, realizando um longo processo de negociação para a composição de uma proposta que permitisse a adequação necessária da estrutura de custos e efetivo da unidade. O resultado balanceado contemplava a continuidade de formas de adequação de efetivo por meio de Programas Voluntários com incentivo financeiro e também de desterceirizações temporárias para alocação de parte do excedente de pessoal, dentre outras medidas. Lamentavelmente a proposta foi rejeitada em assembleia realizada em 2 de dezembro”.

A montadora alegou que continua urgente a necessidade de adequação de efetivo e otimização de custos para melhorar as condições de competitividade, motivo pelo qual a empresa iniciou “primeira etapa de adequação de efetivo”.

Segundo comunicado de Wagner Santana, secretário-geral do sindicato, em junho de 2014 representantes da montadora procuraram os representantes dos metalúrgicos para relatar que não havia como manter o acordo aprovado para o período 2012 a 2016 – que previa estabilidade de emprego neste período – e então negociações para elaboração de ajustes foram iniciadas. “Após a rejeição da nova proposta pelos trabalhadores a empresa rompeu o acordo e tomou a iniciativa de se livrar daquilo que considera como custo, mas que para nós são pais e mães de família.”

O sindicato afirmou que a greve será mantida até que a montadora volte a negociar.

A VW reconhece que há um acordo trabalhista vigente desde 2012, que inclui estabilidade no emprego, mas afirma que este foi estabelecido em premissas de mercado e vendas que não se confirmaram. “Quando o acordo foi firmado, após anos de crescimento, a perspectiva era que a indústria automobilística atingisse a marca de praticamente quatro milhões de unidades em 2014. O que ocorreu de fato foi uma retração para 3,3 milhões.”

Mercedes-Benz – O sindicato do ABC ainda enfrenta outra situação de cortes em São Bernardo do Campo, SP: segundo os metalúrgicos 244 trabalhadores da Mercedes-Benz não tiveram o contrato de lay off – que se encerrou em 30 de novembro – postergado até 30 de abril e foram dispensados.

Uma manifestação de solidariedade aconteceu no portão principal da fábrica da montadora no início do primeiro turno de terça-feira, 6. Cerca de dois mil funcionários se reuniram para se mobilizar contra as demissões.

A montadora não confirmou o número de contratos de trabalho encerrados. Porta-voz afirmou apenas que a parcela do grupo que se mantém em lay off até 30 de abril é maioria.

Nas unidades do ABCD Paulista e Juiz de Fora, MG, aproximadamente 1,2 mil trabalhadores estavam afastados em regime de lay off. A montadora acrescentou que todos os empregados da unidade mineira tiveram o afastamento prorrogado, mas que no grupo paulista houve a abertura de um Programa de Demissão Voluntária e parte dos funcionários não teve o contrato renovado – mas não pormenorizou os números relativos.

Os custos com o lay off até 30 de abril serão pagos integralmente pela montadora, uma vez que os subsídios do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o FAT, do Governo Federal, tem validade de cinco meses e já haviam sido utilizados pela montadora em primeira fase do lay off.

Para Fenabrave, mercado em 2015 será muito próximo ao de 2014

Um ano muito parecido com 2014. Essa é a expectativa para 2015 da Fenabrave, que divulgou na terça-feira, 6, projeção de leve queda de 0,5% nas vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus com relação ao ano passado, ou exatas 3 milhões 479 mil 343 unidades.

O viés ligeiramente negativo do resultado contrasta com a expectativa da maioria dos executivos da indústria, que projeta vendas de estáveis para cima. Tereza Fernandez, colaboradora econômica da associação, justificou o índice: “O preço dos carros vai aumentar com o fim da redução do IPI e isso impactará o consumidor, que já convive com a inflação. Se a renda do trabalhador crescesse, sem o nível atual de endividamento das famílias, e o crédito estivesse com maior disponibilidade, talvez o mercado não caísse”.

Nos cálculos, porém, não estão considerados eventuais impactos da nova lei que facilita a retomada do veículo no caso de inadimplência. Fernandez argumenta que “a lei é nova e não sabemos como quantificá-la nas projeções, e por isso fizemos a análise sem considerá-la”.

A consultora considerou que a projeção não é pessimista nem otimista, “mas realista”. Admitiu, porém, que a associação possa revisar o número mais adiante, mas considerou que tem como base as estimativas com relação à economia e o PIB.

Segundo Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, o impacto médio nos preços dos carros será de 3% a 5% com a recomposição do IPI. As vendas de janeiro, porém, deverão ser aceleradas, vez que indústria e rede se prepararam com estoques altos ainda com o IPI antigo, de unidades faturadas em 2014.

“Temos de 25 a 45 dias de vendas sem incidência da nova alíquota, com estoques que giram em torno de quatrocentas mil unidades. Só em fevereiro ou março os preços deverão subir efetivamente.”

Para o presidente a grande questão do ano será mesmo o comportamento dos bancos e agentes financeiros: “Estão mais dispostos a liberar crédito, mas as aprovações ainda estão baixas. Em média três a cada dez pedidos são aprovados. A nova lei da retomada pode alterar esse cenário e aumentar em até 20% as vendas, mas não sabemos efetivamente qual será o impacto no mercado”.

Caminhões e ônibus: financiamento via PSI poderá ser ampliado para até 90%.

Mais novidades na linha PSI na modalidade caminhões, ônibus e implementos surgiram na terça-feira, 6: a participação máxima do BNDES no financiamento destes veículos por meio desta linha do Finame poderá ser ampliada para até 90% do valor do bem.

Segundo circular do próprio BNDES as pequenas empresas podem financiar 70% do valor com taxa de 9,5% ao ano, enquanto as grandes emprestam 50% com taxa de 10% ao ano. Essas regras já haviam sido divulgadas no apagar das luzes do ano passado.

A novidade é que os outros 20% e 40% que compõem, respectivamente, o valor do bem, poderão também ser financiados por meio do PSI, permitindo ao comprador reduzir o valor de entrada para 10% – mas as condições são diferentes.

Empresas que optarem por maior fatia financiada terão de arcar com aumento no custo financeiro da operação – válido só para a diferença –, que poderá ser calculado por meio de três diferentes bases: variação da unidade monetária do BNDES acrescida de encargos da Cesta de Moedas, variação do dólar acrescida dos encargos da Cesta de Moedas ou ainda taxa média Selic acumulada, apurada pelo Banco Central em base diária.

No caso das pequenas empresas, somam-se, ainda, taxa de remuneração do BNDES de 1,2% ao ano e taxa de intermediação de 0,1% ao ano. Para empresas maiores a taxa de remuneração é também de 1,2% ao ano, mas a taxa de intermediação sobe para 0,5% ao ano.

Fonte ligada ao governo federal ouvida pela Agência AutoData entende que, na prática, a iniciativa representa uma nova taxa de juros para o PSI: “O cliente de uma grande empresa financiará 50% do bem com juros de 10% ao ano e os outros 40% com taxa maior, de mercado. Supondo que esta seja de 14%, no resultado final a operação terá taxa de cerca de 12,5% ao ano”.

As regras valem para ônibus, chassis e carrocerias para ônibus, caminhões, caminhões-tratores, carretas, cavalos-mecânicos, reboques, semirreboques, chassis e carrocerias para caminhões, incluídos semirreboques tipo dolly e semelhantes, carros-fortes e equipamentos especiais para chassis como plataformas, guindastes, betoneiras, compactadores de lixo e tanques.

O prazo máximo para financiamento é de 72 meses, com carência de três a seis meses. Cada grupo econômico poderá emprestar até R$ 200 milhões. De acordo com a circular os pedidos de financiamento poderão ser protocolados até 27 de novembro de 2015 por meio das modalidades simplificada ou convencional.

A circular informa ainda que “para fins de controle de comprometimento dos recursos o BNDES poderá solicitar, a qualquer tempo, o envio de informações relativas a operações em curso nos agentes financeiros, bem como definir limites de comprometimento por agente financeiro”.

Embora estas regras do PSI para 2015 já tenham sido publicadas, fontes ligadas ao governo não descartam a divulgação de novas circulares nos próximos dias: “O BNDES está ajustando seus sistemas às novas normas e levará ainda alguns dias para a operação deste ano começar. Ajustes, portanto, não estão descartados”.

Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, comentou na terça-feira, 6, que mesmo com as taxas de juros mais altas para o PSI este ano o cenário para os comerciais “não é de todo ruim”. E justificou:

“Foi difícil conseguir a postergação do PSI, conversamos com o BNDES diuturnamente. O desafio agora é garantir que os recursos liberados, de R$ 16 bilhões, sejam aplicados”.

Sobre o esperado programa nacional de renovação de frota de caminhões, o presidente da Fenabrave revelou que “o Tesouro argumenta não ter os recursos necessários, mas reduzimos o volume anual contemplado e esperamos avançar em breve. O projeto está 95% alinhavado”.

Nissan terá motor três cilindros para novo Versa nacional

Todo 6 de janeiro Carlos Ghosn, CEO da Nissan e da Aliança com a Renault, traz uma nova notícia para o mundo brasileiro de veículos. No ano passado foi sobre a fábrica de motores que seria instalada em Resende, RJ, e na terça-feira a novidade foi a chegada de motor 1.0 de três cilindros, 77 cv de potência e 10 kgmf de torque tanto com álcool quanto gasolina, para equipar o novo Versa, que deverá ser apresentado até o fim de março.

O investimento foi de cerca de R$ 100 milhões, com a contratação de 25 funcionários.

José Luiz Valls, chairman da Nissan para a América Latina, lembrou que a companhia vive fase de evolução no Brasil, no seu sétimo mês consecutivo de crescimento de vendas, e que a relação veículo versus 1 mil habitantes é muito baixa aqui, 175 contra trezentos na Rússia e quinhentos na Europa – daí a confiança da companhia no potencial do mercado brasileiro:

“Sem dúvida há tudo para crescer, com a nossa ajuda e participação. Aqui, e na América Latina, queremos ser a primeira empresa das japonesas. Temos muito, ainda, a crescer, aqui e em toda a região, temos muitos produtos a serem localizados”.

A participação de mercado da Nissan no Brasol fechou 2014 com 2,2%, e o presidente François Dossa almeja pelo menos 1 ponto porcentual a mais até o fim de 2015 – e chegar muito perto de 5% no fim de 2016.

Ao traçar projeção de resultados para 2015 Ghosn foi cauteloso. Também crê no potencial do mercado brasileiro mas acredita, mesmo, em um ano estável, relativamente parecido com o anterior, na melhor das hipóteses: “Estamos à espera de diretivas, de decisões de governo”.

Mas está muito mais otimista com os resultados que projeta para 2016, quando o governo certamente já terá tomado decisões “para fazer deslanchar a economia e o mercado. É por isto que estamos muito atentos ao movimento das autoridades de governo, levando em conta que mantivemos todos nossos cronogramas e valores de investimento no País”.

Ghosn acredita, também, no crescimento das vendas e da participação – da Nissan e da Aliança – em 2015, em função da recuperação do mercado de veículos nos Estados Unidos, na manutenção de seu crescimento na China e na sua evolução de reação na Europa. Os pontos fracos, por enquanto, são Brasil, Índia e Rússia: “Espero, para este ano, crescimento global nas vendas de pelo menos 2% a 3%”.

O que alicerça sua crença?: “O mercado dos Estados Unidos já superou aquele de antes da crise do Lehman Brothers e o da Europa está abaixo menos de 20%…”.

Dezembro fecha com melhor resultado para o mês da história

O ano de 2014, apesar de suas dificuldades, terminou com um recorde: o melhor mês de dezembro em vendas de veículos no Brasil. Foram comercializados 369 mil 996 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, segundo dados divulgados pela Fenabrave na terça-feira, 6.

O volume representou alta de 4,6% na comparação com o mesmo mês de 2013 e de 25,6% na comparação com novembro.

Além disso o resultado foi o segundo melhor índice mensal da história, considerando-se todos os períodos, atrás apenas de agosto de 2012 – quando foram comercializados 420 mil veículos.

O bom desempenho do último mês de 2014 ajudou um pouco o volume acumulado do ano, que fechou em retração de 7,2% nas vendas – até novembro o índice de baixa apontava 8,4%. De acordo com a Fenabrave foram vendidos 3 milhões 497 mil veículos em todo ano passado no País, ante 3 milhões 767 mil em 2013.

O novo presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, considerou a queda como prevista. “2014 foi um ano atípico, com Copa do Mundo e Eleições. Já sabíamos que com menos dias úteis a tendência era de um mercado menor.”

Ainda assim o recuo do mercado foi maior do que o estimado pela Fenabrave em sua última previsão: a associação calculava queda de 3,2%, com comercialização de 3 milhões 645 mil unidades em 2014.

O segmento de comerciais leves foi o único com resultado positivo no acumulado do ano passado: foram licenciadas 832,2 mil unidades, em alta de 1,4% na comparação com 2013.

Nas demais categorias a tendência de retração prevaleceu. Em automóveis houve recuo de 9,4%, com 2 milhões 496 mil unidades licenciadas. Em caminhões a queda chegou a 11,3%, com 137 mil emplacamentos. Os ônibus foram responsáveis pela maior baixa, de 12,8%, com 32 mil unidades comercializadas no último ano.

Por montadoras a Fiat liderou as vendas em 2014, com 21% de participação de mercado. A General Motors ficou na segunda posição com 17,4% e a Volkswagen na terceira, logo atrás, com 17,3%. Na sequência aparece a Ford com 9,3%, seguida pela Renault com 7,1% de fatia de mercado no ano passado, ultrapassando a Hyundai por apenas 0,01 ponto porcentual.

Estados Unidos: 2014 fecha em alta de 6%, para 16,5 milhões de unidades.

Os Estados Unidos encerraram o ano passado com mais uma alta nas vendas de veículos leves – pelo quinto ano seguido. O volume de comercialização atingiu 16,5 milhões de unidades, 6% acima das 15,6 milhões de 2013, segundo informações divulgadas por agências internacionais.

O resultado foi ajudado por um desempenho muito bom em dezembro, com os consumidores aproveitando promoções de fim de ano, baixos preços dos combustíveis e melhoria do cenário econômico: o mês fechou com 11% de elevação, para 1,5 milhão de veículos leves vendidos ante 1,3 milhão um ano antes.

2014, assim, marcou a recuperação definitiva do mercado estadunidense, um dos maiores do mundo, e que em 2009 fechou em 10,4 milhões de unidades comercializadas, ali o resultado mais baixo em 27 anos, fortemente influenciado pela crise financeira global.

Para 2015 a expectativa é de nova elevação, ainda que em ritmo mais modesto: analistas estimam de 16,7 milhões a 17 milhões de unidades vendidas nos Estados Unidos neste ano.

De qualquer forma nada menos do que treze marcas celebraram em 2014 seu melhor ano no mercado estadunidense: Audi, BMW, Honda, Hyundai, Jeep, Kia, Land Rover, Maserati, Mercedes-Benz, Nissan, Porsche, Ram e Subaru.

Dos maiores grupos a Daimler, a Nissan e a Toyota celebraram ainda ganhos em participação de mercado nos Estados Unidos em 2014, enquanto BMW, Ford, GM, Honda, Hyundai-Kia e VW viram suas fatias diminuírem, ainda que algumas com elevação porcentual no comparativo anual: os volumes da GM, por exemplo, subiram 5%. Os da Toyota, considerando as marcas Toyota, Lexus e Scion, evoluíram 6%.

É da Toyota ainda o modelo mais vendido nos Estados Unidos no ano passado, o Camry, com 428,6 mil unidades. Liderou o ranking pelo décimo-terceiro ano seguido.

Produção seriada da M-B em Iracemápolis começará em exatamente um ano

Ainda que atualmente o terreno da Mercedes-Benz em Iracemápolis, no Interior de São Paulo, a cerca de 200 quilômetros da Capital, não observe sequer um pilar erguido, a empresa pretende correr contra o tempo e iniciar a produção em série – ou seja, de veículos que efetivamente irão para as concessionárias aguardar compradores – na nova unidade em exatamente um ano, fevereiro de 2016.

O cronograma foi revelado por Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, após cerimônia de assentamento de pedra fundamental da unidade, realizada no fim da manhã da quinta-feira, 5, no terreno que atualmente está no estágio quase completo de terraplenagem.

“As primeiras unidades prontas para distribuição à rede sairão de Iracemápolis em fevereiro do ano que vem e, portanto, iniciaremos a produção pré-série ainda nos últimos meses deste ano.”

A produção começa com o Classe C e seis meses depois, ou agosto de 2016, entra o GLA.

A fábrica terá três áreas principais: montagem bruta, pintura e montagem final – está descartada, assim, estamparia em Iracemápolis ao menos em sua primeira fase. Para o executivo “o volume de produção, de 20 mil unidades ao ano, não justifica o investimento”. As partes estampadas de maior tamanho virão importadas da Alemanha, porém a pintura estará operando desde o início das atividades, ele assegurou. Garantiu também que “não se trata de processo CKD”.

Quanto aos fornecedores locais ficou evidente durante o evento certa contradição: enquanto o prefeito revelou, em discurso, construção de parque destinado a estas empresas na frente da enorme área da Mercedes-Benz, do outro lado da rodovia, Schiemer argumentou que a escolha pelo Estado de São Paulo se deu justamente pela quantidade de fornecedores já instalados na região e que assim, portanto, não há necessidade de um grande número de empresas de autopeças no entorno da fábrica, “apenas aquelas fundamentais, mais ligadas aos processos de logística”.

Mas é certo que uma empresa terceirizada cuidará do processo de montagem dos motores, que virão importados – a M-B não quis pormenorizar como funcionará exatamente esta etapa produtiva e se componentes locais serão agregados no powertrain. Ainda sobre os motores estes serão os primeiros flex fuel Mercedes-Benz do mundo e, assim como nos concorrentes nacionais de Audi e BMW, turboalimentados.

Schiemer também não quis revelar o índice de nacionalização dos futuros M-B nacionais, mas assegurou que “este crescerá conforme a rampa de produção evoluir, sempre respeitando as exigências do Inovar-Auto”. Para o primeiro ano de atividades o volume produtivo deve chegar a 10 mil unidades, alcançando o topo da fábrica, 20 mil/ano, já em 2017, quando o quadro de funcionários chegará a 1 mil – de início serão seiscentos.

A fabricante fala ainda em 3 mil empregos indiretos gerados a partir da unidade de Iracemápolis, mas inclui neste cálculo 2 mil da rede de distribuidores, que ganhará investimento específico de R$ 100 milhões para chegar a 63 casas até 2016 ante as 45 de hoje. Na fábrica, isoladamente, o aporte é de R$ 500 milhões.

A unidade faz parte de plano ambicioso da Mercedes-Benz de liderar as vendas de veículos premium no Brasil até 2020, segmento que, calcula, mais do que dobrará de volume até lá, chegando no total a 100 mil unidades. De seu próprio desempenho a montadora não tem do que reclamar: suas vendas de modelos de luxo importados cresceram mais de 200% no País de 2008 a 2014, saltando de 3,7 mil para o recorde de 12 mil no ano passado.

Também presente à cerimônia o governador do Estado prometeu entregar em um ano, ou junto ao início da produção, obra de recuperação da Rodovia Luís Ometto, a SP-306, “recapeada, com terceira faixa e construção de um trevo em frente à fábrica”. A rodovia, de pista simples, encontra-se em condições precárias de rodagem, com inúmeros remendos no asfalto.

A Prefeitura aguarda, ainda, a instalação de quartel do Corpo de Bombeiros e de unidade do Samu, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

IPI perde o desconto e retorna ao patamar original de 2008

Dessa vez o governo cumpriu sua promessa e a alíquota do IPI para automóveis e comerciais leves 0 KM retornou à sua normalidade. Desde 1º de janeiro os carros faturados pelas montadoras às redes concessionárias têm incidência do imposto cheio – de 7% para os modelos flex com motor 1 litro até 13% para os modelos gasolina com motor até 2 litros.

Encerra-se assim um longo período de incentivo do governo para o consumo de veículos. No fim de 2008, em meio ao início da crise financeira global, as alíquotas foram reduzidas pela primeira vez e sofreram variações de alíquota desde então, com constantes prorrogações, reduções e aumentos escalonados.

Recordes de vendas foram quebrados: em agosto de 2012 foram licenciados 420,1 mil veículos no mercado nacional, barreira desde então não mais superada. No mesmo ano os brasileiros consumiram 3,8 milhões de veículos, volume histórico para o setor.

Em 2013, um ano após o recorde, a recomposição escalonada do IPI provocou retração no mercado e o primeiro trimestre encerrou com ritmo lento. No feriado da páscoa o ministro da Fazenda anunciou manutenção das alíquotas daquele período até o fim do ano. Um novo aumento, leve, ocorreu no começo do ano passado e se estendeu até o fim do primeiro semestre e depois até 31 de dezembro.

Pelos cálculos da Anfavea, divulgados no ano passado, cada ponto porcentual de aumento – ou retomada – da alíquota do IPI representa elevação de 1,1% no preço final do veículo ao consumidor.

Embora relevante e esperada por Anfavea, Fenabrave e boa parcela de executivos do setor, a recomposição total da alíquota não mereceu anúncio especial do governo. Apenas chegou, como chegou o novo ano. Mas seus efeitos não serão imediatos.

Isso porque todos os modelos faturados até 31 de dezembro de 2014 ainda trazem o IPI reduzido. E eles estão estocados nos pátios das concessionárias espalhadas pelo País. Como ocorreu das outras vezes em que o IPI foi recomposto – ou quando se esperava sua recomposição –, o rescaldo de estoque deverá promover um mês aquecido em vendas neste janeiro.

A reportagem entrou em contato com concessionárias da Região Metropolitana da Capital paulista e em todas havia modelos em oferta com preço mais baixo, ainda com IPI reduzido. O vendedor da Brasilwagen do bairro de Santo Amaro, da rede Volkswagen, afirmou existir poucas unidades do Gol, mas muitas do up! com preço antigo.

O mesmo ocorreu com os Fiat Uno e Palio na Fiat Amazonas do Tatuapé e Ford Ka e Fiesta na Sonnervig Raposo, da Ford, em Cotia. A Chevrolet Imigrantes, em Diadema, também afirmou ter bom estoque de Onix com o IPI reduzido.

Das concessionárias procuradas apenas a Chevrolet Nova de Pinheiros afirmou não contar com amplo leque de modelos com o IPI do ano passado. Do Onix, modelo mais vendido da marca, restavam apenas algumas unidades, porém já não havia muitas opções da cor, versão e motorização.