São Paulo – Desde a sua criação, há mais de um século, a indústria de caminhões não passava por tantas transformações simultâneas. Segundo Roberto Cortes, presidente e CEO da VW Caminhões e Ônibus, e presidente de honra do Anfavea Visions, evento organizado pela entidade que representa as montadoras nacionais, são três grandes frentes que atingem o setor: sustentabilidade, conectividade e geopolítica.
No primeiro caso, disse Cortes, o Brasil está bem posicionado: além da eletrificação, tendência global, o País pode oferecer alternativas como biocombustíveis: “Assim, acredito, a eletrificação atenderá a pequenas distâncias e as longas distâncias usarão diesel, ou biodiesel ou biometano”.
A questão da conectividade já é uma realidade: há alguns anos a venda de caminhões deixou de ser apenas um produto. Segundo o CEO o cliente busca a solução completa, com serviços conectados atrelados à compra: “Deixamos de apenas produzir e vender caminhão”.
Por fim a geopolítica, a questão mais relevante no momento. As empresas fabricantes asiáticas estão ganhando terreno e começam a acenar para o mercado brasileiro. E a taxa de importação de CKD, abaixo de 35%, é considerada insuficiente para barrar a instalação de fábricas que montariam produtos com pouco conteúdo local.
“A China tem diversas vantagens sobre as montadoras aqui instaladas. Mais escala, custo baixo de capital e operacional, do país mesmo. Precisamos proteger o conteúdo local, nossos fornecedores. Se abrirmos o mercado para custo deixamos de ter uma indústria nacional.”
Ele citou exemplos próximos: na América Latina o caminhão com origem na China já é uma realidade e na África do Sul, mercado alvo dos produtos brasileiros, já respondem por mais da metade das vendas. Uma das soluções analisadas por Cortes são parcerias com os chineses, o que ele acredita ser uma tendência: “Um mais um com parceiros é igual a três”.
Mas, quando perguntado se a VWCO foi procurada por alguma empresa asiática, o executivo desconversou: não admitiu e nem negou.




