São Paulo – Mesmo com a injeção de ânimo e recursos a juros subsidiados pelo Move Brasil 2 a venda de caminhões 0KM totalizou 48 mil unidades de janeiro a junho, queda de 9,4% em relação ao primeiro semestre do ano passado, quando 53 mil unidades foram emplacadas. Foi o que apontou balanço da Fenabrave divulgado na quinta-feira, 2.
Somente em junho, porém, os emplacamentos alcançaram 9,4 mil unidades, 13,5% acima das 8,3 mil vendas do mesmo mês em 2025 e 14,9% além das 8,2 mil obtidas em maio. Ou seja, o reflexo da iniciativa do governo federal começou a ser sentido, uma vez que ela começou a operar somente em 29 de maio, embora a segunda fase do programa tenha sido anunciada um mês antes.
Segundo o diretor executivo da Fenabrave, Marcelo Franciulli, o Move Brasil deve continuar gerando emplacamentos nos próximos meses. Ressaltou, entretanto, que “o programa ajuda, mas não resolve, pois tem recursos limitados” – e se esgotaram.
E como a necessidade de compra está ligada ao avanço do PIB, e a projeção é a de que no segundo semestre a atividade econômica desacelere em meio ao período eleitoral – sem novos anúncios que ampliem a renda disponível da população –, e diante da permanência das taxas de juros elevadas, na casa dos 14% ao ano, a expectativa é a de que a situação volte na mesma à anterior ao programa.
A economista Tereza Fernandez, da TF Consultoria, avaliou que a falta de perspectivas do ponto de vista do agronegócio também não deverá contribuir positivamente ao setor. É esperado que a safra seja boa, apesar do El Niño, mas mesmo assim os preços no mercado internacional não ficarão atrativos.
“A tendência é que os juros nos Estados Unidos sejam elevados. Até mesmo economias estáveis como a do Japão estão surpreendendo com juros altos, neste caso, de 4%, o que é alto para o país. A inflação está aumentando ao redor do mundo, o que contribui para redução do apetite global e, consequentemente, diminuição dos preços das commodities.”
Não à toa a Fenabrave reduziu suas projeções de vendas para queda de 7,8% frente a 2025, totalizando a venda de 102 mil caminhões. Em janeiro a perspectiva era de que o ano terminasse com 114,7 mil caminhões emplacados, o que representaria alta de 3,5% sobre os 110,8 mil caminhões vendidos no ano passado.

Ônibus reage ao Move Brasil mas carece de Caminho da Escola
Para os ônibus o cenário é parecido aos dos caminhões, uma vez que o primeiro semestre acumula queda de 8%, com quase 13 mil ônibus vendidos, enquanto que no mesmo período de 2025 haviam sido contabilizadas 14,1 mil unidades.
“O setor de ônibus é muito específico por ser bastante sensível a incentivos públicos”, assinalou Franciulli. “Até agora este ano não teve Caminho da Escola, portanto, a demanda está menor.”
Para o diretor da Fenabrave, as vendas do semestre apoiam-se em compras programadas em detrimentos das licitações e transporte público. E até mesmo de entregas remanescentes do edital anterior do Caminho da Escola, do ano passado.
Em junho foram vendidos 2,5 mil ônibus, 24,4% acima dos 2 mil comercializados em maio e 9,3% além dos 2,3 mil registrados no mesmo mês no ano passado. Reflexo também do Move Brasil, que na segunda etapa separou R$ 2 bilhões à compra de ônibus.
A projeção para os emplacamentos de ônibus também foi revisada para baixo. Se em janeiro eram aguardadas 29,7 mil vendas, 3% acima das 28,8 mil de 2025, agora a expectativa é a de que sejam emplacadas 26,2 mil unidades, retração de 9,2%.






