São Paulo – Para dar continuidade à renovação da frota de caminhões iniciada em janeiro o governo anunciou a segunda versão do programa Move Brasil, desta vez mais abrangente e flexível: agora serão ofertados R$ 21,2 bilhões, sendo R$ 14,5 bilhões em recursos do Tesouro e R$ 6,7 bilhões do BNDES, Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, e poderão ser financiadas também compras de ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários.
Um dos destaques, além de dobrar a verba disponível, é que o pleito encabeçado por Fenabrave e Anfavea foi ouvido, e R$ 2 bilhões serão endereçados à compra de ônibus. Outros R$ 2 bilhões ficam à disposição de caminhoneiros autônomos, que terão agora carência de até doze meses para começar a pagar o empréstimo e até dez anos para parcelar o valor do veículo, que pode ser novo ou seminovo.
Para os demais recursos as condições foram mantidas, com até seis meses de carência e até cinco anos para a quitação. De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, quanto aos juros, no caso dos autônomos o porcentual vai variar de 11,3% a 12,4% ao ano em vez de 14,2% a 14,9% ao ano, com parcelas a partir de R$ 3 mil.
Segundo o presidente da CNTTL, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística, João Paulo Estausia, o Paulinho do Transporte, toda a pauta do setor foi contemplada com a possibilidade de financiar em 120 vezes um caminhão.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, externou que a questão dos autônomos era a que mais preocupava ao relatar que, a certa altura do programa, foi apurado que do R$ 1 bilhão disponível apenas R$ 200 mil haviam sido contratados: “Alguma coisa estava atrapalhando o acesso, e não era falta de demanda. Então ampliamos o prazo, a carência e diminuímos um pouco dos juros”.
De acordo com ele não é o cenário ideal, mas o possível, a partir de uma taxa Selic que agora está em 14,5% ao ano.
“A única garantia que o autônomo tem é seu patrimônio. E, pela primeira vez na vida, os mais pobres serão tratados como os mais ricos. Bancos, […], tratem com carinho estes trabalhadores, porque na primeira etapa do programa vimos que as entregadoras foram atendidas com mais agilidade e atenção.”
Lula disse também esperar que haja maior procura para a reciclagem de caminhões mais velhos, o que tem taxas mais reduzidas. Durante a cerimônia, no entanto, não foram divulgados estes pormenores.
Às vésperas de expirar a medida provisória que deu origem ao programa o presidente então assinou a alteração da lei 14 042 para autorizar a União a aumentar sua participação no FGI, Fundo Garantidor para Investimentos, e também a autorização de crédito extraordinário com fonte de recursos livres para compor o Move Brasil 2.
Comprar caminhão tornou-se tarefa inglória, disse Calvet
Presente à cerimônia Igor Calvet, presidente executivo da Anfavea, exaltou a extensão e a melhora das condições do programa diante da necessidade de recuperação do mercado que, em suas palavras, no caso dos grandes caminhões, amargam queda superior a 30%.
“Comprar caminhão tornou-se tarefa inglória e impossível, tanto que os R$ 10 bilhões oferecidos inicialmente se foram rapidamente”, assinalou Calvet. “Caminhões e ônibus são meios essenciais de transporte, sendo o caminhão essencial para levar comida à mesa das pessoas, soja ao porto para ser exportada, cana para fazer etanol. Trata-se de um programa que faz a economia como um todo funcionar.”
Segundo o BNDES os R$ 10 bilhões iniciais do Move Brasil, oferecidos a partir de janeiro, foram consumidos em dois meses, totalizando mais de 8 mil operações de compra de caminhões novos.
Para o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, a iniciativa promoverá, ainda, melhora na segurança, logística, produtividade, meio ambiente e saúde pública: “Depois de doenças cardíacas e neoplasia causas externas, dentre elas acidentes rodoviários, são o terceiro maior motivo de mortes no Brasil”.
O Move Brasil 2 foi anunciado quatro dias depois do Move Agrícola, que oferece R$ 10 bilhões para a compra de máquinas agrícolas, formalizado por Alckmin durante a abertura da Agrishow 2026, em Ribeirão Preto, SP.