São Paulo – Entrou em vigor na quarta-feira, 22, a nova tarifa de 25 pontos porcentuais adicionais às taxas aplicadas à importação de diversos produtos brasileiros pelas empresas dos Estados Unidos. O novo tarifaço do presidente Donald Trump afeta de maneira ainda indeterminada os negócios do setor brasileiro de autopeças, segundo o Sindipeças.
O tema é complexo e ainda está sendo avaliado pela entidade. Desde maio de 2025 diversas autopeças brasileiras já pagavam os 25% adicionais e, para estas, nada mudou.
A sobretaxa incidia às autopeças que integram a chamada Seção 232. São peças para veículos leves, de até 5 toneladas de PBT, e pesados, acima de 5 toneladas de PBT. Mas não são todas – e este nível de minúcia, segundo o Sindipeças, ainda não pode ser medido.
A entidade afirmou à reportagem da Agência AutoData que as classificações estadunidenses e brasileiras são diferentes. Então determinado produto exportado por uma empresa, com alto volume, poderia estar fora da Seção 232. E este produto, que integra a chamada Seção 301, agora passou a ser sobretaxado.
O que atinge o novo tarifaço?
Para autopeças de leves e pesados dentro da Seção 232, que desde maio de 2025 pagavam 25% de sobretaxa, nada mudou. Existem ainda outras categorias, de peças derivadas de aço, alumínio e cobre, que têm sobretaxa de 10% a 50%, dependendo do NCM, que também estão na 232 e seguem como estavam.
Os produtos de fora desta lista, porém, integram a Seção 301 e passaram a ser sobretaxados com 25%. E a coisa pode piorar: nos próximos dias deverá ser anunciada mais uma sobretaxa, de 12,5%, que se somará a estes 25%. Ou seja, no total estes produtos pagarão 37,5% a mais.
A boa notícia é que, ao que tudo indica, os produtos da Seção 232 não serão afetados por esta investigação, que segundo o governo dos Estados Unidos é para punir países que não combatem o trabalho alusivo à escravidão.
Efeitos já são sentidos nas exportações
De janeiro a junho, segundo o Sindipeças, as exportações de autopeças brasileiras aos Estados Unidos recuaram 10,4%, para US$ 567 milhões. O país é o segundo maior destino dos produtos fabricados por aqui, atrás apenas da Argentina. E o saldo da balança é superavitário para a terra de Donald Trump.
“A imposição de novas sobretaxas pelo governo dos Estados Unidos é mais um obstáculo que o setor tem de enfrentar para se manter competitivo”, afirmou o Sindipeças em nota. “A medida surge em contexto de elevada concorrência global, impondo desafios adicionais às empresas brasileiras na busca por manter e ampliar sua presença nos mercados internacionais”.
Para piorar, destacou a entidade, diversas peças fornecidas às montadoras são desenvolvidas para veículos e aplicações específicas, o que impede de redirecionar o volume a outros mercados. “Com a taxação adicional, as autopeças brasileiras correm o risco de ficar fora de novos programas de veículos, com perda de oportunidades de fornecimento em projetos estratégicos para a indústria automotiva”.
Sindipeças pede mais negociação e abertura de mais portas
Na nota enviada à reportagem a entidade faz três pedidos: que sigam as negociações diplomáticas e técnicas pelos representantes dos governos do Brasil e Estados Unidos, que sejam oferecidos mais recursos para investimento em P&D no âmbito do programa Mover e que o programa Brasil Auto Parts, parceria do Sindipeças com a Apex-Brasil, tenha mais recursos na renovação para o biênio 2027-2028.
Com este programa o setor de autopeças consegue abrir mais portas, participar de feiras e rodadas de negócios em outros países. Só neste ano estão previstas a participação em seis eventos.
Em resumo
- Autopeças de leves e pesados da Seção 232: desde maio de 2025 pagam 25% de sobretaxa e nada mudou com o tarifaço de julho.
- Autopeças derivadas de aço, alumínio e cobre da Seção 232: desde maio de 2025 pagam de 10% a 50% de sobretaxa e nada mudou com o novo tarifaço.
- Autopeças da Seção 301: passaram a ter 25% de sobretaxa com o novo tarifaço e deverão receber mais 12,5% adicionais nos próximos dias.
- Qual o impacto? Ainda é indeterminado. O que se sabe é que no primeiro semestre as exportações caíram 10,4%.



















