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Picapes médias ganham tecnologias e alto valor agregado para disputar mercado acirrado

No segmento em que predomina motor diesel líder Toyota Hilux encara novas adversárias que trazem recursos modernos e até sistema híbrido

São Paulo — Se o segmento de picapes pequenas tenta destronar a líder Fiat Toro, como mostrou AutoData Mobility, a categoria de picapes médias procura seguir a mesma lógica no mercado brasileiro. O inimigo a ser batido é a Toyota Hilux que, embora mês ou outro perca o posto de número 1 do ranking de vendas para a Ford Ranger, continua desfrutando a liderança com certa folga no acumulado do ano.

De janeiro a agosto foram emplacadas mais de 30 mil unidades contra 23,5 mil da Ford, segundo levantamento da Fenabrave.

“A liderança é resultado da entrega consistente de valor, seja para o uso diário ou para quem depende do veículo como ferramenta de trabalho em situações extremas”, disse Maurílio Pacheco, diretor comercial da Toyota do Brasil. “O sucesso é amparado pela robustez do carro, que herdou a bravura do Toyota Bandeirante, pela baixa taxas de depreciação e pelo apoio da rede de mais de trezentas concessionárias no País.”

Ao contrário das picapes monobloco, as médias têm como característica a construção da carroceria sobre o chassi. Com preços que vão de R$ 220 mil a R$ 370 mil elas buscam principalmente um público que não abre mão de um veículo assim em suas atividades: o agronegócio.

Um exemplo é a General Motors: 70% das vendas da Chevrolet S10 são realizadas para profissionais envolvidos com o agro brasileiro. São operações em que a resistência da picape e disponibilidade de peças nas revisões são fundamentais para não deixar o veículo parado, o que implica perda de receita.

Segmento de quase US$ 200 bilhões

A categoria de picapes médias ganhou muitas concorrentes nos últimos anos, como BYD Shark, Foton Tunland, RAM Dakota, GWM Poer e Fiat Titano, além de novas versões de Ford Ranger e Chevrolet S10.

2027 Chevrolet S10 Trail Boss

Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul, contou o plano da Fiat. “A Fiat é a marca que mais vende picapes no Brasil: de cada duas unidades uma é da marca. Com a Titano estamos presentes em praticamente todos os segmentos de picapes do mercado e ela faz parte de plano natural de ampliação da nossa participação em um nicho extremamente relevante para o Brasil e para a América do Sul”.

A exemplo da Fiat as fabricantes querem tirar proveito do segmento em alta no mundo todo. Estudo da organização de análises e inteligência BRI, Business Research Insights, revelou que o tamanho do mercado global de picapes está avaliado em US$ 195 bilhões em 2026, devendo atingir US$ 259 bilhões até 2035. O número representa o valor total gerado pela venda de picapes em um determinado período.

A América do Norte é responsável por 41% deste valor. Ásia-Pacífico fica com 29% e Europa com 18%, refletindo a preferência de boa parte dos usuários por picapes. De acordo com a BRI a previsão só não é mais otimista porque potenciais clientes consideram que as picapes apresentam altos custos operacionais.

A América do Sul ainda está distante de figurar no ranking do maiores consumidores de picapes, no entanto as marcas enxergam no Brasil forte potencial de expansão. No entender de Pacheco “o segmento seguirá apresentando demanda sólida e estrutural, impulsionada pela força do agro e da logística pesada”.

Sem migração do diesel para o híbrido

Milad Kalume Neto, diretor executivo da K. Lume Consultoria Automobilística, acredita que “as picapes médias precisam trazer alto valor agregado, como rentabilidade na sua utilização e preços vantajosos na hora da revenda”.  

Na análise de Kalume de certa forma a Hilux já acusou o golpe depois do lançamento de tantas rivais no nicho das picapes médias: “Prova disto são os recentes descontos aplicados no preço final do modelo”.

Na tentativa de incomodar a líder a concorrência busca incorporar novidades em seus modelos. A chinesa BYD oferece a Shark com motor 1.5 híbrido plug-in, elétrico e gasolina, mas ainda não vingou no mercado brasileiro.

“Por enquanto não vejo no consumidor, principalmente aquele que mora no campo, o movimento de migrar de uma picape diesel para outra híbrida”, observa o consultor. “Mudar para a picape da BYD é um passo muito longo para o usuário raiz de diesel.”

Cássio Pagliarini, diretor de marketing da consultoria automotiva Brigth Consulting, concorda que picapes médias híbridas ainda enfrentam limitações, como a autonomia. Mesmo assim aposta no êxito das eletrificadas:

“Quem disse que a eletrificação não pode entrar no diesel? A marca que lançar uma picape híbrida diesel plug-in sairá muito bem na foto. A Volkswagen, que já anunciou eletrificação em uma versão da nova Amarok, bem que poderia tomar esta decisão”.

Essência off-road

A nova Hilux também deverá ter a tecnologia hibrida leve, porém Maurílio Pacheco não abriu o jogo, preferindo destacar outras virtudes da Hilux: “Assim como os demais produtos do portfólio Toyota a Hilux foi desenvolvida considerando necessidades e particularidades dos mercados da América Latina, como clima, terrenos e perfil dos clientes. Contamos com várias tecnologias avançadas, como o Toyota Safety Sense, reforçando o compromisso com a proteção dos ocupantes e com experiência de condução segura e confiável”.

De fato as picapes médias hoje esbanjam nível de tecnologia. Em geral elas dispõem de central mutimidia com mais funcionalidades, dispositivos de assistência ao motorista, paineis digitais e sofisticados sistemas de segurança.

Apesar de tanta modernidade Cássio Paglirani acredita que as picapes médias só não podem perder a essência off-road: “Não que os proprietários necessariamente coloquem seus carros na terra. Mas as picapes precisam ter condição de transitar nas trilhas sem dificuldade”.

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