A Fiat foi a única fabricante de veículos a se instalar no Brasil no intervalo do fim dos anos 1950, quando o governo brasileiro adotou políticas de estímulo para construir o parque industrial automotivo, até o fim dos anos 1990, na época em que nova rodada de incentivos atraiu mais montadoras. Desde 1928 até o fim da década de 1930 a empresa italiana já tinha montado alguns de seus carros com partes importadas, em uma oficina no bairro da Mooca, em São Paulo, mas com o início da Segunda Guerra na Europa a operação foi encerrada. Em 1958 o GEIA, Grupo Executivo da Indústria Automobilística, convidou a Fiat a fabricar no País, mas a empresa declinou e preferiu produzir na vizinha Argentina. Em 1971, após receber convite do governo de Minas Gerais para fabricar carros no Estado – onde o grupo já produzia, em Contagem, desde 1970, tratores de esteira – o Brasil entrou no radar da Fiat, que tinha planos de investir em mercados em desenvolvimento, com custos de produção mais baratos.
1973
- Fiat firma o acordo com o governo de Minas Gerais para instalação da fabricante em Betim. Para vencer a disputa com São Paulo e Paraná o Estado entrou como sócio da empresa, com 45% do capital, incluindo o valor do terreno de 2,2 milhões de metros quadrados terraplanado e dotado de infraestrutura, para ser pago em 45 anos, sem juros ou correção. Também foram concedidas isenções de 25% do ICMS, por cinco anos, e de taxas e impostos municipais até 1985. Além disso, nos quatro anos seguintes ao início da construção da fábrica, Minas ressarciu em dólares a matriz italiana pelos custos de elaboração do projeto e assistência técnica ao empreendimento.

- O governo federal concedeu isenção de impostos para importação de maquinário e componentes ainda não produzidos no Brasil, mas em troca a Fiat se comprometeu a exportar o mínimo de US$ 400 milhões nos dez anos seguintes ao início da produção.
1976
- Em 9 de julho é inaugurada a fábrica de Betim, que inicia operação com cerca de 9 mil trabalhadores – muitos deles treinados em na Itália e na Argentina.

- Desenvolvido para o Brasil a partir do 127 italiano, com motor de 1 048 cm3 e 57 cv, o 147 é lançado ao público em novembro, no 10º Salão do Automóvel de São Paulo. O menor carro produzido no País tinha espaço interno maior que o de concorrentes da mesma categoria e trazia concepção moderna para a época.

- O 147 nasce com 87% de nacionalização – alcançando 97% no ano seguinte, após a inauguração da fundição do grupo em Betim, a FMB, depois renomeada Teksid. Para contornar a falta de fornecedores locais a Fiat trouxe para Minas empresas que pertenciam ao grupo, como a Magneti Marelli e a carburadores Weber.
1978
- Nos dois anos seguintes à inauguração a planta de Betim já produzia 200 mil unidades/ano do 147 – com volume relevante exportado para países vizinhos e Europa, onde foi vendido com o sugestivo nome de Fiat 127 Rustica –, além de 155 mil motores enviados anualmente à Itália para equipar o 127 e outros modelos.

- São introduzidas pequenas alterações estéticas no 147 e é lançada a versão GLS, com motor 1.3 de 61 cv e acabamento mais caprichado. Tamém é introduzida a versão a Rallye, diferenciado por largas faixas pretas nas laterais, spoiler dianteiro e um ressalto sobre o capô, que evidenciava a maior potência do motor 1.3, de 72 cv, garantida pelo carburador importado de corpo duplo e de escapamento duplo.
1979
- Começam a ser produzidas e vendidas as primeiras variantes de carroceria do 147, com o lançamento da City, a primeira picape leve monobloco do País, e do Furgoneta, um pequeno furgão adaptado do hatch.

- O ano seria marcado por uma inovação pioneira da Fiat no Brasil: o início da produção do 147 a álcool, o primeiro carro a etanol do mundo – cujo primeiro protótipo já estava em testes desde a inauguração da fábrica, três anos antes. O motor escolhido para a transformação foi o 1.3, que ganhou potência para 62 cv e relevante aumento de torque. Em dezembro começam as vendas do modelo a frofistas.

1980
- Em março é apresentada a série Europa, a primeira reestilização do 147 com a dianteira redesenhada, que pela primeira vez receberam para-choques plásticos cinza de polipropileno.
- Lançamento de mais uma variante do 147: a perua Panorama, especialmente desenvolvida para o Brasil, com o motor 1.3 e espaçoso bagageiro de 669 litros.

- Em maio de 1980 são iniciadas para o todo o mercado as vendas do 147 a álcool. O consumo era cerca de 33% maior, mas os gastos com abastecimento eram 36% menores do que a do modelo a gasolina.
- Em outubro é lançado o furgão Fiorino, também baseado no 147, com o motor 1.3 e compartimento de carga de 2,3 m3. Em março do ano seguinte é introduzida a versão picape do Fiorino, com caçamba 18 cm mais longa que a da City, que saiu de linha em 1982.

- Passados apenas três anos e meio do lançamento do primeiro Fiat brasileiro a marca se tornou a segunda mais vendida do País, com 14% do mercado interno de automóveis.
1982
- Lançada a linha Spazio, o hatch 147 redesenhado e melhorado, com a aplicação do novo logotipo da marca, recém-introduzido na Itália: as cinco barras inclinadas no centro da grade frontal.

1983
- Em abril é lançado o Oggi, versão sedã três-volumes derivado do 147, desenvolvido no Brasil. Tinha porta-malas de 450 litros, 3m96 de comprimento e usava o motor 1.3 de 61 cv.

1984
- Em agosto a Fiat lança o Uno, um de seus mais bem-sucedidos produtos no Brasil. Com fluidez aerodinâmica e o maior espaço interno da categoria, o hatch desenhado por Giorgetto Giugiaro havia sido lançado apenas um ano antes na Europa, onde era um sucesso de vendas. O modelo representa uma virada para a empresa no País, pois com um veículo global atualizado propagava ser um fabricante moderno, com produtos confiáveis. O modelo foi lançado em três versões com as mesmas motorizações do 147: 1.3 a álcool de 60 cv ou a gasolina 1.0 de 52 cv ou 1.3 de 58 cv, que se juntavam ao topo de linha SX, equipado com carburador de corpo duplo que elevava a potência do motor 1.3 a álcool para 70 cv.

- A modernidade do Uno também se mostrava na linha de montagem: o número total de peças foi reduzido em cerca de duzentos itens e a quantidade de pontos de solda ficou 30% menor, favorecendo a redução de custos de produção e manutenção. Com novas instalações de pintura por eletroforese o Uno foi lançado com extensão da garantia contra a ferrugem para quatro anos.
1985
- Após a chegada do Uno, de 1984 a 1986 são gradualmente retirados de linha quase todos os produtos derivados do 147.
- Família de modelos baseados no Uno começa a crescer com o lançamento do sedã três-volumes Prêmio, com acabamento equivalente ao do hatch topo de linha SX e opções de motorização 1.3 ou 1.5 de 71 cv, este importado da Fiat Argentina.

1986
- A Fiat lança mais um derivado do Uno: a perua Elba, com 4m04 de comprimento e bagageiro de 847 litros, o maior da categoria. Eram duas versões: a S tinha motor 1.3 e câmbio de quatro ou cinco marchas, e a CL 1.5 vinha com a caixa de cinco.

1987
- Após dez anos e mais de 600 mil unidades fabricadas é encerrada a produção do 147, nas remanescentes versões C e Furgoneta.
- Lançado o Uno R com motor 1.5 a álcool de 86 cv, que substitui a versão SX.
- Lançado o Prêmio quatro-portas – exportado para Europa como Duna, tomando o lugar do sedã 128. A versão topo de linha CLS 1.5 tinha ignição eletrônica e acabamento mais caprichado, equipado com diversos itens de conforto, como a trava elétrica centralizada para as quatro portas.
- A Fiat italiana adquire integralmente as ações da filial brasileira que ainda restavam nas mãos do governo de Minas Gerais, assumindo o controle total da empresa.
1988
- Linha baseada no Uno segue crescendo com o lançamento do furgão e picape Fiorino, ambos como motor 1.3 de 60 cv. No fim do ano é lançada a linha 1989 com a picape LX equipada com motor 1.5 especialmente projetado para o modelo, com 71 cv.
1989
- Fiat atinge 1 milhão de carros vendidos no Brasil e 3 milhões de motores produzidos em Betim, 62% deles exportados.

- No fim do ano é apresentada a linha de produtos 1990, com a introdução do motor 1.6 de 84 cv a gasolina, também importado da Argentina, que foi aplicado ao Uno 1.6 R, Prêmio, Elba e picape LX. A caixa de câmbio de cinco marchas passou a ser standard em toda a linha.
1990
- Primeiro milhão de carros exportados de Betim, 80% deles enviados para a Europa.
- O governo federal aceita os argumentos da Fiat e cria a nova categoria de carro mais barato ao reduzir pela metade a alíquota do IPI incidente para modelos equipados com motores abaixo 1 litro. Não por acaso a Fiat era a única fabricante nacional que já dispunha do motor 1.0, o de 994 cm3 de 48 cv, produzido no País desde o início da operação e exportado para a Itália. Com isto a resposta foi fácil e rápida: em agosto é lançado o Uno Mille, o primeiro modelo popular 1.0, que passou a ser o automóvel nacional mais barato e o segundo mais econômico.

- Ao se encerrar o ano com filas de espera e cobrança de ágio, o Uno já era o segundo carro nacional mais vendido, fazendo a fábrica de Betim alcançar pela primeira vez sua capacidade máxima de 200 mil unidades/ano.
1991
- Primeira reestilização da linha Uno, que à exceção do Mille ganhou nova dianteira com faróis e grade mais estreitos.
- Em junho a fábrica de Betim chega a 2 milhões de veículos produzidos.
- Em outubro é lançado o Tempra, primeiro sedã quatro-portas de porte médio da Fiat no Brasil e o modelo com o menor índice de nacionalização da marca até então, de apenas 35%. Com potência que provou ser insuficiente para o peso do carro, o motor 2.0 de 99 cv e câmbio de cinco marchas vinham da Argentina.

1993
- Aproveitando a abertura de mercado promovida pelo governo federal a Fiat começa a importar carros para o Brasil. Da Itália chega o hatch médio Tipo, que durante muitos meses foi o automóvel estrangeiro mais vendido no País.

- Fiat ultrapassa a GM como segundo maior fabricante do País. Pela primeira vez as vendas do Uno alcançaram as do líder histórico VW Gol.
- Lançado o Tempra 16V, o mais caro e sofisticado produto nacional da Fiat até então, equipado com motor 2.0 de 127 cv importado da Itália. Tinha injeção eletrônica multipoint e foi o primeiro com quatro válvulas por cilindro do País. Também vinha com freios a disco nas quatro rodas e ABS.
1994
- Mille passa a ser um modelo independente da linha Uno. O modelo tornou-se o popular mais vendido do País.
- Uno Turbo ie é o primeiro automóvel turbinado produzido no Brasil, lançado em fevereiro com câmbio de cinco marchas e motor 1.4 de 116 cv italianos. Logo depois foi lançado o Tempra Turbo, por algum tempo o carro mais rápido do País, utilizando o mesmo propulsor argentino 2.0 8V, porém equipado com um turbo Garret e injeção eletrônica multiponto, que aumentava a potênciapara 165 cv.

1995
- Em julho é lançado o Mille 1.0 ie, o primeiro popular com injeção eletrônica, que com 58 cv era o mais potente.

- Em outubro a Fiat alcança 4 milhões de carros fabricados no Brasil, 1,1 milhão deles exportados para mais de cinquenta países.
- É lançado o Tipo 1.6 mpi produzido no Brasil, como resposta à elevação do imposto de importação, com índice de nacionalização de apenas 50%: carroceria, painel e até bancos eram importados da Itália e o conjunto motor-câmbio da Argentina. Mas o modelo nacional nunca repetiu o sucesso do importado, custava mais caro que o italiano e, após os episódios de incêndio, a produção foi encerrada em junho de 1997.
1996
- Grande novidade da década da Fiat no Brasil: em abril o País é palco do lançamento mundial do Palio, o carro global da fabricante, projetado na Itália pelo estúdio I.DE.A., com a participação de engenheiros brasileiros e índice de nacionalização de 85%, chegando a 95% dois anos depois. Baseado na mesma plataforma do Uno o Palio foi lançado em duas versões de três ou cinco portas: EL, com o motor nacional 1.5 de 76 cv, e 16V, 1.6 de 106 cv, inicialmente importado da Itália e posteriormente da Argentina. Em julho é apresentada a versão 1.0 do Palio, com o mesmo motor de 994 cm3 mas já com injeção eletrônica multiponto, o que elevou a potência para 61 cv. A linha torna-se um sucesso imediato: seis meses após o lançamento a Fiat já havia produzido 100 mil unidades e o Palio já era o segundo carro mais vendido do País.

- O projeto do Palio envolveu grandes investimentos para modernizar os processos industriais da fábrica e adoção do sistema just in time, após a instalação do cinturão de fornecedores que entregavam conjuntos pré-montados no tempo exato em que cada veículo entra na linha de montagem, o que permitiu aumentar a capacidade produtiva sem necessidade de expandir a planta industrial. O Palio começou a ser produzido com 119 fornecedores, contra quase setecentos no lançamento do Uno, doze anos antes, e 60% deles já estavam localizados próximos a Betim, ante 26% no início da década.
1997
- Em fevereiro é lançada a primeira variante de carroceria do Palio, a perua Weekend, com cinco portas e duas opções de motor: 1.5 mpi e 1.6 16V. Também projetado pelo estúdio I.DE.A., o modelo seguia a mais atualizada tendência tecnológica de montagem industrial. Assim como o Palio foi um sucesso imediato e, em quatro meses, já era a perua mais vendida.

- Em setembro a família Palio é ampliada com o início de importação do Siena, sedã três-volumes fabricado na Argentina.

- A Fiat atinge 5 milhões de veículos produzidos, 2 milhões deles exportados. No fim do ano, pela primeira vez, ultrapassou a até então imbatível Volkswagen e tomou o posto de marca mais vendida, com 30% do mercado brasileiro.
1998
- Em maio é lançado o sedã Marea, novo topo de linha produzido no Brasil com 50% de nacionalização – que chegou a 80% em 2000. O Marea brasileiro era oferecido em três versões: SX de 127 cv, ELX e HLX de 142 cv, todos com motor 2.0 cinco-cilindros e 20 válvulas, importado da Itália juntamente com o câmbio. A versão turbo, fabricada somente em Betim, foi lançada em dezembro, com 182 cv, torque de 27 kgfm e velocidade máxima de 227 km/h, no posto de novo carro mais rápido do País.

- Apresentada a picape derivada do Palio, a Strada, modelo desenvolvido no Brasil que nos anos seguintes se transformaria em mais um sucesso de vendas. A picape foi lançada nas versões Working 1.5 mpi de 76 cv, Trekking 1.6 mpi de 92 cv e LX 1.6 16V de 106 cv. No ano seguinte, quando já era a segunda picape leve mais vendida do País, a Strada ganhou a versão cabine estendida.

1999
- A linha Palio Weekend ganhou novos integrantes, primeiro com o lançamento da versão 1.0, com motor mpi de 61 cv e câmbio de seis marchas. Em setembro é lançada a Palio Weekend Adventure, desenvolvida no Brasil como primeiro exemplar da linha aventureira, com suspensão elevada e proteções nos para-lamas.

- Lançado o Brava, hatch médio com traseira inclinada, que em 1995 substituiu o Tipo na Europa e compartilhava a mesma plataforma do Marea. No Brasil usava motor 1.6 16V de 106 cv e câmbio importados da Itália, com apenas 40% de nacionalização. No ano seguinte foi lançada versão HGT, com motor 1.8 16V de 132 cv.

2000
- Início da produção em Betim do moderno motor Fire, sigla para Fully Integrated Robotized Engine, concebido na Itália para ser fabricado com alto índice de robotização. Tinha bloco de alumínio, coletor de admissão de material plástico, era mais leve, econômico, fácil e barato de produzir. Introduziu pela primeira no Brasil o sistema drive-by-wire, que substituiu o cabo do acelerador por um sensor eletrônico. O propulsor 1.3 de 80 cv equipou inicialmente a família Palio, incluindo o hatch, a perua Weekend e o sedã Siena.
- Em setembro é apresentada no Rio de Janeiro a segunda geração do Palio, redesenhado por Giorgetto Giugiaro, com novo visual externo e interno. Dentre os novos acessórios oferecidos constava um porta-CDs integrado ao painel com espaço para cinco discos. O novo carro é equipado com dois novos motores Fire 1.0, com oito ou dezesseis válvulas, de respectivamente 55 cv e 70 cv. As novidades também incluíam suspensão recalibrada, embreagem hidráulica e freios com ABS opcional.

- Nos meses seguintes ao lançamento da nova geração do hatch todos os demais modelos derivados – Siena, Weekend e Adventure – adotaram o mesmo design e alterações semelhantes.
2001
- Ao completar 25 anos de produção a Fiat alcança a liderança de mercado, posição na qual se manteve por catorze anos até 2015 – e depois novamente de 2021 em diante.
- Lançado o utilitário Doblò, desenhado pelo estúdio Italdesign, de Giorgetto Guigiaro, apresentado apenas um ano antes na Europa. O primeiro carro multiuso nacional tinha três versões: furgão, passageiros e mista.

2002
- Fiat atinge a marca de 5 milhões de veículos vendidos no País, mais de 1 milhão deles da família Palio, além de somar 2,4 milhões de unidades exportadas.
- O período de exuberância da subsidiária brasileira coincide com a pior fase da história da matriz italiana, que demitia, colecionava prejuízos e vendeu 20% de seu capital para a GM, com opção de transferência do controle a partir de 2004. A sociedade resultou na união da área de compras e produção de motores.
- Em setembro é lançado o hatch médio Stilo, apresentado um ano antes no Salão de Genebra. O carro tinha três opções de motorização: 1.8 de 8 ou 16 válvulas com 103 cv ou 122 cv, ambos produzidos pela GM em São José dos Campos, SP, e o 2.4 20V de 167 cv que já equipava o Marea. O Stilo brasileiro tinha 80% de nacionalização, índice elevado para o nível de seus equipamentos, muitos deles ainda inéditos no País, como controles de estabilidade e de tração, direção elétrica, computador de bordo, oito air bags, ar condicionado digital, rádio/CD-player/MP3 com controles no volante, piloto automático, sensor de estacionamento traseiro, sensor de chuva, acendimento automático dos faróis ao escurecer, bancos dianteiros com aquecimento e regulagem elétrica e teto-solar panorâmico.

2003
- O bom desempenho da Fiat no Brasil garante investimentos e maior autonomia, que envolveu a criação do Polo de Desenvolvimento Giovanni Agnelli na planta de Betim, um completo conjunto de laboratórios de testes e um centro de estilo e design – único fora da Itália –, com capacidade para projetar automóveis completos.
- Em novembro é lançada a terceira geração do Palio, o primeiro Fiat a entrar na era flex. Com desenho mais uma vez assinado por Giorgetto Giuggiaro, o Palio teve dianteira, traseira e interior totalmente reformulados, e foi configurado para subir de classe. Eram três opções de motor: Fire 1.0 com potência aumentada de 65 cv, o GM 1.8 e, como grande novidade, o primeiro 1.3 flexfuel, bicombustível etanol-gasolina, de 71 cv, aproveitando o IPI menor. No ano seguinte os demais integrantes da família Palio também adotaram a mesma aparência.

2004
- Uno passa por ampla reestilização e é nomeado Novo Mille Fire. Nada foi alterado na mecânica, apenas a direção hidráulica é oferecida como opcional, mas o visual do carro muda bastante, com novos para-choques, grade, capô, faróis, lanternas traseiras e tampa da mala.
2005
- Chega ao fim a sociedade com a GM, celebrada três anos antes, que implica na dissolução do plano para desenvolver motores e plataformas comuns.
- A era flexfuel chega ao motor 1.0 aplicado no Mille, Palio Fire e Siena Fire. Também é lançado para toda a linha Palio um novo motor 1.4 Flex, de 81 cv, que substitui o antigo 1.3. Nos meses seguintes a tecnologia bicombustível etanol-gasolina chega a todo o portfólio de motores da Fiat com a introdução do 1.8 Flex de 114 cv, uma evolução do motor GM, aplicado no Stilo e Palio 1.8R.

- Em setembro é lançado o Idea, primeiro monovolume da marca, com cinco portas, teto solar panorâmico elétrico opcional e duas versões: ELX 1.4 Flex e HLX 1.8 Flex de 114 cv. A versão brasileira foi desenvolvida em Betim compartilhando componentes do Palio.

2006
- Lançado o Uno Mille Way, versão fora-de-estrada leve, com estrutura e suspensão reforçadas e altura do solo 4,4 cm mais alta, ampliando pra o meio rural o mercado do modelo popular.
2007
- A linha Palio é apresentada em sua quarta geração com profunda renovação estilística: o desenho externo e o interior foram totalmente modificados. O hatch com três ou cinco portas tinha opções de motorização 1.0, 1.4 e 1.8, todas flex.

- Em agosto é lançado o Punto argentino, que marcou a retomada da produção de automóveis em Córdoba. Projetado pela Italdesign, do designer Giorgetto Giugiaro, tinha estrutura mais reforçada do que a equivalente do modelo europeu. Foi lançado em quatro versões flex: 1.4 e ELX 1.4 de 85/86 cv, HLX e Sporting 1.8 de 113/115 cv.

- Em novembro Siena adota novo visual – o mesmo acontece com Weekend e Strada respectivamente em maio e agosto de 2008 –, mas pela primeira vez os derivados do Palio ganharam estilos visuais distintos do hatch. Os carros também trouxeram dois novos motores, mais leves e potentes: o 1.4 do Punto e o 1.0 retrabalhado com 8 cv a mais, para 75 cv com etanol. A Weekend Adventure ganha a versão de topo Locker, com maior distância do solo, de 19 cm, e sistema de bloqueio do diferencial para ajudar a sair de solos com baixa aderência.
- A fábrica de Betim torna-se o maior complexo industrial da empresa no mundo: a linha inaugurada trinta anos antes para produzir 300 carros/dia, após muitas ampliações, chegou ao topo de sua capacidade montando 3 mil unidades/dia. Fundada em uma região sem tradição industrial, a planta conseguiu fixar 70% de seus fornecedores em Minas Gerais, 110 deles instalados em municípios vizinhos.
2008
- Em setembro é lançado o Linea, sedã quatro-portas derivado do Punto, também importado da Argentina, com duas opções de motor: o novo 1.9 16V Flex de 130/132 cv e o italiano 1.4 turbo de 152 cv. É o primeiro carro local da Fiat a contar com navegador GPS no painel. No ano seguinte o mesmo motor turbo é oferecido para o Punto.

- Opção de câmbio automatizado Dualogic, fabricado no Brasil pela Magneti Marelli, é lançada no Stilo 2008, oferecendo uma opção mais barata – mas menos eficiente – de carro automático. No ano seguinte o Dualogic também é oferecido em versões de Palio, Siena e Idea.
2009
- Fábrica de Betim chega a 10 milhões de veículos produzidos e, pela primeira vez, a Fiat vende mais veículos no Brasil do que na Itália.
- A divisão de motores e transmissões FPT compra a fábrica da Triton em Campo Largo, PR, que pertencia à Daimler em sociedade com a BMW. No ano seguinte começa a produção de motores E.torQ para substituir o 1.8 que ainda era fornecido pela GM.
- Palio é relançado com design dianteiro do Siena, e o motor da versão 1.4 Flex passa por melhoria que aumenta potência para 85/86 cv.
- Em julho é lançada a Strada Adventure Cabine-Dupla 1.8, com duas portas. É a primeira picape leve com este tipo de configuração.
2010
- Com projeto desenvolvido no Brasil e investimento de R$ 1 bilhão, em outubro é lançada a nova geração do Uno, totalmente remodelado com linhas arredondadas, em quatro versões: Vivace 1.0, Attractive 1.4 e Way 1.0 e 1.4, com muitas opções de personalização. A antiga geração, denominada somente Mille, permanece sendo vendida com a carroceria antiga.

- Os motores E.torQ 16V 1.6 de 117 cv e 1.8 de 132 cv, produzidos no Paraná, substituem o 1.8 da GM e passam a equipar versões de Punto, Linea, Doblò, Idea e Palio.
- Lançado o hatch médio Bravo para substituir o Stilo, que estreia com o motor E.torQ 1.8 e o italiano 1.4 turbo de 152 cv.

- Em dezembro a Fiat consegue reabrir os incentivos fiscais do Regime Nordeste e anuncia construção de sua segunda fábrica no Brasil, em Pernambuco, que seria localizada em Suape.
2011
- Lançada a quinta geração do Palio totalmente reformulada. Desta vez o carro-chefe da Fiat no Brasil foi reprojetado pela engenharia brasileira em Betim, com entre-eixos 5 cm maior que a versão anterior. O novo Palio tinha motores 1.0, 1.4 ou 1.6 E.torQ, nas versões Attractive, Essende e Sporting.

2012
- Fiat muda o projeto para Pernambuco: decide localizar a fábrica em Goiana e produzir lá modelos da Jeep, marca do Grupo Chrysler, que em 2010 teve o controle adquirido pela companhia italiana.
- Lançamento, em março, do sedã Grand Siena, derivado maior do Siena, com entre-eixos 137 mm mais longo e porta-malas de 520 litros.

2013
- Em setembro é lançada reestilização da linha Strada, com caçamba 8 cm mais alta e novas lanternas traseiras. Na versão cabine dupla foi introduzida a terceira porta sem coluna central, que abria para o lado oposto da dianteira.

- Encerrada a produção do Mille, substituído pelo Palio Fire como modelo mais barato da Fiat.
2014
- A Fiat SpA adquire a totalidade das ações da Chrysler Corp., tornando-se controladora integral da empresa, e em outubro cria a FCA, Fiat Chrysler Automobiles NV, com sede em Londres.
2015
- Inaugurada a fábrica de Goiana, PE, com capacidade de 250 mil unidades/ano e início de produção do Jeep Renegade. Dezesseis fornecedores se instalam em doze unidades fabris em área anexa à planta da montadora.
2016
- Lançamento da picape Toro, primeiro Fiat nacional produzido fora de Betim, MG, integrando o portfólio da recém-inaugurada fábrica de Goiana, PE. Também é a primeira picape média monobloco da marca, denominada SUP, de Sport Utility Pickup, pois foi projetada no Brasil sobre a plataforma Small-Wide dos SUVs Jeep fabricados na mesma linha de montagem. Lançada exclusivamente com cabine dupla de quatro portas e caçamba de 820 litros. As versões equipadas com o motor italiano turbodiesel 2.0 de 170 cv, tração 4×4 e opção de câmbio manual de seis marchas ou automático de nove, têm capacidade de carga de até 1 tonelada, que cai para 650 kg nas opções com o motor flex 1.8 de 139 cv fabricado no Paraná, tração dianteira e transmissão manual ou automática de seis marchas. Em novembro é introduzida nova opção de motorização flex: o Tigershark 2.4 da Chrysler importado do México, de 174/186 cv, com transmissão automática de nove marchas.

- Em abril é lançado o popular Mobi, menor automóvel da linha Fiat projetado no Brasil, menor do que o Uno. É equipado com motor Fire 1.0 flex quatro-cilindros de 73/75 cv para todas as seis versões.

- Uno passa por leve revisão estética acompanhada do lançamento de dois novos motores flex Firefly produzidos em Betim: 1.3 quatro-cilindros de 101/109 cv e o esperado 1.0 três-cilindros de 72/77 cv, que anos depois passariam a equipar a boa parte dos Fiat produzidos em Betim e na Argentina.
- Fiat perde para a GM a liderança do mercado brasileiro de veículos.
2017
- O popular Palio Fire, o hatch médio Bravo, o sedã Linea, o monovolume Idea e o furgão Doblò Cargo têm a produção encerrada em março, o hatch Punto em junho e, em novembro, toda a linha Palio sai de linha após mais de 3 milhões de unidades produzidas.
- Em junho é realizado o principal lançamento da Fiat no ano: o hatch compacto Argo, projetado no Brasil para substituir o Palio. O carro é apresentado em três bem equipadas versões com três motores flex: Drive 1.0 Firefly três-cilindros de 72/77 cv, Precision 1.3 Firefly quatro-cilindros de 101/109 cv e HGT 1.6 E.torQ de 135/139 cv, com opções de câmbio manual de cinco marchas ou automatizado GSR e automático de seis marchas.

2018
- Lançado o Cronos, novo sedã compacto da Fiat projetado no Brasil sobre a mesma plataforma do Argo e fabricado na Argentina. Tem as mesmas versões do hatch: Drive e Precision com motor 1.3 Firefly de 101/109 cv associado a câmbio manual ou automatizado GSR de cinco marchas, e HGT com o E-torQ 1.8 de 135/139 cv com transmissão automática de seis marchas.

- Fiat perde para a Volkswagen o segundo lugar do mercado nacional, descendo para a terceira posição. Novo plano de investimento é anunciado envolvendo o lançamento de novos SUVs Fiat, nova geração da Strada e produção de motores turbo em Betim.
2019
- A subsidiária brasileira da FCA ganha maior autonomia de com a inauguração, em Betim, de seu primeiro centro de crash tests na América Latina – e terceiro no mundo –, tornando-se autossuficiente para desenvolver 100% dos novos veículos na região. Nesse mesmo sentido é inaugurada nova sede do Design Center Latam, com equipe de 150 profissionais, responsáveis pelos projetos das marcas Fiat, Jeep e Ram na América Latina.
- Em dezembro é formalizada a fusão FCA-PSA, que é consolidada um ano depois com a união de marcas e operações industriais sob uma só empresa.
2020
- Weekend sai de linha após 23 anos e mais de 530 mil unidades fabricadas.
- A pandemia de covid interrompe a produção das fábricas e atrasa o plano de investimento e lançamentos.
- Após apresentação virtual a esperada nova geração da Strada começa a ser vendida em junho. Totalmente renovada, com linhas inspiradas na Toro, a picape pequena utiliza plataforma exclusiva, mais leve, oferecida com cabine plus estendida ou com a inédita cabine dupla de quatro portas. A versão Endurance tem motor flex Fire 1.4 de 85/88 cv e Freedom e Volcano adotam o moderno Firefly 1.3 de 101/109 cv. O modelo antigo, Hard Working 1.4 cabine simples, permanece em produção até o fim de 2021. As vendas domésticas aumentam substancialmente. Para exportação a Strada é vendida como Ram 700.

2021
- Em janeiro é concluída a fusão da FCA com a PSA, criando a Stellantis, maior produtor de veículos da América do Sul agregando a produção de quatro marcas – Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën – em três fábricas no Brasil e duas na Argentina.
- Iniciada em Betim a produção da nova família de motores turboflex GSE, o 1.0 três-cilindros de 125/130 cv e o 1.3 quatro-cilindros de 180/185 cv, ambos com bloco de alumínio e quatro válvulas por cilindro.
- Em abril é apresentada a primeira reestilização da picape Toro, com mudanças concentradas na dianteira e versões equipadas com o novo motor 1.3 turboflex de 180/185 cv, acoplado a câmbio automático de seis marchas. Permanece em linha o turbodiesel 2.0 de 170 cv. A picape é exportada para mercados sul-americanos como Ram 1000, equipada com o velho motor a gasolina E.torQ 1.8 de 130 cv, já em seu último ano de vida antes do encerramento das atividade da fábrica de motores de Campo Largo, PR, no fim de 2022.
- Em outubro é lançado o Pulse, primeiro SUV da Fiat totalmente desenvolvido no Brasil. O carro, com 4m10 de comprimento e porta-malas de 370 litros é o primeiro modelo da marca a receber o novo motor turboflex 1.0 três-cilindros de 125/130 cv, associado a câmbio automático CVT. As versões básicas usam o motor flex 1.3 Firefly aspirado de quatro cilindros e 98/107 cv, com câmbio manual de cinco marchas e opção de CVT.

- No fim do ano é encerrada a produção dos modelos com motorização mais antiga, incluindo Mobi Easy, Uno, Grand Siena, Doblò e, após 37 anos de produção, o Uno sai de linha.
- Com o reposicionamento da linha de produtos, após cinco anos, a Fiat retoma a liderança do mercado brasileiro com 22% de participação, e a picape Strada torna-se o veículo mais vendido do Brasil, enquanto Argo, Toro e Mobi ficam na lista dos dez mais emplacados. A marca também lidera as vendas na América do Sul com fatia de 14%.
2022
- Em setembro é lançado o segundo SUV Fiat, o Fastback, com carroceria cupê. O mais sofisticado modelo da marca produzido na América do Sul é oferecido nas versões Audace e Impetus com motor turboflex 1.0 três-cilindros de 125/130 cv acoplado a câmbio CVT, e o topo de linha Limited tem o potente motor turboflex 1.3 de 180/185 cv e caixa automática de seis marchas.

- A filial brasileira responde por 36% das vendas da Fiat no mundo e garante a marca como a mais vendida globalmente do Grupo Stellantis. A fabricante registra o seu melhor desempenho em dez anos, encerrando 2022 como líder nacional com 22% de participação e mais de 430 mil unidades vendidas, quase 139 mil a mais do que a segunda colocada.
2023
- Centro de engenharia de Betim anuncia o desenvolvimento da arquitetura Bio-Hybrid que será aplicada a modelos Fiat e de outra marcas da Stellantis, combinando motores flex etanol-gasolina com eletrificação, em sistema híbrido leve de 12V e 48V, híbrido plug-in e totalmente elétrico.

- Ao completar 25 anos a linha Strada 2024 ganha versões topo de linha com o motor turboflex 1.0 três-cilindros de 125/130 cv associado a câmbio CVT, o mesmo conjunto já utilizado por Pulse e Fastback. A Strada Endurance passa a usar o Firefly 1.3 de 98/107 cv com caixa manual de cinco marchas, abandonando o velho Fire 1.4.
2024
- Lançamento da Titano, primeira picape média montada sobre chassi da Fiat na América do Sul. O modelo entra no lugar da Peugeot Landtrek, originada da PSA com projeto da chinesa Changan. Montada inicialmente na Nordex, no Uruguai, a Titano é lançada em três versões com tração 4×4, motor 2.2 turbodiesel de 180 cv e câmbio automático ou manual de seis marchas. No México o modelo é vendido como Ram 1200.
- Lançados os dois primeiros híbridos da Stellantis na América do Sul, os Fiat Pulse e Fastback nas versões Audace e Impetus Hybrid, com start-stop e sistema híbrido leve de 12V composto por motor turboflex 1.0 de 125/130 cv associado a câmbio CVT, auxiliado nas partidas por motor elétrico de 3kW alimentado por bateria auxiliar de lítio.

2025
- Em maio a produção da picape média Titano é transferida do Uruguai para a Argentina. Pouco mais de um ano após lançada, além da mudança de endereço produtivo, com aumento do índice de localização, o veículo é relançado com reestilização visual, alterações na suspensão e adoção do motor 2.2 turbodiesel de 200 cv, o mesmo já utilizado pela Ram Rampage, e câmbio automático oito marchas.

- Fábrica de Betim ultrapassa 18 milhões de veículos produzidos. Nova Strada, pelo quinto ano o veículo mais emplacado do País e também o mais vendido da América do Sul em 2025, chega a 800 mil unidades produzidas, número que desde o lançamento, em 1998, soma 2,5 milhões de picapes vendidas.

- Pelo quinto ano consecutivo a Fiat confirma sua liderança de vendas de veículos nos mercados brasileiro e sul-americano, com mais de meio milhão de veículos emplacados no Brasil e 21% de participação.
2026
- Fiat prepara Betim para produzir o seu mais importante lançamento do ano: o Argo X, inspirado no design do novo Grande Panda europeu, trazendo linhas mais quadradas e visual de SUV.























