São Paulo – O efeito da maior concorrência com veículos chineses extrapola as fronteiras brasileiras. A queda na demanda das exportações reflete não somente um menor apetite do mercado de destino como, também, a maior oferta de produtos de outras origens, o que provoca maior concorrência.
É o caso da Argentina, que embora tenha visto seu mercado encolher 12% de janeiro a julho reduziu suas compras do Brasil em 34,3% no período, segundo dados da Anfavea divulgados na sexta-feira, 7.
“A redução nas exportações à Argentina foi mais do que proporcional à queda do mercado local, ou seja, estamos perdendo participação por lá”, disse o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, “O que significa que outros competidores estão crescendo.”
De acordo com ele, embora a economia argentina costume oscilar bastante com base na cotação do dólar e nas decisões políticas – desde o início do ano, por exemplo, os consumidores estão colocando o pé no freio à espera da redução de preços resultante da promessa de diminuição de impostos – agora a concorrência aumentou, principalmente com a entrada de eletrificados, que têm cotas para 50 mil unidades sem imposto.
O cenário contribuiu para que as exportações brasileiras despencassem 20% nos sete meses de 2026, para 255,9 mil unidades. No mesmo período do ano passado foram registrados 323 mil embarques.
“Enquanto os embarques diminuíram 20% vimos que as importações aumentaram 20%, ou seja, temos um movimento inverso. Que vem acontecendo há três ou quatro meses.”
Considerando apenas julho os envios de veículos a outros países somaram 39,3 mil unidades, 6,8% acima dos 36,7 mil de junho e 18,4% abaixo dos 48,1 mil do mesmo mês em 2025.

Apesar do forte recuo das exportações para a Argentina, que totalizaram 125,4 mil veículos no acumulado do ano, o país continua sendo nosso principal cliente estrangeiro. Na sequência vem o México, com 41,2 mil unidades, que também apresentou queda, de 6,9%.
Apenas a Colômbia, que figura na terceira colocação, ampliou suas compras em 7,2%, passando de 26,4 mil para 28,3 mil. No entanto Calvet ressaltou que o mercado local avançou 44% de janeiro a julho: “Apesar de termos ampliado as exportações não crescemos na mesma proporção que o mercado colombiano. Ainda estamos aquém”.
Calvet contou que em setembro a Anfavea irá em missão à Colômbia junto com representantes do governo brasileiro para tratar de aprimorar o acordo de cooperação dos países e aprofundar a relação, a fim de ampliar o comércio.
Com a Argentina a ideia é fazer o mesmo, o que é aguardado para novembro, durante a Fenatran.























