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Retrofit da GWM transforma caminhão a diesel em elétrico com célula a combustível

Transformar caminhões a diesel em elétricos com célula a combustível reduz em até 70% o investimento frente à compra de um 0 KM
GWM retrofit
Fotos: GWM

São Paulo — Além dos caminhões novos a GWM Hydrogen vê no retrofit uma forma de acelerar a entrada do hidrogênio nas frotas existentes. A proposta consiste em aproveitar um caminhão que já está em operação e substituir o conjunto responsável pela propulsão a diesel por sistema elétrico alimentado por célula a combustível.

Na prática a engenharia começa com a retirada do motor diesel, da transmissão e dos demais componentes associados ao trem de força convencional. No lugar entram a célula a combustível, os tanques de hidrogênio, uma bateria de menor capacidade e os motores elétricos que movimentam o caminhão.

Assim o veículo passa a funcionar como um caminhão elétrico. A diferença é a origem da energia. Em vez de depender exclusivamente de uma bateria de grande capacidade o sistema utiliza o hidrogênio armazenado nos tanques para alimentar a célula a combustível, que produz eletricidade a bordo.

A bateria continua presente porque ajuda a administrar a energia durante a operação. Ela pode armazenar a energia recuperada nas frenagens e entregar potência adicional quando o caminhão exige mais força. O motor elétrico, por sua vez, recebe esta energia e envia torque diretamente ao sistema de tração, eliminando a necessidade de uma transmissão convencional com várias marchas.

A arquitetura também reduz a quantidade de componentes sujeitos a manutenção. O veículo deixa de precisar de itens associados ao motor diesel, como troca de óleo lubrificante, filtros do motor e diversos componentes do sistema de pós-tratamento de emissões. Permanecem, naturalmente, sistemas como freios, suspensão, pneus e outros componentes do chassi.

O que é preciso para o retrofit

O retrofit não funciona como uma solução universal. Antes da conversão a GWM precisa analisar a arquitetura eletrônica do caminhão, o espaço disponível no chassi, a distribuição de massa e a comunicação dos diferentes módulos eletrônicos.

Um dos pontos críticos é o acesso à rede CAN, sistema que permite a comunicação dos módulos eletrônicos do caminhão. A GWM precisa integrar o novo trem de força ao gerenciamento eletrônico original para que acelerador, freios, sistemas de segurança, instrumentação e demais funções continuem trabalhando de maneira coordenada.

Por isto a empresa começa o projeto com uma espécie de mapeamento do veículo. A engenharia analisa a posição do motor, transmissão, componentes eletrônicos e demais sistemas para definir onde instalar a célula a combustível, os tanques de hidrogênio, a bateria e os motores elétricos.

Segundo Davi Lopes, chefe da GWM Hydrogen-FTXT Brasil, o processo não representa uma barreira tecnológica inédita. Mas exige um projeto específico para cada arquitetura de caminhão.

GWM retrofit
No retrofit da GWM Hydrogen o motor e a transmissão a diesel dão lugar a motores elétricos, célula a combustível, tanques de hidrogênio e bateria auxiliar

Primeiro retrofit da GWM vai rodar na mineração

O primeiro projeto brasileiro neste formato envolve quatro caminhões de uma empresa ligada à mineração. Os veículos têm cerca de três anos de uso. Portanto ainda não chegaram ao momento natural de renovação da frota.

Neste caso o retrofit funciona como uma alternativa para antecipar a descarbonização sem retirar caminhões relativamente novos da operação e substituí-los por veículos 0 KM.

A escolha também tem relação com o perfil da operação. O cliente já possui acesso ao hidrogênio, fator fundamental para que a conversão faça sentido economicamente. Afinal transformar um caminhão é apenas uma parte da equação. Se a empresa precisar construir toda a infraestrutura de produção e abastecimento exclusivamente para poucos veículos o investimento pode comprometer a viabilidade do projeto.

Renovando a frota antiga

Segundo Lopes a solução pode reduzir em aproximadamente 60% a 70% o investimento em relação à aquisição de um caminhão novo a hidrogênio. Um caminhão pesado ou ônibus Padron elétrico a bateria, BEV, custa de R$ 2,5 a R$ 3 milhões. O modelo a hidrogênio pode custar até 20% mais caro. Ou seja: o preço do retrofit pode custar até menos com relação ao BEV.

A GWM também não limita a solução a caminhões relativamente novos. A empresa pode avaliar veículos mais antigos, inclusive modelos Euro 3. Mas desde que a arquitetura do caminhão permita a integração dos novos sistemas e que o projeto faça sentido técnica e economicamente.

Desta maneira o retrofit cria uma segunda porta de entrada para o hidrogênio no transporte pesado. Enquanto o caminhão novo permite incorporar a tecnologia desde o início do projeto a conversão permite estender a vida útil de ativos existentes e transformar uma frota a diesel em uma frota elétrica sem substituir integralmente os veículos.

Para a GWM esta possibilidade ganha importância em segmentos como mineração, agronegócio e operações logísticas de alta utilização. Ou seja: segmentos nos quais o transportador conhece bem os veículos, possui rotas previsíveis e pode estruturar o abastecimento de hidrogênio no próprio local de operação.

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