Sarzedo, MG – A Case Construction Equipment, marca da CNH Industrial dedicada à construção, espera para este ano leve crescimento de 4% frente a 2025. A estimativa está alinhada à Sobratema, que para o setor projeta a comercialização de 35 mil 843 máquinas.
Embora não conte o volume de vendas que aguarda para 2026 a capacidade de produção da fábrica de Contagem, MG, é de 8 mil máquinas, conforme Henrique Sá, responsável pela marca Case na América Latina. Segundo ele há, na unidade, bastante espaço para crescer.
O executivo apontou que o mercado vive bom momento, impulsionado por obras de infraestrutura, sendo o patamar do mercado esperado para este ano o maior dos últimos quatro: “Em 2015, durante a recessão econômica, por exemplo, chegaram a ser vendidas 7 mil máquinas”.
Contribui o fato de 2026 ser ano eleitoral, o que puxou fortemente a demanda por máquinas de construção no primeiro semestre. O setor público foi o que mais buscou por equipamentos, representando 23% do total, quase o mesmo porcentual de construção pesada, com 22%. Em terceiro lugar apareceu a locação, com 19%, movimento que ganha força em meio ao cenário de juros altos e crédito restrito.
Inadimplência chega a quase 20%
As expectativas positivas para o ano não isentam a empresa nem o setor de lidar com dificuldades econômicas, tanto que estes são alguns dos principais desafios, ao lado da dificuldade de qualificar mão de obra para operar máquinas e da gestão de ativos.
Segundo Thaís Martins, responsável pelo Banco CNH, que financia em torno de 30% das vendas, a inadimplência hoje gira em torno de 17% a 18%: “Apesar do cenário temos feito campanhas com taxa zero até 0,89% ao mês, além de oferecer a linha mista com taxa fixa Mais Inovação, de 0,97% ao mês e o CDC, de 1,5% a 1,6% ao mês”.

Um terço da produção local é exportada
Outra forma de driblar as dificuldades internas é manter o patamar de exportação composto por cerca de um terço da produção de Contagem, onde são produzidas cinco de oito linhas de máquinas disponíveis no mercado latino-americano, como retroescavadeiras e pás carregadoras.
Os principais destinos são países da região, à exceção de Chile e Colômbia, onde vigora o Tier 4, equivalente ao MAR-II – e para onde vão equipamentos fabricados no Japão –, sendo que no Brasil e no restante dos países o motor é Tier 3 ou MAR-I, com portfólio composto por produtos de até 36 toneladas.
Um dos produtos tipo exportação, o trator de esteira, tem seu principal mercado nos Estados Unidos, onde a marca foi criada há 184 anos, e de onde três anos atrás a Case trouxe a linha e localizou sua produção. Desde então embarca as máquinas ao país, o que prossegue mesmo com o tarifaço em vigor, assegurou Sá. Além disto equipamentos também são enviados para países da África e do Oriente Médio.
O índice de nacionalização da fábrica de Contagem hoje gira em torno de 50% a 60%. E, de acordo com o líder da Case na América Latina, todos os produtos têm acesso a linhas de financiamento do Finame – conforme Martins, 70% dos produtos usam a linha Mais Inovação, do BNDES.

Ameaça chinesa exige maior concorrência
Embora reconheça a presença cada vez maior de fabricantes chinesas no mercado brasileiro Fábio Oliveira, diretor comercial de peças da CNH para a América Latina, afirmou que a empresa continua investindo no suporte ao cliente e na disponibilidade de peças, o que segundo ele faz toda a diferença na escolha pela marca.
Além disto, a fim de ampliar o portfólio com produtos de tecnologia diferenciada e preços menores, é feita parceria com outras fábricas da Case pelo mundo, a exemplo da unidade da Índia, de onde tem sido importadas mini-carregadeiras.
“Parte da estratégia está no portfólio, mas o nosso maior ativo é a rede de distribuição. Neste setor o suporte é fundamental”, afirmou Oliveira. “Sem falar no suporte dentro da fábrica, de onde monitoramos a máquina, com telemetria embarcada, a fim de reduzir paradas não programadas em até 40% para melhorar o TCO.”
Para o diretor pós-venda é cultura: “E nisto nos diferenciamos, principalmente dos chineses. Pode ser que em cinco ou dez anos eles estarão fazendo igual mas, hoje, este é nosso trunfo e disso não abrimos mão”.























