São Paulo – Encerrar o ano com queda de 6% nas vendas de caminhões e ônibus, conforme projetado pela Anfavea, pode ser encarado como uma boa notícia. Os Move Brasil 1 e 2, que injetaram R$ 31,2 bilhões em crédito subsidiado ao mercado, ajudaram a amenizar um cenário que poderia ser bem pior.
Esta foi a análise de Alfredo Santana, vice-presidente da Anfavea, que participou do Fórum Veículos Comerciais, organizado por AutoData. Para ele a tendência é o mercado acomodar a recuperação dos últimos meses, que foi impulsionada por emplacamentos originados pelas vendas a partir do programa federal.
“Veremos como o mercado deverá se comportar. Na nossa visão a projeção da Anfavea está adequada”, afirmou. A entidade divulgou em julho números revisados, com recuo de 6% nas vendas de caminhões, somando 106,7 mil unidades, e de 6,1% nas de ônibus, para 22,5 mil veículos.
Até julho o cenário foi de 7,2% de queda de caminhões, 60,6 mil, e de 10,7% de ônibus, 12,5 mil unidades.
Santana disse ainda que, no caso dos ônibus, os atrasos na definição do programa Caminho da Escola jogarão parte da demanda prevista para 2026 para o ano que vem. “Após a definição ainda existirá prazo para homologação, produção, encarroçamento, liberação de financiamento. Deveremos ter efeito apenas no início do ano, se estendendo pelos demais meses”.
Chineses
Questionamentos da plateia do Fórum Veículos Comerciais, que acompanhou o evento online, trouxeram à tona a pauta dos chineses no mercado de caminhões. Só na Fenatran, em novembro, serão pelo menos seis marcas da China expondo seus modelos, ampliando para veículos pesados a presença de produtos made in China.
Para Santana a chegada dos chineses é natural e já ocorreu em outros mercados da América Latina, nos quais as associadas da Anfavea também competem. Mas o conhecimento que elas, com mais de quarenta anos de mercado brasileiro, têm do País segue sendo diferencial:
“Existe toda uma curva de aprendizado. O frotista busca disponibilidade, custo total e tem relacionamento de confiança com as marcas estabelecidas. Elas sabem que, por vezes, o veículo que circula no Nordeste precisa ser diferente daquele que roda no Sul. Tem a capilaridade da assistência técnica também”.
O vice-presidente da Anfavea mencionou, também, a possibilidade de comprar peças produzidas na China para reduzir os custos de produção dos caminhões locais. “Sempre buscamos preços mais baixos. Mas precisamos também colocar na conta todo o fator geopolítico, a distância, o custo e as dificuldades de frete. Neste sentido, faz mais sentido fortalecer a política de conteúdo local”.























